Isto berrava Goebbels no Palácio dos Desportos em Berlim, apoiado por uma turba ululante de fanáticos nazis, quando o Exército Vermelho se aproximava das fronteiras alemãs. Era o reconhecimento desesperado da retirada nas várias frentes e que nenhum dos objetivos tinham sido alcançados.
A decisão de autorizar ataques em profundidade ao território russo revela isso mesmo: a confissão da derrota dos objetivos delineados mesmo antes do golpe de 2014 em Kiev. A opinião publica foi sendo anestesiada - ou drogada - com sucessivas mensagens de sim, não, talvez, porém salientando sempre a sua necessidade e justificação pela lógica da habitual dupla moral.
Perante a declaração de Putin de que tal decisão representava a NATO entrar diretamente em guerra contra a Rússia, os propagandistas cumpriram o seu papel de porta-voz dos belicistas. No essencial, seguem o que Biden disse: "devemos desvalorizar as ameaças de Putin". Uns dizem que não há nada de novo e se trata de uma declaração para consumo interno. Há quem diga que ocidente ficaria numa posição ridícula perante o mundo se deixasse a Rússia vencer. É assim mesmo. Querem a guerra total? Querem... Pelos vistos não sabem o que sejam mísseis hipersónicos para os quais a NATO não tem defesa e cargas nucleares.
Em "Aumentando as apostas na Ucrânia", John Wight, escritor e analista político inglês, escreve: Este é o contexto sombrio em que deve ser visto o mais recente desenvolvimento de escalada do conflito na Ucrânia entre a Rússia e o Ocidente.