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19 de janeiro de 2015

Viva a Crise e as medidas ditas de Austeridade !


DOCUMENT - Dans un nouveau rapport sur les inégalités, l’ONG Oxfam dénonce la poursuite de la concentration de richesses aux mains de quelques riches fortunés. La thématique des inégalités sera évoquée dans le discours sur l’état de l’Union de Barack Obama, mardi.

A deux jours de l’ouverture du Forum de Davos, l’Organisation Non Gouvernementale (ONG) Oxfam jette un nouveau pavé dans la marre. Si les tendances récentes se poursuivent, «l’an prochain, le patrimoine cumulé des 1% les plus riches du monde dépassera celui des autres 99 % de la population ». En d’autres termes, les 80 personnes les plus riches du monde détiendront donc autant de patrimoine que 3,5 milliards d’autres personnes réunies.
L’an dernier à la même époque, l’ONG avait déjà défrayé la chronique en annonçant que les 85 personnes les plus riches possédaient autant que la moitié la plus pauvre de la population mondiale. Or, en 2010, le nombre était de 388 personnes... Avec son nouveau rapport, Oxfam ne fait que mettre en lumière la poursuite de la concentration des richesses aux mains de quelques personnes les plus fortunées et l’explosion des inégalités.
L’étude intitulée « Insatiable richesse », publiée aujourd’hui, montre que la part du patrimoine mondial détenu par les 1 % les plus riches est passée de 44 % en 2009 à 48 % en 2014, et dépassera les 50 % en 2016. En 2010, la fortune nette des 80 personnes les plus riches au monde s’élevait à 1.300 milliards de dollars. En 2014, le montant atteignait 1.900 milliards, soit une augmentation de 50 % en l’espace de 4 ans.

Inégalités extrêmes

En 2014, les membres de cette élite internationale possédaient en moyenne 2,7 millions de dollars par adulte. Parallèlement, les richesses des 50 % les moins bien lotis ont reculé en 2014 par rapport à 2009, souligne Oxfam qui, pour réaliser son étude, s’est appuyé sur les statistiques publiées chaque année par le Crédit Suisse et par le Magazine Forbes. Le document montre ainsi que, entre mars 2013 et mars 2014, la richesse de Warren Buffet a augmenté de 9 %, celle de Michael Bloomberg de 22 % ou encore celle de Carl Icahn de 23 %...
« L’ampleur des inégalités mondiales est tout simplement vertigineuse et, malgré les questions brûlantes qui font l’actualité, le fossé entre les grandes fortunes et le reste de la population se creuse rapidement », souligne Winnie Byanyima, directrice générale d’Oxfam.

18 de janeiro de 2015

Crise e contradições


As tentativas de saída e as contradições
de uma crise capitalista que se prolonga



«Todas as vantagens que um país obtém sobre o outro tendem a arruinar aquele que as concede», Marquês de Pombal, in Comércio e Poder, de Sandro Sideri



Prossegue, e está longe de ser ultrapassada, a crise que alguns datam e denominam como a crise de 2008, ou a crise de 2008/2009, ou ainda a crise de 2007/2009, por comodidade ou procurando dar a ideia que a crise já pertence ao passado.
O elevado desemprego, a grave situação social, o aumento das desigualdades, a estagnação ou um crescimento anémico mantêm-se nos três principais pólos do imperialismo: Estados Unidos da América (EUA), União Europeia (UE), Japão.
A chamada crise da dívida pública na União Europeia, o grave problema do endividamento externo e a ameaça de deflação que atingem tantos países não são questões distintas mas reflexos da crise que rebentou em Agosto de 2007.
A crise mantém-se praticamente há sete anos, com o sistema financeiro ainda atolado em lixo tóxico, activos sobrevalorizados e assistido pelo Banco Central Europeu (BCE) e respectivos bancos centrais.1
Estamos perante uma das mais profundas e mais longas crises do sistema capitalista. As medidas tomadas, ditas de rigor, de austeridade, de políticas de «oferta» e assentes no tudo à exportação e à redução do défice público, têm procurado, no essencial, passar os custos da crise, da capitalização e do desendividamento da banca para os trabalhadores e os povos!
Com a redução da procura interna, cada país tenta sair da crise pelas exportações, isto é, à custa do alargamento do mercado interno dos outros. Tem sido uma política votada ao fracasso pois cada país está dependente do desenvolvimento dos seus «clientes». Como a crise é sistémica e as medidas tomadas têm visado, no geral, a diminuição ou a limitação do poder de compra das massas, a saída só pelas exportações tem sido incapaz de dinamizar as economias.
O insuspeito Martin Wolf assinalava, no Finantial Times, esta questão da insuficiência da procura, afirmando que «sem um boom de crédito, a economia mundial mostra-se incapaz de gerar um crescimento da procura suficiente para absorver a oferta potencial». Reconhece a insuficiência da procura, mas a solução que avança é a velha «solução» do aumento da procura a crédito e não pelo aumento do poder de compra das populações.
Acresce que na UE há um número significativo de países que são penalizados por um euro sobrevalorizado em relação ao perfil das suas exportações.2
A esperança residia no aumento da procura externa de países como a China e dos outros países «ditos emergentes» e das locomotivas, Alemanha e EUA.
Mas estas ilusões não passaram disso mesmo, de ilusões.
A China, cujo crescimento tem vindo também a diminuir, tem absorvido alguma produção, mas, no essencial, tem vindo a satisfazer o crescimento do seu mercado interno com produção interna. Por outro lado, o modesto crescimento dos EUA tem sido alimentado artificialmente pela criação monetária e as despesas militares.
Quanto aos países «emergentes», há um recuo substancial do seu crescimento, com a «guerra das moedas» e a especulação bolsista retirada de capitais, e a redução significativa dos seus mercados internos.
A produção industrial, tal como o consumo interno, caíram para o nível de 2009 em dezanove dos mais importantes países emergentes. As exportações também caíram ou estagnaram.
O Japão regressou à recessão, apesar das diversas tentativas para combater a deflação pela expansão monetária. Na UE a crise deixou de atingir somente a periferia para atingir também o centro Alemanha, França, Itália.
O mundo não entrou globalmente em recessão, mas o que se prevê é um longo período de fraco crescimento e de estagnação, não sendo de excluir novas «explosões»!
Mesmo os «mercados financeiros» prevêem «um crescimento e uma inflação anormalmente fracos na zona euro até 2017, seguido de uma melhoria, mas numa situação ainda não completamente normalizada até 2020», Natixis, 13/10/2014, N.º 795.
Passou o tempo da apologética da globalização triunfante, das exportações como único motor do crescimento e das políticas ditas de austeridade, que mostraram, na prática, a sua falência.
Não deixa de ser irónico que, face à falência da orientação seguida, políticas de crescimento, investimento público e grandes obras públicas apareçam agora a ser defendidas por responsáveis de várias instituições internacionais (FMI, OCDE, ...) e por dirigentes da social democracia, sem deixarem de referir, sintomaticamente, a continuação da defesa das «reformas estruturais».3
O «mix» de políticas de investimento, com «reformas estruturais», leia-se em relação a estas a liquidação do Estado social e liquidação de direitos laborais, é agora a palavra mágica nas intervenções de responsáveis políticos, designadamente sociais-democratas, para responder à crise... em palavras.
O «mix» de políticas e a flexibilização do défice são dois vectores que vão sendo acenados como resposta à crise na UE.

16 de janeiro de 2015

A maioria deseja o renascimento da URSS

Uma cadeia de televisão russa, de orientação liberal, (TV business RBC TV) realizou uma sondagem sobre qual o maior desejo que pediriam ao “Pai Natal”. O resultado foi que 59,3% das respostas formulavam como maior desejo o "renascimento da URSS”! Atendendo às características do canal, cujo auditório não será maioritariamnete de trabalhadores,  mais significado tem a resposta.
Também, a Gallup (norte-americana) realizou uma sondagem em 11 repúblicas pós-soviética sobre como cada pessoa comparava a situação atual com a anterior. No conjunto, apenas 24% considerou a desintegração da União Soviética como facto positivo. No que se refere a Rússia, 55% consideraram a mudança prejudicial e apenas19% acreditava que houve uma melhora no seu estilo de vida.
Estes resultados são no fundo consistentes com os do referendo de 17 de março de 1991, onde os soviéticos votaram por uma maioria esmagadora para o prosseguimento da URSS.
À questão: "Considera necessária a manutenção da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas como uma federação de repúblicas de igualdade soberana na lei, no qual será garantido os direitos e liberdades das pessoas, independentemente da sua nacionalidade?" Com uma forte mobilização (80%), 76,4% dos eleitores então tinha manifestado seu compromisso com a manutenção da URSS.
Esta votação que então já nada podia denegrir como antidemocrática e a única manipulação existente era pela propaganda que desde nos anos recentes campeava contra o sistema soviético e o passado da URSS.
Este referendo não só foi ignorado pela propaganda ocidental (leia-se capitalista) como era então diariamente apresentado na comunicação social manifestações pelo fim do que afinal era o seu país ou declarações de entrvistados, sempre no mesmo sentido antisoviético.
Gorbachev não levou em conta a votação e assinou o decreto dissolvendo a URSS... sendo por isso considerado pelo imperialismo um “grande democrata”. Ficará na história como alguém que traiu o seu próprio povo que hoje só nutre por ele indiferença e desprezo.
Um quatro de século depois e de terem experimentado o capitalismo o vínculo à pátria soviética não se apaga.

7 de janeiro de 2015

Quem tinha razão


NOTAS:


Qem tinha razão?

1. Quando o PCP dizia que, se o BCE interviesse, era possível baixar as taxas de juro aos empréstimos das dívidas públicas, os governos do PS e do PSD/CDS disseram que não. Afinal, como agora se vê, sempre era possível. Bastou o BCE intervir e ameaçar. Mas, durante estes anos, os mercados (grandes bancos, companhias de seguros e fundos financeiros) ganharam milhões à custa dos povos português, grego, espanhol, irlandês...
E, sendo isto hoje uma evidência, a pergunta a fazer é se os responsáveis por deixarem a especulação à solta, designadamente o BCE e a Alemanha não deveriam ser pressionados politicamente a compensar estes povos pela política seguida.

2. Quando o PCP dizia que a política dita de austeridade levava à concentração da riqueza e à deflação, PS, PSD, CDS diziam que não, que a política seguida era a única possível.
Hoje, o PS já dá o dito por não dito, e o PSD/CDS fazem de conta, perante a evidência de que Portugal e agora o Chipre estão em deflação.
Afinal o PCP tinha razão quando falava na «japonização» da União Europeia. A deflação aí está. E não se diga que é o preço do petróleo, pois a tendência já vem de longe!

3. Dizer que a economia do País está melhor é um refinado embuste. No entanto, foi o que disseram Cavaco, Passos e a corte de comentadores do sistema na passagem do ano
Desde a troika, o PIB caiu 6%. Mas este ano, dizem eles, o PIB crescerá um glorioso 1%e tal %
Partindo de uma base tão baixa, e de factores favoráveis como o preço do petróleo, a baixa da taxa de juro, a depreciação do euro, um tão modesto crescimento só revela o estado de destruição do aparelho produtivo do País. Com as taxas de crescimento previstas, nem em 2017 alcançaremos o nível do PIB que tínhamos quando entrou a troika!
Mas não foi só o PIB. Destruíram meio milhão de empregos e o investimento caiu cerca de 30%.
A degradação das estruturas , a falta de manutenção em praticamente todos os sectores  vai pagar-se caro!
Diminuiu a população activa, com a saída de imigrantes e o aumento da emigração. Baixou a natalidade e aumentou o envelhecimento da população.
A desertificação interior cresce a olhos vistos, mas o País está melhor, dizem os responsáveis pelo seu afundamento.
Até a dívida, em vez de diminuir, aumentou!!!

4. A mudança é urgente. Infelizmente, o PS continua a navegar na ambiguidade e, no essencial, a defender a mesma política. Para enganar eleitores pode apelidar a sua política de «economia social de mercado», termo já utilizado no Tratado de Lisboa que, como se viu, levou a Europa para os píncaros do desenvolvimento!
O grande académico Vital Moreira, grande defensor do Tratado Transatlântico, considera que, com a «economia social de mercado», está descoberta a pedra filosofal que dará resposta à crise do sistema capitalista. Coitado, ao que chegou o professor...

7 de Janeiro de 2015

6 de janeiro de 2015

Quando eles se confessam !

No último numero do Expresso , Henrique Monteiro director deste semanário fazia a pergunta : Passos ainda pode ganhar ?
E respondia :  " (...) não Passos não vai ganhar as eleições (...) "
E acrescenta : Costa "será o próximo primeiro- ministro . É a alternância a funcionar... e a alteração não será de monta .
 Costa fará acordos à sua direita .À mesma que , por ter estado no poder nos anos piores da crise, perde.
Como Costa perderia , acaso tivesse sido primeiro-ministro nos últimos anos.
Eu sei que isto não é épico .
É apenas o que é . "
Monteiro confessa que o que está à vista é mais do mesmo , a alternância e não a alternativa , que  Costa sucederá a Passos sem alterações de monta na política , que passos fará acordos com a direita e não com a esquerda  .
O rotativismo...
O que diria Monteiro se fosse o PCP a dizer isto mesmo ?
Diria como têm dito analistas e comentadores da imprensa do sistema : Não querem exercer o poder para não se queimarem , sectários , populistas , responsáveis por não haver alianças à esquerda ....


O desemprego e as manipulações dos centros de emprego com a limpeza dos ficheiros


( 13,9 % - novembro 2014 )

Nota sobre a estimativa do Emprego e Desemprego em Novembro


  1. Desde o passado mês de Novembro o INE finalmente passou a divulgar as estimativas mensais do Emprego e do Desemprego. Desta forma para efeitos de cálculo das estimativas mensais do Desemprego a partir do mês de Outubro deixaram de ser considerados os números dos Desempregados inscritos mensalmente nos Centros de Emprego. A partir desta altura o INE utiliza uma metodologia própria que lhe permite a partir do Inquérito Trimestral ao Emprego estimar a evolução mensal do Emprego e do Desemprego, informação esta que é enviada para o Eurostat e que amanhã será divulgada simultaneamente com os dos outros países da União Europeia.
  2. Curiosamente ou talvez não a partir do momento em que a única fonte informativa para o cálculo mensal do Emprego e do Desemprego passou a ser o INE, o Desemprego começou a subir e o Emprego a descer.
  3. Com os valores já corrigidos de sazonalidade o que os últimos dados do INE agora divulgados nos mostram é que em Novembro passado estavam desempregados 713 700 trabalhadores correspondentes a uma taxa de Desemprego de 13,9%, quando em Setembro o nº de Desempregados era de 684 200 e a taxa de Desemprego era de 13,3%. Ou seja só em dois meses, caíram no Desemprego mais 29 500 trabalhadores e a taxa de Desemprego aumentou 0,6 pontos percentuais.
  4. Os dados do Emprego, também corrigidos de sazonalidade, por sua vez mostram-nos que neste mesmo período (entre Setembro e Novembro) foram destruídos 25 300 Empregos.   
  5. Estes dados sobre o Emprego e Desemprego associados com a evolução da Produção Industrial e com a evolução do volume de vendas no Comércio e Serviços indiciam claramente um novo abrandamento na evolução do PIB no último trimestre do ano de 2014.
CAE, 6 de Janeiro de 2015
José Alberto Lourenço  

5 de janeiro de 2015

A dívida, a alternativa…e os direitos humanos

Uma entrevista do presidente do Equador, Rafael Correia, (1) mostra como um pequeno país de pouco mais de 15 milhões de habitantes, dominado pelos EUA e multinacionais, lhes fez frente com êxito. Duas condições básicas: defesa absoluta dos interesses nacionais e unidade popular.
São aliás estas condições que a política de direita e seus “consensos” procura por todos os meios combater, desacreditar, pondo os interesses das multinacionais, da finança, das oligarquias, acima dos interesses do povo e do país.
O Equador realizou uma auditoria à sua dívida externa utilizando critérios internacionalmente definidos, eliminou assim o que foi considerado dívida ilegítima. A partir daqui renegociou com êxito a dívida nos seus juros, prazos, e montantes. Surpresa: hoje é a finança internacional que procura fornecer capitais ao Equador e tem atribuída a classificação AAA.
No início diziam: se não pagar, não damos mais. Mas o Equador pagava muito mais do que recebia! Tal como Portugal. A direita enche a boca com o dinheiro que vem de Bruxelas e com os empréstimos senão era a bancarrota, quando há mais de uma década que o país é contribuinte líquido, contando com juros e transferência de capitais e lucros.
Diz RC: Os interesses do capital financeiro, dos banqueiros internacionais, do FMI, são pura ideologia, não é teoria, não é nada. Aqui no Equador, estamos defendendo os interesses do povo e não os do capital financeiro. Chamam a isto populismo. Populismo: é o termo da elite, quando não entendem o que está acontecendo. Tudo o que eles não entendem, é populista. Definam o que é populismo... porque este governo é  o mais técnico que alguma vez teve este país.
As perguntas do jornalista espanhol oscilaram entre a provocação e a manipulação de conceitos, semelhantes ao que é vigente na comunicação social e partidos do “consenso” neoliberal-imperialista.
RC é então acusado de ter sido duro com empresas petrolíferas que operavam no país. Resposta – Elas pilhavam o país. (o jornalista escandaliza-se) Não havia ninguém para defender o país. Os advogados das multinacionais eram ministros. O país ficava com apenas 20% do rendimento. As negociações duraram 3 anos, mas a situação inverteu-se. Algumas empresas partiram, moveram processos internacionais. A produção privada baixou. Mas não fomos derrotados. Obtivemos o fim desses contratos, passaram a empresas do Estado, a Petroamazonas, e a produção manteve-se.
Expropriou-as, diz o jornalista. Não, eles é que partiram e os recursos voltaram para o seu legítimo proprietário: o povo equatoriano.
Hoje a China financia projetos de desenvolvimento. A China faz-nos empréstimos, tal como a Rússia, o Brasil, etc. Sem nos imporem condições.
Aqui aparece a história dos direitos humanos, visto não haver mais argumentos: Negociar com a China, que não é o melhor exemplo de país que respeite os direitos humanos…
RC - Nessas circunstâncias, não falávamos com ninguém, porque o país que mais viola os direitos humanos no nosso continente são os Estados Unidos.
Esta entrevista parece-nos um esclarecedor contributo para uma real alternativa política no nosso país em que, a propósito de direitos humanos, refira-se que são constantemente violados em Portugal, e por praticamente toda a UE, sob a canga da austeridade.
Sim, uma alternativa é possível…