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26 de maio de 2018

Os F-35 israelitas já intervêm na guerra

Manlio Dinucci
“Estamos voar com o F-35 em todo o Médio Oriente e já atacamos duas vezes em duas frentes distintas”: anunciou ontem, o General Amikam Norkin, Comandante da Força Aérea de Israel, na conferência sobre “superioridade aérea” em Herzliya, (um subúrbio de Tel Aviv) com a participação dos mais altos representantes da aeronáutica de 20 países, incluindo a Itália.
O General não especificou onde foram usados os F-35 e deixou perceber que um dos ataques foi realizado na Síria. Também mostrou imagens dos F-35s israelitas a voar sobre Beirute, no Líbano, mas é quase certo, que também já foram usados para missões de não-ataque no Irão.
Israel, um dos 12 “parceiros globais” do programa F-35, liderado pela empresa americana Lockheed Martin, foi o primeiro a comprar o novo caça da quinta geração, que ele tornou a baptizar de "Adir" (Poderoso). Até agora, recebeu nove dos 50 F-35 encomendados, todos do modelo A de decolagem e pouso convencionais e é provável, que adquira 75 aparelhos. Objectivo realizável, visto que Israel recebe dos Estados Unidos, uma ajuda militar de cerca de 4 biliões de dólares por ano.
Em Julho de 2016, na base Luke dos U.S. Air Force, no Arizona, iniciou-se o treino dos primeiros pilotos israelitas do F-35. Depois de terem participado num curso com mais de três meses de duração, nos EUA, para conseguir a qualificação operacional, eles têm de levar a cabo alguns meses de treino de “vôo real” em Israel. Até agora formaram-se cerca de 30 pilotos. Em 6 de Dezembro de 2017, a Força Aérea de Israel declarou operacional, a sua primeira equipa dos F-35.
Israel também participa no programa F-35 com sua própria indústria militar. A empresa Israel Aerospace Industries produz as asas dos caças; a Elbit Systems-Cyclone fabrica componentes da fuselagem; A Elbit Systems Ltd está a desenvolver um display para o capacete da terceira geração, com o qual serão equipados todos os pilotos dos F-35. O anúncio do General Norkin de que o F-35 está finalmente “combat proven” (provado em combate) tem, portanto, um efeito prático fundamental: o de impulsionar o programa F-35, que tem enfrentado inúmeros problemas técnicos e necessita de actualizações contínuas com custos adicionais, que aumentam ainda mais o custo desmesurado do programa. O complexo software do caça foi modificado mais de 30 vezes e requer mais melhorias. O anúncio do General Norkin foi particularmente apreciado pela Presidente Directora Executiva da Lockheed Martin, Marillyn Hewson, oradora da conferência sobre a “superioridade aérea”.
O anúncio de que Israel já usou o F-35 numa acção de guerra serve, ao mesmo tempo, de aviso ao Irão. Os F-35A, adquiridos por Israel, são projectados principalmente para o uso de armas nucleares, em particular para a nova bomba B61-12 com direcção de precisão, na fase final de fabrico, que os Estados Unidos além de a instalarem em Itália e noutros países europeus, certamente também irão fornecê-la a Israel, a única potência nuclear do Médio Oriente, possuidora de um arsenal estimado de 100 a 400 armas nucleares.
As forças nucleares israelitas estão integradas no sistema electrónico NATO, no âmbito do "Programa de Cooperação Individual" com Israel, país que, embora não seja membro da Aliança, tem uma missão permanente na sede da NATO, em Bruxelas. Nesse contexto, a Itália, a Alemanha, a França, a Grécia e a Polónia participaram com os EUA no Blue Flag 2017, o maior exercício de guerra aérea internacional da História de Israel, no qual também foram realizados testes de ataque nuclear.
Tradução 
Maria Luísa de Vasconcellos R.V.

Desporto e multinacionais




Desporto e multinacionais, “paixão” desastrosa
Jorge Cordeiro

A torrente de notícias, com rara informação e uma imensidade especulativa, que submergiu o País a propósito de casos diversos que envolvem clubes e dirigentes, e que atingem algumas modalidades onde sobressai o futebol, anatematizam todo o desporto. O volume é tanto que só com elevado grau de resistência crítica e distanciamento de leitura se lhe resiste. 

Frustrando expectativas que já adivinham uma incursão pelos terrenos do “sangue e exacerbação” nos parágrafos que se seguem, a opção não é essa. Desculpe-se a falta de ousadia, este desprendimento face à captação de audiências mas para ir por aí já basta o que encharca o País. Invocando palavras de Montesquieu, ausentes na superficialidade do comentário jornalístico dominante, «não se trata de ler mas de fazer pensar». Haveria tudo a ganhar seguindo-as. Também aqui não encontrará o leitor, contrariando pré-concebidos prognósticos, a verberação do desporto de Alta Competição, incluindo o futebol, o olímpico, federado ou profissional. O desporto é um factor do processo de desenvolvimento que compete ao Estado promover, quer quanto à democratização da sua prática quer quanto aos valores que o devem rodear. Uma actividade que, se praticada de forma justa e não discriminatória, integra o processo de responsabilização e integração na sociedade. A observação do que tem rodeado o ambiente desportivo exige reflexão mais profunda, rejeição da espuma mediática, busca aprofundada noutras paragens do que aquelas em que a aparência do óbvio tolda a razão. 

Comecemos pela mercantilização do desporto, tornado “desporto-espectáculo”. Olhar para o que se passa, iludindo-a, só dá tropeço na análise. A súbita “paixão” das multinacionais pelo desporto, que se confunde com a paixão por tudo que lhes assegure lucros fabulosos, induziu alterações ao nível dos conceitos, do impacto na “indústria” e na publicidade, das formas como os Estados e o capital privado intervêm e suportam a actividade económica em torno do desporto e em particular do futebol. 

Não se confinem os problemas a desvios comportamentais ou actos de gestão danosa. O domínio não é apenas o de juízos morais, mas sim o que, no plano político, ideológico e legislativo e de auto-regulação das diversas modalidades, animou práticas condenáveis. A criação das Sociedades Anónimas Desportivas, com o que transporta de espaço de voragem financeira, de investimentos duvidosos e especulação bolsista em torno de clubes e modalidades abriu caminho a situações de que, em geral só emerge a ponta do icebergue. Clubes desportivos transformados em placas giratórias da especulação de direitos de jogadores, janelas de oportunidade para lavagem de dinheiro, promíscuas movimentações entre capital financeiro, imobiliário e clubes, disputas nebulosas  do negócio de direitos televisivos, articulados com “patrocinadores” e o Marketing, fomentam a côrte de ambiciosos “empresários”  que se fundem com corpos directivos, tudo sob os holofotes de uma comunicação social sedenta  de audiências. A que se adiciona os problemas induzidos pelo mercado de apostas desportivas e as práticas a ele associadas. Conter e limitar a “indústria e mercados” do desporto não significa o fim do profissionalismo desportivo. Mas há todo um campo para intervir limitando investidores institucionais, regulando patrocínios publicitários, ou questionando a propriedade ou co-propriedade dos clubes sobre”media”, como canais televisivos. 

Transportemos para outro plano que, se não convocado, faltará ao que se impõe aduzir em benefício da compreensão. A instrumentalização ideológica do espectáculo desportivo, assim como sua utilização para promoção pessoal, social e política não é de hoje. O que se tem assistido, da patenteada violência ao infindável rol de suspeitas de corrupção, com as dinâmicas específicas que os envolvem, não são também separáveis das expressões anti-democráticas disseminadas na sociedade. A exacerbação clubista tem-se assumido como factor de diversão e desvio dos reais problemas nacionais. A promoção da conflitualidade gratuita entre clubes, não raras vezes baseada no enfunar do populismo ou no incentivo ao ódio, são parte de um caldo onde se alimentam projectos que corporizam concepções fascizantes e que estão muito para lá de protagonismos individuais. 

A paixão pelo espectáculo desportivo não é necessariamente factor de alienação assim como o desporto de alta competição não é necessariamente contraditório com a prática generalizada do desporto pela população. O desporto é, ou deveria ser, essencialmente uma actividade cultural. No universo das suas expressões. Sem ostracização de modalidades. O futebol profissional não é todo o futebol e ainda bem menos todo o desporto. Do muito que há a fazer, comece-se pela responsabilidade do Estado, desde logo no que lhe caberia promover no plano do desporto escolar e da Escola Pública na formação de valores e comportamentos éticos, e no fomento do associativismo democrático, a que os órgãos de comunicação social sob tutela pública por maioria de razão se deveriam associar. 


24 de maio de 2018

A Venezuela em tempo de Guerra

https://vimeo.com/2701524 
Para visionar o filme clica em  :   https://vimeo.com/27015242424. Um bom documentário
Fonte:»» https://www.zintv.org/Venezuela-en-temps-de-guerre

Mentalidade fascista , digo mentalidade à " Estado Novo"

Referindo-se ao Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC ) João Miguel Tavares diz hoje no Público : "não é preciso riscá-lo do mapa das associações nacionais" Dito de outra forma , não é preciso ilegalizá-lo - se tivesse força para isso era o que faria.
E  acrescenta , mas convém reconhecê-lo por aquilo que é : Conselho de pura propaganda Comunista . Isto é basta reduzir uma organização unitária onde estão católicos , socialistas , gente sem partido , comunistas , a uma organização comunista e jogar com o preconceito anti comunista ...
Com a lógica de João Miguel Tavares não é preciso riscá-lo do mapa dos comentadores de serviço , mas reconhecê-lo por aquilo que efectivamente é  : um reaccionário de mentalidade fascista 
Se entendem que é ofensivo digo então: um reaccionário de mentalidade à  "Estado Novo "

23 de maio de 2018

Venezuela - uma entrevista a ler

https://ahtribune.com/world/americas/2264-maria-paez-victor.html

Dr. María Páez Víctor: “The USA Has Opposed, Destabilized, Overthrown or Assassinated Every Progressive Reformer That Has Appeared On the Political Scene in the Region For More Than a Century”

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Em francês

Dr. María Páez Víctor : « Les États-Unis se sont opposés, ont déstabilisé, renversé ou assassiné chaque réformateur progressiste apparu sur la scène politique dans la région depuis plus d’un siècle »https://mohsenabdelmoumen.wordpress.com/2018/05/20/dr-maria-paez-victor-les-etats-unis-se-sont-opposes-ont-destabilise-renverse-ou-assassine-chaque-reformateur-progressiste-apparu-sur-la-scene-politique-dans-la-region-depuis-plus-dun/

A comunicação social do dinheiro e os seus seventuários

                                                            Agostinho Lopes
CARNICEIRO .
Ou, mais uma vez, a comunicação social que temos.
Na Faixa de Gaza são assassinadas dezenas de pessoas, há milhares de feridos, há mais de mil crianças atingidas e ninguém chama carniceiro a Benjamin Netanyahu!
Segundo a Rádio Pública Antena 1, o massacre resultou de uma «intervenção musculada» de Israel. Segundo outros «Israel tem o direito a proteger as suas fronteiras» e então bala em cima de uma marcha de gente «armada» de pedras e paus, fundas e fisgas. Os mais hipócritas (como o Governo português) pedem «uma resposta proporcional». Nunca explicando o que isso é…Ou a não menor hipocrisia do Secretário-Geral da ONU: «As forças de segurança de Israel têm de aplicar a máxima restrição no uso de munições reais»! (Não será Gaza também «O inferno na Terra» Senhor Secretário-Geral?) E o que fazem os cúmplices hipócritas da UE? Votos de piedosas intenções, sempre com a medida da proporcionalidade…
Escreve-se esta coisa inominável. «Perante sinais pessimistas, palestinianos arriscam tudo para manter a sua causa nos media» (subtítulo da reportagem de Mª João Guimarães, Público 14MAI18! Que no mesmo texto insiste na enormidade: «A Marcha de Retorno pôs a questão palestiniana de novo nos media internacionais»! Isto é: não é a luta pelos seus direitos históricos e legítimos à face do direito internacional violados por Israel, com a descarada cumplicidade da dita Civilização Ocidental, há décadas! É para aparecer nas televisões e jornais! Não é o direito dos palestinianos, descendentes dos mais dos 800 mil expulsos, que ainda hoje esperam pela aplicação da Resolução 194, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 11 de Dezembro de 1948, que estabelece o seu «direito ao regresso» às suas casas ou a receber uma indemnização. Não é seu direito lutarem com todas as suas forças e coragem contra a agressão concretizada por Trump e o Estado de Israel, ao instalar a embaixada dos EUA em Jerusalém, querendo impô-la à margem de todos os acordos e decisões internacionais como capital do Estado de Israel. Não! Queriam aparecer nas televisões e jornais! Considera mesmo a jornalista que: «O Hamas fomentou a ideia de que os jovens devem tentar passar a barreira, e eles estão cheios de energia e querem agir. Se voltar atrás o movimento islamista arrisca-se a ver os protestos pelas terríveis condições em Gaza virarem-se contra si». Não é mais uma vez a justa luta pelos seus direitos, o único caminho que resta aquele povo, que os faz avançar. Não! São as forças da resistência palestiniana que os empurram, para que os protestos dirigidos a Israel, não se voltem contra si! Porque as «terríveis condições em Gaza», são da sua responsabilidade e não de Israel!
Pior, só mesmo a comentadora, que quando lhe levantam o problema dos palestinianos assassinados por Israel afirma que os mandam «para ali para serem mortos para depois vir agitar o martírio.» (Clara Ferreira Alves, Eixo do Mal/SIC, 19MAI18).         
E o que é que se diz na comunicação social portuguesa sobre o comunicado de 16 de Maio da UNICEF onde se escreve: «muitos dos ferimentos (infligidos às crianças) são graves e podem mudar as suas vidas para sempre, alguns dos quais resultam em amputações» - desde 30 de Março mais de mil crianças foram feridas na faixa de Gaza? Zero. E da reunião de 17 e 18 de Maio do Fórum das Nações Unidas sobre a Questão Palestiniana, sob o tema «70 anos após 1948 – Lições sobre como alcançar uma paz sustentável»? Zero. E da Resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, em 18 de Maio, de criação uma «Comissão de Inquérito, internacional e independente» sobre o massacre de Gaza? Zero! E como foi pronta e diligente a reportar notícias do funcionamento dos órgãos da ONU quando se tratou das encenações dos EUA e da UE sobre a Síria….
Registe-se esta outra pérola. «Israel vive, portanto, num paradoxo. É um país que é, politicamente, a única democracia digna desse nome numa vasta região que vai muito além do Médio Oriente. E é, ao mesmo tempo, um país que administra na prática um espaço físico com o dobro do seu tamanho onde promove todos os dias o apartheid e a repressão» (Expresso Curto, 14MAI18, José Cardoso). Oh Cardoso: um paradoxo?! Oh Cardoso, os 300 mil palestinianos de Jerusalém Oriental votam? Dessa não sabia o Dr Salazar! Que a sua «democracia orgânica» que também casava democracia com «eleições», e tudo com repressão, colonialismo e apartheid, era um paradoxo! (Aconselhava a leitura da entrevista do historiador israelita Ilan Pappé «Israel não é uma democracia, isso é um mito», (Et cetera/O Jornal Económico, Ana Pina, 18MAI18).    

22 de maio de 2018


A História Russa do Dia-V (ou a História da Segunda Guerra Mundial poucas vezes Ouvida no Ocidente)
Michael Jabara Carley


Professor de História contemporânea na Universidade de Montreal, Michael Jabara Carley conta aqui o papel da União Soviética contra o nazismo. Depois ele analisa a maneira como esta história tem sido propositadamente deformada pelos Anglo-Saxónicos e é deturpadamente ensinada no mundo Ocidental.





A cada 9 de Maio, a Federação Russa celebra o seu mais importante feriado nacional, o Dia da Vitória, "den´pobedy". Nesse dia, em 1945, o Marechal Georgy Konstantinovich Zhukov, Comandante da 1ª Frente Bielorrussa, que atacara Berlim, recebeu a rendição Alemã incondicional. A Grande Guerra Patriótica durara 1418 dias de inimaginável violência, brutalidade e destruição. Desde Stalingrado, do norte do Cáucaso e da periferia noroeste de Moscovo até às fronteiras ocidentais da União Soviética, a Sebastopol no sul, Leningrado e as fronteira com a Finlândia, no norte, o país fora devastado. Uns estimados 17 milhões de civis, homens, mulheres e crianças haviam morrido, embora ninguém jamais saiba os números exactos. Aldeias e cidades foram destruídas; as famílias foram dizimadas sem restar ninguém para lembrá-las ou chorar a sua morte.