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20 de novembro de 2013

OS EXEMPLOS DA IRLANDA

As longas e árduas negociações a Irlanda recusou o “programa cautelar” que a “solidariedade” da “Europa connosco” lhe propunha, isto é, procurava impor. Pelos vistos, ao governo da Irlanda ainda restam uns resquícios de sentimento nacional, algo que o governo de cá desconhece, comportando-se como meros delegados da troika.
Para a Irlanda no entanto é “saltar da frigideira para cair no lume”: continua na mão dos “mercados”, que para outra coisa não serve esta “UE".
Vejamos então alguns dados comparativos da Irlanda, Grácia, Portugal, da base de dados da CE (AMECO) Para comparar os “êxitos” da Irlanda, vemos donde partiram e onde estão os países dos “ajustamentos”.
PIB

2008

2013

RNB

2008

2013

Salários

2008

2013

IR

176,5

167,8

IR

153

134,7

IR

75,6

64

GR

210

161,8

GR

203.6

161,4

GR

64,2

44

POR

160,2

148,8

POR

154.5

143,4

POR

66,5

60,6
PIB – mil milhões de euros, preços constantes 2005 (quadro 6.1.4)
RNB - mil milhões de euros, preços constantes 2005 (quadro 5.1.2)
Salários – (gross wages and salaries) mil milhões de euros (quadro 15.1.2)
A Irlanda tem uma redução global de 15,3%; a Grécia de 31,5%; Portugal 9,1%. Percebe-se assim o relatório do FMI quanto á “necessidade” dos salários serem ainda mais reduzidos.
Desemprego

2008

2013

Emprego

2008

2013

FBCF

2008

2013

IR

6,4

13,3

IR

2 129,3

1860,5

IR

42,2

23,2

GR

7,7

27

GR

4865,8

3 933,6

GR

50,7

23,1

POR

8,5

17,4 *

POR

5 197,8,

4 497,8

POR

36,8

23
Desemprego – percentagem população ativa (quadro 1.3.2). A Eurostat em setembro 2013 indicava para Portugal 16,3; Irlanda 13,6; Grécia 27,6%
Emprego – milhares; total economia (quadro 1.4.1). O emprego reduz-se entre 2008 e 2013 na Irlanda 268,8 mil pessoas, na Grécia 932,3, em Portugal 700 mil pessoas
FBCF - mil milhões de euros, preços constantes 2005 (quadro 3.11.2). Para pagar juros há dinheiro para investir não há, é o atraso estrutural em toda a linha. Eis o espelho da “plena integração europeia”.
Saldo B e S

2008

2013

Neces. Finan.

2008

2013

Juros

2008

2013

IR

+22,1

+45,5

IR

-7,2

-7,4

IR

2,4

7,6

GR

-29,6

-1,5

GR

-13,6

- 9,9

GR

11,7

7,5

POR

- 15

+1,3

POR

-3,7

-5,9

POR

5,2

7,2
Saldo B e S – Saldo da balança de bens e serviços; preços constantes 2005; mil milhões de euros (quadros 9.1.2 e 9.2.2)
Necessidades de Financiamento - Em percentagem do PIB; (Net lending quadro 16.3.1)
Juros - mil milhões de euros; Interest including flows on Swaps and FRAs (Forward Rate Agreements) (quadro 16.4.1)
Estes países cada um de sua forma estão onde os “mercados” os querem: entrepostos das multinacionais e submetidos ao garrote dos juros. Note-se que a divida pública (gross public debbt) aumentou entre 2008 e 2013 (quadro 18.1.1) na Irlanda 160%: na Grécia 22%, (é porém a mais elevada em termos de PIB); em Portugal 71%.
Não a Irlanda não é nenhuma solução. Mas que se há de fazer, este governo a única coisa que faz bem é semear ilusões e mentir.
Nota – Alguns dados podem apresentar discrepâncias com dados nacionais mais recentes porém interessa sobretudo a comparação internacional e a evolução.

19 de novembro de 2013

O Poder da Barreira Ideológica

Eles queimaram Giorgano Bruno porque cometeu a heresia de tentar explicar que o Sol era apenas mais uma estrela entre tantas outras no Universo. Nicolau Copérnico teve medo de publicar em vida as suas reflexões e descobetras sobre a natureza do cosmos e dos sistema solar. Eles condenaram Galileo a uma prisão domicilária vitalícia (e mesmo assim porque o dito Galileo «abjurou» da suas tese herética de que a Terra girava à volta do Sol.
São apenas três exemplos históricos que me ocorrem (coisas profundas de quem tem pouco mais com que se entreter...) a propósito de mais uma daquelas parvoíces com que, de vez em quando (ou melhor, com demasiada frequência!...) nos vais brindando o muy ilustre e nunca demais badalado professor catedrático da Universidade Católica, João César das Neves.
Parece que só assim, escrevendo parvoeiras, o homem consegue que se fale dele.
Desta vez «parvoou» forte. 
Só pode ser porque a ideologia ou escolástica académica (uma «ideologia matematicamente pura»...) que lhe inculcaram na Universidade o impede de ver melhor e sobretudo «mais longe».
Entre a parvoeira de «a maioria dos pensionistas com uma pensão de 600 euros» fingirem que são pobres para «defenderem o seu» e a parvoeira de que a solução (ou saída) para a crise em que estamos seria mesmo «reduzir ainda mais os salários», venha o diabo (cruz, credo...) e escolha.
No caso do «fingimento» a coisa atinge o nível do insulto desbragado, indigno de um ilustre catedrático.
No caso de uma maior «redução dos salários» a coisa entra no campo da estupidez, pura e dura. Parafraseando um outro ilustre catedrátio, entretando já falecido, mesmo sendo eu (ou tendo sido) apenas um obscuro «professor auxiliar convidado», um mestrando que me aparecesse com essa ideia peregrina era chumbado e mandado regressar no ano seguinte; depois de instado a estudar melhor a matéria.
Ao nosso ilustre catedrático não se lhe ocorre que todos os países do mundo gostavam de exportar mais (deve ser para isso que serviriam os «salários ainda mais baixos...) de modo a terem - eventualmente - um excedente comercial qualquer, para assim pagarem as suas «dívidas»... E sobretudo não se lhe ocorre que a ideia de todos os países do mundo terem um excedente é uma impossibilidade contabilistica...
«Andam todos ao mesmo», como nos explicava, há uns 30 anos atrás, um professor da Sorbonne num «seminário» de duas semanas intensivas da multinacional em que então trabalhava.
E não se lhe ocorre também que sendo o sistema económico mundial - de âmbito planetário - um sistema fechado, aquilo que se fizer «aqui» tem sempre repercussões «ali»...
Sendo a Universidade Católica um estabelecimento de ensino da Igreja e tendo esta a convicção de que é a representante de Deus na Terra - logo com tendência ao universal, a ver o mundo como um todo integrado confesso que esperava mais e melhor (uma outra visão «universal») de um seu catedrático.
Afinal pensa como um contabilista doméstico.
Mas atenção, tendo feito há mais de cinquenta anos atrás o antigo «Curso Geral de Comércio» (qualificava para ajudante de guarda-livros...) tenho o maior respeito pelos contabilistas.
 
 

18 de novembro de 2013

A propósito da «saída da recessão»

Como sabe qualquer observador minimamente atento destas coisas da sociedade, aquilo a que estamos a ser sujeitos de há uns tempos a esta parte é uma verdadeira «experiência de laboratório». Um pouco à imagem das experiências em biologia, química ou fisica...
Parte-se do presumido conhecimento de alguns «princípios» ou «leis» científicas e depois experimenta-se a ver se é meso assim, se de facto há esta ou aquela relação de «causa» e «efeito».
Parece que aquilo que estes senhores (des)governantes do laboratório social em que nos transformaram querem demonstrar, é se em resultado das medidas de austeridade se vem (ou não) a verificar algum crescimento económico. 
Já presenciei um exame da «Probabilidades e Estatística» em que na prova oral da cadeira um aluno respondeu, literalmente, a uma determinada questão, «a probabilidade desse evento é de 105%»...
O professor começou por ficar embatucado, mas rápidamente recuperou a composture disse ao aluno, com alguma rispidez, para voltar a tentar no ano seguinte.
Vem esta lembrança dos recônditos da minha memória «académica» a propósito da «noa notícia» do muito satisfeito Cavaco Sila relativamente ao crescimento de 0,2% (zero vírgula dois por cento) supostamente verificado no último trimestre... 
Será que o ilustre «professor» terá percebido, quando era aluno, o conceito de «margem de erro» ou «valor significativo» ou ainda o que são «smoothing techniques» («técnicas de alisamento»?...) nas linhas mais ou menos curvas, cheias de altos e baixos, nas tendências de médio prazo ?...
Se está tudo doido, alguém que me ajude a sair deste manicómio.
Se o desespero dos nossos (salvo seja...) (des)governantes é tal que embandeiram em arco com «milagres económicos» (miragens que só alguns conseguem ver...) ou com «saídas de recessão com crescimento de 0,2%», então a situação é capaz de ser ainda mais grave do que alguns observadores mais atentos vão começando a suspeitar... 

14 de novembro de 2013

A demagogia de Passos Coelho

 Em tom pesaroso o primeiro ministro costuma afirmar tal como o fez agora:
" O governo não tem nenhum prazer em reduzir os rendimentos salariais na função pública "
Com isto quer insinuar que não tem outra alternativa...
Tem Tem !
Mas os banqueiros e os grandes senhores do dinheiro que mandam neste governo não deixam... e como o poder político está submetido ao poder económico....

A demagogia do ministro dos submarinos

Portas tem dito que não defende um modelo económico assente em baixos salários....Tem dito e repetido . Sabe que nada custa dizê-lo e que cai bem.
Depois quando chega a hora de negociar o aumento do salário mínimo o ministro do CDS diz que não e Portas faz de conta que não é nada com ele...
Se a demagogia pagasse impostos....

A espiral das medidas de austeridade


Sempre afirmámos que Portugal depois de uma queda substancial do produto até poderia vir a ter em determinado período um pequeno crescimento e sair da recessão técnica , embora em termos médios o que nos está destinado é uma estagnação prolongada se não mudarmos de política.
Por isso sempre dissemos que a espiral seria sim de políticas de "austeridade" COMO O FMI AGORA O CONFIRMA
Cada ano que passa mais anúncios de austeridade... até quando?

12 de novembro de 2013

DESEMPREGO JOVEM E CONTRADIÇÕES

O primeiro ministro, isto é, o “gauleiter” de serviço a esta província do 4º reich “à beira mar plantada”, mais o ministro da caridadezinha, voaram até Paris para uma reunião da UE sobre o desemprego jovem.
O desemprego jovem na UE atingiu em setembro de 2013, 23,5% (23,4% em setembro de 2012). Na zona euro 24,1% (23,6% um ano antes), afetando 3 548 milhares de jovens com menos de 25 anos. Os países mais afetados são a Grécia (57,3%), Espanha (56,5%). (dados Eurostat).Em Portugal como se sabe, apesar da emigração se elevar a 120 000 pessoas num ano, fundamentalmente jovens, o desemprego atinge cerca de 40% dos jovens.
Trata-se de um problema a agravar-se desde há pelo menos uma década, sem nada de eficaz ter sido sequer tentado, o que é estranho para gente que tem tantos pruridos com os seus propalados desideratos de “eficácia”.
É mais um concílio da teologia neoliberal, para laudatório ao neoliberalismo tal como outros. Serve para entreter a opinião pública, espalhando ilusões, fazer prédicas e invocações à “iniciativa privada” e ao empreendedorismo – outra forma de precariedade.
Já dizia um daqueles livros dos “segredos” para triunfar na vida: “se quiseres ser rico, pensa como eles”, isto é, trata de explorar os outros o mais que puderes.
No final, como de costume, vai-se aplaudir decisões tomadas antes para os países canalizarem dinheiros da UE para programas de incentivos, (mais um…) de que se aproveita o grande capital, para ter custos laborais ainda mais reduzidos, pagar menos impostos e aumentar os lucros que logo desaparecem nos “paraísos fiscais”.
O que se pretende é deixar tudo na mesma, e “incentivar” o capital para explorar mais trabalhadores jovens, com ordenados de pobreza, em precariedade e “flexibilizados”.
A única preocupação desta gente são as consequências da radicalização do descontentamento da juventude, na contestação a um sistema que os marginaliza e que sobrepõe os interesses da agiotagem e dos monopólios aos direitos sociais.
È espantoso como gente que alardeava a sua arrogância contra o “despesismo” do Estado, atacando as políticas sociais que representariam uma forma de resolver problemas (educação, saúde, segurança social) “despejando dinheiro sobre os problemas”, não fique nada incomodada e até aplauda este despejar de dinheiro para “incentivos” ao capital, sem controlo da forma como o aplica – aqui já vale o “mercado”.
A frase de Galbraith é conhecida, mas temos de recorda-la – pena é que a generalidade das pessoas a ignore – pois retrata exemplarmente este modelo de sociedade: para o neoliberalismo os ricos nunca são demasiado ricos para investir, nem os pobres suficientemente pobres para trabalharem mais.
Eis a que se reduzem as “preocupações sociais” na UE.
É este o “sonho europeu” srs. europeístas, que querem “a plena integração numa Europa viável"? Mas…viável como e para quem? Para os jovens está provado que não.