Linha de separação


31 de julho de 2019

Coisas que eles (não) dizem - 14


Quem havia de dizer?! Desde há meses que se realizam conversações de paz entre os EUA e os Talibans para terminar com 18 anos de guerra. Mais uma guerra que os EUA não ganharam apesar de inúmeros bombardeamentos, sacrifícios e mortes entre a população civil, um país levado ao caos. que se tornou o maior produtor de heroína.
Eis evidenciada a farsa dos direitos humanos e democracia defendida pelo imperialismo.
Um recente relatório da ONU refere que as forças governamentais e da coligação dos EUA matam mais civis que os Talibans. Os EUA perderam ali muitos dos seus militares, mortos ou feridos, outros regressam afetados com depressões de stress traumático. Quanto à despesa isso pouco importa aos EUA já que ela é está à conta dos países que têm o dólar EUA como moeda internacional de referência. O euro é apenas subsidiário do dólar tal como o yen do Japão.
Porém as conversações começam com os EUA em desvantagem já que os Talibans controlam mais de metade do território afegão e os EUA não conseguiram senão impor governos altamente corruptos, incompetentes, incapazes de dar um mínimo de estabilidade e condições de vida ao povo afegão. Esta a obra dos “combatentes da liberdade” como forram qualificados em Washington.
 
Não esqueçamos que tudo isto foi iniciado nos anos 70 com a intervenção direta da Arábia Saudita e Paquistão para derrubar o governo progressista, que iniciava transformações socialistas, na sequência do derrube do sistema feudal existente.
Um outro caso mostra a insanidade do imperialismo EUA e seus vassalos, colocando o mundo em situações de pré-guerra iminente. Dado que a China ignora as sanções contra o Irão e continua a adquirir-lhe petróleo, os EUA decidiram aplicar sanções extra à China.
 
No Brasil de Bolsonaro que tem como programa transformar o país numa colónia dos EUA, dois navios iranianos carregados com cereais, foram deixados à deriva tendo-lhes sido recusado o reabastecimento de combustível, a partir de uma ordem direta da Administração dos EUA. O Irão fez saber que não serão retomadas importações do Brasil (trigo, milho, soja, carne) no valor de 2 mil milhões dólares por ano até os navios serem reabastecidos. (1)
 
Entretanto democratas e republicanos aprovaram na Câmara dos Representantes o orçamento militar para os próximos dois anos: 1,48 milhões de milhões de dólares, 724 mil milhões por ano, mais que todas as restantes despesas governamentais limitadas a 650 mil milhões por ano. (2)

O complexo militar industrial capturarou o que restava de democracia nos EUA, porém mesmo com aqueles valores exorbitantes não conseguiram vencer no Afeganistão, na Síria, no Iémen (guerra por procuração da Arábia Saudita) apenas conseguem disseminar sofrimento e caos por todo o lado com a cumplicidade da UE/NATO e do jornalismo submetido aos interesses da oligarquia.

2 . http://www.informationclearinghouse.info/52001.htm

 







25 de julho de 2019

Coisas que eles (não) dizem - 13

Um documento militar chinês acusa os EUA de degradarem a segurança global na busca da "superioridade absoluta", adotando “políticas unilaterais” e provocarem a concorrência armamentista entre as principais potências mundiais. Pequim concentra-se agora em ter um exército de "classe mundial".
Pequim acredita que os EUA procuram “inovações tecnológicas e institucionais em busca da superioridade militar absoluta”. Especialistas militares dos EUA insistem em que os EUA devem desenvolver "novas formas de guerra" ou arriscar "derrotar" a Rússia e a China.
Isto mostra que a classe dirigente dos EUA se divide não entre democratas e republicanos, mas entre os que querem a guerra o mais breve possível - e fazem por isso - e os que defendem o uso de métodos a mais longo prazo, de conspiração, ingerência, corrupção de dirigentes, propaganda hostil, sanções, etc., que deram origem às “revoluções de veludo”, ao fim da URSS e países socialistas europeus e á criação países caóticos e disfuncionais em todos os continentes. Claro que estas estratégias apenas diferem em questões de planeamento. O objetivo é idêntico: guerra e caos mundial, para instaurar a chamada "democracia liberal" isto é, o capitalismo monopolista transnacional.
A China ressente-se da recente venda massiva de armas dos EUA a Taiwan, onde "forças separatistas" representam “a mais grave ameaça imediata à paz e estabilidade” na área. Pequim "não prometerá renunciar ao uso da força" ao lidar com a ilha e "derrotará resolutamente qualquer um que tente separar Taiwan da China", adverte.
O documento chinês reconhece que o Exército de Libertação do Povo "ainda está muito atrás das principais forças armadas do mundo" e corre o risco de ser apanhado de surpresa devido a uma "crescente lacuna nos avanços tecnológicos militares". Para lidar com isto, a China irá atualizar as suas forças procurando transforma-las progressivamente em "forças de classe mundial”.
O caso muda de figura quando se considera o potencial militar conjunto da China com a Rússia. Embora documentos dos EUA mostrem a China como o adversário número um. O Pentágono adverte que Pequim - juntamente com a Rússia - está prestes a derrotar os EUA no ciberespaço, defesa aérea e tecnologia militar, propondo que os EUA gastem mais dinheiro nas forças armadas. (ver https://www.rt.com/news/464931-china-white-paper-us/)
Entretanto, bombardeiros russos e chineses fazem a sua primeira patrulha conjunta na região da Ásia-Pacífico (https://www.rt.com/news/464871-video-china-russia-bombers/)

Sobre as novas armas russas ver: “A perda da supremacia militar e a miopia do planeamento estratégico dos EUA, um livro de Andrei Martyanov (1ª e 2ª partes)

 

22 de julho de 2019

Coisas que eles (não ) dizem (12)

No passado dia 28 de junho realizou-se uma reunião em Viena, entre a França, Reino Unido, Alemanha, Rússia, China e Irão. Desde maio de 2018, quando os EUA se retiraram do acordo nuclear com o Irão, que esta reunião era pretendida. Os media dominantes  ignoraram-na totalmente ou quase. Por muito que finjam atacar Trump, veiculam todas as provocações e falsas notícias dos extremistas neoconservadores que o rodeiam, verdadeiros fautores da instabilidade global e de guerras.

A reunião realizou-se sob a ameaça dos EUA contra qualquer entidade que negoceie com o Irão. Brian Hook, representante especial dos EUA para o Irão, disse então aos participantes da UE/NATO: "Vocês devem escolher entre Washington e Teerão".

O resultado da reunião de Viena pode ser considerado uma vitória para a Rússia, a China e o Irão, pelo anúncio da ativação imediata do mecanismo europeu INSTEX, que visa contornar as sanções dos EUA,

O INSTEX é uma ferramenta baseada no euro que permite ao Irão vender o seu petróleo para países da UE em troca de bens (apenas produtos alimentares e médicos) que o Irão compre; o saldo dessas operações torna-se crédito bancário.

Embora o Irão pretendesse garantir a compra de cerca de 500 mil barris por dia, os países da UE/NATO representados ofereceram cerca de 250 mil barris por dia.

A China anunciou a sua intenção de se juntar à INSTEX, para cobrir o pagamento das suas compras de petróleo iraniano, retomando a compra de 650 000 barris por dia, correspondendo a quase um terço das vendas diárias de petróleo iraniano. A China venderá um equivalente de bens da sua própria produção.

Os russos anunciaram que também serão parceiros da INSTEX, embora já tenham criado empresas offshore, protegidas por um decreto presidencial contra sanções, para comprar e revender petróleo iraniano como contribuição a proteção do acordo.


por Nasser Kandil

 

 

Grandes objectivos , opções estratégicas

ELEIÇÕES LEGISLAIVAS 06OUT19
APRESENTAÇÃO PROGRAMA ELEITORAL PCP 2019
AGOSTINHO LOPES

0.Saudações
Antes de dar a palavra ao C. JS, SG do PCP para apresentar os grandes objectivos, opções estratégicas, eixos centrais e principais medidas do Programa Eleitoral do PCP, alguma contextualização. 
1.A ENVOLVENTE POLÍTICO-MEDIÁTICA
Estávamos em 2015 a caminho de eleições. A grande novidade da época era o Relatório do PS “Uma Década para Portugal” de Centeno, base do Programa do PS. Uma verdadeira “comoção” percorria a comunicação social. A Coligação PSD/CDS, poucos dias antes tinha apresentado o seu programa/cenário eleitoral na Assembleia da República, disfarçado de PEC/PNR! (Aliás a Coligação exigiu que a credibilidade, a consistência económica, do Relatório PS fosse examinada pela UTAO e CFP!)
As iniciativas foram transformadas pelos medias no selo de garantia da “credibilidade económica” dos programas eleitorais. Sim senhor! Isto trabalho sério. Não as fraudes costumeiras das promessas eleitorais! Uma nova era tinha sido aberta nas eleições portuguesas! 
Tinha sido interessante, que ao chegarmos ao fim da Legislatura esses partidos fizessem contas de comparar! E se não eles, que pelo menos os arautos mediáticos da «credibilidade», comparassem cenários, programas e resultados!
Mas comparemos nós o Relatório e o Impacto Financeiro do Programa Eleitoral do PS (19AGO15) com as perpectivas do PE 2019/2023 de Abril passado.

A religião neoliberal

Economia mundial
A religião neoliberal

Carlos Carvalhas


As «crises cíclicas», as «crises financeiras», os elevadíssimos recursos saídos dos Orçamentos de Estado para salvar bancos, banqueiros e grandes accionistas, a acentuação das desigualdades, a polarização da riqueza e a redução de direitos e do poder aquisitivo dos trabalhadores, têm levado ao descrédito políticos e economistas e as políticas neoliberais por estes seguidas.
Rebatizadas de políticas de austeridade, as políticas neoliberais tiveram por efeito uma elevada concentração e centralização de capitais e a sua aplicação em plena recessão agravou a crise com quedas brutais do produto, a intensificação da exploração, o aumento do desemprego e da emigração, com dolorosas situações sociais.
O resultado da «contra-revolução conservadora» iniciada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, designadamente no campo da teoria económica, é trágico.
No entanto, os dominantes, depois do susto da crise 2007/09, procuraram de novo retomar a ofensiva, fazendo do charlatanismo económico uma ciência e procuram que esta seja a base do ensino universitário. Escudam-se em modelos abstractos e classificam de «ciência» económica o culto de um qualquer modelo matemático apesar de serem contrariados pela prova dos factos.
Em vez de formação procura-se a deformação, criando um corpo de defensores de uma «Teoria Económica» que sirva os dominantes e lhes salvaguarde os privilégios.

19 de julho de 2019

EUA - um caldeirão em ebulição

A propósito do declínio dos EUA
Jorge Cadima

Nos EUA avoluma-se uma crise profunda, cujos efeitos se estendem a todos os campos -
económico, financeiro, social, político, militar, sanitário e mesmo demográfico. As suas raízes
residem na crise sistémica do capitalismo, mas também no declínio relativo dos EUA face a
outras potências, na insustentabilidade da sua situação financeira e na brutalidade da sua
dominação de classe.
Os mecanismos com que a classe dirigente norte-americana tem procurado enfrentar o seu
declínio não apenas não o inverteram, como contribuíram para acentuar esse declínio. Trump
expressa essa crise. ‘Tornar de novo grande a América’ é uma ilusão que não reflecte a
realidade mundial em mudança. Mas o perigo de que tudo termine numa aventura catastrófica
é enorme.

Um país em crise
Os EUA são um caldeirão em ebulição. A ofensiva de classe das últimas décadas traduziu-se

numa baixa acentuada dos níveis de vida de grande parte da população trabalhadora. Tornou-
se frequente que, mesmo trabalhadores com duplo emprego, mal consigam sobreviver (1).

18 de julho de 2019

Fake news

Fake News e manipulação
Fernando Correia
Jornalista.
As Fake News (FN) estão na moda. É um bom tema para discutir e, principalmente, aprofundar.
Mas, em si próprias, as notícias falsas estão longe de constituir o elemento mais importante
para nos guiar no combate por uma informação verdadeiramente comprometida no
aprofundamento da democracia em todas as suas vertentes. O conceito recentemente
vulgarizado pela União Europeia de desinformação não se afigura suficientemente operacional
para nos ajudar neste combate, que para alguns parece ser coisa nova, contra uma outra
realidade: a manipulação da informação. Uma realidade indissociável de contextos
económicos, políticos, sociais e ideológicos que não podem ser ignorados, sob pena de o
combate ser apenas de faz de conta.
Neste século e na sociedade capitalista em que nos inserimos, falar do panorama mediático, e
particularmente das FN, leva-nos a ter como referência os Estados Unidos. País onde não são
apenas, só por si, os grandes monopólios da informação que dominam os media e condicionam
e influenciam a opinião pública nacional e também a dos países ocidentais e de grande parte
do chamado Terceiro Mundo. E a situação não é de agora. Nos anos 80 do século passado
funcionavam mais de duas dezenas de organismos estatais vocacionados para essa tarefa.