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8 de abril de 2011

O PEQUENO DICIONÁRIO CRÍTICO - 9 - OS “ELEVADOS CUSTOS SALARIAIS” – II

É oportuno apresentar o que consta no relatório elaborado em 2010 pela comissão especialmente designada na U E para o estudo da competitividade europeia:
“Tem sido sugerido que os grandes aumentos de salários (unit labor costs) poderiam explicar, se não a crise pelo menos a sua profundidade e duração. Contudo o desenvolvimento dos salários não parece ter tido um significativo efeito para além de serem associados ao aumento geral de preços. Tal como previamente discutido, se há alguma relação entre os salários e o desempenho à exportação será fraco e de segunda ordem de grandeza comparada com a deterioração da balança comercial – e portanto a primeira (isto é, o salário) não pode ser a causa da segunda (ou sejam, os défices da balança comercial).”
Quanto a nós, e em complemento do que dissemos antes (1), tem que ver com algo que o neoliberalismo recusa considerar: a estrutura económica e a especialização a que mecanismos de mercados controlados em função dos interesses dos mais fortes condenam os países mais frágeis economicamente.
Vale a pena reter ainda outra conclusão do mesmo relatório, embora Portugal não se possa incluir nos Estados a que os autores se referem: “grandes aumentos nos salários de alguns Estados Membros não tiveram reflexos na sua quota-parte de exportações no comércio mundial nem mesmo dentro da zona euro”. Isto é, precisamente o contrário que propagandistas religiosamente escutados pela comunicação social afirmam.
A crise actual é um caso de recessão na procura que, para além de algumas especificidades, poderíamos considerar clássico. Há quem sabiamente afirme que não, que se trata, isso sim de uma crise dos mercados. Forma curiosa de nada dizer. Então como se explica a crise dos mercados?
Claro que a finança e os oligopólios – de mão dada com os “seus” políticos e exegetas - não querem reconhecer as verdadeiras causas da crise para não perderem os privilégios que anteriormente acumularam. Neste sentido, as reduções de salários e os apelos para reduzir o “estado social” tem como consequência evidente o aprofundamento da crise.
O rendimento dos trabalhadores é o factor chave na geração da riqueza nacional de um país. Os baixos salários são um entrave ao desenvolvimento económico.
O salário é no contexto de uma política progressista e patriótica, um factor de desenvolvimento económico. Uma das funções do salário é o estabelecimento de adequadas formas de avaliação do desempenho e da correspondente recompensa, como factor decisivo da motivação e do consequente aumento da produtividade. Mas não só, é necessário que os trabalhadores se identifiquem com as políticas seguidas, que as reconheçam e as tomem como suas.
Se queremos reduzir os custos das empresas temos de ir não aos salários, mas aos custos que o grande capital financeiro e oligopolista impõem ao sector produtivo, em particular às MPME. A questão que pode pôr-se é: então o Estado não tem obrigação de intervir como regulador?
Terá, mas que esperar quando a filosofia posta em prática pela política neoliberal é que só ao capital ao privado é permitido conduzir acções no campo da economia real? O Estado acaba por abandonar a capacidade de regulação ou esta regulação reduz-se a um simulacro ao sabor dos mesmos interesses privados que deveria controlar.
O salário é um valor social. A actual teoria económica do capitalismo, o neo-liberalismo, no essencial não reconhece os valores sociais associados à macroeconomia. Nas suas teses, a macroeconomia é o somatório de microeconomias, as empresas, em concorrência perfeita – algo que não existe na prática – ignorando os factores de custo e de benefício social, designadamente o custo social do desemprego, das desigualdades na distribuição do rendimento, nos desequilíbrios regionais, entre outros.
O dinheiro só tem valor se for retribuição em troca de trabalho humano. Só o trabalho humano, a força de trabalho, cria valor. A actual crise mostra justamente que o dinheiro gerado na especulação financeira não tem qualquer valor real. Transformar “capital fictício” em “valor” só pode ser feito pelo “trabalho”. É esta a razão das actuais políticas de austeridade impostas pelos directórios supranacionais, cujas medidas se limitam a aumentar a exploração da generalidade dos trabalhadores.
O trabalho não é apenas um valor económico, é o criador de “valor”, a origem de todos os valores quer económicos como sociais. O “valor” por excelência, sem o qual os demais não terão qualquer espécie de consistência.
Os direitos dos trabalhadores não são “privilégios”, nem “mordomias” como a propaganda populista pretende fazer crer, são valores civilizacionais da maior elevação. Quando os trabalhadores lutam pelos seus direitos lutam afinal pela sociedade no seu todo, pela sua elevação civilizacional.
Considerar direitos laborais, que são direitos de cidadania, “privilégios e mordomias” mostra a degradação moral, intelectual e ideológica a que chegou o primarismo do pensamento reaccionário. (2)

1) Ver: 5 - A vantagem comparada e a 1ª parte deste tema.
2) Ver: 1 – Políticos e Políticas

NOTA - Sublinhados nossos

A seguir: 10 – Flexibilidade - I

7 de abril de 2011

O ataque à Líbia visto por um assessor de Reagan

O Novo Colonialismo por Paul Craig Roberts, 1 de Abril de 2011 “Information Clearing House” O que estamos a ver na Líbia é o renascer do colonialismo. Apenas, esta vez, não são governos europeus individuais a competir por impérios e recursos. O novo colonialismo opera sob a cobertura da “comunidade internacional”, o que quer dizer a NATO e os países que cooperam com ela. A NATO, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, foi anteriormente uma aliança de defesa contra uma possível invasão soviética na Europa Ocidental. Hoje a NATO fornece tropas europeias ao serviço da hegemonia Americana. Washington persegue a hegemonia mundial sob a cobertura selectiva de “intervenção humanitária” e de “levar a liberdade e a democracia a provos oprimidos”. Numa base oportunística, Washington escolhe países que não são os seus “parceiros internacionais” para intervir. Talvez apanhado desprevenido pelas revoltas populares na Tunísia e Egipto, há alguns indicativos que Washington respondeu oportunisticamente e encorajou o levantamento na Líbia. Khalifa Hifter, um líbio, suspeito de ser operacional da CIA nos últimos 20 anos, regressou à Líbia para liderar o exército rebelde. Gaddafi deixou-se apanhar ele próprio no alvo por se ter levantado contra o imperialismo ocidental. Ele recusou participar no Comando África dos EUA. Gaddafi viu que o esquema de Washinton era um plano para dividir e conquistar. O Comando África dos EUA (AFRICOM) foi criado por ordem do Presidente George W. Bush em 2007. O AFRICOM descreve os seus objectivos: “A nossa abordagem está baseada em apoiar os interesses nacionais de segurança dos EUA em África conforme articulados pelo Presidente, Secretários de Estado e Defesa na Estratégia de Segurança Nacional e na Estratégia Militar Nacional. Os Estados Unidos e as nações africanas têm fortes interesses mútuos na promoção da segurança e estabilidade no continente de África, nos seus Estados-ilhas e zonas marítimas. Avançar estes interesses requer uma abordagem unificada que integre esforços com outros departamentos e agências do governo dos EUA bem como com os nossos parceiros africanos e outros parceiros internacionais.” Quarenta e nove países participam no Comando África dos EUA, mas não a Líbia, Sudão, Eritreia, Zimbabwe e Costa do Marfim. Há intervenção militar ocidental nestes países não-membros, excepto no Zimbabwe. Um meio tradicional através do qual os EUA influencia e controla um país é pelo treino e formação dos seus militares e funcionários governamentais. O programa é chamado Treino Militar e Educação Internacional (IMET). O AFRICOM relata que “em 2009 aproximadamente 900 estudantes militares e civis de 44 países africanos receberam educação e treino nos EUA ou nos seus próprios países. Muitos militares e enlistados formados pelo IMET vão ocupar posições chave nas forças militares e nos governos.” A AFRICOM lista como objectivo estratégico chave a derrota da “rede da al-Qaeda”. A Parceria Contra o Terrorismo EUA Trans Sahara (TSCTP) treina e equipa “forças de nação parceira” para impedir qu terroristas estabeleçam santuários e tem por objectivo “último derrotar organizações violentas extremistas na região”. Aparentemente, depois de 10 anos da “guerra ao terror” uma omnipotente al-Qaeda espalha-se através da Algéria, Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia, Marrocos, Niger, Nigéria, Senegal e Tunísia na África, através do Médio Oriente, Afeganistão, Paquistão, no Reino Unido e é uma tão grande ameaça dentro dos próprios Estados Unidos que requer um orçamento anual de 56 biliões de dólares da Segurança da Pátria” (Homeland Security). A ameaça al-Qaeda, uma falsia invenção como outra qualquer, tornou-se a melhor desculpa de Washington para intervir nos assuntos internos de outros países e para subverter as liberdades civis Americanas. Sessenta e seis anos depois do Fim da II Guerra Mundial e 20 anos depois do colapso da União Soviética, os EUA ainda têm um Comando Europeu, um dos nove comandos militares e seis comandos regionais. Nenhum outro país sente a necessidade de ter uma presença militar no mundo. Porque é que Wshington pensa que é uma boa alocação dos escassos recursos devotar anualmente 1,1 trilião de dólares para “necessidades” militares e de segurança? É isto um sinal da paranóia de Washington? É isto um sinal de que apenas Washington tem inimigos? Ou é isto um indicativo de que Washington atribui o mais alto valor ao império e desperdiça os dinheiros dos contribuintes e o crédito do país em pegadas militares ao mesmo tempo que milhões de Americanos perdem as suas casa e os seus empregos? O caro falhanço de Washington no Iraque e Afeganistão não acalmaram a ambição imperial. Washington pode continuar a apoiar-se nos media impressos e TV para cobrirem os seus falhanços e esconderem as suas agendas, mas falhanços caros, mantém-se falhanços caros. Mais cedo ou mais tarde Washington terá de reconhecer que a perseguição do império levou o país à bancarrota. É paradoxal que Washington e os seus “parceiros” europeus estejam a tentar alargar o controlo a terras estrangeiras ao mesmo tempo que a imigração transforma as suas culturas e composições étnicas em cada. Quando hispânicos, asiáticos, africanos e muçulmanos de várias etnias se tornam uma parcentagem maior da população do “Primeiro Mundo”, o apoio ao império do homem branco desvanece-se. Os povos desejando educação e em necessidade de alimentação, abrigo e serviços médicos serão hostis à manutenção de instalações militares nos seus países de origem. Quem está exactamente a ocupar quem? Partes dos EUA estão a retornar para o México. Por exemplo, o demografo Steve Murdock, um antigo director do Gabinete de Estatística dos EUA, relata que dois terços das crianças do Texas são hispânicas e conclui: “Basicamente acabou para os Anglos”. É irónico, não é, que ao mesmo tempo que Washington e as suas marionetas estão ocupados a ocupar o mundo, que estejam a ser ocupados pelo mundo. Paul Craig Roberts foi Secretário Assistente do Tesouro no primeiro mandato do Presidente Reagan. Foi Editor Associado do Wall Street Jornal. Teve numerosas nomeações académicas incluindo no WilliamE.Simon Chair, Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Universidade de Georgetown e Investigador Senior na Instituição Hoover, Universidade Stanford. Foi premiado com a Legião de Honra pelo Presidente francês François Mitterrand.

6 de abril de 2011

O PEQUENO DICIONÁRIO CRÍTICO – 7 -OS “ELEVADOS CUSTOS SALARIAIS” – I

“Eis o cretinismo burguês em toda a sua beatitude” Carl Marx – O Capital
Não há dia em que não se possa ler ou ouvir que a economia do nosso país não é competitiva devido aos “elevados custos salariais”. A primeira coisa sobre a qual nos interrogamos, é como tal se explica sendo os salários nacionais dos mais baixos da UE? Em largos sorrisos de complacência pela nossa ignorância respondem: “É a produtividade (cretino, subentende-se)! Vejamos então onde pára o cretinismo.
Segundo o Eurostat, o salário médio do pessoal na indústria era em Portugal 45,45% da média da UE. Ainda segundo o Eurostat a produtividade nacional era em 1998, 67,8% da média da UE tendo subido em 2008 para 70,6%. Relativamente aos países da Zona Euro, a nossa produtividade teve ainda uma variação mais favorável: passando de 59% em 1998 para 64,7% em 2008. Portanto o discurso dos elevados custos salariais é desde logo por este motivo uma falsificação. Acrescente-se que entre 2000 e 2007 o crescimento da produtividade em Portugal foi superior em 3 pontos percentuais acima do salário real, apresentando neste aspecto uma relação mais favorável ou não significativamente diferente dos restantes países europeus, com excepção da Alemanha, da Áustria e também da Holanda.
Bem o termo “custos salariais” não é tese que perfilhemos. Os salários do ponto de vista macroeconómico e social não são um custo.
É certo que do ponto de vista empresarial os salários são um custo, pois intervêm na formação do preço, porém do ponto de vista da economia tomada como um todo, isto é, da macroeconomia e do ponto de vista social, são um benefício.
Na realidade, o salário é um elemento base do equilíbrio económico: só se produz e só se vende o que os salários podem comprar. Claro que o lucro (a mais-valia) também compra, na realidade significativamente pouco em termos económicos, pois nas condições actuais o excesso de riqueza concentrado no sector financeiro e oligopolista, é pura e simplesmente transferido para o exterior, pelo capital estrangeiro e para entrar no circuito dos paraísos fiscais, como se comprova pelo constante decréscimo do investimento apesar da subida dos lucros da finança e dos principais grupos económicos.
Dir-se-á: mas o consumo induzido pelos salários tem uma componente importada que o país poderá não estar em condições de satisfazer. De acordo, mas isto não é uma questão de “custo salarial”, mas de equilibro económico na esfera produtiva, como referimos em temas anteriores sobre comércio externo (temas 3, 4 e 5).
É também muito estranho que tendo uma empresa tantos e tão variados factores que influenciam o custo de produção, ideólogos nos falem de cátedra sobre os “custos salariais”, como se os trabalhadores tivessem uma espécie de pecado original só pelo facto de serem trabalhadores e mais do que isso, simplesmente pelo facto de existirem, pois que, com o aumento da esperança de vida, os trabalhadores não fazem o favor de simplesmente desaparecerem quando deixam de produzir mais-valia.
De forma genérica, numa empresa os factores de custo são nomeadamente os seguintes: amortizações, matérias-primas, energia e outros consumíveis, encargos financeiros, tempo de trabalho da mão-de-obra directa e indirectamente produtiva; outros encargos de estrutura, como serviços de vigilância, administrativos, transportes, marketing, etc. Estes factores determinam o custo de produção sobre o qual teremos o lucro empresarial.
Assim, para se tornar competitiva, ou melhor, para a empresa melhorar o seu desempenho, será necessário que os diversos factores estejam devidamente controlados e sejam objecto de acções de redução de custo e aumento da produtividade, através de melhorias tecnológicas e da gestão da qualidade. Estas acções não dependem apenas da iniciativa da empresa, mas também das políticas governamentais, nomeadamente uma estratégia antimonopolista.
O que cada gestor consciente, o que cada técnico ou mesmo cada operário, fazem na empresa tem muito pouco que ver com o que altamente credenciados comentadores escrevem ou dizem para nos convencer dos “elevados custos salariais”. O que cada gestor tem de analisar detalhadamente são as componentes dos custos e tomar medidas para a sua redução. E estas medidas, note-se, serão tanto mais eficazes quanto maior for a participação e a motivação dos trabalhadores e não quanto maior for a taxa de exploração e a insegurança dos trabalhadores.
Ora segundo Contas Nacionais as remunerações dos trabalhadores representam apenas cerca de 26% dos custos de produção das empresas e no caso dos ramos exportadores da apenas 15,5% em média. Mesmo no caso do sector exportador da fabricação dos têxteis e indústria do vestuário, ele é de apenas 24%.
Tudo isto mostra bem o vazio e o absurdo dos das prédicas sobre os “elevados custos salariais”.
Poder-se-á então agora pôr a pergunta: “Mas então aqueles srs. professores e comentadores que vão à TV não sabem isso tudo?” Claro que sabem, talvez tenham esquecido, porém o problema é que são adeptos da teoria económica de que falava o economista John K. Galbraith, referindo-se às opções ideológicas neoliberais: “para o governo os ricos nunca são demasiado ricos para fazerem mais investimento e os pobres nunca são demasiado pobres para trabalharem mais”.

A seguir: 9 – Os “Altos Custos Salariais” - II

Se a banca continuasse nacionalizada não estávamos nesta situação

1. Não tinha havido o caso BPN e BPP, que custaram ao erário público 2250 milhões ou seja, 1 800 milhões o BPN e 450 milhões o BPP. A garantia do Estado a este banco foi executada.

A dívida do Estado em 2010 foi , portanto, acrescida em dois mil e duzentos e cinquenta milhões de euros (ou seja, mais do dobro do que o Estado pediu emprestado hoje.)


2. A divida pública teria uma componente externa muito menor tal como acontece com a França, Itália, Bélgica, por exemplo, que têm dívidas públicas maiores que a portuguesa mas em que a parte da dívida externa é muito menor. 56,9% da dívida francesa é no exterior; na Itália só 42,7%; na Bélgica 56,7%e na Espanha 46,3 %. Do total da dívida pública portuguesa ,74,5%, é no exterior (favores à Banca - não se estimulou os certificados de aforro e do Tesouro ...).


3. As receitas do Estado teriam sido muito maiores. Os Bancos depois de privatizados passaram a pagar muito menos impostos (um escândalo) e ainda hoje é a Caixa Geral de Depósitos que paga a maior taxa de IRC.

Mas para além dos impostos o Estado teria recebido chorudos dividendos.


4. O Estado teria hoje uma poderosa alavanca financeira nas suas mãos para encarar a crise e até poderia ter fortalecido o sector com fusões e concentrações bancárias. O sector financeiro seria essencialmente português e importantes bancos não teriam caído nas mãos dos espanhois, como o TOTTA e quase o BPI.


E quem são os responsáveis pela privatização da Banca, a entrada no Euro ,a entrada no Euro sem salva guardas e com uma cotação do escudo sobre valorizada?


PS.PSD e o actual Presidente da República.

5 de abril de 2011

O que dizem os banqueiros portugueses:- O Estado que nos financie e o povo que pague

Os noticiários de hoje bombardearam-nos com a notícia de que os banqueiros não vão financiar mais o Estado.A manipulação não tem limites e o descaramento dos banqueiros também. A primeira questão a colocar é a de saber se são os bancos que estão a financiar o Estado ou se é o Estado que tem estado a financiar a Banca passando os custos para os contribuintes. A banca há muito que não consegue financiamentos no exterior. O mercado interbancário está fechado, desconfiam uns dos outros, há ainda muito lixo contabilizado como bom nos activos da banca em todo o mundo. A banca portuguesa tem-se financiado no BCE entregando como "garantias" - colaterais - dívida do Estado Português. Fica com dívida pública cobrando taxas agiotas do "mercado", a 5,6,7, 8..% e depois vai financiar se no BCE à taxa de juro de 1%. Ganha a dois carrinhos. Financia-se e ganha o diferencial entre o que recebe de juros do Estado e o que paga ao BCE. Portanto quem tem financiado a banca - a dívida privada é superior à dívida do Estado - tem sido o Estado português passando a factura para o povo e os contribuintes. Então por que é que a banca diz que não fica com mais dívida pública e afirma que o Estado Português deve pedir um "empréstimo intercalar" , que não está previsto, de 10 a 15 mil milhões de euros à UE? Por duas razões: a primeira porque vai ser sujeita aos stresstests e, embora estes sejam mais para mascarar do que para avaliar a situação da banca europeia, a verdade é que a banca tem nos seus activos demasiada divida pública que tem vindo a perder valor pela especulação e baixa de notação das empresas de rating ficando assim numa posição mais vulnerável nesses ditos testes. A segunda porque com os títulos da dívida pública a serem desvalorizados, com as notações negativas, o BCE criará mais dificuldades à sua aceitação. Foi o que fez com a Irlanda e o BCE só alterou a sua posição, afirmando que aceitaria qualquer dívida pública, quando este país ameaçou com o não auxílio aos seus bancos que são devedores de milhões aos bancos ingleses, franceses, alemães e até portugueses. Ameaçou com a reestruturação da dívida dos seus bancos.... E então como a banca não se consegue financiar no mercado interbancário, nem quer mais divida pública nos seus activos, aumentando as dificuldades em se financiar no BCE, está a fazer pressão sobre o governo para que seja este a pedir um empréstimo dito intercalar, para não falar na "ajuda"que aliviaria a sua falta de liquidez. Fantástico, e ainda por cima difundindo a ideia na opinião pública de que são eles que estão a financiar o Estado e a "salvar" a Pátria. Este episódio põe ainda em relevo a necessidade de um importante sector financeiro nas mãos do ESTADO e a urgência de o Pais bater o pé na UE ameaçando-os não com o pedido de qualquer dita "ajuda" que mais não é do que uma espoliação forçada, mas sim com a reestruturação da dívida: alongamento dos prazos, diminuição das taxas de juro, não pagamento de uma parte. Deixavam de nos financiar dizem as almas santas... O pais está na UE e a partir da apresentação da reestruturação, o problema não era só nosso. Era de toda a UE, do EURO e dos bancos credores alemães, franceses ingleses. .. Se eu dever 1000 o problema é meu, se eu dever 10 milhões o problema é deles.

3 de abril de 2011

Notícias: o salvamento dos Bancos

Des tests pas assez stressants
Ecrit par
Jean-Marc VITTORI
Editorialiste.Les Echos 2/4/11
Encenação:

Tous ses articles Lever de rideau hier à Dublin sur le grand spectacle qui va mettre en scène ce printemps les banquiers européens et leurs régulateurs. Titre : Les tests de résistance. Sous-titre : Les banques survivraient-elles à un nouveau choc financier ? Genre : encore indéfini, car il est trop tôt pour dire s'il s'agira d'une comédie, d'une tragédie ou d'une pièce à thèse. En tout cas, la première scène a tenu ses promesses.

Les autorités ont annoncé qu'il fallait injecter 24 milliards d'euros dans le capital de quatre banques irlandaises, nationalisées après le naufrage de l'an dernier. Cris d'horreur : c'est un montant énorme, d'autant plus que les pouvoirs publics ont déjà injecté 46 milliards d'euros dans le système bancaire. Si les établissements français avaient connu une déroute d'une telle ampleur, l'Etat aurait dû débourser près de 900 milliards d'euros pour les renflouer. Mais en même temps, soulagement : c'est moins que l'enveloppe de 35 milliards prévue par le plan de sauvetage négocié avec les pays de l'euro et le FMI. D'autres scènes, a priori moins éprouvantes, vont se jouer dans chaque capitale européenne fin avril. Dans le deuxième acte, la toute nouvelle Autorité bancaire européenne va scruter les chiffres présentés par chaque pays, en tentant d'harmoniser les spécificités nationales (caisses d'épargne espagnoles, « participations silencieuses » des banques allemandes...). Et elle indiquera ce que chacun doit faire pour être vraiment résistant. Dans le troisième acte, Bruxelles entrera à son tour en scène. Reste à savoir qui apportera les milliards nécessaires aux banques

Si le canevas est écrit, un ressort essentiel a été délibérément omis. Les régulateurs n'ont pas retenu l'hypothèse de la faillite d'un Etat dans les tests. Il est vrai que les simulations portent sur 2011-2012, période pendant laquelle les pays qui ont recouru à l'aide européenne n'ont plus à s'acquitter de leurs engagements antérieurs. Il est vrai aussi que l'on ne provisionne pas la fin du monde, comme aiment à dire les banquiers et leurs surveillants. Mais il va falloir s'habituer à l'idée que le défaut d'un Etat souverain, ce n'est pas la fin du monde. L'Irlande cherche encore les moyens de faire encaisser une partie des pertes par les créanciers privés des banques. La Grèce ne pourra pas rembourser ses dettes. Les banques européennes ne sont hélas pas encore sauvées.