6 de agosto de 2026

Auditando a afirmação: "A Rússia está a perder." - Conclusão

A autora - lily357 - faz intervir no texto o fator chinês ignorado nos media. A China tem fornecido apoio económico e diplomático à Rússia. O comércio chinês com a Rússia tem aumentado 25% ao ano desde 2022. A cooperação tecnológica chinesa permitiu alternativas à tecnologia ocidental. A integração no sistema financeiro chinês CIPS (Cross-border Interbank Payment System) e com o yuan, proporcionou alternativas aos sistemas ocidentais e ao dólar.

A China não forneceu armas nem tropas, mas tem linhas vermelhas, comunicadas por declarações do governo, media estatais e outros canais. A linha vermelha chinesa é que a Rússia não deve ser derrotada militarmente pelo ocidente, isto significaria a destruição da arquitetura multipolar dos BRICS, da OCS, da Iniciativa do Cinturão e Rota e outros instrumentos de competição estratégica com os Estados Unidos. Significaria a infraestrutura da NATO posicionada ao longo da fronteira norte da China, dando aos EUA uma profundidade estratégica muito ampliada. Significaria que a base crítica de energia e recursos minerais da Rússia seria capturada pelos interesses ocidentais, em vez de estar disponível para a China. Significaria também a eliminação ou redução do veto russo no CS da ONU e que a China teria de enfrentar os EUA sozinha sem o peso diplomático, económico e militar que a Rússia acrescenta à posição multipolar.

Que intervenção a China faria caso a Rússia se aproximasse da derrota não é explicitada, mas a posição da China foi sinalizada o suficiente para ser compreendida no ocidente. No caso de um colapso convencional russo a intervenção chinesa poderia incluir o fornecimento de armas, apoio económico direto, pressão militar no Pacífico, forçando os EUA a retirar recursos da Europa, além de ações diplomáticas na ONU e em outros fóruns contra a escalada ocidental. As linhas vermelhas da China existem, são públicas, a ignorância de comentadores não muda a realidade.

Algumas conclusões:

- A Rússia não está isolada. A Rússia é parceiro da China na coligação multipolar. A tentativa ocidental de derrotar a Rússia não é apenas um confronto com a Rússia. É um confronto com a coligação sino-russa-iraniana-sul-global para destruir a arquitetura multipolar.

- A Rússia está vencendo lentamente, por meio de atrito cumulativo, enquanto a posição ucraniana se deteriora mais rapidamente que o nível de apoio ocidental. A comparação das forças militares favorece a Rússia. A NATO tem mais pessoal no papel, mas a Rússia tem uma capacidade de combate mais experiente. O complexo industrial de defesa russo opera com taxas de produção mais altas que a NATO.

- A mudança energética foi um desastre estratégico para a indústria europeia. A produção industrial alemã caiu cerca de 15% entre 2022 e 2026, a italiana caiu 12%, a francesa 9%. As sanções conduziram a GNL dos EUA com um custo energético três a quatro vezes o nível pré-guerra, destruindo a competitividade da indústria europeia. A desindustrialização da Europa é real e estrutural.

- A economia russa está limitada, mas estável e crescendo, embora com restrições crescentes. A economia ocidental está numa situação significativamente pior e os custos do apoio à Ucrânia esgotam a capacidade financeira ocidental. A questão é qual lado atingirá primeiro o limiar em que a atual postura se torna insustentável. O limiar da Rússia estará entre 2027 e 2028. O limiar ocidental está mais próximo. Se não houver uma grande escalada, a comparação económica favorece a Rússia na sustentabilidade do esforço de guerra.

- Os gastos militares russos, 6 a 8% do PIB, são sustentáveis no médio prazo dada a base de recursos, mostrando a capacidade de absorver os custos da guerra sem necessidade de medidas extraordinárias, diante do atual nível de pressão ocidental. Porém, se a Rússia continuar a absorver a escalada ocidental, a médio prazo pode perder a sua posição estratégica em relação ao rearmamento europeu.

- Em caso de aumento de pressão da UE/NATO, chegaum ponto em que a Rússia terá que ou aceitar a deterioração gradual da sua posição ou impor custos diretos ao ocidente - solução iraniana - esse ponto está mais próximo do que a Rússia reconhece.

- Se o ocidente aceitar que a Rússia não pode ser derrotada militarmente, a guerra terminará com um acordo que reconheça os objetivos da Rússia e cesse a destruição da Ucrânia. Se o recusar, os caminhos restantes são: continuação da escalada convencional até que a Rússia capitule ou imponha custos diretos à Europa para quebrar a máquina de guerra europeia ou uma escalada nuclear.

- A escalada nuclear está a ser discutida em alguns setores ocidentais. O New START expirou em fevereiro de 2026, removendo os limites formais aos arsenais nucleares estratégicos dos EUA e da Rússia. O relógio do Juízo Final nuclear está mais próximo da meia-noite do que em qualquer outro momento desde 1947.

As figuras da elite ocidental, estão-se preparando para as consequências da guerra nuclear, comprando bunkers na Nova Zelândia, Islândia, etc., preparando-se para a catástrofe que o discurso mediático aproxima. A elite, venerada pelos comentadores, sobreviverá nos seus bunkers e propriedades offshore. Os que alinham na retórica de que a Rússia está a perder, não estão preparados para nada, não têm bunkers, morrerão como quaisquer outros na troca nuclear que ajudam a preparar - caso no ocidente o bom senso não se manifeste antes que o limiar seja ultrapassado.



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