Continuar a fazer o mesmo à espera de resultados diferentes é insanidade. A frase aplica-se ao pensamento vazio de conteúdo real quando o PR pede como que implorando que todos os que defendem as políticas de direita (incluindo a extrema-direita) se entendam para haver "estabilidade". João Ferreira (PCP) mostrou a contradição daquele posicionamento: pedir estabilidade com políticas que apenas produzem instabilidade na vida das pessoas.
Outra leitura do discurso do PR é: façam lá o possível para não ter chatices no meu mandato - dado que ele não reconhece como a precariedade laboral, o ataque ao regime democrático promovido pela extrema-direita e apoiado pelos media, o domínio da finança, do grande capital e as políticas da UE causam de instabilidade a todos os níveis.
É a estabilidade um mal? Não, mas depende dos contextos. Há que distinguir entre estabilidade interna e estabilidade internacional. A estabilidade internacional conquista-se, adotando relações baseadas na paz e não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados. A estabilidade interna por direitos políticos e sociais, não com conformismo perante desigualdades, insegurança e belicismo.
Claro que o sr. PR não tem obrigação de saber, pois são coisas do marxismo, que o político e o social refletem a estrutura económica da sociedade: as políticas e correspondentes instituições constituem uma superstrutura sobre uma infraestrutura económica. "Estabilidade" baseada na continuidade e conformismo serve basicamente para reforçar o domínio da oligarquia sobre o proletariado.
Na CE a sra. Leyen viola os Tratados existentes, transformando a UE numa aliança militar. Os países submeteram-se aos conceitos neoliberais, um esquema económico destinado a entregar o poder e a riqueza coletiva nas mãos de uma minoria - a oligarquia. Os países mais vulneráveis perderam a capacidade de ter políticas independentes em função das suas necessidades de desenvolvimento económico e social, cedendo grande parte da sua soberania aos interesses que gerem a UE e através do "atlantismo" como vassalos do império dos EUA.
Quanto mais se acentuam as crises, mais a CE se afirma pelo totalitarismo burocrático. A riqueza criada vai prioritariamente para os oligopólios todo poderosos através da "economia de mercado", para a finança que vive do endividamento dos Estados, empresas e pessoas, para armamento e para o corrupto clã de Kiev. "Contas certas" significa cortar as verbas para resolver problemas sociais e ajudar a população a suportar as consequências das aventuras belicistas. Não há estabilidade na continuidade do que nos trouxe ao ponto crítico em que estamos. A taxa de cobertura no comércio externo (agosto2025/julho 2026) é de 69,3%; com a UE-27, 66,9%; com a zona euro 65,9%. Portugal afunilou as suas relações comerciais externas duma forma dificilmente compreensível e aceitável, 71,7% das nossas exportações destinam-se à UE-27, donde veem 75,8% das importações. Os produtos agrícolas e alimentares representam 15% do total das importações. Três países (Espanha, Alemanha, França) concentram mais de 50% do nosso comércio internacional.
A desindustrialização é outra realidade camuflada. O desenvolvimento real da economia pode avaliar-se pelo índice de produção industrial, designadamente da indústria transformadora, índices que caem sem que a questão seja considerada nos media. Em agosto o índice de produção industrial, com base 100 em 2021, era 96,6, na indústria transformadora apenas 94,7%. Porém a realidade da desindustrialização vem de trás:
Ano |
Índice geral de produção industrial |
Índice na indústria transformadora |
2005 |
122,3 |
124,6 |
2012 |
96,2 |
95,9 |
2015 |
100 |
100 |
2018 |
106,4 |
103,1 |
2021 |
99,6 |
97,8 |
2026 (julho) |
91,5 |
92,6 |
Em relação a 2005, em julhos de 2026, o índice geral é 74,7 e na indústria transformadora 74,2. (1)
O país desindustrializa-se, para além do palavreado que nada altera do sistema, as relações económicas externas estão numa dependência total, não diversificando mercados, o saldo externo está dependente do turismo.
Não há estratégia de desenvolvimento possível dentro do neoliberalismo e submissão à CE. Portugal pela lógica das realidades não pode abandonar a UE, mas pode e tem de ter uma atitude crítica na UE face aos seus erros, na defesa dos interesses nacionais: defender os interesses nacionais não é obedecer à CE. E por que razão havemos de tolerar a deriva totalitária da CE que só exibe incompetência e irrelevância internacional.
A propaganda esconde a autodestruição em curso na UE, alinhando na obsessão de confrontar a Rússia. Um caminho que leva ao confronto direto e ao descalabro económico. A Leyen lamenta o encarecimento da energia, mas quer que os países se afastem totalmente da energia russa - acessível, abundante e barata.
Já é impossível esconder o estado deplorável em que a economia europeia está a cair. A degradação alemã, expressa o declínio europeu e as consequências de prescindir da energia russa e do belicismo. Na Alemanha, um país de estabilidade e "milagre económico", 48 empresas iam em 2025, à falência todos os dias. Um recorde para os últimos 20 anos. De 2022 a 2026, a indústria alemã sofreu uma perda de produção de 9,5%, com perdas em indústrias intensivas em energia (petroquímicos, produtos químicos, metais, vidro/cerâmica/pedra, papel, óleo mineral etc.) de 15,2%.
A UE desmorona-se económica, política e socialmente. Pedir estabilidade e consensos para prosseguir as mesmas políticas de submissão aos ditames da UE e imperialismo, quando é necessário e urgente uma estratégia para mudar estas políticas, é insanidade.
1 - Boletim Mensal de Estatística, setembro 2026 e Portal INE - Publicação 6174083 Quadro III.7.2
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