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11 de abril de 2022

Na NBC news é divulgada com orgulho a estratégia de falsas notícias dos EUA

 The Saker (1) reporta a notícia de três funcionários dos EUA a admitirem na NBC News (2) o facto que o Pentágono, os media, etc., que os EUA têm de facto usado a “estratégia” de mentir abertamente e inventar falsas informações para “combater a Rússia". Não há qualquer evidência - disseram - que a Rússia tenha trazido armas químicas para o fronteira da Ucrânia ou usado munições proibidas. Também admitiram que a maior parte das informações à volta do conflito são falsas. (1)

Face a isto, diz The Saker, como é então possível acreditar na história do "massacre de Bucha", entre outras coisas? O que é espantoso é os jornalistas celebraram a "novidade" deste método de informações, como se a "técnica" de mentir acabasse de ser descoberta por eles. Eles inventam ou deturpam uma situação descrevendo-a sucessivamente para legitimar o não passa de mentiras descarada e propaganda para controlar favoravelmente a narrativa do conflito.

Após essas admissões, como se pode acreditar em no que é divulgado nos noticiários? “Vítimas” russas de mais de 30 000? Massacre de Bucha? Uso de armas químicas? Os “objetivos fracassados” e a “campanha fracassada” da Rússia? São o resultado da técnica "nova" e "incrível" da CIA. Obviamente, esta tem sido a principal tática dos EUA durante décadas. Mas a admissão completa traz à tona uma realidade mais dura. Por detrás das cortinas, a CIA conduz as suas operações “a céu aberto”, mas apresentando-as de uma maneira que as faça parecer aceitáveis.

Por exemplo, sabemos que durante a última eleição, uma série notável de artigos saiu detalhando as operações secretas do estado profundo e como vários aparelhos do partido democrático se juntaram a ativos corporativos, Facebook, ONG, etc., para tomar o controlo das eleições de 2020. Eles até admitiram totalmente que é uma “campanha de sombra” secreta, mas rebatizada como uma “boa causa”. https://time.com/5936036/secret-2020-election-campaign/

Em épocas anteriores, isto teria sido um escândalo sem precedentes, mas agora, renomeado e "aberto", recebe o prestígio da legitimidade. A razão para a mudança de método é óbvia: no ambiente dos media sociais/online integrados de hoje, é praticamente impossível para as agências de serviços secretos ocidentais operarem em puro sigilo. Essa era acabou. Então eles mudaram para uma estratégia de conduzir suas operações em plena vista, utilizando os media para apresenta-las de forma a parecerem justificadas sob uma certa luz. É parecido com isso que o senador Hannity orgulhosamente e abertamente usado como um adereço da CIA denuncia que "Vladimir Putin perdeu seu direito de viver .”

1 - Sitrep: Operation Z | The Vineyard of the Saker

2 - https://www.nbcnews.com/politics/national-security/us-using-declassified-intel-fight-info-war-russia-even-intel-isnt-rock-rcna23014

NOTA - Sobre o ataque à estação ferroviária de Kramatorsk, que a Russia negou, The Saker reporta em 10 de abril: A Ucrânia mudou para uma guerra psicológica e terrorista exclusivamente, porque não pode vencer uma convencional. Após a Rússia ter anunciado ataques a centros ferroviários, aproveitaram para criar mais este "massacre" russo. Os objetivos foram aterrorizar os civis para que não fugissem e possam ser usados como escudos humanos no próximo confronto em Kramatorsk. Trata-se de culpar a Rússia como no "massacre de Bucha" para continuar a ter a simpatia e extorquir fundos dos países da NATO. Mas é claro que eles erraram ao relatarem que fora um Iskander (míssil russo), sem saber que fora descoberta a capsula de um Tochka, míssil soviético que a Ucrânia possui.

9 de abril de 2022

Situação do conflito na Ucrânia em 7 de abril

 Resumimos a parte do texto de The Saker (1) referente à situação militar na Ucrânia. O texto completo pode ser visto aqui onde são apresentados mapas da localização das tropas no terreno, referências, e uma vasta lista de equipamentos que os EUA estão a enviar para a Ucrânia, aos quais se somam os de países da NATO. Os EUA estão também num processo intensivo de treino de pessoal militar operacional.

Os EUA estão portanto profundamente implicados nesta guerra, mas nada diferente dos milhares de milhões gastos a treinar e armar rebeldes sírios e "terroristas moderados". A escala desta operação mostra quão profundamente está implicado o ocidente. Novos vídeos aparecem diariamente de grandes grupos de combatentes estrangeiros, georgianos, etc., fortemente equipados e enviados para a Ucrânia.

Aviões da Macedónia do Norte pousaram hoje no aeródromo de Reznow, na Polônia, provavelmente trazendo material como outros países europeus têm feito. Acrescente-se a isto milhares de milhões já gastos recentemente em ajuda geral e aos 5 mil milhões para realizar o golpe de 2014, como admitiu Nuland. Todo o projeto está em desenvolvimento há muito e é o culminar das tentativas do império para destruir a Rússia. Como Adam Schiff admite que "os EUA estão lutando contra a Rússia lá para que não precisem fazer isso aqui".

À medida que o grande confronto no Donbass se aproxima, muitas forças estão a entrar para ambas as partes. A Rússia tem atacado estações ferroviárias, centros e corredores de reforços. Importantes centros ferroviários foram atingidos por mísseis. Por exemplo, perto de Zhytomir, possivelmente o centro de reforço mais importante para as linhas de frente em todo o oeste da Ucrânia. Reforços enviados às linhas de frente foram destruídos no ataque, embora não haja confirmação visual. (2)

Outro centro na região de Kharkov foi atingido. O prefeito de Kharkov disse que as ferrovias foram atingidas, o petróleo acabou, mas pediu que as pessoas não fugissem (presumivelmente porque os militantes que o controlam precisam de cidadãos para usar como reféns/escudos humanos como em Mariupol).

A Rússia atacou com mísseis de precisão um grande centro de abastecimento em Lozovaya (Kharkov), interseção importante de vias ferroviárias. Outros relatos afkrmam que uma ponte levando a esse entroncamento ferroviário também foi atingida.

A norte desta zona a Rússia continua a progredir em torno de Izyum, apertando a pinça que envolverá as forças ucranianas. A batalha por Kam'yanka, ao sul de Izyum, foi bastante destrutiva para a as forças ucranianas, sofreram muitas perdas em homens e equipamento grande parte apreendido.

Relatos indicam que as forças ucranianas acumulam uma enorme força na região de Kramatorsk / Druzhkovka contrariando os avanços das forças russas. Ao que é dito as estradas para Kramatorsk estão cheias de tropas ucranianas. Esta parece ser a maior aglomeração da bolsa. No sul, as forças russas bloquearam Ugledar e Novomikhailovka e começaram a atacar a última

Estima-se que 3 000 a 3 500 combatentes permanecem em Mariupol. A maioria rendeu-se e apenas os fanáticos Azov permanecem, então há possibilidade de que a luta possa continuar por um longo tempo longo, apesar de recuarem em direção aos portos,  ficando contudo sem áreas residenciais com civis para usar como escudos humanos, o que permite que as forças russas e do Donetsk usem táticas mais duras contra eles. Unidades de artilharia pesada como 2S3 e 2S4 (artilharia motorizada com morteiros de 240 mm) foram trazidas.

As cidades levam muito tempo para serem tomadaslembremos os eventos de Aleppo ou Sarajevo e os anos que levaram. Mesmo nos estágios finais de Aleppo, quando as forças rebeldes já estavam entrando em colapso foram semanas para cada bairro e meses para limpar os distritos.

Grandes reforços russos entraram na área de Kharkov para seguir para a frente de Izyum enquanto isso, os reforços e reabastecimentos ucranianos estão sendo atingidos. As forças ucranianas mostram a total falta de blindados e veículos. Um vídeo mostra uma grande força ucraniana a pé, sem um veículo entre eles e forçados a usar um caminhão civil para evacuar feridos - que, a propósito, têm suásticas.

Uma força tão grande deve sempre ser apoiada com unidades mecanizadas e algum tipo de veículo de combate no mínimo, mas há blindados blindados à vista. Há mais ou menos uma semana, o mercenário americano James Vasquez gabou-se no twitter de terem roubado um Lexus em Kiev para chegarem à linha de frente, tamanha é a falta de veículos de transporte militar.

Uma nota rápida sobre o tópico dos "traidores" russos e 5º colunistas, é interessante quantos deles fugirem para Israel especialmente. Prokhorov já foi candidato presidencial russo e um dos oligarcas mais ricos e poderosos da Rússia.

1 - The Saker é cidadão suíço, a esposa é dos EUA onde vivem. Seu avô era russo emigrou após a Revolução de Outubro.
2 - Foi isto que Biden disse ser "crime de guerra".

8 de abril de 2022

Leituras que informam

 Comunicação amarela https://jornaleconomico.pt/noticias/comunicacao-amarela-875740#.Yk_uE9JEnbe.whatsapp

https://thetricontinental.org/newsletterissue/ukraine-war-sanctions/

A história conta seus esqueletos em números redondos

desnutrição, a fome no mundo já era um desastre terrível. No entanto, esta situação vai piorar ainda mais com a guerra na Ucrânia que opõe dois dos principais exportadores de trigo. Além disso, as sanções ocidentais contra a Rússia afetam o mundo inteiro, especialmente os países mais pobres. “Está claro que bilhões de pessoas em todo o mundo sofrerão com essa crise de fome até que a guerra e as sanções terminem”, alerta Vijay Prashad. Explicações. (IGA).

Em 16 de março de 2022, quando a guerra da Rússia contra a Ucrânia entrou em seu segundo mês, o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, alertou seu povo que “a incerteza e a turbulência nos mercados mundiais estão aumentando e que as cadeias de produção e comércio entram em colapso”. . Uma semana depois, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) publicou um breve estudo sobre o imenso choque que esta guerra causará em todo o mundo. “  O aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis terá um efeito imediato sobre os mais vulneráveis ​​nos países em desenvolvimento, levando à fome e a dificuldades para as famílias que gastam a maior parte de sua renda em alimentos”, apontar o estudo. No sul do Cazaquistão, na República do Quirguistão, as famílias mais pobres já gastavam 65% de sua renda em alimentos antes do atual aumento de preços; se a inflação dos preços dos alimentos aumentar em 10%, o impacto será catastrófico para a população do Quirguistão.

Após a queda da União Soviética em 1991, uma imensa pressão foi exercida sobre os países do Sul para que abandonassem seus planos de segurança e soberania alimentar e integrassem sua produção e consumo de alimentos nos mercados globais. Em seu discurso recente, o presidente Tokayev anunciou que o governo cazaque agora "supervisionará a produção de equipamentos agrícolas, fertilizantes, combustível e estoques de sementes". 

Enquanto 22% da produção global de grãos cruza as fronteiras internacionais, grandes corporações agrícolas controlam tanto os insumos de produção de grãos quanto os preços dos grãos. Quatro empresas – Bayer, Corteva, ChemChina e Limagrain – controlam mais da metade da produção global de sementes, enquanto outras quatro empresas – Archer-Daniels-Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus – definem de fato os preços globais dos alimentos.

Pouquíssimos países no mundo conseguiram desenvolver um sistema alimentar imune à turbulência da liberalização do mercado. Políticas nacionais modestas – como proibir a exportação de alimentos em tempos de seca ou manter altas taxas de importação para proteger os meios de subsistência dos agricultores – agora são sancionadas pelo Banco Mundial e outras agências multilaterais. Mas a declaração do presidente Tokayev indica que as nações mais pobres estão prontas para repensar a liberalização dos mercados de alimentos.

A criação do mundo bipolar

 Não, não se trata de uma oratória de Haydn, porém talvez seja a realidade deste tempo histórico. De um lado EUA/NATO e aliados mais fieis, do outro Rússia, China e países ligados a estes como o Irão, Bielorússia e outros. De um lado a "comunidade internacional" com uns 15% da população mundial, do outro 25%. O "terceiro mundo" volta a reconstituir-se como se viu na votação na ONU sobre a aplicação de sanções à Rússia.

Entretanto o combate pró ou contra esta situação decorre e vai continuar estendendo-se à China, tendo em conta o resultado do conflito Rússia - Ucrânia e da posição que a UE vier a tomar em relação à China, acompanhando ou não (se é que o poderá fazer) os EUA. O que as populações fizerem em termos de luta pela paz e soberania nacional será também decisivo.

Por isso a propaganda entrou em histeria. Factos inverosímeis são dados como certos, as evidências rejeitadas, a paixão suprimiu a lógica. A UE obedece como caniche a tentar parecer rottweiler, o RU tornou-se sucursal de Washington - como considerava De Gaulle.

A ideia inicial do avanço russo a Kiev seria a adesão da população e formar um novo governo que fizesse a paz negociada com a Rússia. Tal não foi possível nem se sabe que percentagem da população apoiaria esta solução. Passou então ao plano B concentrando-se sobre o Donetsk e zonas marítimas.

A Rússia menosprezou o formidável poder da propaganda russofóbica e anti-Putin, intensa durante oito anos, mas que já vinha de trás, desde que perceberam que Putin não era um Ieltsin não alcoólico ou um novo Gorbatchov seduzido pelas riquezas imperialistas sonhando associar-se - de qualquer forma não lho permitiriam.

O objetivo das sanções era destruir a economia da Rússia criando uma crise que levasse à substituição de Putin. Este objetivo falhou e quem paga as custas são os demais países da Europa, o que pouco importa aos EUA, já que: "Fuck UE" (Nuland). A popularidade de Putin está acima dos 80% enquanto o desagrado pelos "liberais", a 5ª coluna ocidental, é total.

A Rússia e os EUA estão numa guerra existencial em que apenas um dos lados pode ganhar, os EUA sonham com o seu império de 1000 anos, a Rússia pelo direito de ser livre e soberana - na realidade Putin não os fez esquecer a agressão nazi e os tempos de horror sob a "democracia liberal" de Ieltsin e conselheiros dos EUA.

Uma das histórias infames da propaganda foi a da empregada da maternidade em Mariopol, chamada Marianne, que refutou completamente a propaganda. Afirmou na sua entrevista que não só a maternidade não foi “bombardeada” por nenhum avião, como as falsas notícias afirmaram, mas contou como os militares ucranianos invadiram a maternidade, roubaram a comida dos pacientes mesmo depois dela dizer-lhes que era para as grávidas. Após o “ataque”, os soldados apareceram com jornalistas ocidentais e basicamente usaram-na como “adereço” apesar dela chorar e dizer-lhes para pararem de tirar fotos. Em suma, foi um evento de guerra psicológica ensaiado onde os fotógrafos já estavam à espera. A peça da grávida foi perfeitamente utilizada como objeto de propaganda orquestrada. (1)

Vídeos mostram forças ucranianas abusando de prisioneiros russos. Num vídeo um jornalista ucraniano mostra três corpos carbonizados, que se considera serem prisioneiros de guerra. Aisling Reidy, consultora jurídica da Human Rights Watch. disse: “Deve ser possível verificar se houve abuso e, a partir daí, responsabilizar os responsáveis.” Outro vídeo mostra cinco homens em uniforme militar no chão com as mãos amarradas e dois deles com sacos na cabeça. Pelo menos três dos prisioneiros têm ferimentos nas pernas consistentes com ferimentos de bala. Os captores têm uma mistura de uniformes, armas e equipamentos e nenhuma insígnia claramente identificável. Não está claro se fazem parte do exército regular, de uma unidade de defesa territorial (grupos nazis) ou outra força. Alguns dos prisioneiros têm faixas brancas nos braços (civis ucranianos) um deles tem uma faixa vermelha, ambas usadas pelas forças russas e pró-russas na guerra da Ucrânia. Muitos dos captores têm braçadeiras azuis (forças de segurança ucranianas). (2)

Em 28 de março, o jornalista ucraniano Yuri Butusov, editor do Censor.net, postou um vídeo que disse ter gravado algumas horas depois que os combates na área cessaram. Mostra restos mortais gravemente queimados de três pessoas que usavam o que pensava serem uniformes russos, se são os mesmos homens dos vídeos anteriores, ainda não se sabe. Jornalistas que visitaram o local relataram que viram os corpos de dois soldados russos nas ruas e outros dois que foram atirados a um poço. Disseram que que cinco soldados russos foram capturados, um dos quais foi morto ao tentar escapar. (2)

"Yuri Butusov, editor do site de notícias ucraniano Censor.net, publicou um artigo de opinião no seu site no qual argumentava que “a Convenção de Genebra não se aplica a militares russos detidos na Ucrânia”. “A Ucrânia não é obrigada a cuidar deles e fornecer acesso à Cruz Vermelha, já que Putin não declarou guerra à Ucrânia”, argumentou Butusov. Este jornalista, uma semana antes da invasão russa agrediu um político pró-Rússia durante um debate ao vivo na televisão, acrescentou que, na sua opinião, “os russos não são legalmente prisioneiros de guerra, mas são terroristas”. (2)

Bem, não apenas a propaganda segue Goebbels, como há unidades ucranianas que adotam os procedimentos das SS.

1 https://thesaker.is/sitrep-operation-z-3/ A entrevista com legendas pode ser vista aqui

2 - https://www.hrw.org/news/2022/03/31/ukraine-apparent-pow-abuse-would-be-war-crime