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6 de fevereiro de 2013

REINDUSTRIALIZAR…dizem eles


O governo parecendo seguir os conselhos dos comentadores-propagandistas ao seu serviço, vai lançando para o ar uma espécie de intenções. Quando nada das proclamadas promessas se concretiza, os tais comentadores explicam que é porque não são explicados às “pessoas”.
Trata-se agora da “reindustrialização” e a propaganda logo veio elogiar o sr. Pereira da Economia. Espera-se um relatório sobre o tema, mas as orientações são conhecidas, vêm de longe: investimento estrangeiro e exportar mais.
A seita de pirómanos que tudo fez para destruir a indústria nacional aparece agora disfarçada de bombeiros, com promessas e a habitual hipocrisia das “preocupações” com o emprego, o crescimento, etc. Com tudo isto o VAB da indústria transformadora passou de 28,3% do PIB em 1986, para 13,8% em 2011 – caindo em 2012, 3,2% relativamente a 2011.
Mas a realidade é coisa que não afeta os ideólogos neoliberais, a realidade para esta gente tem de ser – de acordo com a escolástica medieval - uma cópia das ideias.
Investimento estrangeiro é a grande solução que a direita tem para o desenvolvimento do país, pois plano económico e investimento público são blasfémias e pecados mortais na sua teologia. Quanto ao grande capital privado não investe, está-se nas tintas, leva os lucros para o estrangeiro e joga na especulação e agiotagem com a dívida pública.
Mas para o investimento estrangeiro “é preciso criar condições”, é preciso “atrair o capital”. Sem contraditório – e muito menos decoro - aponta-se o exemplo da Irlanda, o que mostra bem o nível a que esta gente já desceu. Ou seja, baixar impostos ao capital, dar subsídios, facilidades, mão-de-obra barata, qualificada e sem direitos – para o que continuam a tratar disso como a colaboração e empenho da direção da UGT, sempre em nome do “crescimento”.
Qual o resultado? Saída de lucros e rendimentos, no período 2000-Nov/2012 foram transferidos para o estrangeiro 175.398 milhões € (mais que o PIB anual); Portugal já é na UE a seguir à Irlanda o país que maior percentagem de riqueza criada transfere para o exterior. Além disto, o capital estrangeiro compra de empresas existentes para fechar partes que possam fazer concorrência com outras unidades suas – o que se passou com a  ex-Sorefame é exemplar, ou “deslocalizar” como na indústria eletrónica, de componentes para automóveis, metalo e eletromecânica, (ex-Sepsa, por exemplo), etc.
Ou seja, pretendem "reindustrializar", acentuando as medidas que levaram à desindustrialização.
Mas o capital estrangeiro deu ao país esta semana mais uma lição das vantagens do investimento que estes governos tanto acarinham, o fecho de uma empresa em Oeiras, pondo no desemprego – despedir é fácil é barato e dá milhões – uma centena de trabalhadoras, “deslocalizando-se” para…a Tunísia.
Eis a globalização capitalista em pleno: nivelar cada vez mais por baixo. Não são os países mais pobres que progridem, são os de rendimentos acima destes que têm de baixar.
Como escreveu Noam Chomsky em A Globalização Excludente “ Milhões de crianças morrem cada ano porque os ricos recusam-lhes alguns centavos de ajuda”.
Quanto a “exportar mais” é outro um argumento para a competitividade pelos salários, que muito agrada à oligarquia monopolista indiferente à procura interna, pois aloja-se em sectores de grande rigidez na procura, aumentando assim os seus superlucros,

 

5 de fevereiro de 2013

Valha-nos o Espírito Santo... Santíssimo


Ouça lá
O senhor é idóneo?

Segundo a imprensa, Ricardo Salgado foi ouvido no Banco de Portugal (BdP) a pedido de Carlos Costa para explicar por que razão “se esqueceu” nas suas declarações de IRS, de rendimentos de 8,5 milhões de euros, o que o levou a fazer três rectificações à administração fiscal!

Esqueceu-se três vezes, coitado!

Ao que informa a imprensa, Carlos Costa, o supervisor quer saber se o banqueiro é “idóneo” para liderar o BES.
Está-se mesmo a ver o diálogo entre Carlos Costa e Ricardo Salgado

1ª versão

Carlos Costa – Ouça lá, o senhor é idóneo para liderar o Bes?

Ricardo Salgado – Não tenha dúvida! Como dizia Champalimaud, na vida tudo se vende menos a dignidade... Está em frente de alguém que é esquecido, mas digno .Paguei os impostos em falta!!!
...
2ª versão

Carlos Costa – Tive de o chamar. Na blogosfera e numa certa imprensa há uma grande animosidade contra o BES e contra si, como sabe....
Tenho plena confiança em si, mas tinha de o chamar. Assim não se poderá dizer que o supervisor fechou os olhos e como o Sr. vai continuar à frente do BES as más linguas tirarão a conclusão de que as  explicações que me deu são suficientes.....

Ricardo Salgado – Agradeço as suas palavras e a sua intervenção. É uma grande ajuda. Isto foi um deslize mas não volta a acontecer, prometo-lhe!

Carlos Costa – Quer um cafézinho?
Ricardo Salgado – Muito obrigado, vem mesmo a calhar!!

E já sabe que as portas do Espírito Santo estão sempre abertas , mesmo depois de abandonar estas funções...

1 de fevereiro de 2013

Os lucros do BPI

On grosso dos lucros do BPI foram obtidos com  a Dívida Pública . Os contribuintes continuam a pagar com os impostos os cortes nos subsídios (férias e natal ) na saúde e no ensino...o desendividamento da banca. A banca é que viveu acima das suas possibilidades e não os trabalhadores e o povo !
O patrão do BPI com a maior das latas ainda diz que o BPI ganhou milhões porque acreditou na dívida pública portuguesa.... E sobre esta vergonha os comentadores de serviço nada dizem .

Publicamos nota de José Lourenço


O BPI apresentou há dois dias os seus resultados de 2012.
Teve 249 milhões de euros de lucros líquidos depois de em 2011 ter apresentado prejuízos de 285 milhões.
Afinal o que aconteceu de extraordinário em 2012, já que o crédito concedido em geral pelo BPI caíu 3,8% e o crédito às empresas caíu 10,3% ?
O que aconteceu foi que o BPI teve em 2012  401 milhões  de euros de ganhos em operações financeiras mais 95% do que em 2011 e destes 292 milhões de euros foram lucros com a venda de títulos da dívida pública na sua esmagadora maioria portuguesa.
Ao que chegámos, temos agora uma Banca que depois de salva e recapitalizada pelo Estado retira lucros fabulosos utilizando os títulos do Estado como garantia dos empréstimos que obtém a taxas baixíssimas do BCE e especulando com os mesmos títulos no mercado primário e secundário.
Afinal com ou sem regresso aos mercados, a nossa Banca não parou de ganhar milhões e milhões de euros no último ano com a especulação em torno da nossa Dívida Pública.
E desta forma ao mesmo tempo que os lucros da Banca crescem, a Dívida Pública Portuguesa de ano para ano não para de crescer e já passou os 120% do PIB.
Portugal não precisa de um sistema financeiro, nem pode estar a recapitalizar o sistema financeiro, para este sistema de seguida fazer da especulação em torno da dívida pública a sua principal actividade e foi isso que aconteceu com o BPI em 2012. Foi recapitalizado pelo Estado Português em 1500 milhões de euros e em vez de utilizar essa recapitalização para financiar a economia, aumentando o financiamento às empresas e às famílias, o que fez foi apostar em operações financeiras, fundamentalmente compra e venda de Dívida Pública Portuguesa.
Portugal precisa de um sistema financeiro para financiar a economia e em especial as micro pequenas e médias empresas e isso é o que acontece cada vez menos.
Depois dos resultados do BPI, na próxima semana teremos os resultados do BES e do BCP que irão confirmar certamente esta recente vocação da Banca Nacional, a obtenção de lucros fáceis em torno da nossa dívida pública, ao mesmo tempo que prossegue o estrangulamento financeiro da nossa actividade produtiva.
AR, 01 de Fevereiro de 2013
José Alberto Lourenço

30 de janeiro de 2013

O OVO DA SERPENTE…


O populismo, verdadeiro ovo da serpente neofascista, aí anda pela TV, pela comunicação dita social. Comentadores assumem um papel indignado, de revoltados contra a situação do país como grandes defensores dos interesses do povo e do país.
Nada mais falso, criticam o governo, mas porque faz mal e faz pouco. E o que devia fazer? Equilibrar as contas públicas cumprindo o “memorando da troika”, isto é, criticam o governo, defendem a troika, branqueando todas as medidas negativas deste pacto de agressão e ocupação do país.
O governo devia “reformar o estado social, mas só agora começou a fazer". Mentindo sobre o facto de que vem sendo destruído intensamente desde o governo Sócrates. Querem mais, trata-se de preparar a opinião pública para “refundar o Estado”, omitindo que sem apoios sociais mais de 40% da população portuguesa cairia na pobreza ou exclusão social.
Outra crítica é não atrair “investimento estrangeiro”. Nem uma palavra para o investimento público, para a promoção da poupança interna, evitando o recurso aos juros usurários dos especuladores estrangeiros. O argumento para atrair investimento estrangeiro é reduzir salários e impostos ao grande capital. Porém, em 2011 saíram do país,17 708 milhões de euros; o RN foi apenas 78,1% do PIB, isto é 21.9% da riqueza criada saíu do país. Pior só a Irlanda (29,1%) a qual tomam como exemplo que devíamos seguir. Em 2010 a taxa efetiva de IRC foi de 8,6%, perdendo-se relativamente à taxa legal de 25% 8 167 milhões de euros. (ver O falso dilema de Vitor Gaspar por Eugénio Rosa resistir.info – 27.jan.2013).
Gente que andou pelos governos e administrações de grandes empresas (o PS escolhia-os bem…) vocifera contra o Estado social. São escutados como oráculos, sem contraditório; os comentadores defendem estas receitas, misturadas de críticas ao governo (devia fazer mais), críticas à incompetência e burocracia do Estado, aliás dirigida pelos “boys” dos partidos da troika e, por vezes, loas ao crescimento e à criação de emprego. Criticam-se os “políticos”, a oposição que “não existe, nem apresenta alternativas, isto é, à esquerda do PS nada existe; como já foi dito “essa gente não conta”.
O fascismo, para iludir as massas trabalhadoras criticava a plutocracia, que os financiava; era pelo modernismo quando o seu ideal era uma sociedade de valores medievais; criticava os defeitos da república para a destruir.
Eis o que está em marcha e não tem sido dada a devida atenção. Pelo contrário, vejo gente sinceramente progressista deixar-se iludir por este pseudo radicalismo burguês de fachada democrática, na realidade fascizante.

27 de janeiro de 2013

Quanto custa a banca privada aos contribuintes?

A traduzir : parte de artigo de Eric Toussaint

(...)Les banques ont perdu beaucoup de leur légitimité, mais elles peuvent
compter sur les gouvernants et les grands médias pour les soutenir
coûte que coûte. Les banques privées et les gouvernements qui ont
favorisé la dérèglementation financière radicale initiée dans les
années 1980-1990 sont responsables de la débâcle. Les décisions
actuelles prolongent et aggravent la situation. Il s’agit d’une
nouvelle crise majeure du système capitaliste, à côté de tant d’autres
comme la crise alimentaire ou la crise environnementale |55|.

La seule crise bancaire a représenté un coût colossal pour la société
et ce n’est pas fini. Luc Laeven et Fabian Valencia, deux économistes
du FMI, estiment que la perte de croissance du PIB due aux crises
bancaires pour la période 1970-2011 s’élève à 33% (23% pour la zone
euro, 31% pour les États-Unis). Selon eux, il est probable que le coût
final sera plus important encore.

Selon les mêmes auteurs, sur la période 1970-2011, l’augmentation de
la dette publique dans les économies avancées due aux crises bancaires
s’élève à 21% (20% dans la zone euro et 24% aux États-Unis) |56|. Bien
que ce ne soit pas du tout la conclusion des deux auteurs, on doit
considérer cette dette comme clairement illégitime et refuser de la
payer. Outre la nécessité de refuser le remboursement de la dette
publique causée par la crise et le sauvetage des banques comme il
s’effectue actuellement, il faut opter pour une réponse radicale à la
politique des banques. Vu qu’elles utilisent de l’argent public,
bénéficient de garanties de la part de l’État et doivent rendre un
service de base fondamental à la société, le secteur bancaire doit
être socialisé pour devenir un service public de l’épargne et du
crédit.(...)

24 de janeiro de 2013

SIRIA – IRAQUE – LÍBIA

É BOM LEMBRAR
É curioso como “bons espíritos” que se arrogam o direito de dar lições de direitos humanos, se limitem a caixa-de-ressonância do imperialismo – mesmo que alguns finjam distanciar-se…
Os falcões no Senado dos EUA, reclamando atacar a Síria - em nome dos "direitos humanos". Porém a Síria está a ser apoiada pela Rússia que forneceu sistemas de misseis considerados muito eficazes, como os hipersónicos Iskander de superfície a superfície e Pechora 2M terra ar, que levaram o Pentágono a por em causa a eficácia de “uma zona de exclusão aérea”, (que á semelhança da Líbia significaria bombardeamentos indiscriminados sobre as populações civis – para as proteger, claro!, a Inquisição com o lema “caridade e justiça” não fazia melhor). Entretanto uma dúzia de navios de guerra russos rumaram para o Mediterrâneo e golfo de Aden, para exercícios em larga escala.
EUA forneceram à Turquia misseis Patriot, que têm mais que ver com o Irão do que com a Síria. A oposição no interior da Síria que segundo o New York Times terá pedido aos EUA para não atacarem o país, é criticada por ser “rudimentar” e não ter uma componente armada.
As forças apoiadas pela NATO, são organizações antes classificadas de “terroristas”, ligadas à al-Qaeda, com apoio do Yemen, Arábia Saudita, Jordânia, Qatar, que lutam para fazer da Síria um califado islâmico à medida dos seus interesses.
Apesar disto as tropas sírias mantêm a a totalidade ou em grande parte todas as principais cidades e vilas da Síria. De acordo com a ONU 60 000 pessoas já terão morrido. A solução militar provou não ser viável, mas uma solução negociada não vai ocorrer tão cedo.
(texto completo em www.informationclearinghouse – 18.janeiro.2013 – segundo- http://www.china.org.cn/opinion/zhaojinglun.htm)
Em www.informationclearinghouse também é referida a situação no Iraque como “Um genocídio com 20 anos”, o primeiro genocídio do século XXI, refere Felicity Arbuthnot  (18 – 01-13- Iraq: A Twenty Two Year Genocide. - Felicity Arbuthnot is a journalist with special knowledge of Iraq)  “Pobre Iraque e iraquianos. O silêncio do mundo leva-me a perder a fé na Humanidade” – (diríamos que no imperialismo, nunca se pode ter confiança alguma, quanto mais fé!).
Há 22 anos, escreve Felicity Arbuthnot, o secretário de Estado. James Baker’s, fazia a promessa de reduzir o Iraque á época pré-industrial. Sobre o Iraque a aviação dos EUA fez 109 000 saídas lançando 88 000 toneladas de bombas, o equivalente a sete Hiroshimas (segundo Ramsey Clark).
O Dr Gideon Polya, autor de Body Count – Global Avoidable Mortality since 1950, documenta a morte evitável de 1 300 milhões de pessoas de responsabilidade do “primeiro mundo”. No que diz respeito ao genocídio no Iraque contam-se entre 1990 e 2011, 1,7 milhões de mortes violentas, 2,9 milhões de mortes não violentas - deste total, 2 milhões são crianças com menos de 5 anos – além de 5 a 6 milhões de refugiados. Dr Polya, apresentou uma queixa formal no Tribunal Criminal Internacional sobre “O genocídio iraquiano”, que continua, sob o comando do Nobel da Paz, B. Obama.
Quanto á Líbia, no mesmo site um artigo de 18.janeiro, diz que apesar da produção de petróleo ter retomado os níveis de antes da guerra, segundo a agência Bloomberg dada a instabilidade no país qualquer progresso real é impossível. Um estado petrolífero falhado (failed petro-state) permanece um possível resultado da revolução que começou há dois anos”. Apesar de ser impossível para a Blomberg entender o que seja uma Revolução, as suas preocupações são esclarecedoras.