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20 de junho de 2022

Uma guerra num ponto perigoso

 

MK BHADRAKUMAR

Diplomata de Carreira

Henry Kissinger previu cerca de três semanas atrás que a guerra na Ucrânia estava perigosamente perto de se tornar uma guerra contra a Rússia. Foi uma observação premonitória. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, em uma entrevista no fim de semana, disse ao jornal alemão  Bild am Sonntag  que a aliança estima que a guerra na Ucrânia pode durar anos. 

“Temos que nos preparar para o fato de que pode levar anos. Não devemos relaxar nosso apoio à Ucrânia. Mesmo que os custos sejam altos, não apenas pelo apoio militar, mas também pelo aumento dos preços da energia e dos alimentos”, disse Stoltenberg. Ele acrescentou que o fornecimento de armas avançadas às tropas ucranianas aumentaria as chances de libertar a região de Donbass do controle russo.

A observação significa um envolvimento mais profundo da OTAN na guerra com base na crença não apenas de que a Rússia pode ser derrotada na Ucrânia (“eliminar a Rússia”), mas que o custo não deve importar. Os líderes da OTAN tradicionalmente se inspiram em Washington, e Stoltenberg estava falando apenas quinze dias antes da cúpula da aliança em Madri. 

Curiosamente, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, em um  editorial no Sunday Times de Londres  após uma visita surpresa a Kiev na sexta-feira, quase complementou os comentários de Stoltenberg, enfatizando a necessidade de evitar a "fadiga da Ucrânia". Johnson observou que, com as forças russas ganhando terreno "polegada a polegada", era vital que os amigos da Ucrânia demonstrassem seu apoio de longo prazo, o que significava garantir que "a Ucrânia receba armas, equipamentos, munições e treinamento mais rápido que o invasor". 

Johnson descreveu "quatro passos vitais para ganhar tempo para a causa da Ucrânia". 

Primeiro,  disse ele, "devemos garantir que a Ucrânia receba armas, equipamentos, munições e treinamento mais rápido do que o invasor, e construir sua capacidade de usar nossa ajuda". 

REPORT THIS É

Em segundo lugar , “devemos contribuir para preservar a viabilidade do Estado ucraniano”.

Terceiro , “precisamos de um esforço de longo prazo para desenvolver rotas terrestres alternativas” para a Ucrânia para que sua economia “continue funcionando”.  

Quarto,  e mais importante, o bloqueio russo de Odessa e outros portos ucranianos deve ser levantado e “continuaremos fornecendo as armas necessárias para protegê-los”. 

Johnson admitiu que tudo isso requer "um esforço determinado... que dura meses e anos". Mas o imperativo de fortalecer a capacidade do presidente Zelensky de fazer a guerra também é vital para "proteger nossa própria segurança, bem como a da Ucrânia". Stoltenberg e Johnson falaram depois que o executivo da UE recomendou que a Ucrânia fosse oficialmente reconhecida como candidata ao bloco (que deve ser aprovado em uma cúpula marcada para 23 e 24 de junho). 

Enquanto isso, as forças russas obtêm regularmente sucessos táticos na região de Donbas e na estabilização da linha de frente em outras áreas. Os combates mais intensos estão ocorrendo na região de Severodonetsk-Lysichansk e em torno de Slaviansk, mas a situação também é tensa na região de Kharkiv e nas regiões de Mykolaiv e Kherson ao sul.

As forças russas estão bombardeando a infraestrutura militar e as reuniões de equipamentos das forças ucranianas. 

Segundo o MOD russo, apenas no período de cinco dias entre 13 e 17 de junho, segundo a versão russa, parece que 1800 soldados ucranianos foram mortos e 291 equipamentos militares e 69 objetos de infraestrutura militar foram destruídos.

Uma derrota no Donbass será catastrófica para Zelensky, pois a destruição de suas melhores unidades militares implantadas lá praticamente deixa as regiões do sul como um fruto fácil para as forças russas. 

Também para a OTAN, sua posição internacional será seriamente corroída. 

Na sexta-feira, dois veteranos de guerra americanos detidos na linha de frente de Donetsk foram  expostos na televisão russa  para pedir ajuda a suas famílias. Outros visuais desse tipo são esperados nos próximos dias.

Assim vai o mundo, visto pelos "comentadores"

 Portugal é um país pequeno, mas damos lições ao mundo. Sempre fomos assim... Agora podemos ter orgulho nos nossos estrategas geopolíticos. A notável cientista política, Dra. Ana Gomes, informou que o discurso de Putin no Fórum Económico de S. Petersburgo foi para consumo interno. Fica-se assim a saber que os representantes de pelo menos 90 países que se disse estarem presentes, eram fantasmas ou então imagens virtuais de um jogo de computador comprado nos EUA.

Ficamos também a saber que as sanções são eficazes, a Rússia não tem dinheiro. Quando a Antena 1 diz num noticiário que só pela venda de petróleo em maio arrecadou 19 000 milhões de rublos, é falso. A Dra. tem amigos na Rússia que lhe disseram que foram ao banco e não lhes deram dinheiro porque não têm. Ainda bem que isso não acontecer à Dra., mas que acontece a muito boa gente por cá, acontece. E nos EUA nem se fala.

Outro notável estratega militar e geopolítico é o Sr. Milhazes. Ele sabe que as tropas russas pararam a ofensiva - os ucranianos é que não sabem - porque estão esgotados e querem negociações. Com as armas modernas que os EUA dão à Ucrânia, que provaram tão bem no Afeganistão e na Síria, a Ucrânia vai poder reconquistar os 20% de território perdido e mesmo a Crimeia. O que os ucranianos necessitavam eram do comandante Milhazes a dar ordens às tropas...

Um Sr. general, antigo representante de Portugal na NATO, dizia na CNN, que em cada 10 soldados russos só um tem vontade de combater, o resto está desmoralizado. Pois... só que esse "um" deve valer por 10 ou mais já que os ucranianos não têm feito melhor do que refugiar-se junto de populações civis e nas caves de instalações fabris. Mas não dizemos o que fazem de pior...

O Sr. Borrell da CE não é comentador, mas faz por isso e dá o mote a muitos de cá. Como especialista militar de alto gabarito, já disse que a Rússia tem de ser derrotada no terreno (ao que parece as sanções não são tão eficazes como isso) - o Sr. António Costa, como bom aluno repetiu a lição deste mestre (mas de quê?).

Agora diz o sr. Borrell que o bloqueio do porto de Odessa é crime de guerra dado que há populações a passarem fome por causa disso. É comovente a preocupação deste senhor com a fome no mundo, mas é de data muito recente. Os milhões de mortes pela fome por ano no mundo, os 2,2 mil milhões de subalimentados, nunca foram grande preocupação destes corações de dedicada ternura às dificuldades da finança face àqueles povos que não conseguiam pagar os juros das dívidas, que o "mercado" ditava através das agências de rating. A miséria e a fome aumentavam, paciência: eram povos que viviam acima das suas possibilidades... Agora os juros aumentam para controlar a inflação, através dos "mecanismos de equilíbrio do mercado" - que nunca funcionaram neste sistema. Juros esses cujas consequências sociais do seu aumento não fazem parte destas preocupações e indignação...

O Sr. Borrell "esqueceu-se" que o porto de Odessa não funciona porque as águas foram minadas pela Ucrânia e não são desminadas para evitar um desembarque russo, pelo menos foi isto que disse o enviado de Zelensky a Washington.

Para o comissário Borrell e os "comentadores" de serviço, a Rússia está a aplicar aos países mais pobres (ao que vê à também aos da UE) criminosas sanções. Claro que impedir países de adquirirem medicamentos, alimentos, bens essenciais para as pessoas e para a economia através de sanções é criminoso. Ou não é?

A duvida pode ficar em espíritos bem intencionados (mas desinformados): então as aplicadas a Cuba, à Venezuela, ao Irão, ao Iraque, à RPDC (Coreia do Norte), etc. não são criminosas? A reposta vem da Sra. Madeine Albraight - referindo-se às crianças do Iraque : Não, essas valeram a pena...

19 de junho de 2022

Ucrânia - Preços agrícolas

 

Luca Celada 

Frédéric Mousseau

Dossier: Ucrania, precios agrícolas, seguridad alimentaria y especulación.

La verdad sobre las grandes empresas que se hacen con terreno agrícola ucraniano

Recientemente se ha difundido un texto en las redes sociales (incluso en la página de Facebook de [la revista italiana de jardinería] Il Giardiniere) en el que se alega que "tres grandes multinacionales estadounidenses compraron 17 millones de hectáreas de tierras de primera calidad a Zelenski". Anteriormente, los rumores de esa supuesta venta de "la mitad de Ucrania a Monsanto, Cargill y Dupont" se habían amplificado a través de una pequeña galaxia de diversos sitios conspirativos que, en algunas versiones, también atribuyeron la responsabilidad a los sospechosos habituales, George Soros y las élites financieras mundiales (incluidos Warren Buffett, Bill Gates y los fondos de inversión Blackstone, BlackRock y Vanguard).

Detrás de las explicaciones simplistas con escasas pruebas de apoyo, hiladas para respaldar diversas agendas y que atraen una larga cola de comentarios indignados a su paso, hay en realidad un elemento de verdad tras los rumores, relacionado con los intereses económicos que convergen en Ucrania desde mucho antes de la invasión rusa. Desde hace varios años, una serie de informes del observatorio económico del Instituto Oakland han documentado los intereses macroeconómicos que han hecho de la antigua república soviética objeto de intensa disputa desde la caída de la URSS.

La Ucrania postsoviética, con sus 32 millones de hectáreas cultivables de rico y fértil suelo negro (conocido como "cernozëm"), posee el equivalente a un tercio de todo el terreno agrícola existente en la Unión Europea. Con el fin de la colectivización socialista, “entró en juego” una cantidad sin precedentes de hectáreas "vírgenes" que poner en el mercado, un bocado potencialmente apetitoso para bancos y multinacionales del agronegocio.

Al fin y al cabo, se trata del tan cacareado "granero de Europa", con una producción anual de 64 millones de toneladas de cereales y semillas, y se encuentra entre los mayores productores mundiales de cebada, trigo y aceite de girasol (de este último, Ucrania produce cerca del 30% del total mundial). Desde la década de los 90, se inició una carrera entre las empresas por hacerse con lo que Jeff Rowe, director de DuPont para Europa, describe como "uno de los mercados agrícolas de más rápido crecimiento del mundo".

"Ucrania había sido la más afectada por... la "terapia de choque" de la restauración capitalista en Europa del Este y en la propia Rusia", escribe el economista británico Michael Roberts sobre esta etapa de la historia del país. De hecho, su economía ha sufrido: durante los 30 años posteriores a la independencia, los ingresos y la calidad de vida se han mantenido por debajo de los niveles de 1990 y la pobreza es galopante. La "conversión" al capitalismo ha seguido el patrón habitual: una clase de oligarcas y una estrecha élite se han enriquecido desproporcionadamente expoliando el sector público con la complicidad de la clase política.

Estagno inflação ou depressão deflacionária

 

https://thenextrecession.wordpress.com/2022/06/18/a-tightening-world/

Um mundo apertado

michael roberts 

18 de junho

Foi uma grande semana para os principais bancos centrais. Primeiro, o Banco Central Europeu (BCE) convocou uma reunião de emergência porque os rendimentos dos títulos do governo estavam subindo acentuadamente nas economias mais endividadas da zona do euro, como Itália e Espanha. Isso ameaça gerar uma nova crise da dívida soberana, como aconteceu após a Grande Recessão de 2010-2014, levando ao pesadelo grego .  

O BCE está agora procurando maneiras de financiar os governos mais fracos da zona do euro, comprando mais de sua dívida e 'imprimindo' dinheiro para isso. Ironicamente, tendo acabado de anunciar que havia encerrado a flexibilização quantitativa (QE) e pretendia aumentar as taxas de juros em julho para controlar a inflação acelerada, o BCE agora precisava voltar ao QE para países como a Itália.

Em seguida, o Federal Reserve dos EUA anunciou um aumento em sua taxa de juros (a taxa de fundos do Fed) em 75bp extra-grande, com mais por vir, pois também tenta controlar a inflação acelerada. E na quinta-feira passada, o Banco da Inglaterra juntou-se aumentando sua taxa de juros para controlar uma taxa de inflação que caminha para dois dígitos.

Apenas o Banco do Japão (BoJ) resistiu a aumentar a sua taxa de juro, preferindo tentar proteger uma economia recessiva já fraca que continua a ter uma inflação relativamente baixa. Mas o BoJ observou que, por ter taxas de juros muito mais baixas do que outras economias, o preço do iene em dólares e euros começou a depreciar. Isso pode ajudar os exportadores japoneses, mas também aumentará a inflação importada. De fato, como os investidores estrangeiros venderam seus títulos do governo japonês (com a dívida do governo no PIB agora em 270%), o BoJ teria que comprar ainda mais títulos para financiar os gastos do governo.

18 de junho de 2022

Leituras das redes Sociaids

 1  De facebook C.J 

Deixou de se falar na Câmara de Setúbal e o Banderista da Associação de Ucranianos, tal como a desbocada  embaixadora também têm  estado em silêncio  .
Será  que isto tem a ver com a situação militar em Donbass? Será  que isto tem a ver com o crescente desmascaramento de Zelensky e do crescente número de portugueses que tomam conhecimento  do contexto desta guerra?Será  que tem a ver com os 8% de inflação , com o aumento das taxas de juro e com a oferta de uns milhões de A.Costa a Zelensky? 
Por último uma pergunta: todos aqueles que de pé  bateram freneticamente palmas a Zelensky na A.Republica ainda hoje o voltariam a fazer?

 2 Aos socialistas e povo de esquerda que esteve contra o chumbo do Orçamento. 
Uma das razões expressas pelo PCP é  que não poderia ficar cúmplice com a degradação  e afundamento do Serviço Nacional de Saúde que o Orçamento e a política do PS estava a conduzir. E acrescentou que a situação  era tal que era de se temer se ainda se ia a tempo de o salvar.
Ora o que estamos a ver é  isso mesmo. A geringonça era simpática mas com a deterioração da relação  de forças verificada nas penúltima eleições o PS começou a tomar posições unilaterais não negociadas porque tinha os partidos à  sua esquerda mais enfraquecidos e com uma opinião pública que lhe era favorável porque só  conhecia a superfície das medidas que se estavam a desenvolver.
Os males profundos do SNS não  eram atacados. O investimento era mais do que insuficiente porque o era em si e porque nunca se quis atacar o problema de cerca de 50% deste ir para os privados que desta maneira podem dar melhores condições aos profissionais . Assim rouba estes sem ter qualquer custo na sua formação e fica com os cuidados de saúde que lhe são lucrativos deixando um SNS cada vez com mais dificuldades para os menos endinheirados atirando estes para os seguros privados na lógica só  tem bons cuidados de saúde quem a pagar.
Por isso o estatuto a aprovar na AR bem como o investimento , assim como a questão da dedicação exclusiva de profissionais é  objecto de uma colossal pressão dos media , Ordem dos médicos, seguros ,sindicatos UGT..no sentido de favorecer os grandes grupos  privados a  continuarem na mama do SNS e do Orçamento.
E a procissão ainda vai no adro...
É  o PS com maioria absoluta  com discurso de esquerda e prática cada vez mais ao serviço dos grandes interesses...E com um Medina fazendo cara Angelical...

3 Do facebook . Alfredo Barroso.
JÁ NADA TENHO A VER COM ESTE GOVERNO PS, BELICISTA E PRÓ-NATO COMO O DE DURÃO BARROSO PRÓ-INVASÃO DO IRAQUE!
- confessa Alfredo Barroso, espantado com o actual Governo PS

Agora interrogo-me como é que eu fiz campanha, modestamente embora, aqui no 'Facebook', a favor da maioria absoluta do PS nas últimas eleições legislativas?! Mas estava bem longe de adivinhar a fúria e o zelo belicistas demonstrados por António Costa, que foi ao ponto de visitar, na Ucrânia, o presidente Volodymir "Pandora Papers" Zelenski, cujo prestígio e popularidade estavam já a bater no fundo - acusado de corrupção - pouco antes dos Russos terem iniciado a operação militar especial em defesa das populações das Repúblicas Autónomas do Donbass. 
Haverá alguma substancial diferença entre o primeiro-ministro PS António Costa, ao envolver-se a fundo nesta "cruzada americana" contra a Rússia, e o primeiro-ministro PPD-PSD Durão Barroso, ao envolver-se 'de alma e coração' na "cruzada americana" contra o Iraque?! Não, não há! E o Durão Barroso, se bem se lembram, foi recompensado com o cargo de presidente da Comissão Europeia, onde fez sempre a vontade, durante dez (10) pálidos e tristes anos, aos políticos mais poderosos da União Europeia... «Porreiro, pá?». O tempo o dirá...


Atualizações e perspetivas

Grandes media dão voz a certos indivíduos que perante a tragédia que pode configurar uma guerra mundial, apenas espalham ódios e insultam os que apelam à paz ou fazem uma leitura diferente dos acontecimentos, aliás consentânea com o que nem a comunicação mais controlada pode esconder. Recorrerem mesmo a um pré-fabricado "estalinismo", para justificar os seus ataques. Como escreveu Hemingway "há muitos fascistas, mas não sabem que o são." Esta é também uma das tragédias dos nossos tempos.

Atualizamos informações e perspetivas segundo o sítio Intel Slava Z – Telegram , que reflete posições da Rússia e ocidentais devidamente referenciadas. Em termos factuais tem correspondido de uma maneira geral à realidade. Entre parêntesis a data em que foram postados.

1 - A situação em Sverdonetsk não difere de Mariupol. Os efetivos ucranianos, controlados por grupos nazis estão refugiados na fábrica Azot. Foram criados corredores humanitários para evacuar civis, mas esta ação tem sido bloqueada, dado que os nazis não querem perder os seus escudos humanos. Uma residente local afirmou : "Os ucranianos estão a disparar sobre nós. É impossível viver!" (15 e16/6)

2 - O Pentágono duvida da eficácia do lado ucraniano. (Desde março) As perdas ucranianas aumentaram dez vezes, enquanto o exército russo, pelo contrário, conseguiu reduzi-las significativamente. De acordo com analistas militares ocidentais, um aumento no fornecimento de armas para a Ucrânia não desempenhará um papel decisivo, as Forças Armadas da Ucrânia são forçadas a ocupar posições defensivas deliberadamente desvantajosas. (15/6)

"O número de baixas nas Forças Armadas da ucranianas sobe ao mesmo tempo que a moral das unidades desde" é o título de um artigo do The Guardian: “As perdas ucranianas variam de 600 a 1.000 pessoas por dia. "O número total de baixas - mais de 20 000 por mês - levanta questões sobre o estado o exército ucraniano se a guerra se prolongar até ao outono." "(13/6) Registam-se conflitos entre a direção militar, que defende a retirada de unidades antes de ficarem cercadas e Zelensky que defende a luta ("heroica"...) até ao fim, tal como acontecia nos finais do nazismo na Alemanha. (16/6)

3 - Para além do Donbass, a Rússia mostra clara intenção de libertar todas as cidades e regiões que considera russas - de maioria falante russo - como Kharkov e Odessa. Os serviços secretos britânicos e o Instituto Americano para o Estudo da Guerra relataram que as tropas russas têm sido bem-sucedidas em operações ofensivas na direção de Kharkov. (14/6) A ofensiva para Odessa, a ser preparada a partir de Nikolaev prevendo-se destino igual a Mariupol e Donetsk.

4 - Para além das palavras de apoio há sinais tanto nos EUA como na UE que face às realidades o desvario tem tendência a acalmar-se. Macron disse que a Ucrânia deve negociar com a própria Rússia "Nem a França nem a Alemanha farão isso em vez dela." (16/6) "O povo e o governo da Ucrânia, liderados pelo presidente Zelensky, devem decidir por conta própria a questão da possibilidade de concessões territoriais" (secretário de Estado dos EUA. Blinken) (15/6)

O Secretário-Geral da NATO afirma: "a paz na Ucrânia é possível, mas a questão é quais territórios ela mesma está disposta a desistir por isso. A NATO pretende ajudar a Ucrânia e dar-lhe uma posição mais forte na mesa de negociações com a Rússia, que deve encerrar as hostilidades. Os militares da NATO não participam nas hostilidades e a própria Aliança opõe-se à propagação do conflito para fora do país." (6/12) Porém, falar em concessões territoriais da Ucrânia está fora de tempo: elas já foram feitas. O que aquelas declarações significam é que a NATO não parece disposta a ir reconquistar esses territórios.

5 - A posição da Rússia perante estes sinais é de indiferença: "Quando agora se ouvem vozes do Ocidente sobre a necessidade de negociações, isso é apenas um disfarce para organizar uma pausa operacional temporária para que as Forças Armadas da Ucrânia possam respirar e a NATO proceda ao rearmamento intensivo da Ucrânia para a retomada das hostilidades. A Rússia não ganhará nada com negociações que não resolvam fundamentalmente o problema ucraniano. (15/6) E uma das condições é Zelensky ser levado a um tribunal internacional. Com tudo isto e o fornecimento de armas à Ucrânia, há sérias dúvidas de que a guerra termine em 2022.

A posição da Rússia ganha lógica tendo em conta as declarações contraditórias do lado da NATO. Disse a embaixadora dos EUA na Aliança Julianne Smith: "A Rússia tornar-se-á a principal ameaça à NATO no novo conceito da Aliança" "A Rússia é a prioridade número um", ao mesmo tempo que anunciou novos passos para fortalecer a NATO. (2/6)

6 - O principal assessor de Zelensky, Arakhamia lidera uma delegação aos EUA para aumentar o ritmo das transferências de armas e reconhecer a Rússia como um Estado que apoia o terrorismo. Arakhamia relatou que até 1 milhão de pessoas foram recrutadas nas fileiras das Forças Armadas da Ucrânia e há reservas para recrutar outros dois milhões de pessoas. Há recursos para uma guerra em grande escala. Apenas precisam de armas e munições. Arakhamia disse também que a Ucrânia é contra a desminagem nas águas de Odessa devido à da possibilidade de um desembarque russo. O que esclarece sobre a responsabilidade pela não exportação de cereais. (16/6)

Portanto, a Ucrânia continuará a ser abastecida com armas e afogada em sangue, apesar da sociedade americana estar dividida. Neste confronto, Biden tem recebido críticas crescentes. (1/6)

A constante insistência de Kiev na entrega de mais armas, devia fazer pensar para quê, se desde março que a NATO e UE fazem intensas entregas de armas à Ucrânia. Que foi feito delas? Bem, diariamente a Rússia anuncia a destruição de vários lotes... As rotas mais importantes para entregar armas à Ucrânia são controladas pelo exército russo, as ferrovias estão danificadas e os caminhões com armas ficam sob fogo russo.



Do Facebook

1  Retirado do MJ. GENERAL RAUI LUIS CUNHA

Ouvindo um dos nossos canais de propaganda televisiva, foi-me despertada a curiosidade de procurar na net os resultados de uma pesquisa do "European Council for Foreign Relations" (ECFR) relativa à percepção dos cidadãos europeus face à duração da Guerra na Ucrânia e, pelos vistos e apesar da fortíssima campanha nos media dos 'warmongers' e dos seus apaniguados generais, a situação é a seguinte:

- A pesquisa do ECFR mostra que, embora os europeus sintam uma grande solidariedade com a Ucrânia, estão divididos sobre os objetivos de longo prazo. Dividem-se entre um campo de “Paz” (35% das pessoas) que quer que a guerra termine o mais rápido possível mesmo com cedência de algum território pela Ucrânia, e um campo de “Justiça” que acredita que o objectivo mais urgente é punir a Rússia (25% das pessoas).
- Em todos os países, exceto na Polónia, o campo “Paz” é maior que o campo “Justiça”. Os cidadãos europeus preocupam-se com o custo das sanções económicas e com a ameaça de uma escalada nuclear. A menos que algo mude drasticamente, opor-se-ão a uma guerra longa e alargada.

Aqui no nosso 'cantinho' o positivo tem sido ver a queda de algumas máscaras dos nossos 'democacas' da esquerda libertária e dos ultras autoproclamados 'liberais', que revelam agora à evidência a sua verdadeira natureza de 'bufos' e 'vendidos' - veja-se por exemplo um artigo miserável de Teresa de Sousa, a mais uma vez vir denegrir aqueles que nos seus comentários procuram apenas ser isentos e dizer as verdades, por mais incómodas e inconvenientes que sejam.
Seguramente, daqui a algum tempo e se porventura acontecer a derrocada do campo ucraniano, veremos alguns dos socialmente ilustres e 'estrelados' comentadores a darem toda uma série de esfarrapadas justificações para não ter acontecido aquilo que os seus incompetentes devaneios e as suas falsificações dos factos tinham previsto. 
Espero bem que, em breve, a 'cara de pau' dessa cambada seja totalmente desmascarada.

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