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9 de outubro de 2026

Estabilidade e pensamento oco

 Continuar a fazer o mesmo à espera de resultados diferentes é insanidade. A frase aplica-se ao pensamento vazio de conteúdo real quando o PR pede como que implorando que todos os que defendem as políticas de direita (incluindo a extrema-direita) se entendam para haver "estabilidade". João Ferreira (PCP) mostrou a contradição daquele posicionamento: pedir estabilidade com políticas que apenas produzem instabilidade na vida das pessoas.

Outra leitura do discurso do PR é: façam lá o possível para não ter chatices no meu mandato - dado que ele não reconhece como a precariedade laboral, o ataque ao regime democrático promovido pela extrema-direita e apoiado pelos media, o domínio da finança, do grande capital e as políticas da UE causam de instabilidade a todos os níveis.

É a estabilidade um mal? Não, mas depende dos contextos. Há que distinguir entre estabilidade interna e estabilidade internacional. A estabilidade internacional conquista-se, adotando relações baseadas na paz e não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados. A estabilidade interna por direitos políticos e sociais, não com conformismo perante desigualdades, insegurança e belicismo.

Claro que o sr. PR não tem obrigação de saber, pois são coisas do marxismo, que o político e o social refletem a estrutura económica da sociedade: as políticas e correspondentes instituições constituem uma superstrutura sobre uma infraestrutura económica. "Estabilidade" baseada na continuidade e conformismo serve basicamente para reforçar o domínio da oligarquia sobre o proletariado.

Na CE a sra. Leyen viola os Tratados existentes, transformando a UE numa aliança militar. Os países submeteram-se aos conceitos neoliberais, um esquema económico destinado a entregar o poder e a riqueza coletiva nas mãos de uma minoria - a oligarquia. Os países mais vulneráveis perderam a capacidade de ter políticas independentes em função das suas necessidades de desenvolvimento económico e social, cedendo grande parte da sua soberania aos interesses que gerem a UE e através do "atlantismo" como vassalos do império dos EUA.

Quanto mais se acentuam as crises, mais a CE se afirma pelo totalitarismo burocrático. A riqueza criada vai prioritariamente para os oligopólios todo poderosos através da "economia de mercado", para a finança que vive do endividamento dos Estados, empresas e pessoas, para armamento e para o corrupto clã de Kiev. "Contas certas" significa cortar as verbas para resolver problemas sociais e ajudar a população a suportar as consequências das aventuras belicistas. Não há estabilidade na continuidade do que nos trouxe ao ponto crítico em que estamos. A taxa de cobertura no comércio externo (agosto2025/julho 2026) é de 69,3%; com a UE-27, 66,9%; com a zona euro 65,9%. Portugal afunilou as suas relações comerciais externas duma forma dificilmente compreensível e aceitável, 71,7% das nossas exportações destinam-se à UE-27, donde veem 75,8% das importações. Os produtos agrícolas e alimentares representam 15% do total das importações. Três países (Espanha, Alemanha, França) concentram mais de 50% do nosso comércio internacional.

A desindustrialização é outra realidade camuflada. O desenvolvimento real da economia pode avaliar-se pelo índice de produção industrial, designadamente da indústria transformadora, índices que caem sem que a questão seja considerada nos media. Em agosto o índice de produção industrial, com base 100 em 2021, era 96,6, na indústria transformadora apenas 94,7%. Porém a realidade da desindustrialização vem de trás:

Ano

Índice geral de produção industrial

Índice na indústria transformadora

2005

122,3

124,6

2012

96,2

95,9

2015

100

100

2018

106,4

103,1

2021

99,6

97,8

2026 (julho)

91,5

92,6

Em relação a 2005, em julhos de 2026, o índice geral é 74,7 e na indústria transformadora 74,2. (1)

O país desindustrializa-se, para além do palavreado que nada altera do sistema, as relações económicas externas estão numa dependência total, não diversificando mercados, o saldo externo está dependente do turismo.

Não há estratégia de desenvolvimento possível dentro do neoliberalismo e submissão à CE. Portugal pela lógica das realidades não pode abandonar a UE, mas pode e tem de ter uma atitude crítica na UE face aos seus erros, na defesa dos interesses nacionais: defender os interesses nacionais não é obedecer à CE. E por que razão havemos de tolerar a deriva totalitária da CE que só exibe incompetência e irrelevância internacional.

A propaganda esconde a autodestruição em curso na UE, alinhando na obsessão de confrontar a Rússia. Um caminho que leva ao confronto direto e ao descalabro económico. A Leyen lamenta o encarecimento da energia, mas quer que os países se afastem totalmente da energia russa - acessível, abundante e barata.

Já é impossível esconder o estado deplorável em que a economia europeia está a cair. A degradação alemã, expressa o declínio europeu e as consequências de prescindir da energia russa e do belicismo. Na Alemanha, um país de estabilidade e "milagre económico", 48 empresas iam em 2025, à falência todos os dias. Um recorde para os últimos 20 anos. De 2022 a 2026, a indústria alemã sofreu uma perda de produção de 9,5%, com perdas em indústrias intensivas em energia (petroquímicos, produtos químicos, metais, vidro/cerâmica/pedra, papel, óleo mineral etc.) de 15,2%.

A UE desmorona-se económica, política e socialmente. Pedir estabilidade e consensos para prosseguir as mesmas políticas de submissão aos ditames da UE e imperialismo, quando é necessário e urgente uma estratégia para mudar estas políticas, é insanidade.

1 - Boletim Mensal de Estatística, setembro 2026 e Portal INE - Publicação 6174083 Quadro III.7.2

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