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25 de janeiro de 2022

As eleições e os contextos

 A campanha eleitoral desenrola-se dentro de um determinado contexto, aliás imposto do exterior: a UE e o "atlantismo". Este contexto corresponde à atual infraestrutura de economia política: o capitalismo neoliberal.

O neoliberalismo domina as estratégias das políticas de direita quer se apresente como arruaceiro (chega), snobe (iniciativa liberal) ou melífluo (PSD, que dirá nem saber o que seja neoliberalismo, embora seja a sua comprovada matriz). Quanto ao PS estabelece a contradição de praticando o neoliberalismo prometer resultados não neoliberais, "europeísmo oblige"...

A UE é o polícia do neoliberalismo - com autoridade para aplicar multas e sanções - mas qual o resultado. A UE, e os que se submetem ao federalismo "europeísta" insistem nas políticas que a levaram ao declínio económico, social e cultural. Entre 2000 e 2019 o crescimento económico na UE a preços constantes constantes configura estagnação com um crescimento anémico de 1,4% ao ano; na Zona Euro 1,18%. Estagnação mais grave ainda para países como a Grécia (0,06%), Itália (0,2%) ou Portugal (0,72%) ao ano neste período. A França não foi além de 1,3%. Como exceção a Irlanda com 4,52%, sede privilegiada de transnacionais e paraíso fiscal. É isto o "liberalismo.

Não o neoliberalismo não funciona. Ou funciona? Sim, segundo a OXFAM quase metade da riqueza mundial está concentrada no 1% mais rico, enquanto 99% restantes partilham a outra metade. As crises têm servido para aumentar a concentração de riqueza e desigualdades, é o que fazem aproveitando a pandemia. As "regras" BCE irão estar de novo em vigor plenamente em 2023 com a austeridade associada.

Um sistema tão desconforme, tem como característica gerar crises, económicas, financeiras, sociais. Contudo, sem temerem a contradição para com os dogmas liberais, para manter o sistema e os seus esquemas, ditos de eficiência máxima, apelam ao Estado. Este que se endivide para salvar as fraudes e a má gestão de oligarcas:

A badalada "bazuca" (!?) da UE é o queijo na ratoeira que disfarça o agravamento da austeridade que se seguirá, para manter o seu contexto. Mas as "regras" da UE têm outra "bazuca" apontada aos povos: é a que permite que em 2020, como tem salientado João Oliveira, tenham saído 7 000 milhões de euros levados pelos grandes grupos económicos. Junte-se a isto os 1,5 mil milhões das PPP (2019), mais os benefícios fiscais ao grande capital e aqui está como funciona o neoliberalismo.

A liberdade de escolha, a eficiência. Privatização do ensino, saúde, habitação entregue ao "mercado". O que são direitos humanos passam a ser domínio dos "mercados". Um exemplo: a dívida estudantil nos EUA ultrapassa os 1,7 milhões de milhões de dólares (!!!) com 2,5 milhões de universitários entregando-se a formas de prostituição. 

É tudo pelo "mercado", mas os mercados não são entidades abstratas nem autónomas funcionando segundo leis próprias como as das ciências naturais. Os mercados refletem formas de organização social e de como as pessoas nessas circunstâncias intervêm. O trabalho infantil, a escravatura, a semiescravatura do trabalho sem direitos, as iniquidades da austeridade, também estavam e estão sujeitas às leis do mercado, pois o liberalismo não reconhece necessidades sociais, nem valores humanos acima do lucro.

A direita afirma que é necessário reduzir impostos às "empresas" para permitir o crescimento. Falso. É a tese da economia do lado da oferta. Vem do século XVIII, em que o sr. Say dizia que havendo oferta há sempre procura. Portanto trata-se de "liberalizar", reduzir custos da oferta que esta por si expande-se. Falso. Nenhum capitalista investe ou expande o seu negócio se não houver procura. E aqui vemos como é importante a subida de salários. Claro que não só, é preciso eliminar as estruturas monopolistas que dominam os "custos de contexto" ("fatores de produção") das MPME.

Afirma-se que o “mercado livre” é capaz de autorregulação através dos “ajustes automáticos” e que a intervenção do Estado apenas irá impedi-la. Isto não passa de uma crença dogmática. O “ajuste automático” é feito à custa da falência das MPME, precariedade, desemprego, acréscimo de desigualdades. Além disto há uma questão não incorporada na teoria: a corrupção e a fraude, que no entanto derivam da própria lógica do sistema.

Tributar os HNWI e Ultra-HNWI (alto nível de rendimento e ultra alto nível de rendimento) seria a prioridade de governos sensíveis às necessidades sociais da maioria da população. A austeridade não é, pois, a única política disponível, mas o dito liberalismo não tem outra.


Eleições

 Notas breves:

1) Esta é uma das campanhas  eleitorais em que os grandes senhores do dinheiro mais financiaram e promovem  a bi polarização  e a ideia de que o partido que fique á frente seja apoiado pelo segundo.

Reconstituir , custe o que custar , o "Bloco Central das negociatas" !

Um dos grandes financiadores da campanha eleitoral é  o lobby da saúde privada que privilegia os candidatos que mais lhe dão garantias , o Rio , o Cotrim o Chicão ... e Antonio Costa que até é  primeiro ministro. .O  boy de Chicago que é  também promovido pelo Observador e pela influencia que este órgão tem nos diversos orgãos da comunicação social é  dos que mais se destaca , na defesa do grande negocio da saúde ,  que como dizia a outra ,melhor só  o das armas!

Na verdade Cotrim e Rio destacam se na difusão do argumento de que não  faz sentido haver quem não  consiga rapidamente uma consulta, uma cirurgia ,etc havendo ali ao lado um privado que se poderia contratar a preço justo. 
Foi alias o que foi praticado com Passos Coelho e em diversas áreas com as Parcerias Publicas Privadas, com os resultados conhecidos .  O argumento pode colher nos mais afastados destas coisas ,mas é uma falácia. Contratos feitos pelos habituais escritorios de advogados ,preços iniciais sucessivamente revistos ..Portas giratorias com a contratação dos boys para depois influenciarem os governos a cederem às  reivindicações dos privados , com a drenagem de vultuosos recursos  públicos que faltarão ao SNS acentuando a sua degradação . A táctica é  conhecida e a pressão dos seguros de saúde fazem o resto. Aliás  o ministro sombra de Rui Rio para a saúde é  o um conhecido e reconhecido homem dos Melos.
É  por isso que uma boa parte do dinheiro que vai para o SNS vai depois parar aos cofres dos  grandes do sector privado da saúde
O representante da extrema direita também  é  promovido por este lobby mas de uma maneira mais disfarçada. Este tem o apoio do grupo do Correio da Manhã, "Média Capital" , e é  financiado entre outros pelo lobby de traficantes de armamento ...
Por isso são  levados ao colo bem como os que podem retirar votos e  enfraquecer o PC considerado por todos o seu inimigo principal. 
Apagar o PCP ,fomentar a bi polarização, promover a direita difundir a ideia de que o que conta é  quem vai ser o partido mais votado, quem vai ser o partido vencedor ,o candidato a primeiro ministro. 
A manipulação de massas é  de vulto, eles sabem que estão milhões e milhões em jogo e por isso vale tudo  sondagens ,estudos de opinião , promoção de quem lhe interessa nos grandes órgãos  da comunicação social.
 Mas o que conta e o que importaria nestas eleições  é  que houvesse uma maioria de esquerda e que o PS não  se reforçasse ainda mais em relação aos partidos à sua esquerda . Por isso eles alimentam a ideia que Rio pode ganhar não  só  para mobilizar os votos neste mas também  em Costa ,olhem que ele pode perder...votem no mal menor..
 E assim apagam o que conta  eleitoralmente e o que de facto vai decidir a seguir às eleições , a correlação de forças na Assembleia da Republica . Noutro plano a luta de massas

2)Na manipulação sistemática da RTP.
Uma manif do PCP com a juventude pelas ruas da Graça  - Lisboa  passou nos telejornais do almoço, mas foi cortada no telejornal que  é  de longe o mais visto...Isto é  sistemático, até já houve Congressos da JCP com sala a abarrotar filmados pela RTP e que depois não  passaram nem uma imagem.
É  preciso continuar a martelar que o PC é  um partido de velhos e do passado. E falam eles em democracia e em pluralismo...Só à  vassourada.
No ultimo domingo em plena campanha eleitoral tivemos no telejornal , mais uma vez , o Pedro Adão e o Pedro Norton na televisão pública  a trabalharem deliberadamente  para a bi polarização repisando na ideia da eleição para primeiro ministro . Um é  do PS outro do PSD  , mas a televisão pública é  paga por todos nós.
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Os crimes de guerra do Império

 https://www.democracynow.org/2021/12/22/us_airstrikes_routinely_kill_civilians

EUA encobriram milhares de mortes de civis na guerra aérea no Oriente Médio

O poder aéreo dos EUA desempenhou um papel central nas guerras do país no Afeganistão, Síria, Iraque e outros lugares, com as autoridades prometendo que drones e outras armas sofisticadas permitem que os militares dos EUA realizem ataques aéreos de precisão que poupam civis encurralados em zonas de guerra.  Mas uma investigação sem precedentes do New York Times revela que as guerras aéreas dos militares dos EUA foram marcadas pela falta de inteligência, segmentação imprecisa e falta de responsabilidade causando a morte de milhares de civis, incluindo muitas crianças. 

Esta série de duas partes do repórter Azmat Khan baseia-se numa riqueza de documentos internos do Pentágono, bem como relatórios de campo, dezenas de locais de ataques aéreos e entrevistas com vários sobreviventes. “O número de mortes e ferimentos de civis é muito diferente do que eles afirmam”, diz Khan, que passou cinco anos investigando o que sucedeu

AMY GOODMAN:  Começamos o programa de hoje analisando como o Pentágono conduziu um encobrimento maciço de civis mortos em guerras aéreas dos EUA no Oriente Médio. O New York Times publicou uma notável série de duas partes, baseada em vários relatórios do solo no Iraque e na Síria, bem como 1.300 relatórios confidenciais do Pentágono sobre vítimas civis resultantes de drones dos EUA e outros ataques aéreos.

Azmat Khan, um repórter do New York Times, escreve, e cito: “Os documentos revelam como a guerra aérea foi marcada por inteligência profundamente falha, alvos apressados ​​e muitas vezes imprecisos e a morte de milhares de civis inocentes. , incluindo muitas crianças. . »

Os relatórios contradizem diretamente as alegações públicas de sucessivos presidentes e líderes militares dos EUA. Em 2016, o então presidente Obama afirmou que os Estados Unidos estavam realizando a campanha aérea mais precisa da história.

24 de janeiro de 2022

6G


0:00 O avanço cada vez mais vertiginoso da tecnologia 2:04 Comparação entre 4G, 5G e 6G 3:29 Que possibilidades o 6G abrirá? 5:04 A luta para dominar o 6G: concorrentes e sanções 7:08 Padrões de rede, um elemento-chave na corrida 9:37 Conclusões Estamos também no Instagram!: https://www.instagram.com/ahilesva_/ E aqui, deixamos-lhe o nosso site: https://www.ahilesva.info/ A geração de redes celulares: o 6G ainda não chegou, mas a luta para dominá-lo já começou.

Um plano EUA para um Afeganistão na Europa

 Soldados em trajes de guerra e veículos de combate blindados foram enviados da Suécia para Gotland, a ilha no Mar Báltico que fica a 90 km de sua costa leste. O Ministério da Defesa afirma ter feito isso para defender a ilha e ameaçar navios de desembarque russos que cruzavam o Mar Báltico. Assim, até a Suécia contribui, como parceira, para a frenética campanha EUA-OTAN que, invertendo a realidade, apresenta a Rússia como uma potência agressiva que se prepara para invadir a Europa. A 130 km a leste de Gotland, a Letônia está em alerta máximo, junto com a Lituânia e a Estônia, contra o inimigo inventado que está prestes a invadir. Como “defesa contra a ameaça russa”, a OTAN implantou nas três repúblicas bálticas e na Polônia quatro batalhões multinacionais. Para isso na Letônia participa a Itália, com centenas de soldados e veículos blindados. A Itália também é o único país que participou de todas as missões de “policiamento aéreo” da OTAN, desde bases na Lituânia e Estônia, e o primeiro a usar caças F-35 para interceptar aviões russos em voo no corredor aéreo internacional sobre o Báltico.


No entanto, as três repúblicas bálticas não se sentem suficientemente “protegidas pela presença avançada reforçada da OTAN”. O ministro da Defesa letão, Artis Pabriks, pediu uma presença militar permanente dos EUA em seu país: as forças dos EUA - explicam os especialistas como em um roteiro de filme de Hollywood - não chegariam a tempo da Alemanha para deter as forças blindadas russas que, depois de tendo derrubado os reis das repúblicas bálticas, os separaria da União Européia e da OTAN, ocupando o corredor Suwalki entre a Polônia e a Lituânia. 

A Ucrânia, parceira, mas na verdade já membro da OTAN, tem o papel de ator principal no papel de país atacado. O governo denuncia, com base em sua palavra de honra, ter sido atingido por um ataque cibernético, obviamente atribuído à Rússia, e a OTAN está correndo, com a UE, para ajudar a Ucrânia e travar uma guerra cibernética. Washington denuncia: a Ucrânia está agora cercada por três lados por forças russas e, em antecipação ao bloqueio do fornecimento de gás russo à Europa, os Estados Unidos estão se preparando generosamente para substituí-los por fornecimentos maciços de gás natural liquefeito americano. O ataque russo - informa a Casa Branca com base em informações cuja veracidade é garantida pela CIA - seria preparado por uma operação de bandeira falsa: agentes russos, infiltrados no leste da Ucrânia, realizariam ataques sangrentos contra os habitantes russos de Donbass, pelos quais atribuiriam a responsabilidade a Kiev como pretexto para a invasão. A Casa Branca não lembra que em dezembro o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, denunciou a presença no leste da Ucrânia de mercenários americanos com armas químicas.

Os Estados Unidos - informa o New York Times -  comunicou aos Aliados que “qualquer vitória russa rápida na Ucrânia seria seguida por uma insurreição sangrenta semelhante àquela que forçou a União Soviética a se retirar do Afeganistão” e que “a CIA (secretamente) e o Pentágono (abertamente) apoiariam”. Os Estados Unidos - lembra James Stavridis, ex-Comandante Supremo Aliado na Europa - sabem como fazê-lo: no final dos anos 1970 e nos anos 1980 eles armaram e treinaram os mujahideen contra as tropas soviéticas no Afeganistão, mas "o nível de apoio militar dos EUA para uma insurgência ucraniana faria com que o que demos no Afeganistão contra a União Soviética parecesse uma ninharia." O plano estratégico de Washington é óbvio: precipitar a crise ucraniana, deliberadamente provocada em 2014, forçar a Rússia a intervir militarmente em defesa dos russos do Donbass, para acabar numa situação análoga à do Afeganistão em que a URSS se atolou. Um Afeganistão dentro da Europa, que provocaria um estado de crise permanente, tudo em benefício dos EUA que fortaleceriam sua influência e presença na região.

Manlio Dinucci

 

 

Article original en italien :

O plano dos EUA para um Afeganistão na Europa Por Manlio Dinucci , 18 de janeiro de 2022 

Terça-feira, 18 de janeiro de 2022 edição do il manifesto

https://ilmanifesto.it/il-piano-usa-di-un-afghanistan-dentro-leuropa/ 




23 de janeiro de 2022

O Euro e os bloqueios à nossa economia

 De Nuno Teles uma importante reflexão sobre o Euro


"O Euro começou a circular em Portugal há 20 anos e o seu aniversário foi quase ignorado pela generalidade da imprensa portuguesa e europeia. A moeda única impôs um colete de forças monetário e orçamental aos Estados mais pobres que a ela aderiram. Depois da euforia inicial, da crise e da austeridade, porque desapareceu o Euro do debate público? 

ENSAIO
21 JANEIRO 2022

Acriação do Euro como unidade de conta europeia data de 1999, mas foi há vinte anos que, com pompa e cirscunstância, as moedas e notas começaram a circular. Curiosamente, os vinte anos da moeda única foram quase ignorados pela generalidade da imprensa europeia. O caso é ainda mais estranho em Portugal, um dos países mais afectados pela crise do euro, com eleições legislativas a 30 de janeiro, onde as questões económicas são normalmante parte do debate.

A ausência de discussão sobre o euro é, aliás, sintoma de uma quase ausência das questões europeias nestas eleições. O debate político ignora os limites impostos por Bruxelas e Frankfurt, o que resulta num necessário empobrecimento. A análise das possibilidades de país que queremos não pode deixar de lado o papel histórico do euro na sociedade portuguesa e os caminhos que, a partir dele, se desenham no futuro próximo.

VINTE ANOS DE ESTAGNAÇÃO

Num recente debate eleitoral, António Costa, quando confrontado com a estagnação da economia portuguesa nos últimos vinte anos, respondeu: “a história explica”. António Costa tem razão, embora se tenha poupado a elaborar esta hipótese genérica. A história da integração monetária é central para entender a estagnação da economia portuguesa nos últimos vinte anos, mas para isso temos que recuar não vinte, mas trinta anos, aquando da  assinatura do Tratado de Maastricht em 1992. Este tratado estabeleceu o roteiro para a União Monetária Europeia (UEM).

Com a liberalização dos mercados financeiros e a segurança que a UEM dava ao capital internacional, a recém-privatizada banca portuguesa conseguiu endividar-se nos mercados europeus.

Pacto de Estabilidade e Crescimento (acordo que tinha complementado os critérios de Maastricht, no final da década de noventa), obrigando a um progressivo corte do investimento público, tendo caído de 5% do PIB, em 2001 para pouco mais de 3%, em 2007.

Esta quebra naturalmente conduziu a uma equivalente quebra do investimento privado, sobretudo no sector da construção e imobiliário, agora condenado a um longo período de estagnação, que só não se traduziu em crise dado o contínuo acesso ao endividamento, nacional e internacional, que o euro possibilitava. A crise financeira de 2008-09 veio por fim à bóia do endividamento que permitia colocar à tona a economia portuguesa.

CRISE DO EURO

Os problemas estruturais da economia portuguesa e da restante periferia europeia provocados pela adesão ao euro tornaram-se salientes em 2011. Depois do momento “keynesiano”, em 2009-10, de aumento da despesa pública como forma combater os efeitos da estrondosa crise financeira em Wall Street, os mercados financeiros internacionais começaram a desconfiar da capacidade de pagamento dos países sobreendividados de uma zona euro sem orçamento próprio redistributivo relevante e sem um banco central que assegurasse o financiamento dos Estados no combate à crise.

As atenções viraram-se para os países mais frágeis, do Sul da Europa, com um endividamento externo acumulado (público e privado) extraordinário, agora impedidos de se refinanciar nos mercados financeiros.

Neste cenário, embora a banca tenha beneficado do crédito do Banco Central Europeu para não “esbarrar no muro”, como um então banqueiro português qualificava a situação, os Estados não beneficiaram da mesma generosidade. O diagnóstico dominante da crise eximia a UEM, na sua arquitectura, de qualquer responsabilidade. O problema do endividamento externo teria sido provocado pela irresponsabilidade salarial e por uma intervenção excesssiva do Estados periféricos na economia, que não permitia aos mercados equilibrarem-se face a choques como o da crise de 2008-09. Isto com uma boa pitada de xenofobia, dirigida aos irresponsáveis povos do Sul que trabalhariam pouco e mal.

A par da austeridade orçamental, cortar salários, promover a reforma laboral e reduzir apoios sociais seriam a única forma de promover a necessária desvalorização interna e, assim, aumentar da competitividade externa. Esta foi, pois, uma oportunidade para, ao abrigo de acordos condicionais para empréstimos oficiais, sujeitar as economias periféricas a um programa de liberalização de mercados, privatização e austeridade, para o qual a UE não tinha antes qualquer legitimidade.

A execução dos programas foi, no curto-prazo, um sucesso político, mas um desastre económico e social para os países que o empreenderam. A quebra na procura condenou os países do Sul a uma pronunciada contração da actividade económica, com aumento brutal do desemprego e da pobreza. O efeito financeiro de curto de prazo foi, pois, um aumento do endividamento destes países em percentagem do PIB, abrindo a possibilidade do não pagamento da dívida e consequente saída do euro. Combinado com um aumento demasiado precoce das taxas de juro para toda a Zona Euro, toda a União Europeia caiu em nova recessão em 2012. A viabilidade do Euro parecia em risco, com os mercados financeiros a apostarem crescentemente na saída de um ou mais países.

Se a instabilidade económica e social do Sul da Europa foi ignorada pela UE, o mesmo não aconteceu com a instabilidade financeira. O BCE empreendeu um programa de empréstimos de longo-prazo a taxas de juro perto do zero à banca europeia. A medida mostrou-se insuficiente. A crise tinha mostrado que a moeda era única, mas os bancos nacionais, estavam dependentes de cada Estado de origem nos seus resgates e aumentos de capital. (...)

https://setentaequatro.pt/ensaio/vinte-anos-de-euro-historia-explica


Há presos torturados em Cuba? Claro que sim...

O humorista Ricardo Araújo Pereira, na pergunta a João Oliveira menciona "os presos em Cuba". João Oliveira responde algo como "vamos concentrar-nos sobre os problemas do nosso país e deixemos essas tretas". Mas afinal há presos torturados em Cuba? Claro que sim... Já se esqueceram?

Já se esqueceram de Guantánamo, a base-prisão que os EUA ilegalmente mantêm em Cuba? Prometida encerrar há mais de uma década, pelo prémio Nobel da Paz (!?) Obama e ainda lá está com presos sem julgamento em condições que configuram tortura e maus tratos? Bem, já não estão todos. Houve os que foram transferidos para as prisões secretas da CIA noutros países... Só não percebo por que é que nos media não põem estas questões à gente da direita ou mesmo da social-democracia PS.

O ex-presidente Carter referia que a legislação sobretratos cruéis, inumanos ou degradantes era violada em Guantánamo. As próprias autoridades confessaram que para obter confissões dos detidos em usaram técnicas de tortura.

Mas estes processos tiveram lugar noutros locais. Ex-agentes da CIA, denunciaram a forma como os media encobriram o relato de um jornal britânico sobre o bloqueio da CIA a investigões do Senado sobre a pratica de tortura.

Gina Haspel nomeada diretora da CIA em 2018, era bem conhecida por ter ativamente dirigido e participado na tortura de prisioneiros em lugares secretos (black sites). Desempenhou um papel vital na destruição de fitas de vídeo de interrogatório que mostravam a tortura de detidos tanto no local que ela administrava como noutros locais de agências secretas. Haspel estaria na prisão se presidente Barack Obama não tivesse decidido contra um processo

Em 1963 a CIA elaborou um manual de tortura, chamado “Kurback Counterintelligence-Interrogation”. Outro manual foi emitido 1983, o “Human Resourse Exploitation Training manual descrevendo métodos a serem usados pelos EUA na guerra contra forças democráticas e progressistas na América Latina.

Nos EUA existem 2 milhões de presos. Todos os dias são levados a tribunal e atirados para a prisão gente por crimes cuja causa é a miséria económica. Além destas prisões em massa, os presos são sujeitos a trabalho pode dizer-se escravo. São operadas 52 fábricas (prisões) pela organização UNICORE/FPI. De outubro de 2016 a março de 2017, (6 meses) a produção ascendeu a cerca de 252,4 milhões de dólares.

Por que não se pergunta a gente da direita por Ana Belén condenada a 25 anos de prisão submetida a um regime de isolamento extremo, por impedir que organizações nos EUA perpetrassem atos terroristas em Cuba? Ou Bilal Hussein jornalista preso por mostrar massacres cometidos pelo exército dos EUA sobre a população civil pessoas mutiladas e casas destruídas. Ou Julian  Assange o jornalista de Wikileaks sujeito às mais cruéis condições de prisão e isolamento. Ou Chelsea Manning, "os cinco de Cuba", Angela Davies, Albert Woodfox (43 anos em regime de solitária, por razões políticas como militante do Partido Pantera Negra e lutar contra a segregação), etc.

O Patriot Act suspendeu direitos constitucionais e segundo um estudo do Washington Post em 2010 o Estado federal empregava pelo menos 850 000 novos funcionários parcom a função de espiar os cidadãos. (http://www.voltairenet.org/article193182.html)

A oligarquia que governa os EUA e pretende alargar o seu domínio ao resto do mundo, conduz não apenas ao intensificar da desigualdade, ao caos e insegurança dos cidadãos, mas transforma o país num Estado policial.

A ascendência de uma elite financeira criminosa e a cumplicidade do Estado levou ao colapso da lei e da ordem, à degradação e ao descrédito de todas as instituições de regulação e do sistema judicial, evidenciando as duas faces de um Estado policial: proteção para a fuga de impostos, vigaristas financeiros e lavagem de dinheiro enquanto policiam os cidadãos

Como escreveu Paul Craig Roberts é risível a ideia de que os EUA são uma democracia quando não têm, em absoluto uma imprensa que funcione como um observador atento. Mas os media não se estão a rir. Estão a mentir. Porque se mantém o silêncio em relação a violações dos direitos humanos massivas e sem precedentes, como as atrocidades de no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, no Iémen, na Líbia, a Somália, em Abu Ghraib, na Prisão de Guantánamo, e em prisões secretas da CIA?

Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA. E sabemos como é flexivel e elástico este conceito… Trata-se de criminalizar ou discriminar opiniões politicas e sociais. Mas não importa que sejam fascistas!