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9 de fevereiro de 2011

O seu a seu dono

No jornal I , Ana Sá Lopes uma jornalista com concepcões políticas diferentes das minhas, mas a quem reconheço competência, com uma escrita agradável e clara e que foi uma grande jornalista parlamentar, assina hoje um editorial que aconselho a leitura e que diz ,com talento ,o essencial do que pensávamos escrever aqui sobre o ùltimo Conselho Europeu
Diz-nos Ana Sá Lopes, com humor :"O Tratado de Lisboa foi porreiro,pá,como disse Sócrates a Durão, mas já está vagamento desactualizado. A verdadeira Constituição europeia è a que Merquel e Sarkozy estão a negociar e desta vez o referendo devia ser obrigatório."
E,sem ambiguidades,sublinha também:"É verdade que a adesão ao euro- percebemos agora,porque na altura só perceberam João Ferreira do Amaral e o Partido Comunista- assentou num voluntarismo desejoso. A Crise da zona euro veio revelar dolorosamente como eram mesmo incompatíveis uma economia frágil(como a portuguesa) e uma moeda como o marco alemão, de que o euro é uma simples cópia"...

8 de fevereiro de 2011

"O Público", a isenção, o seu "livro de estilo" e os Partidos

O Público de hoje na sua coluna do sobe e desce, última página, coloca o Secretário Geral do PCP a subir. Confesso que quando vejo estes mimos neste jornal fico logo de pé atrás. No Público o SG do PCP está a subir, porque anunciou que o PCP estava disposto a avançar com uma moção de censura, "dominando a agenda politica". Até aqui nada de especial. Logo a seguir qualifica.
"Uma manobra certa na altura certa"."Manobra?".Para o Público o afirmar estar-se disposto a avançar com uma moção de censura, em resposta a uma pergunta é manobrismo. Se tivesse sido outro partido o Público diria o mesmo?
Acrescenta depois que para "um Partido de protesto", não está nada mal.
Um partido que apresenta ao longo de uma legislatura centenas e centenas de propostas no Orçamento e fora do Orçamento , projectos de lei, resoluções e que tem a mesma postura no Parlamento Europeu e nas Autarquias é para este jornal, não um Partido de proposta e projecto, mas de protesto.Porquê? Porque não tem estado no governo, porque mobiliza as massas e não se limita à política parlamentar? E o Público quando se refere ao PS e ao PSD, por exemplo,também os adjectiva de partidos da banca, dos grandes interesses, da situação, do rotativismo? Almas Gémeas?
Mas o Público não fica por aqui e afirma a seguir que os principais perdedores são os "jovens bloquistas" face à "velocidade" dos veteranos da "Soeiro"
Duas observações: a primeira para sublinhar que para o Público a disponibilidade manifestada pelo PCP, não vale por si mesma, mas apenas porque se antecipou-"velocidade"- ao Bloco. Isto é, procura levar o leitor para o campo do manobrismo e para a disputa entre partidos ditos de "protesto", partidos que para o Público não contam...Grandes democratas, grande jornal de "Referência"!
A segunda para dizer que com o envelhecimento da sociedade portuguesa todos os Partidos são "veteranos", ou será que o pessoal dirigente do PS onde encontramos Manuel Alegre, Almeida Santos...ou do PSD, com Manuela Ferreira Leite ... ,têm uma média de idade inferior aos outros?.E o mesmo se podia dizer olhando para os grupos parlamentares. O grupo parlamentar e os dirigentes do B.E. são mais novos do que os do PCP? O Público está-se a referir a quem? Ao jovem Louçã, ao mocetão do Fernando Rosas, à puberdade viçosa de Fazenda , às não balzaquianas x,y,z,mesmo considerando que estas hoje nada têm a ver com a época de Honoré Balzac !
No Público o olhar do preconceito, das ideias feitas e do sectarismo faz esquecer
o dever de isenção, o respeito pelos leitores e até pelo seu "livro de estilo"
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Com a recessão à porta

A Núcleo de conjuntura da Universidade Católica Portuguesa  acabou de divulgar as suas estimativas de evolução da economia portuguesa no 4º trimestre de 2010. A confirmarem-se as suas previsões a nossa economia terá registado uma evolução negativa, com uma variação de -0,3% em relação ao 3º trimestre de 2010, a taxa de desemprego ter-se-á mantido nos 10.9% no 4º trimestre, a procura interna terá caído novamente como no 3º trimestre e as exportações, variável que sustentou o crescimento do PIB em 2010 registaram alguma desaceleração no seu crescimento, neste ´último trimestre de 2010.
Estes são alguns sinais macroeconómicos que conjugados com os indicadores de conjuntura divulgados pelo INE indicam que a nossa economia poderá já no 1º trimestre do corrente ano entrar num novo ciclo recessivo.
Na próxima semana com a divulgação das estimativas rápidas das Contas Nacionais do 4º trimestre de 2010 e com os resultados do Inquérito ao Emprego do 4º trimestre teremos a confirmação destes dados.
Se juntarmos a tudo isto, os cortes nos salários, o aumento das retenções do IRS para os trabalhadores, o aumento do IVA, o aumento dos combustíveis, dos transportes e dos bens essenciais e os cortes nas pensões de reforma, no subsidio de desemprego e nos apoios sociais, estão na verdade a ser criadas as condições objectivas para que em 2011 se conjugem todos os factores necessários a uma profunda recessão.
E venham depois acenar-nos com o aumento das exportações, como se este aumento fosse capaz de superar todas as quedas que se irão registar no consumo privado, público e investimento.
Aliás, não deixa de ser significativo que ao apostar-mos apenas nas exportações, estamos simplesmente à espera que melhore a poder de compra dos espanhóis, dos alemães, dos franceses e dos ingleses, para que possam comprar aquilo que nós lhes queremos exportar. Em contrapartida para os portugueses aquilo que o Governo lhes propõe é o apertar ainda mais do cinto.
Como se vê até parece fácil e sai mais barato apostar só no milagre das exportações.
   

5 de fevereiro de 2011

Cimeira Europeia - notas breves

1)Mais uma vez ficou claro que a União Europeia tem um Directório de Grandes potências,que se reunem préviamente para imporem medidas acordadas entre si, fazendo dos restantes países, membros de segunda.
2)Mais uma vez vimos dois "palhaços portugueses",um na Comissão a dizer que avançar para mais federalismo é o caminho e outro a considerar como facto histórico positivo uma Cimeira em que é proposto , mais alienação de soberaniae mais submissão.São os mesmos do - foi porreiro pá- e os seguidores dos que também consideraram históricamente positivo a "Agenda de Lisboa" que tornaria a U.E. em 2010 o espaço mais avançado no conhecimento, no desenvolvimento na competitividade e no emprego....
3)Nas propostas o desgastado "Pacto de estabilidade e crescimento", passaria a chamar- se de Convergência ,leia -se,de convergência de políticas ditadas pelo Directório, a competitividade continuaria a repousar sobre os slários,acabando-se com maus exemplos como a indexação dos salários á taxa de inflaçao que vigora na Bélgica, Luxemburgoe Austria e a idade da reforma passaria para os 67 anos ...
4)Medidas concretas para acabar com a especulação sobre as dívidas públicas nada.Este debate ficará para Março, para depois de umas importantes eleições alemãs.
Merkel manda e os submissos, para não chamar lacaios, obedecem ...Mais um facto histórico

4 de fevereiro de 2011

Casa da Coelha ou casa da Mariquinhas

Não é assunto que me interesse e pouco tempo lhe tenho dedicado,tal como às mais valias obtidas pelo cidadão Aníbal com as acções do BPN. Mas ficou claro que este não esclareceu as questões da compra dessas acções e essas é que são importantes para se conhecer a justeza do processo e não a venda .Tal como em relação à casa a questão não fica esclarecida dizendo-se que se pagou a sisa devida, questão que, aliàs, ninguém levantou... Uma coisa é certa:Aníbal não fica bem na fotografia.
Mas se levanto aqui estas "trapalhadas", para não lhe chamar outra coisa é para regressar ao discurso da vitória eleitoral- e isto já me interessa- e contestar a afirmação de que se tratou da vitória da verdade sobre a mentira. Uma vitória eleitoral não legitima o que é ilegitimo.A afirmação de Aníbal poderia também ser proferida por Isaltino Morais ou Fátima Felgueiras ou por Bernard Tapie ou...ou...

Um novo PEC a caminho...

Sócrates voou hoje para Bruxelas para assistir a mais um Conselho Europeu com a encomenda feita e recado dado. A encomenda veio embrulhada nessa comunicação da Comissão com o título”Análise Anual do Crescimento: uma resposta global da UE à crise”, que na língua da senhora Merkel chamam de “pacto para a competitividade”. A encomenda é grossa e pesada para os do costume: mais impostos indirectos; novas reduções de salários reais; uma nova contra-reforma do mercado de trabalho com novos aumentos dos horários e despedimentos mais fáceis e mais baratos,; novas medidas para elevar a idade da reforma e privatizar o sistema de protecção social, sob o pretexto da imperiosa necessidade de reformar os regimes de pensões; realizar reformas estruturais urgentes no mercado dos serviços, isto é, um novo e decisivo avanço no processo de privatização e liberalização dos serviços públicos (Passos Coelho também recebeu a encomenda lá em casa e já se foi antecipando com a sua proposta de fecho das empresas públicas). O “governo económico europeu” já tem programa. É o programa neoliberal habitual,agora a coberto da crise. Desta vez e quando chegar a Lisboa de volta, Sócrates já não vai precisar de dizer que o mundo mudou para impor o novo Pacote de medidas de austeridade lá para fins de Março, dirá apenas que este conjunto de propostas e medidas são para garantir uma Europa mais forte. Não diz de qual Europa fala, mas palpita-nos que será a dos mais fortes.

3 de fevereiro de 2011

Vampiros

Segundo a imprensa de hoje o BCP,BES e BPI tiveram de lucros líquidos 996,9 milhões de euros em 2010 e o seu encargo fiscal caiu 83%.A "factura" fiscal destes três bancos passou de 202,4 milhões em 2009 para 34,8 milhões no ano passado.!Um escândalo!Sobre esta brilhante contribuição da Banca para pagar a crise o Governo ,o P.R..Paulo Portas e Pedro P. Coelho não têm nada a dizer.?..Vão ver que vão ficar como sempre, caladinhos. Aposto singelo contra dobrado ...