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18 de novembro de 2019

A U E pós eleições

Um olhar pós-eleições sobre a situação na União Europeiu
João Ferreira
Deputado do PCP no Parlamento Europeu

As eleições para o Parlamento Europeu, de Maio de 2019, e o início da corrente legislatura têm lugar num contexto de prolongada crise do processo de integração capitalista europeu. As forças (políticas, económicas e sociais) que determinam a natureza e o rumo deste processo empreenderam, e empreendem, significativos esforços para instrumentalizar a seu favor um amplo descontentamento social, gerado pelas consequências da própria integração capitalista. Sem pudor, tentam virar o bico ao prego: procuram legitimar e aprofundar um processo, em larga medida, desacreditado, precisamente por causa das nefastas consequências das políticas prosseguidas. Fazem-no usando um poderoso e multifacetado aparelho ideológico, mediático e propagandístico. 
Os desenvolvimentos mais recentes denotam um impulso no sentido do aprofundamento neoliberal, federalista e militarista da União Europeia. Um caminho que, como já se demonstrou, agrava contradições e comporta perigos evidentes para os povos do continente. 
Este é o pano de fundo que marcou as eleições e que continua a marcar a situação presente, sem prejuízo de naturais especificidades nacionais.

O Parlamento Europeu pós-eleições

A UE, as suas instituições e a generalidade dos seus governos levaram a cabo, nos anos mais recentes, um denodado esforço para lavar a cara a um processo de integração desgastado e, bem assim, para branquear as responsabilidades das forças políticas que têm sido protagonistas do mesmo.
A apresentação de um falso dilema ou a UE e o seu aprofundamento ou os nacionalismos e a extrema-direita é um dos esteios desta operação, que visa ocultar que os nacionalismos e a extrema-direita medram no pasto das políticas da UE, políticas neoliberais e de ataque à soberania dos povos. 
A propaganda pode muito, mas não pode tudo.
Vários artigos com interesse têm sido publicados sobre a anexação da RDA. Entre nós sublinho o publicado no LMonde Dipolmatique de Novembro
Publicamos hoje o de Albano Nunes.
30 anos após a «queda do muro de Berlim»
A verdade é revolucionária

Os comunistas nunca têm medo da verdade pois só ela permite conhecer a realidade, condição indispensável para a sua transformação revolucionária. A posição dos seus adversários é precisamente a contrária. A classe dominante capitalista só pode manter-se no poder com o recurso sistemático à mentira. Uma mentira que pode não ser frontalmente negacionista («os factos são teimosos») mas que é sempre manipuladora. E se há uma temática em que isto seja particularmente verdadeiro ela é a da História, sempre escrita e rescrita ao sabor dos interesses económicos e políticos dominantes, em que o fio condutor consiste em escamotear o papel da classe operária e da luta das massas populares na transformação progressista do mundo e apresentar a acção revolucionária dos comunistas, de Marx aos dias de hoje, como uma sucessão de erros, fracassos e mesmo crimes, que frequentemente equiparam ao fascismo. É assim que continuam a celebrar a «queda do muro de Berlim», não apenas como uma vitória do capitalismo sobre o socialismo mas como uma expressão da perversidade dos comunistas, a demonstração da «morte do comunismo» e, portanto, a demonstração da impossibilidade da superação revolucionária do capitalismo.
Há vários meses que os grandes meios de comunicação social vêm celebrando os «30 anos da queda do muro de Berlim» com velhas e estafadas peças de desinformação e manipulação ideológica, mas que nem por isso devem ser subestimadas. Pelo contrário, devem, sem negar erros e deformações contrárias ao ideal comunista que conduziram aos dramáticos acontecimentos de 1989, ser aproveitadas para repor e defender a verdade histórica.

.Celebrando a «queda do muro de Berlim» o que as forças da reacção e da social-democracia fundamentalmente celebram é o fim da República Democrática Alemã (RDA), é a anexação (a que chamam de «unificação») da RDA pela República Federal Alemã (RFA) com a formação de uma «grande Alemanha» imperialista, é a derrota do socialismo no primeiro Estado alemão antifascista e nos demais países do Leste da Europa e, posteriormente, o desaparecimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
A criação da RDA socialista, herdeira das heróicas tradições revolucionárias do movimento operário e comunista alemão (de que, na sequência de Marx e Engels, são símbolos Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Ernest Thalmann), é inseparável da Vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial e produto das aspirações do martirizado povo alemão à liberdade, à paz e ao progresso social. A contribuição do povo soviético e do Exército Vermelho para a derrota da Alemanha hitleriana e a libertação do povo alemão jamais deverá ser esquecida. (1)
A responsabilidade da divisão da Alemanha, a que desde o primeiro momento a URSS se opôs, cabe inteiramente às potências imperialistas (Estados Unidos, Grã-Bretanha e França) que nas respectivas zonas de ocupação, e ao contrário do que aconteceu na zona de ocupação soviética, não só não desmantelaram completamente as estruturas hitlerianas como protegeram os criminosos nazis (muitos dos quais vieram a ocupar altas responsabilidades no pós-guerra) e os monopólios alemães (Krupp, Siemens, e outros) responsáveis pela carnificina da guerra e criaram em 23 de Maio de 1949, contra os próprios Acordos de Ialta (Fevereiro de 1945) e de Potsdam (Julho/Agosto de 1945), uma RFA capitalista amarrada ao imperialismo norte-americano e à NATO. Esta aliança agressiva foi fundada nesse mesmo ano de 1949, seis anos antes da resposta dos países socialistas do Leste da Europa com a criação do Tratado de Varsóvia em 1955, na sequência aliás da provocatória entrada da RFA na NATO (2). 

Bolivia - repressão perante o silencio hipócrita dos ditos defensores dos direitos do Homem

«En lugar de pacificación, ordenan difamación y represión contra hermanos del campo que denuncian el golpe de Estado. Después masacrar a 24 indígenas, ahora preparan un Estado de Sitio. Sería la confirmación de que pidiendo democracia instalaron una dictadura», destacó en su cuenta de Twitter el presidente depuesto Evo Morales.

17 de novembro de 2019

Bolivia um golpe contra a maioria

https://twitter.com/elcuervonica?lang=en
Soldados del Ejército Boliviano (división de infantería) se unen al movimiento indígena en que marcha desde Oruro rumbo a La Paz.
E o belo artigo: o ódio ao indio do vice de EVO
https://www.celag.org/el-odio-al-indio/?utm_source=website&utm_medium=home&utm_campaign=articulos


Bolivia. Mais uma dura lição.

Evo Morales, garantiu crescimento, redistribuição, fluxo de investimentos e que se melhorem todos os indicadores macro e microeconómicos? Sim
Porta-vozes disfarçados de académicos ou comentadores autoproclamados como "jornalistas independentes" procederam a uma ofensiva contra Evo Morales, procurando destruir o seu carácter qualificando-o de ladrão, corrupto, ditador ou ignorante, difamações, acompanhadas por mensagens de ódio contra os povos indígenas e os pobres em geral? Sim.
Dirigentes políticos e as elites económicas do país e estrangeiros reclamaram "uma mudança", para por fim à "ditadura" de Evo Morales? Sim.
As "forças de segurança" bolivianas são controladas agências, militares e civis, dos EUA, que as treinam, armam-nas, fazem exercícios conjuntos e educam-nas politicamente? Sim.
Estas "forças de segurança" deixaram o campo livre para a atuação das hordas fascistas – como as que atuaram na Ucrânia, na Líbia, no Iraque, na Síria para derrubar, ou tentar fazê-lo neste último caso, líderes incómodos para o império – intimidando a população, a militância e membros do governo legítimo? Sim.
Bandos reacionários, recrutados e financiados pela direita, impuseram a sua lei. hordas fascistas saquearam, incendiaram, acorrentaram jornalistas a um poste, atacaram uma mulher presidente de municipalidade pintando-a de vermelhos e destruírem as atas da eleição passada, tudo isto para libertar a Bolívia da “ditadura”? Sim.
Emitiu a UE dos “valores” - daqueles em paraísos fiscais, recorde-se - ou algum partido do “socialismo democrático” (“democracia liberal” como garante Augusto S Silva), alguma ONG como a Amnistia Internacional, protestou pelas atrocidades e pelo golpe de Estado? Não.
Lição primeira a tirar - que já vem do sr. V. Ilitch Lenine - num governo popular as forças de segurança, polícia e exército, não podem ser colonizadas pelo imperialismo e seus lacaios da direita no país.
Evo Morales optou por uma política de apaziguamento, de não responder às provocações dos fascistas. Isto serviu para encoraja-los e aumentar a aposta: primeiro, exigiram eleições; depois, fraude e novas eleições; a seguir, eleições mas sem Evo (como no Brasil, sem Lula); mais tarde, renúncia de Evo; finalmente, perante a relutância popular em aceitar a chantagem, semear o terror com a cumplicidade de polícias e militares e forçar Evo a renunciar. É de manual, tudo de manual. Aprenderemos estas lições? (ver Atilio Boron https://resistir.info/bolivia/boron_10nov19.html)
 
Note-se que a OEA (controlada pelos EUA) disse ter encontrado irregularidades em 78 atas, de um total de 34.555, 0,22% do total ! Mas a própria OEA, admite que o seu trabalho se concentrou apenas nas regiões onde Evo tinha saído vitorioso. O que não retirava a vitória a Evo Morales.

 

Bolivia



1)La Federación de Juntas Vecinales de El Alto, resolvió ontem sábado continuar con bloqueos en esa ciudad y las 20 provincias de La Paz. Amenazó con un “cerco a toda la ciudad de La Paz, a partir de las 00:00 horas”.
Esa Fejuve exigió “la renuncia de la autoproclamanda presidenta Jeanine Añez”, la dimisión de la alcaldesa alteña Soledad Chapetón “por traición al pueblo”.
Reunidos en la avenida Panorámica, cerca a los teleféricos rojo, azul y plateado, también demandaron “repliegue inmediato de los militares a sus unidades. Pedir a la policía que se reivindique con su pueblo para llegar a la paz de todo el pueblo”.
Además, exigieron “la expulsión del país de los señores Carlos Mesa, Luis Fernando Camacho, Marco Pumari, Waldo Albarracín y Rafael Quispe por incitar a la violencia entre los bolivianos”. 
Piden “la presencia de los DDHH y medios de comunicación nacional e internacional para que difundan los atropellos que se están dando con este gobierno transitorio”.
Resaltaron que “en caso de no reconocer nuestras peticiones, resueltas en este cabildo se tomarán medidas más radicales”. Recalcaron que continuarán el paro indefinido, con bloqueo de las 100.000 calles, “cerco a toda la ciudad de La Paz, a partir de las 00:00 horas”.
2)
Esto es en Cochabamba, Bolivia, las personas detenidas el viernes en Sacaba después de la masacre fueron llevadas a la laguna Alalay donde las tuvieron todo el día a la intemperie.





"Tem cuidado com o que desejas "

Teresa de Sousa a panegírica da Nato está angustiada com as eleições britânicas. De um lado está Boris Jonhson que quer sair da UE com acordo ou sem acordo, do outro está Corbyn 
Afirma a jornalista no Público de Hoje :
"Não é excessivo dizer que aeleição de Corbyn abriria
uma ainda mais profunda
crise europeia, e tambémuma profunda crise ocidental " .
 Acrescenta :Como lembra também Barber, Corbyn é
o mais radical dos líderes do Labour desde George Lansbury, nos anos 30, e em nenhum
domínio isso é mais evidente do que em matéria de política externa e de defesa. É
desde sempre um crítico feroz do“imperialismo americano” e como tal não
tem o mínimo interesse pela NATO, para dizer o mínimo, ainda menos do que pela União
Europeia.
Percebem por que é que Corbin tem sido silenciado pelo Público e pela generalidade da imprensa portuguesa. Que saudades que Teresa de Sousa e os seus compadres no Publico têm do criminoso de Guerra Blair