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21 de agosto de 2011

A banca na hora da desconfiança.(1)

Com este título o Le Monde dá- nos conta das dificuldades do sistema bancário em consequência do lixo tóxico que tem nos seus activos resultante das jogadas especulativas na economia de casino.
Mas a questão é muito mais de solvibilidade ,de concentração da riqueza, da produção da dívida para compensar a redução do poder de compra das massas do que de liquidez.
Qual vai ser o andamento das bolsas na próxima semana face ao abrandamento das economias dos países mais desenvolvidos e à desconfiança cada vez maior acerca da saúde da banca?
Do outro lado do atlântico a situação económica é cada vez mais preocupante. Há quem aguarde com expectativas o discurso de BEN BERNAKE no encontro com os banqueiros dos bancos centrais na sexta 26...mas a situação não se resolve com discursos.
(1)http://www.lemonde.fr/idees/article/2011/08/20/les-banques-a-l-heure-de-la-defiance

A desculpa da Troika

A ideia central que se pretende inculcar na cabeça dos portugueses é a de que o governo não tem culpa das medidas que tem tomado, que é obrigado a fazê-lo porque são as imposições de quem nos empresta o dinheiro e de quem vela pelos credores , a famosa troika.
Mas a verdade é que muitas das medidas que constam do chamado memorando de entendimento foram sugeridas pelo PSD, pelo CDS e pelo PS , não porque sejam do interesse dos credores mas sim do interesse do grande capital nacional. E estando no dito" memorando" o governo desculpa-se dizendo que está" obrigado..."pela troika.
Depois é preciso não esquecer que foi o PS o PSD e o CDS que assinaram aquele acordo.
Uma outra ideia que se procura fazer passar é a de que cumprir o acordo com a troika é do interesse nacional e a condição para o país vir a crescer economicamente.
Nada mais falso. Com as medidas da troika Portugal mergulha na recessão e no marasmo económico fica mais dependente , mais pobre e mais distante da média do desenvolvimento da U.E. e com uma distribuição do Rendimento Nacional ainda mais desequilibrado.
Contestar as medidas da troika e do governo é defender o interesse nacional e a justiça social
Contrariamente ao que disse o Patriarca de Lisboa não aceitar injustiças e não se resignar, não é colocar os interesses pessoais ou grupais acima do interesse de Portugal ,mas precisamente o contrário.
Deixar que se intensifique a exploração , a concentração da riqueza e a neocolonização do país em nome da resolução da colossal dívida externa da banca é que é colocar o interesse dos banqueiros e respectivos accionistas á frente de Portugal. E isto é que o Patriarca não devia gostar.

19 de agosto de 2011

As mesmas receitas de sempre

Há um movimento especulativo sobre um país e de imediato os governos tomam novas medidas de austeridade, em que no essencial os pagantes são os mesmos de sempre.Os mercados internos restringem- se, aumentando as dificuldades das pessoas , das empresas não exportadoras e o desemprego. Cada país está a contar com os mercados dos outros. A concentração da riqueza, a diminuição do poder de compra das massas populares e a quebra substancial do investimento vão conduzindo as economias para a estagnação e a recessão.
As quedas bolsistas destes dias são expressão da especulação , é certo, mas baseado nos receios sobre a recessão nos E:U: no abrandamento da economia mundial e na saúde da banca europeia
Em frança a Société générale que detém 88% do banco grego Geniki que precisa de ser recapitalizado por um montante desconhecido ,mas que se estima volumoso tem estado no centro das desconfianças. O BCE emprestou também esta semana uma soma enorme por sete dias a um banco europeu...Na Inglaterra o Barclay,s e o Loyds perderam metade do valor. Na Alemanha o banco central teve que emitir um comunicado jurando pela saúde da banca..

Por cá as coisas também se complicam e não atinge apenas o BCP...
Um jornal próximo destes meios informava também esta semana que a banca ia transferir fundos de pensões para a Previdência em setembro , mas quer que os títulos de dívida pública em carteira sejam avaliados ao valor nominal e não de mercado ! Afinal o deus mercado só tem razão quando lhes interessa.... Os títulos de dívida pública serviram-lhe para se financiarem no BCE a taxas extremamente baixas . Agora querem o sol na eira e a chuva no nabal à custa da segurança social com o apoio... do governo da Banca !!!

A grande queda!

No fim de semana perguntávamos face aos dados já conhecidos , às declarações - Banco Mundial,FMI- e ao encontro Merkel ,Sarkozi se esta semana não seria uma semana de grande turbulência nas bolsas e na economia de casino. A resposta aí está nas quedas bolsista de hoje.
Os descontos monstros da banca europeia no BCE., os receios de que as filiais dos bancos europeus nos E.U entreguem às sedes meios e liquidez ,mostra que a Chamada crise da dívida é tanto pública como privada. E que se tem procurado resolver os problemas do sistema financeiro, à custa da dívida pública.
Com as economias à beira de nova recessão ,a que chamam eufemisticamente crescimento mole, corolário das sucessivas políticas de austeridade , a crise entra numa nova fase , com os sistemas bancários e os bancos centrais no centro do furacão e os Estados muito mais fragilizados para serem prestamistas de último recurso..

18 de agosto de 2011

Maioria dos trabalhadores não tem horário normal de trabalho

Do Inquérito ao Emprego do 2º trimestre de 2011 realizado pelo INE, conclui-se que a maioria dos trabalhadores não tem hoje um horário de trabalho normal.
Enquanto 2 259 400 portugueses empregados (46,2%) tem um horário de trabalho normal, já 600 mil trabalham por turnos, 978 800 fazem serão, 977 700 trabalham ao domingo, 1 938 400 trabalham ao sábado e 420 900 trabalham de noite.
Hoje é assim, com a desregulamentação do horário de trabalho que a direita no Governo quer implementar como será amanhã?

80,4% dos contratos de trabalho celebrados no 2º trimestre são precários

Por razões sazonais, do 1º para o 2º trimestre do ano, de acordo com o Inquérito ao Emprego do INE, aumentou o nº de trabalhadores por conta de outrem em 48600.
Sabem quantos destes trabalhadores celebraram contratos de trabalho precário?
39 100, exactamente 80,4% dos novos contratos celebrados no 2º trimestre de 2011, são contratos de trabalho precário.
Para onde caminhamos?

17 de agosto de 2011

Desemprego atinge quase um milhão de trabalhadores

O INE acabou de divulgar os dados resultantes do Inquérito ao Emprego do 2º trimestre de 2011. A taxa de desemprego em sentido restrito calculada para este trimestre é de 12,1%, o que corresponde a 675 mil desempregados. Em sentido lato, isto é, incluindo o subemprego visível e os inactivos disponíveis, a taxa desemprego situa-se nos 17,5%, o que corresponde a 997 500 desempregados.
Dada a quebra de série que se regista no inquérito ao Emprego a partir do 1º trimestre de 2011 e dado o INE não ter assegurado a ligação com a anterior série do Inquérito ao Emprego, não é possível calcular a variação homóloga do desemprego e desta forma analisar o comportamento da taxa de desemprego no mesmo período do ano em dois anos consecutivos (2010 e 2011).
Desta forma, pelo facto de o desemprego em cadeia ter baixado do 1º para o 2º trimestre de 2011 (de 12,4% para 12,1%), não se pode concluir que o desemprego baixou, trata-se de períodos diferentes do ano, que como tal não são comparáveis. A análise do emprego e do desemprego em termos trimestrais ao longo dos vários anos mostra-nos que por norma o desemprego baixa no 2º trimestre do ano, período do ano em que são efectuadas as contratações sazonais que antecedem o período de verão. A título de exemplo refira-se que só na região do Algarve do 1º para o 2º trimestre a taxa de desemprego baixou de 17% para 14,7% e o nº de pessoas à procura de emprego baixou em 5 000. 
Dos dados agora divulgados destacamos o elevadíssimo nível de desemprego registado no desemprego jovem (27%), o nível de desemprego das mulheres (12,4%), bem como o elevado nível atingido pelo trabalho precário no nosso país (31,1%), ou seja 1 milhão e 200 mil trabalhadores.
Se nos lembrar-mos que estes níveis de desemprego não reflectem ainda o impacto das várias medidas recessivas aprovadas pelo actual Governo no último mês e meio, percebe-se a gravidade da situação que vivemos.
A prosseguir a actual política no final do corrente ano mais de 1 milhão de portugueses estarão efectivamente desempregados e todas as previsões do Governo para 2011 serão pulverizadas.
Reafirma-mos a necessidade de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, assente na promoção do investimento, na valorização dos rendimentos dos trabalhadores e dos reformados e no apoio às pequenas e médias empresas indispensável à dinamização do mercado interno, no aumento da produção nacional, que por si implicam a rejeição do programa de agressão e submissão.
Só assim se dinamizará de uma forma coerente a criação de emprego e se combaterá de forma consequente os elevadíssimos níveis de desemprego e precariedade que perduram na nossa economia e que os projectos do Governo de facilitação e embaratecimento dos despedimentos acentuarão.