Vários artigos com interesse têm sido publicados sobre a anexação da RDA. Entre nós sublinho o publicado no LMonde Dipolmatique de Novembro
Publicamos hoje o de Albano Nunes.
30 anos após a «queda do muro de Berlim»
A verdade é revolucionária
Os comunistas nunca têm medo da verdade pois só ela permite conhecer a realidade, condição indispensável para a sua transformação revolucionária. A posição dos seus adversários é precisamente a contrária. A classe dominante capitalista só pode manter-se no poder com o recurso sistemático à mentira. Uma mentira que pode não ser frontalmente negacionista («os factos são teimosos») mas que é sempre manipuladora. E se há uma temática em que isto seja particularmente verdadeiro ela é a da História, sempre escrita e rescrita ao sabor dos interesses económicos e políticos dominantes, em que o fio condutor consiste em escamotear o papel da classe operária e da luta das massas populares na transformação progressista do mundo e apresentar a acção revolucionária dos comunistas, de Marx aos dias de hoje, como uma sucessão de erros, fracassos e mesmo crimes, que frequentemente equiparam ao fascismo. É assim que continuam a celebrar a «queda do muro de Berlim», não apenas como uma vitória do capitalismo sobre o socialismo mas como uma expressão da perversidade dos comunistas, a demonstração da «morte do comunismo» e, portanto, a demonstração da impossibilidade da superação revolucionária do capitalismo.
Há vários meses que os grandes meios de comunicação social vêm celebrando os «30 anos da queda do muro de Berlim» com velhas e estafadas peças de desinformação e manipulação ideológica, mas que nem por isso devem ser subestimadas. Pelo contrário, devem, sem negar erros e deformações contrárias ao ideal comunista que conduziram aos dramáticos acontecimentos de 1989, ser aproveitadas para repor e defender a verdade histórica.
.Celebrando a «queda do muro de Berlim» o que as forças da reacção e da social-democracia fundamentalmente celebram é o fim da República Democrática Alemã (RDA), é a anexação (a que chamam de «unificação») da RDA pela República Federal Alemã (RFA) com a formação de uma «grande Alemanha» imperialista, é a derrota do socialismo no primeiro Estado alemão antifascista e nos demais países do Leste da Europa e, posteriormente, o desaparecimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
A criação da RDA socialista, herdeira das heróicas tradições revolucionárias do movimento operário e comunista alemão (de que, na sequência de Marx e Engels, são símbolos Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Ernest Thalmann), é inseparável da Vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial e produto das aspirações do martirizado povo alemão à liberdade, à paz e ao progresso social. A contribuição do povo soviético e do Exército Vermelho para a derrota da Alemanha hitleriana e a libertação do povo alemão jamais deverá ser esquecida. (1)
A responsabilidade da divisão da Alemanha, a que desde o primeiro momento a URSS se opôs, cabe inteiramente às potências imperialistas (Estados Unidos, Grã-Bretanha e França) que nas respectivas zonas de ocupação, e ao contrário do que aconteceu na zona de ocupação soviética, não só não desmantelaram completamente as estruturas hitlerianas como protegeram os criminosos nazis (muitos dos quais vieram a ocupar altas responsabilidades no pós-guerra) e os monopólios alemães (Krupp, Siemens, e outros) responsáveis pela carnificina da guerra e criaram em 23 de Maio de 1949, contra os próprios Acordos de Ialta (Fevereiro de 1945) e de Potsdam (Julho/Agosto de 1945), uma RFA capitalista amarrada ao imperialismo norte-americano e à NATO. Esta aliança agressiva foi fundada nesse mesmo ano de 1949, seis anos antes da resposta dos países socialistas do Leste da Europa com a criação do Tratado de Varsóvia em 1955, na sequência aliás da provocatória entrada da RFA na NATO (2).