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19 de fevereiro de 2022

A mecha está acesa em Donbass

 

A mecha está acesa em Donbass

O jogo de xadrez prossegue na Ucrânia. Os Estados Unidos estão a preparar um ataque aos dois *oblast de Donbass, cuja população é agora maioritariamente detentora da nacionalidade russa. Segundo a Constituição russa, o Presidente da Federação, Vladimir Putin, será responsável pela sua defesa militar. A fim de evitar ser responsabilizada pela explosão, Moscovo jogou por sua vez, retirando as suas tropas alguns quilómetros... reconhecendo simultaneamente a independência das Repúblicas de Donetsk e Luhansk (isto é, dos antigos oblast ucranianos). Washington já não pode invocar os acordos de Minsk porque, "graças" ao Presidente Macron, Kiev acaba de se recusar a aplicá-los. Já não pode invadir o Donbass sem atacar os cidadãos russos cuja secessão se justifica agora. E terá eventualmente de reconhecer a independência das duas novas repúblicas. Nas próximas jogadas, elas poderão pedir a sua anexação à Federação Russa.Enquanto a situação em Donbass se torna cada vez mais incandescente, Biden, na véspera das suas conversações com Putin, convocou a 11 de Fevereiro aquele que é efectivamente o conselho de guerra da NATO e da União Euro-peia: O Secretário Geral da NATO, Jens Stoltenberg; o Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson; o Presidente francês, Emmanuel Macron; o Chanceler alemão, Olaf Scholz; o Primeiro Ministro italiano, Mario Draghi; o Presidente polaco Andrzej Duda; o Presidente romeno, Klaus Iohannis; o Primeiro Ministro canadiano, Justin Trudeau, apoiado pelo Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel e pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O Conselho de Guerra NATO-UE esclareceu que "se a Rússia efectuar uma nova invasão da Ucrânia, os Estados Unidos, juntamente com os seus aliados e parceiros, responderão de forma decisiva e imporão custos imediatos e pesados à Rússia". Foi isto que Biden disse a Putin no dia seguinte, em nome não só dos Estados Unidos mas também da NATO e da União Europeia. Uma rejeição total de todas as negociações, de facto, uma declaração de guerra, assinada pela Itália pelas mãos de Mario Draghi, sob os olhos de um Parlamento silencioso e unânime.

Todos os dias os sinais de guerra iminente intensificam-se. O Departamento de Estado está a evacuar a Embaixada em Kiev, deixando ape-nas alguns diplomatas e um esquadrão de fuzileiros navais na Ucrânia e está a avisar os cidadãos norte-americanos para deixarem a Ucrânia porque "não seria capaz de os proteger do ataque russo". A Farnesina [1] fez o mesmo. O Pentágono está a retirar 160 instrutores militares da Ucrânia, que treinaram as forças de Kiev. No entanto, permanecem os conselheiros e instrutores militares pertencentes às Forças Especiais USA e NATO que, de facto, comandam o Exército de Kiev e da Guarda Nacional. Na linha da frente está o batalhão neonazi Azov, já assinalado pela sua ferocidade contra as populações russas do Donbass, promovido pelo seu mérito a um regimento mecanizado de forças especiais, armado e treinado pela NATO. Tem a mesma insígnia da Divisão Panzer SS Das Reich, uma das 200 divisões de Hitler que invadiram a União Soviética em 1941. Foram derrotados, mas o preço pago pela União Soviética foi muito elevado: cerca de 27 milhões de mortos, mais de metade dos quais civis, o que corresponde a 15% da população (em relação aos 0,3% dos EUA em toda a Segunda Guerra Mundial); cerca de 5 milhões foram deportados para a Alemanha; foram destruídas mais de 1.700 cidades e grandes aglomerados populacionais, 70 mil aldeias e 30 mil fábricas.

Tudo isto está a ser perigosamente esquecido, enquanto a Rússia continua a repetir, falando ao vento, que não tenciona atacar a Ucrânia e denuncia a concentração crescente de tropas de Kiev em frente à área de Donbass, habitada pela população russa. Kiev já destacou para lá, mais de 150.000 soldados. Estão equipados com lançadores de foguetes Grad, cada um capaz de lançar até 40 km, nu-ma salva de 20 segundos, 40 foguetes de 122 mm com ogivas altamente explosivas que, ao deflagrar, atingem uma vasta área com mi-lhares de fragmentos de metal afiados ou pequenas bombas de fogo retardado. Um ataque em grande escala com tais armas contra os habitantes russos das regiões de Donetsk e Lugansk provocaria um massacre e não poderia ser detido pelas forças locais de cerca de 35.000 homens.

Os Planos de Londres e Washington

 Por que é que Biden está tão certo que a Russia invadirá a Ucrânia ?

Esta é a terceira tentativa  de Kiev de tomar as repúblicas separatistas pela força 

O porta-voz da Milícia Popular de Donetsk, Eduard Basurin, declarou hoje que o DPR obteve o plano ofensivo das forças ucranianas, cujo objetivo é "limpar" a área de sua população de língua russa. Basurin especificou que "o serviço de inteligência da Milícia Popular da RPD obteve" o plano "desenvolvido pelo Estado-Maior ucraniano e aprovado pelo Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia no início de fevereiro deste ano "teve como conselheiros especialistas  militares dos EUA e dos serviços secretos de Londres e Washington 

"O objetivo da ofensiva ucraniana é 'limpar' o território das repúblicas populares da população de língua russa , empurrá-lo para o território russo e obter o controle de todo o território das repúblicas populares". 

Segundo Basurin, o plano das forças de Kiev envolve chegar à fronteira russa em dois dias, enquanto toda a operação ofensiva deve ser realizada em cinco dias . 

Os bombardeamentos sistemáticos e diversas sabotagens no interior de Donesk estão em marcha como o atestam os atentados a lideres e o bombardeamento do gasoduto ,este para mostrar também que o fornecimento de gás da Russia á Europa não é fiável .

Os relatórios da OSCE mostram claramente quem está a sabotar os acordos de Minski.

O fornecimento  de armamento sofisticado da parte de Londres e dos  EUA intensificou se logo após a aprovação pela Ucrânia do plano de ofensiva sobre as repúblicas separatistas

Lutas Políticas e Culturais

 100 anos de lutas políticas e culturais

Manuel Augusto Araújo

Membro da Comissão Nacional de Cultura junto do CC do PCP

Depois da sua fundação em 1921 e de sobreviver ao golpe militar de 28 de Maio de 1926,

o Partido Comunista Português (PCP) inicia um processo de revitalização, em que se

destacam militantes como Bento Gonçalves, que vai enfrentar uma repressão policial

mais artilhada e especializada. Na década de 30, o PCP enfrenta uma grave crise com as

prisões do Secretariado do Comité Central e de destacados militantes. O partido resiste e

inicia, nos anos 40, a sua reorganização que o torna numa organização partidária de tal

modo sólida que as violentas manobras repressivas nas mais de quatro décadas da

ditadura fascista-salazarista não mais conseguirão impedir a sua actividade regular.

É nos anos 40 que a publicação do Avante! nunca mais vai ser interrompida, os

documentos para discussão interna adquirem rotina, a propaganda de rua intensifica-se e

diversifica-se. O PCP dinamiza várias frentes políticas unitárias, a frente cultural afirma-

se. Os intelectuais comunistas mobilizam-se em vários projectos como a Biblioteca

Cosmos, a revista Vértice, o que viria a ser o Coro da Academia dos Amadores de

Música, na actividade de organizações culturais, recreativas e desportivas.

Se o trabalho político e a luta de classes era e é a prática nuclear dos comunistas, a

cultura, a massificação e a democratização da cultura tem a ambição revolucionária de

transformação da vida bem expressa no editorial da Vértice: «parecerá estranho àqueles

que tem da cultura uma ideia letrada que se ponha sequer a hipótese de uma cultura

assente numa massa de analfabetos ou pouco menos que analfabetos; não deixarão os

mesmos de causar-nos de subestimação do conjunto de intelectuais que constituem uma

elite entre os valores nacionais. Não é assim; pensamos simplesmente, que o seu valor

será pequeno, pouco mais que insignificante, se não for integrado numa cultura de

massas e não se dedicar a ser o seu activo fermento». (1) Fica claramente traçada a

fronteira entre os intelectuais comunistas e os intelectuais acantonados numa

superioridade elitista, muito deles demo-liberais oponentes do regime ditatorial, que os

distancia da realidade e os fecha nas torres de marfim onde pretendem eliminar o cheiro

do suor da vida e do trabalho. Cria-se um forte elo entre a frente política e a frente

cultural. Problematiza-se a cultura eximindo-a da dicotomia cultura erudita/cultura popular,

recusada por Bento de Jesus Caraça na conferência que faz em 1936 «A arte e a Cultura

Popular», substituindo «a expressão cultura popular pela expressão, mais própria e geral,

de cultura humana» (2). É uma visão antropológica da cultura enquanto núcleo de

saberes e saber fazer. A tarefa a que os intelectuais comunistas se propõem é criar as

condições culturais e políticas em que se restabeleça a harmonia entre o homem

individual e a sua individualidade, o homem e a natureza, o homem enquanto interventor

e fruidor da cultura na sua mais ampla acepção, produtor de novas ideias e da sua

sociabilização. Esse é o objectivo de Bento de Jesus Caraça quando funda a Biblioteca

Cosmos expressa no prefácio que escreve para o seu livro inaugural «O Homem e o

Livro» de M. Iline em que «à opinião frequentemente defendida de que a marcha da

civilização e do progresso da cultura são obra exclusiva das elites», Caraça opõe que

«são o produto da acção de todos os homens, a de que há uma corrente, profunda e una

de que todos participam, limitando-se as elites quando de facto são, a dar estruturação

intelectual ao corpo orgânico em que participam (…) vemos as elites, não como causas

exclusivas do progresso, mas como obreiros mais ou menos potentes, trabalhando em

campos de acção mais ou menos extensos, dum processo de evolução que as condiciona

e lhes marca os moldes dentro dos quais a sua acção pode utilmente produzir-se».

Prefácio onde se define todo um programa de trabalho que incide sobre o património

cultural para que seja apropriado pelo homem comum porque «em cada ramo do


conhecimento há o que é do domínio do especialista (…) e aquilo pelo qual entronca na

corrente geral das ideias e da civilização (…) o que se pretende vulgarizar é

precisamente, o que pertence ao domínio geral e aí nada há que não possa ser

apreendido pelo comum dos homens». (3) A Biblioteca Cosmos é «a mais valiosa, barata

e completa colecção de divulgação cultural» segmentada em sete secções: Ciências e

Técnica; Artes e Letras; Filosofia e Religião; Povos e Civilizações; Biografias; Epopeias

Humanas; Problemas do Nosso Tempo. Em sete anos publicaram-se 114 títulos com uma

tiragem média de 7 mil exemplares. É um projecto com uma articulação interdisciplinar

que corresponde ao projecto marxista do homem culto que é Bento de Jesus Caraça que

corresponde plenamente aos objectivos do PCP em que uma vitória política deverá estar

ligada a uma revolução cultural, pelo que o Partido está fortemente empenhado em

legitimar e consolidar a estrutura partidária no plano das ideias, fazendo ponte com o

universo artístico e cultural. Revolução cultural de que emerge o movimento neo-realista

que irá originar intensas controvérsias não só com os intelectuais que decretam a

incompatibilidade entre a criação artística e cultural com a militância política, propugnando

uma pureza esteticista inconsequente, mas também entre os integrantes nesse

movimento o que é evidenciado em romances de tão diferente factura como «Gaibéus»

de Alves Redol, «O Dia Cinzento e Outros Contos» de Mário Dionísio, «A Casa na Duna»

de Carlos Oliveira, «Seara de Vento» de Manuel da Fonseca.

Os debates sobre as relações entre forma e conteúdo incendeiam as páginas da Vértice

entre 1949 e 1953 evidenciando as tensões entre os neo-realistas se bem que bem

distanciadas dos desvios idanovistas em que as relações dialécticas entre infraestrutura e

superstrutura são completamente subvertidas, não reconhecendo a sua autonomia

relativa nem a influência da superstrutura sobre a infraestrutura, o que desagua na

perversão da política dominar as artes e as letras, o que nunca sucedeu em Portugal,

como reconhece Mário Dionísio: «primeiro, nunca concordei com a designação neo-

realismo, que se deve a uma infeliz inspiração de momento do Joaquim Namorado, meu

grande amigo até à morte; segundo, para mim, «neo-realismo» não era nem poderia ser

uma outra maneira de, por razões de censura, dizer «realismo socialista»; terceiro para

mim ainda, o neo-realismo deveria ser a expressão estética duma visão marxista do

mundo e, sendo esta tão complexa como se sabe (quem sabe), aquele movimento –

nunca «escola» – teria de desdobrar-se em diversas maneiras, gostos, soluções

imprevisíveis o que efectivamente aconteceu.» (4). E o que aconteceu é o neo-realismo

ter uma assinalável pluralidade em todas as áreas artísticas e todos os participantes

nesses debates acabarem por ser concordantes em que as boas intenções de ter um

assunto, por mais social e politicamente relevante que seja, não é condição necessária e

suficiente para o escrever, pintar ou cantar, numa relação primária de causa-efeito. São

questões sempre presentes no pensamento e na acção do PCP sobre cultura, artes e

letras ao longo dos seus cem anos de existência sublinhadas na intervenção de Álvaro

Cunhal na Assembleia de Artes e Letras da ORL do PCP, em que analisa as questões

centrais da cultura e das artes e das letras, reafirma a liberdade de criação artística e que

«os valores culturais estão presentes em os domínios da vida social e têm que ser

defendidos em todas as frentes de actividade (…) cultura e arte são elemento de

desenvolvimento social. Integram a preparação para o trabalho e para a vida (…) os

comunistas defendem a cultura e a arte com a mesma firmeza, a mesma convicção, a

mesma paixão com que defendem as liberdades, a Reforma Agrária, as nacionalizações e

outras grandes realizações da Revolução portuguesa» (5). Um texto que mantém toda a

sua actualidade mesmo quando o universo da cultura e das artes muito mudou sobretudo

depois dos anos 50 do séc. XX em que a cultura, as artes e as letras foram

progressivamente submetidas às leis do mercado até se distanciaram de questionar a

vida que foi desde sempre, de forma directa ou oblíqua, a sua questão nuclear. Em que a

cultura deixou de ser uma presença viva num tempo em que como diz Blanchot, «é


secretamente dramático saber que a cultura não pode fazer mais do que desdobrar-se

gloriosamente no vazio contra o qual nos protege dissimulando-o». (6)

O triunfo imperial do espectáculo bordelizou a cultura e as artes tragadas por poderosa

máquina trituradora onde se misturam pepitas e ganga até as indiferenciar numa poeira

de lumaréus de lantejoulas, rasoiradas pela bitola de tudo ser cultura para nada ser

cultura. Uma cultura submetida a uma acelerada sucessão de modas e humores públicos

que procura extrair o máximo lucro do empobrecimento moral, intelectual, em que a

diversão promovida pelas indústrias culturais e criativas tudo normaliza e esvazia de

sentido, em que os entretenimentos travestidos de cultura e informação, os likes e tweets

das redes sociais, são praticamente o único contacto directo com a política e a sociedade.

A cultura transformou-se num supermercado de produtos e eventos, em que os poderes

públicos centrais e locais desistiram de traçar qualquer política cultural reduzindo a sua

intervenção a políticas assistencialistas às produções que traçam o arco da sublime

inutilidade da cultura burguesa, onde tudo se mede pela bitola do mercado. É a alienação

e a mercantilização da vida social e cultural, a cultura inculta em que tudo se vende e é

ofertado ao consumo, em que o popular se torna lixo, as banalidades, o sensacionalismo

alimentam preconceitos instintivos, o niilismo é crescente, as dominantes são um

hedonismo insensato e o olhar distraído que deambula entre os artefactos da cultura e

das artes. É a contínua sangria da existência humana do projecto neoliberal que procura

aniquilar o sujeito moderno, leia-se crítico e marxista, substituindo-o por um indivíduo

autista e consumidor, indiferente à dimensão essencialmente política da existência, um

indivíduo que se reporta à aparência solipsista dos objectos que se realizam enquanto

mercadoria subjectiva da cultura de massas.

A normalidade da anormalidade dessa cultura inculta promove a iliteracia cultural em que

se oferecem continuamente aos consumidores o que melhor se adapta ao seu gosto num

consumismo cultural em que qualquer coisa acaba sempre por se tornar qualquer coisa.

Há excepções, mas as excepções são a confirmação da regra e a regra é a produção de

produtos ditos culturais pelas indústrias culturais e criativas feitos em linhas tayloristas

que impõem um ritmo em que deixa de existir tempo para pensar a criação artística. É o

fim das artes e da cultura na sua relação ideológica e política com a sociedade burguesa

contemporânea em que se procura que a alienação global seja voluntária.

Os projectos culturais, mesmo os menos ambiciosos mas que ainda têm a pretensão de

actuar sobre a sociedade, foram abandonados em favor da oferta de lances culturais num

mercado em que os produtores privados concorrem ou são parceiros dos poderes

públicos.

Desde há décadas que são muitos os sintomas de desordem mental e cultural, com a

fragilização de qualquer pensamento crítico varrido pelos turbilhões das amálgamas

informativas e culturais onde se desagregaram todos os projectos humanistas do

iluminismo, cujo ponto máximo é o marxismo, guilhotinando-os na fúria bárbara de uma

nova ordem política, económica, social em que o imperialismo cultural é um pilar que

avilta a cultura em repetitivos e fastidiosos discursos tão mais «inteligentes» quanto mais

a indigência rebenta pelas costuras. Em que a arte contemporânea revela toda a

decadência das artes numa sociedade em que quase deixa de haver lugar para a criação

artística a não ser como forma de ganhar dinheiro, um caminho em que Warhol, sem

ironias nem sentimentalismos, foi pioneiro calcorreando-o com inquietante êxito. Onde se

assassina a febre modernista da pesquisa, de ousar tudo, de perseguir o objectivo de

tornar o acto de criação um acto consciente de crítica radical do espírito burguês, do seu

racionalismo estreito. Tudo se normaliza num espectáculo contínuo e generalizado de

mundanidades porque o mercado só conhece a hierarquia cultural do que é vendável. É o

triunfo do comerciante da canção de Brecht «não sei o que é o arroz, nunca vi o arroz, do

arroz só sei o preço».


As ferramentas do imperialismo cultural são variegadas, nem todas imediata e facilmente

identificáveis, todas concorrendo para o grande objectivo de controlar totalmente a cultura

para iludir o grande fosso entre a brutalidade da exploração capitalista e as promessas

ilusórias de prosperidade plantadas pelo mercado em roda livre, fragorosamente

desmentidas pela realidade do aumento da miséria e da violência. Para cumprir com êxito

o seu projecto utiliza habilmente todo um grupo de intermediários culturais, gestores

culturais, directores de comunicação, editores, comentadores, produtores, influenciadores,

curadores, programadores, um vasto e diversificado grupo que está sempre entre duas

actividades promocionais onde a arte e a cultura são sempre e só mercadoria e o público

se alicia com mentiras ou melhor (pior) não verdades. O mundo da arte e da cultura

transformou-se num gigantesco e globalizado supermercado, em que a programação e

gestão cultural dos eventos e dos espaços privados e públicos tudo mistura sejam

congressos, museus, conferências, concertos, galerias, feiras de arte, performances,

happenings, festivais de vários quilates etc., numa contínua aceleração que movimenta

dinheiro nunca antes visto e numa proliferação e repetição onde a originalidade se era

escassa se desgasta completamente.


É nesse território que a cultura floresce numa terra de ninguém e a arte, essa utilidade do

inútil, perde o sentido de ser a utilidade da vida, da criação, do amor, do desejo que

transfigura a vida. Há que resistir sempre sem vacilações para que a cultura e a arte se

recentrem na vida e encontrem aquilo que podem e querem fazer com os seus materiais e

instrumentos sem se entregarem nas mãos do mercado, recusando-se a responder às

exigências de gerar lucro normalizando-se pelas imposições do consumo imediato e

padronizado mas também sem naufragar no pólo oposto numa cultura, artes e letras

assaltadas pela política, com a política a colonizar as artes e a poética, banalizando-as

em vulgaridades que afundam a invenção e a descoberta que é o que distingue a arte.

Terá de ser a arte e as cultura a encontrar aquilo que quer fazer com os seus materiais e

instrumentos.

18 de fevereiro de 2022

A provocação está em curso

 Segundo o líder de Donetsk, a situação é crítica e Kiev pode lançar uma ofensiva em larga escala contra o Donbass a qualquer momento.A pressao dos americanos e ingleses é  que isso se verifique para tornar a situação  insustentavel em Donbass de forma a obrigar a Rússia a intervir.O batalhão fascista tem se distinguido nas violações de cessar fogo e conta com conselheiros da CIA no terreno.

Nos ultimos dias, crescem as preocupações  sobre uma possível ofensiva do Exército ucraniano . Nesta quinta-feira, bombardeios pesados  foram registados  na zona de conflito. Militares sob o comando de Kiev dispararam contra várias cidades e aldeias da região com morteirosevlançadores de granadas 

Os, observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE)  registraram 591 violações do cessar -fogo  em Donbass na quarta-feira  , incluindo 316 explosões, em crescendo.

Dirigentes das repúblicas de Donetsk e Lugansk instaram  esta sexta-feira a população a evacuar para a Rússia, sublinhando que os primeiros a partir serão mulheres, crianças e idosos . O

líder da República Popular de Donetsk (DPR), Denis Pushilin, disse que a situação é crítica e que Kiev pode lançar uma ofensiva em larga escala contra o Donbass e iniciar uma guerra a qualquer momento. De acordo com Pushilin, o número de refugiados da RPD que chegam à Rússia pode chegar a  centenas de milhares . Esta e a aposta de Biden e  da NATO daí  as suas certezas quanto a uma intervenção Russa nestes dias e a acusação de SG da NATO de que a Rússia estaria a inventar um pretexto bélico para intervir. Fazem o mal e a caramunha e com toda a arrogancia imperial sabendo que a maioria dos media não  os desmascaram.

A propaganda de guerra Anglo Saxónica e os seus papagaios na Europa

 https://consortiumnews.com/2022/01/28/a-war-only-america-britain-seem-to-want/

Ucrânia: uma guerra que só os Estados Unidos e a Grã-Bretanha querem O telefonema entre o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na quinta-feira, não "correu bem", de acordo com um alto funcionário ucraniano. João Lauria.*

 Zelensky instou Biden a "acalmar o jogo" sobre a situação na Ucrânia e que a inteligência ucraniana não via a ameaça russa da mesma forma que os Estados Unidos, de acordo com uma reportagem da CNN. A situação é “perigosa, mas ambígua”, disse Zelensky a Biden, e “não é certo que um ataque ocorra. »

Numa conferencia de imprensa na sexta-feira, Zelensky disse: “Eles continuam a apoiar esse tema, esse tópico, e o tornam o mais exaltado e ardente possível. Na minha opinião, isso é um erro. E acrescentou: “Se você olhar apenas para os satélites, verá o aumento das tropas e não poderá avaliar se é uma ameaça de ataque ou apenas uma rotação. »

Zelensky também falou sobre a retoma das negociações diplomáticas em Paris no formato da Normandia com a Alemanha e a França em que os acordos de Minsk devem ser implementados. Os acordos de 2015 acabariam com a guerra entre Kiev e duas províncias separatistas do leste que se opunham ao golpe de 2014 apoiado pelos EUA. Este último derrubou um presidente democraticamente eleito que se inclinava para Moscou. As províncias teriam autonomia de Kiev. Zelensky disse esperar que o cessar-fogo no leste se mantenha.

É quase exatamente o oposto do que os Estados Unidos e sua leal média trombeteiam todos os dias.

 Zelensky pediu a Biden que "acalme o jogo" sobre a situação na Ucrânia afirmando que a inteligência ucraniana não vê a ameaça russa da mesma forma que os Estados Unidos, de acordo com uma reportagem da CNN. A situação é “perigosa, mas ambígua”, disse Zelensky a Biden, e “não é certo que um ataque ocorra. »

Numa conferencia de imprensa na sexta-feira, Zelensky disse: “Eles continuam a apoiar esse tema, esse tópico, e o tornam o mais afiado e ardente possível. Na minha opinião, isso é um erro. Ele acrescentou: “Se você olhar apenas para os satélites, verá o aumento das tropas e não poderá avaliar se é uma ameaça de ataque ou apenas uma rotação. »

Zelensky também falou sobre a retomada das negociações diplomáticas em Paris no formato da Normandia com a Alemanha e a França em que os acordos de Minsk devem ser implementados. Os acordos de 2015 acabariam com a guerra entre Kiev e duas províncias separatistas do leste que se opunham ao golpe de 2014 apoiado pelos EUA. Este último derrubou um presidente democraticamente eleito que se inclinava para Moscou. As províncias teriam autonomia de Kiev. Zelensky disse esperar que o cessar-fogo no leste se mantenha.

É quase exatamente o oposto do que os Estados Unidos e sua leal mídia trombeteiam todos os dias. Durante a ligação, Biden aumentou a pressão ao afirmar decisivamente que uma invasão russa da Ucrânia era iminente. “Biden alertou seu colega ucraniano que um ataque russo poderia ser iminente, dizendo que uma invasão agora era praticamente certa quando o solo congelou no final de fevereiro, segundo o funcionário”, relata a CNN.

A febre da guerra claramente tomou conta de Washington. Emily Horne, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, "desafiou a descrição da ligação feita pelo alto funcionário ucraniano", segundo o canal. "Fontes anônimas 'vazam' falsidades", ela teria dito. O presidente Biden disse que há uma possibilidade definitiva de que os russos invadam a Ucrânia em fevereiro. Ele disse isso publicamente e estamos alertando sobre isso há meses. Relatos de algo mais ou diferente são completamente falsos. Isso foi antes de Zelensky repetir os mesmos sentimentos na sexta-feira.

Mas Zelensky não é o primeiro líder ucraniano a negar a existência de uma séria ameaça de Moscou. O New York Times informou na terça-feira:

“O ministro da Defesa ucraniano afirmou que não houve mudanças nas forças russas em comparação com o reforço da primavera; o chefe do Conselho de Segurança Nacional acusou alguns países ocidentais e alguns meios de comunicação de exagerar o perigo para fins geopolíticos; e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores criticou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha por retirarem famílias de diplomatas de suas embaixadas em Kiev, dizendo que agiram prematuramente. »

A retórica de Washington, transmitida pela mídia privada dos EUA, é que os Estados Unidos entendem a Ucrânia melhor do que as autoridades ucranianas. Segundo os "analistas", se os ucranianos fazem recuar a histeria dos Estados Unidos, é para "manter a estabilidade dos mercados ucranianos, evitar o pânico e evitar provocar Moscovo, enquanto outros o atribuem à aceitação forçada pelo país que o conflito com a Rússia faz parte do cotidiano da Ucrânia”, como informa o The Times.

Não pode ser porque não há ameaça de que os americanos estejam fingindo existir.

A febre da guerra turva as mentes do estado de segurança nacional dos EUA e sua mídia leal. E, como sempre, fabricantes de armas como Lockheed Martin e General Dynamics se beneficiam.

A resposta furiosa da porta-voz do NSC revela como Washington oficial reage às dúvidas sobre a histeria de guerra, mesmo que venham do presidente do país supostamente visado....

Apesar das observações de Macron, a França concordou em enviar um contingente de seus soldados da Otan para a Europa Oriental, assim como Dinamarca, Espanha e Holanda.

Como muitas vezes acontece, a Europa está dividida entre os seus próprios interesses e os ditados por Washington, daí a política ambígua. Há poucos exemplos de Europa arriscando a ira da América, mesmo para seu próprio benefício.

Recusar-se a cooperar com os Estados Unidos na Ucrânia seria um sinal de desconfiança europeia dos Estados Unidos, como Charles de Gaulle retirando a França da OTAN em 1966 para preservar a independência francesa.

A última vez que os governos europeus romperam com Washington em uma questão importante foi a invasão do Iraque pelos EUA em 2003. A França e a Alemanha então se juntaram à Rússia no Conselho de Segurança da ONU para bloquear a autorização da guerra (embora a Grã-Bretanha a apoiasse). Mas a França e a Alemanha votaram uma resolução vários meses depois que essencialmente endossava a invasão.

O desacordo do almirante alemão e do presidente francês em relação à posição americana mostra claramente que a propaganda de guerra que se agita diariamente em torno da Ucrânia é um assunto essencialmente anglo-saxão.

A Grã-Bretanha começou a desempenhar um papel cada vez maior com os Estados Unidos na preparação de seu povo para a guerra, não muito diferente da preparação para a invasão americana do Iraque e do Reino Unido em 2003.

No sábado passado, o Ministério das Relações Exteriores britânico, sem fornecer nenhuma evidência, disse que a Rússia planejava “instalar um líder pró-russo em Kiev, pois planeja invadir e ocupar a Ucrânia”. Esta semana, o primeiro-ministro Boris Johnson disse que uma invasão se tornaria "um caso doloroso, violento e sangrento" para a Rússia.

O povo ucraniano já instalou um líder pró-Rússia através das urnas, Viktor Yanukovych. Ele foi derrubado por um verdadeiro golpe apoiado pelos EUA na Ucrânia em 2014, o que levou à crise atual.

A evidência do golpe de Kiev foi fornecida por um telefonema vazado entre Victoria Nuland, então Secretária de Estado Adjunta para Assuntos Europeus e Eurasianos, e o Embaixador dos EUA na Ucrânia, no qual discutiram a identidade do novo líder ucraniano, algumas semanas antes o golpe.

A Grã-Bretanha vai mais longe, alertando que o impasse ucraniano pode levar a uma guerra mundial. Liz Truss, a secretária de Relações Exteriores britânica, viajou para a Austrália para levantar temores de que a China se juntaria à guerra atacando Taiwan se a Rússia "invadisse" a Ucrânia.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão tentando salvar uma nação que diz que não precisa ser salva agora. E apenas Washington e Londres fabricaram totalmente esta história de guerra e estão preparados para intimidar qualquer pessoa responsável que a desafie.

A postura da Alemanha assustou os atlanticistas mais convictos, como o think tank Carnegie Europe, que disse ontem: "Se Berlim não adotar uma postura mais ousada e inequívoca sobre a Rússia, isso prejudicará os esforços de dissuasão ocidentais. »

Na quinta-feira, o Departamento de Estado dos EUA deu um passo extraordinariamente ousado ao ditar à Alemanha que os Estados Unidos fechariam o gasoduto Nord Stream 2 da Rússia para a Alemanha – um projeto comercial que nada tem a ver com os Estados Unidos – no caso de uma invasão da Rússia.

Quero ser muito claro: se a Rússia de alguma forma invadir a Ucrânia, o Nord Stream 2 será fechado”, disse Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, à NPR. Mas até a BBC disse: “Permanecem dúvidas se os Estados Unidos teriam o poder de cancelar o projeto”. Não é por acaso que os Estados Unidos disseram esta semana que organizariam remessas (muito mais caras )de gás natural liquefeito, dos Estados Unidos e de outras partes do mundo, se uma guerra levasse a Rússia a fechar seus gasodutos para a Europa.

Nos seus esforços para minar a Rússia e até mesmo por interesses comerciais puros, os Estados Unidos parecem querer, até implorar, que a Rússia ataque.

 L' auria é editor-chefe do Consortium News. Foi correspondente da ONU para o Wall Street Journal, o Boston Globe e muitos outros jornais. Foi jornalista investigativo do Sunday Times de Londres e iniciou sua carreira profissional como freelancer para o New York Times.



BilDEBERG

Embora já editado há alguns anos é uma leitura ou releitura de interesse nos dias de hoje

Editado em 2016 . O autor Frederico Duarte Carvalho sustenta toda a sua investigação com provas documentais, comprovada por documentos oficiais reproduzidos em larga medida no próprio livro, e originários de «fontes de indiscutível credibilidade, de que são exemplo o Arquivo Salazar, na Torre do Tombo, e o Arquivo Histórico-Diplomático» do Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre outros.
Inclui em anexo datas e locais de todos os encontros Bilderberg, desde 1954 até à actualidade e um elenco de todos os participantes portugueses, com pequenas biografias, desde 1956, com Rui Ennes Ulrich, até 2016, com Maria Luís Albuquerque e Carlos Gomes da Silva*
Um livro que será fundamental e incontornável para quem quiser saber mais, ou aprofundar, a história, a influência e a responsabilidade do Clube Bilderberg no rumo que o mundo tem levado, e leva. Em Portugal tem se destacado Francisco Pinto Balsemão .O pano de fundo  de BILDEBERG é o anti comunismo o que ajuda a explicar a linha editorial do Expresso e o seu aparente pluralismo...Como Balsemão confessou em recente entrevista a seguir á Revolução dos Cravos deu guarida a muitos MRPPs , os melhores aliados anti PCP...

 *ULRICH Apareceu por estes dias nos noticiarios a procurar demonstrar , com alguma arrogância , que não houve entendimento entre bancos na fixação das taxas de juro nomeadamente no crédito à habitação.... Ulrich ficou conhecido dos portugueses com o" Ai aguentam , aguentam . ..." no período da Troika.*

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* Fernando Ulrich assumiu a presidência executiva do Banco BPI em 2004, mais de duas décadas depois de ter entrado para o Grupo BPI, em 1983, como diretor-adjunto da SPI - Sociedade Portuguesa de Investimentos. Com frequência no Curso de Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia de Lisboa, mas sem terminar a licenciatura, Ulrich chegou a ser chefe de gabinete dos ministros das Finanças e do Plano do governo de Francisco Pinto Balsemão. Este o grande homem de Bildeberg.

 Antes, em 1973/1974, foi responsável pela secção de Mercados Financeiros do Expresso. Ulrich passou o testemunho a Pablo Forero a 26 de abril de 2017, passando a exercer o cargo de chairman.

Ainda liderado por Ulrich o Banco BPI   a comissão executiva do banco, liderada por , que cessava  as funções de presidente executivo, na sequência da tomada de controlo do BPI pelo grupo espanhol ‘Caixabank.convocou a assembleia-geral de accionistas, que serviu  para aprovar as contas de 2016 (ano em que teve lucros de 313,2 milhões de euros, mais 32,5% do que em 2015) e a aplicação de resultados, uma reunião que teve ainda um ponto respeitante à remuneração variável a ser paga à comissão executiva que terminava mandato.

Segundo a proposta feita pela comissão de remunerações e disponível na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o maior valor proposto é para Fernando Ulrich, de 465,5 mil euros.  António Domingues, que foi vice-presidente do BPI durante parte do ano de 2016, antes de assumir funções como presidente da Caixa Geral de Depósitos (num curto e polémico mandato de quatro meses), receberá 106,7 mil euros.

tio-avô do banqueiro, Ruy Enes Ulrich (1883-1966), enquanto académico das Faculdades de Direito de Coimbra e de Lisboa, foi um importante teórico da colonização e dos conceitos que levaram ao “Estatuto do Indígena”9. Ruy Enes Ulrich foi também presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa10, fez parte da administração do Banco de Portugal, foi dirigente da Companhia de Moçambique e ainda presidente da Companhia Nacional de Navegação11

https://geneall.net/pt/familia-album/922/ulrich/

1"O colonialismo, o racismo e, em alguns casos, a escravatura foram importantes formas de acumulação concreta da riqueza atual de muitos dos Donos de Portugal1. O passado familiar do banqueiro Fernando Ulrich - fundador do Banco Português de Investimento (BPI), defensor acérrimo da precariedade laboral e homem próximo do PSD - é um exemplo disso. A riqueza, influência e poder acumulados ao longo do tempo pelos seus antepassados, contam uma história de brutalidades. Hoje, desenterrar este passado é essencial para o importante debate sobre reparações históricas2.

Fernando Ulrich é trisneto de João Henrique Ulrich (1815-1885), um homem que enriqueceu com o tráfico de pessoas negras escravizadas e que a partir daí construiu o vasto império empresarial da família. Nascido em Portugal, este homem sinistro enriqueceu na costa Angolana e no Rio de Janeiro com a venda clandestina de pessoas, quando já era proibida a entrada de novos escravizados no Brasil3. De regresso a Portugal, passou a dominar diversas empresas, ligou-se à banca e foi deputado da monarquia.

O filho deste escravocrata e bisavô de Fernando Ulrich, João Henrique Ulrich Jr. (1851-1895), numa polémica com Ramalho Ortigão em 1873, escrevia o seguinte sobre a suposta benevolência da escravatura no Brasil, quando esta se mantinha ainda neste país e estava prestes a acabar nas colónias portuguesas:”[…] nunca encontrámos, nem ouvimos falar desses “negros famintos”. Antes, bem pelo contrário, vimos em todas ou quase todas as plantações os escravos tratados o mais humanamente, tendo boa habitação e excelente alimento - farto e substancial - pois é do próprio interesse do dono cuidar bem dos seus escravos e, cuidando-se até já bastante da educação das crianças escravas, pois que em algumas fazendas vimos o capelão dar-lhes lição de leitura de catequismo. […] os escravos são tratados com cuidado e até desvelo.”5O homem que cito anteriormente foi fundador da Companhia Nacional de Tabacos e um destacado dirigente da Sociedade de Geografia de Lisboa6, instituição central para a colonização efetiva dos territórios africanos. A sua mulher, Maria Cristina de Orta Ennes (1856-1884), era irmã de António Ennes (1848-1901). Este tio-bisavô de Fernando Ulrich foi Ministro da Marinha e do Ultramar, Comissário Régio em Moçambique e fundador da Sociedade de Geografia de Lisboa. Foi o responsável pela campanha de Mouzinho de Albuquerque contra Ngungunhane, e também por episódios de repressão sobre os povos da Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe7. A sua estátua em Maputo foi removida da via pública depois da independência do país."A históriaA história colonialista e escravocrata dos Donos de Portugal: o caso dos antepassados do banqueiro Fernando Ulrich

O que muitos não sabem é que RUI Ennes Ulrich foi o primeiro português a pertencer ao grupo BILDEBERG ,ainda no tempo do Fascismo agora chamado pudicamente de Estado Novo ,e foi indicado pelo então ministro Paulo Cunha


Abel Mateus e a pregação do liberalismo

 A dita “inteligência” do sistema (neo)liberal assemelha-se aos pregadores que no passado aterrorizavam as gentes anunciando as penas do inferno a quem não seguisse os seus dogmas e cedesse às tentações do diabo. Também o PSD anunciava que “vinha aí o diabo” devido a medidas que o PS implementava pressionado pelas propostas do PCP

Agora, aproveitando o PS à solta (pelo menos no Parlamento) estes “dominicanos” do (neo)liberalismo aproveitam para difundir a sua doutrina de submissão da força de trabalho e contra as funções sociais do Estado.

Diz o sr. Abel Mateus: “Este intervencionismo do Estado tem de ser retirado para que haja um maior dinamismo da iniciativa privada e empresarial.” “Essas reformas começam, por uma redução das taxas de imposto para dar um choque fiscal e permitir que as empresas tenham mais lucros para reinvestir e permitir que as pessoas tenham maiores incentivos para trabalhar, para poupar e investir.” Isto significa que só há uma alternativa que é reduzir também a despesa corrente primária. Portanto, é preciso fazer alguns sacrifícios no curto prazo para ganharmos fôlego para um crescimento mais rápido”. “Não é possível continuar a aumentar a despesa corrente primária com baixo crescimento”, com ausência de crescimento “não há possibilidade da economia poder reduzir substancialmente a dívida e ao mesmo tempo aumentar o rendimento das pessoas”.

É fácil descobrir o chorrilho de contradições que, mesmo sem ir mais longe no texto, aqui aparecem entre os sacrifícios que “temos de fazer”, o crescimento o aumento da poupança, etc. Já vimos quem fazia os sacrifícios no governo PSD-CDS e mesmo no PS à medida que o tempo avançava. Note-se que com estes sacrifícios “para reduzir a dívida” ela aumentou de 94% chegando a 130%, aumentou a pobreza, o país teve crescimento negativo. Mas nada os demove dos seus dogmas! E são (os únicos) ouvidos!

O sr. A M considera que dando mais aos ricos estes investem. A tese é antiga (do século XVIII) nada tem que ver com Adam Smith e ressuscita pelo liberalismo radical: a economia do lado da oferta. Havendo oferta (portanto dar dinheiro aos mais ricos para investirem) há sempre procura, álibi do neoliberalismo. O capital só investe se houver procura (mercado) e só se compra o que os salários podem pagar e o que for obtido como rendimento pelas prestações sociais do Estado. E isto é uma lei.

Estes pregadores omitem o efeito do euro sobre as economias do Sul da Europa. Esquecem que o capital circula livremente sem pagar impostos para paraísos fiscais, empobrecendo o Estado, os trabalhadores, as MPME, enfim o país, reduzindo a procura agregada. É isto que aquelas medidas fazem.

Que nos anos 1980 muita gente tenha ignorado ou esquecido o que era capital fictício, ainda se admite. Mas 40 anos depois é absurdo. Só a mera submissão a dogmas que a UE impõe e os do euro, o justifica. São meros pregadores da “democracia oligárquica” assumida como religião do “fim da História”. Mas não é.

Observemos então o que se passa no país que dita defensor desta fé, qual papado e também na UE. Entre 200 e 2019 o crescimento real anual foi na UE 1,4% (isto incluindo o “êxito” dos países do Leste!) na Zona Euro uns 1,18%, com a Grécia (0,06%) Itália (0,2%) Portugal (0,7%). Deste conjunto destaca-se a Irlanda (4,58%) como paraíso fiscal para as transnacionais. A Espanha atinge 1,64%, de qualquer forma medíocre apesar de inflacionados por bolhas imobiliárias e especulação financeira.

Perante estes resultados, que mostram o falhanço da UE e do euro no alinhamento neoliberal, seria de questionar este modelo incapaz de garantir um crescimento mínimo. Mas não. Os frades neoliberais seguem à risca as bulas que burocracia de Bruxelas determina. Acham que é preciso acabar com o “pecado nefando” que o Estado Social comete contra a oligarquia (chamam-lhe “as empresas”…)

Veremos seguidamente como o que se passa na metrópole deste império.