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14 de março de 2026

Os Estados Unidos tinham um plano, o Irão também

Planos para dominar o Irão veem de há muito. Em 1953, o PM Mossadegh foi derrubado, preso e instaurada a ditadura de Reza Palevi e a sua Savak. Depois da Revolução Islâmica de 1979, o Iraque sob Saddam serviu para uma guerra com centenas de milhar de mortes, que não venceu. Ao uso das máfias, Saddam foi depois assassinado à ordem dos seus chefes, os EUA.

Agora a estratégia de Trump tinha três objetivos: 1 - Mudança de regime: as estruturas de comando político e militar continuam a funcionar. 2 - Acabar com o programa nuclear do Irão - algo que nunca esteve em causa e tendo sido alcançado um acordo abrangente nas negociações em Genebra. 3 - Eliminar a ameaça de mísseis balísticos - o Irão continua a lançar mísseis apesar dos ataques em curso.

Nenhum objetivo foi alcançado. O Irão tinha um plano, devidamente estruturado concebido para manter a capacidade de retaliação mesmo sob ataque sustentado.

Dominar o Irão integra-se numa estratégia concebida pelos EUA há mais de 30 anos, incluído num conjunto de países considerados ameaças: Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão. A situação em que estes países se encontram (e Israel agora para lá caminha) justifica Pepe Escobar qualificando os EUA como o Império do Caos.

Por de trás disto está a urgência dos EUA recuperarem a posição do petrodólar. Dominar o Irão, seria um "pesadelo para a China"; haveria um "novo Médio Oriente" e os Estados Unidos "ganhariam muito dinheiro." (senador Lindsay Graham).

A propaganda mediática demoniza o Irão como um Estado terrorista, criando na opinião publica a aceitação que derrubar o governo iraniano é legítimo (ou qualquer outro por decisão dos EUA)  mesmo em violação da Carta da ONU, direito internacional, etc. Noticiários e "comentadores" têm por função validar estas situações.

O problema é que o ataque da coligação EUA-Israel em junho de 2025 não destruiu as instalações de energia nuclear, nem o ataque atual destruiu o sistema político iraniano. Agora o plano é: bombardear, esperar para ver o que acontece e planear depois. Compraram assim uma guerra que se prevê longa e com enormes custos para os EUA.

Diz o Conselheiro de Segurança dos EUA, Stephen Miller: "Nunca na história houve uma aniquilação mais total, assimétrica e unilateral de um inimigo do que aquela que está a desenrolar-se no Irão", "Os EUA destruíram a sua marinha, mísseis, estrutura de comando e liderança". 

Realidade: bases dos EUA em todo o Médio Oriente, destruídas; jatos dos EUA sobre o Irão: destruídos; defesa aérea Patriot: destruída; radares dos sistemas THAAD dos EUA nos EAU e Jordânia: destruídos; radares dos EUA para rastrear mísseis balísticos: destruídos.

Segundo dados divulgados, uma estimativa dos custos que os EUA suportaram em equipamentos e armamentos, atingem em doze dias, 30 mil milhões de dólares. Mais que a estimativa inicial de Washington para toda a guerra.

1. Custo do posicionamento e prontidão das tropas: As estatísticas oficiais mostram que o custo de transferir e manter as tropas americanas no Médio Oriente em prontidão é de cerca de 1 mil milhões de dólares por dia, em doze dias cerca de 12 mil milhões. 2. Transferência de tropas e equipamentos: incluindo o sistema THAAD para a região, cerca de 1000 milhões de dólares. 3. Operações dos bombardeiros B-2 Spirit, o custo do voo, a distância de ida e volta e a duração da missão, custo estimado em cerca de 150 milhões de dólares. 4. Danos aos caças: de acordo com o Pentágono, 4 caças F-15 foram destruídos - um prejuízo de cerca de 400 milhões de dólares. 5. Danos aos sistemas de radar e defesa: incluindo radares relacionados ao sistema THAAD, um prejuízo de cerca de 2 mil milhões de dólares.o radar de alerta precoce FPS-132 na base Al Udeid, no Catar, tinha um valor superior a 1000 milhões de dólares. 6. Outras infraestruturas militares: perda de equipamentos de defesa Patriot, centros de comunicação via satélite e centros de comando em várias bases prejuízos de centenas de milhões de dólares. 7. Drones abatidos: dados divulgados, 11 drones MQ-9 Reaper e mais de 90 drones de outros modelos foram abatidos, com um custo total entre 9 e 10 mil milhões de dólares.

Podemos acrescentar 23 mil milhões de dólares que os EUA deram a Israel desde outubro de 2023. Além do que será necessário para repor (se for o caso) em funcionamento as bases atacadas.

Se o Irão continuar a retaliar, apesar dos ataques dos EUA, e Hormuz se mantiver fechado, a guerra tem a incógnita da sua duração até os EUA serem pressionados pelos Estados do Golfo e finança mundial, para oferecerem um cessar-fogo, o que representaria uma vitória estratégica para o Irão.

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