Linha de separação


19 de setembro de 2018

A Construção do Gasoduto Turkish Stream

Os Presidentes russo e turco reuniram-se em Sochi, em 17 de Setembro de 2018
Desde a sua reunião anterior, em 7 de Setembro, em Teerão, a Rússia endureceu o tom, evocando pela primeira vez, a natureza ilegal da presença militar turca em Idleb. Sublinhou que essa mesma presença deveria terminar.
Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdoğan assinaram, antes de tudo, acordos de cooperação económica a respeito da construção do gasoduto Turkish Stream e da central nuclear civil de Akkuyu; acordos particularmente bem-aceites por Ankara, cuja economia acaba de desmoronar brutalmente.
Em relação à zona ocupada actualmente pelos jihadistas e pelo exército turco na Síria - zona que corresponde aproximadamente à província de Idleb - os dois Estados decidiram dar-se uma nova oportunidade de separar a oposição armada síria dos jihadistas.
Acordos idênticos de não escalada foram estabelecidos para esta região e para outras no passado, seja com os Estados Unidos ou com a Turquia. Todos falharam e tornaram-se obsoletos ao fim de seis meses. Na prática, descobriu-se que os jihadistas e a oposição armada síria são compostos pelos mesmos homens, que são mercenários antes de serem militantes. Frequentemente, eles pertenceram a vários grupos durante os sete anos de conflito, mudando de um para o outro, consoante as oportunidades financeiras.
A República Árabe da Síria já havia feito saber que considerava prudente adiar a libertação de Idleb para depois das eleições legislativas dos Estados Unidos, em 6 de Novembro. De facto, em caso de ataque, teria sido suficiente ao Reino Unido concretizar uma operação química de falsa bandeira para forçar o Presidente Trump a atacar a Síria, durante sua campanha eleitoral.
O Presidente Erdoğan apresenta ao seu povo o acordo que ele acaba de concluir como uma dupla vitória: ele teria salvaguardado a população civil de Idleb da guerra e teria obtido contratos vantajosos da Rússia.
No entanto, a realidade é bem diferente: a Turquia estava numa posição de grande fraqueza para negociar com o seu inimigo histórico e amigo de um dia, a Rússia. A sua economia só sobrevive graças à presença dos turistas russos e Moscovo já mostrou que eles podiam chegar ou partir, num instante.
Os acordos económicos afastam um pouco mais, Ancara da NATO.
Será estabelecida, em 5 de Outubro, uma linha de demarcação entre a zona jihadista e o resto da Síria. Esta zona desmilitarizada estará sob a responsabilidade conjunta da Rússia e da Turquia. As tropas turcas deveriam recuar alguns quilómetros dentro da actual zona, de modo a deixar os sírios libertar a autoestrada que liga Damasco a Alepo.
Assim, a Rússia afasta a Turquia dos ocidentais, evita colocar o seu aliado sírio em perigo e continua a libertação de seu território sem ter de envolver-se em combates.
Tradução 
Maria Luísa de Vasconcellos. R.V.

Apresentação de A. Mateus


Eletricidade: sobrecustos, rendas e concorrência
Abel M Mateus
Presidente da AdC entre 3.2003 e 3.2008 Senior Fellow
University College London Investigador Principal - UCP

Síntese
  • O papel da AdC durante o 1o mandato (2003-2008)
  • Construção de um sistema eletrico planificado sem concorrência nem
    preocupação com os consumidores
  • Benchmarking
  • Quem beneficiou e quais os custos?
  • Sugestões para o futuro da política energética
9/10/2018 Comissão Inquerito Parlamentar Rendas Eletricidade 2
Papel da AdC
Apesar das enormes limitações de recursos a AdC começou desde o seu lançamento a trabalhar no setor da energia
Grande preocupação com a fusão EDP/ENI/GdP, que acabou por ser rejeitada pela Comissão Europeia
Estudo da CEPA encomendado pela AdC chama a atenção que a conversão dos CAEs nos CMECs pode ser ainda mais prejudicial para os consumidores
9/10/2018 Comissão Inquerito Parlamentar Rendas Eletricidade 3
  • A Autoridade tem um papel meramente de aconselhamento ao Governo (e Parlamento) quando consultada
  • Foi consultada aquando do DL 240 que criou os CMECs em 2004, pelo Ministro Carlos Tavares, tendo apresentado várias objeções ao Governo, que não foram atendidas
    Voltou a ser consultada pelo Ministro Manuel Pinho, em início de 2005, tendo chamado a atenção para os elevados custos dos CMECs, elevados custos das eólicas (preço máximo de 75€/MWh contra 95, revelado pelos leilões) e para a ausência de concorrência no setor e apresentado propostas concretas para aumentar a concorrência e diminuir custos para o consumidor
Não mais foi consultada ... Detalhes na apresentação mais extensa 9/10/2018 Comissão Inquerito Parlamentar Rendas Eletricidade 4
Criação de um sistema eletrico planificado e de elevado custo para os
consumidores na segunda metade dos anos 1990
  • O início da privatização da EDP em 1997 transforma um quasi-monopólio publico num quasi-monopólio privado, com posições dominantes em vários mercados de geração de eletricidade (preocupação por maximização do encaixe)

Mais uma vez o PCP tinha razão !

 Para todos aqueles que andaram a dizer que a crise se devia ao facto de os portugueses viverem acima das suas possibilidades . Todos esses e a imprensa do dinheiro que silenciou esta apresentação deviam ser confrontados com esta pouca vergonha
________________________________ :
"NOTÁVEL Agostinho Lopes
É, a todos os títulos, notável a Apresentação «Eletricidade: sobrecustos, rendas e concorrência» do Prof Abel Mateus, 1º Presidente da Autoridade de Concorrência (2003/2008), realizada na 3ª feira, 11SET18, na Comissão Parlamentar de Inquérito às «Rendas Excessivas». Constitui uma viva e contundente crítica à política de direita levada a cabo no sector eléctrico (mas não só) por sucessivos governos do PS, PSD e CDS. «Ponham-se os nomes aos bois»: governo PSD/C Silva com o Ministro da Economia Mira Amaral, 1991/1995; governos PS/A Guterres com Pina Moura, 1995/2002; governos PSD/CDS D Barroso e P S Lopes, com P Portas, com Carlos Tavares e Álvaro Barreto, 2002/2005; governos PS/Sócrates, com Manuel Pinho e Vieira da Silva, 2005/2011; governo PSD/CDS, P Coelho e P Portas, com Álvaro Pereira e Pires de Lima, 2011/2015.
A Apresentação do Prof Abel Mateus põe a nu as trágicas consequências para o país, para a sua economia e para os portugueses, da privatização e desmembramento – o chamado “unbundling” - da EDP e da chamada liberalização de pretensos mercados de energia eléctrica. Põe a nu a profunda contradição entre o que foi anunciado como resultado dessas operações de política neoliberal, sustentada pela União Europeia, e os seus custos para os consumidores de electricidade.
Destaquem-se as conclusões tiradas sob o título: «O “monstro” que se criou».
«As políticas do setor elétrico entre 1996 e 2011 criaram um dos sistemas de maior sobrecusto pago pelo consumidor e de rendas excessivas da UE, sem paralelo a qualquer outro setor de atividade»
«Criaram um simulacro de “mercado, totalmente comandado, com preços, margens e até lucros totais garantidos aos geradores de eletricidade»
«Eliminaram a concorrência entre operadores (…)»
«Levaram os operadores a introduzir tecnologias que não estavam maduras, com elevados custos afundados para os consumidores»
«Causando custos finais para a economia de cerca do dobro do custo mínimo e eficiente, o que representou não só uma perda de bem-estar económico mas do PIB potencial da economia, distorcendo a sua competitividade».
E «Quem beneficiou das rendas excessivas?» pergunta e responde: «No caso da PRE, na qual a maior parte foi para as eólicas e cogeração, foram as empresas detentoras de grupos geradores que beneficiaram à custa dos subsídios pagos pelos consumidores». «No caso dos CMEC foi a EDP que beneficiou dos subsídios (…)».
O Prof conclui, informando dos sobrecustos suportados pelos clientes do sector eléctrico, «cerca de 23 mil milhões de euros», juntando-lhe os «cerca de 25 mil milhões de euros» que os contribuintes foram e serão chamados a contribuir» para “salvar” o sector bancário e os «cerca de 5 a 7 mil milhões de euros» das PPP rodoviárias! Esta política predatória do país e dos portugueses só nestas três áreas, custou 55 mil milhões!
Partindo de uma grelha político-ideológica bastante distante, o Prof Abel Mateus acaba por justificar toda a oposição e crítica que aos longos daqueles anos o PCP realizou às políticas de privatização de empresas e sectores estratégico e de liberalização de mercados de bens e serviços essenciais, nomeadamente no sector da energia.
E quando reclama «URGENTE: Um novo Plano Energético», no desenho de «Algumas sugestões para políticas energéticas futuras», Abel Mateus reitera uma palavra de ordem sistematicamente reafirmada pelo PCP nos seus programas políticos, um novo PEN – Plano Energético Nacional!
É importante conhecer toda a sua Apresentação.

OS U2

Os U2 andam armados em propagandistas da União Europeia, o que até se compreende se tivermos, por exemplo, em conta a lógica de classe. Afinal de contas, se não fossem a liberalização financeira e a correspondente corrida fiscal para o fundo, promovidas pela UE, como poderia Bono, o milionário vocalista da banda irlandesa, usar uma empresa de Malta para investir num centro comercial na Lituânia, pagando uma taxa de imposto de 5%?B. Ladrões de Bicicletas

Inimigos do povo

Tu és inimigo do povo!
– Não, inimigo do povo és tu!» José Goulão
É a este nível de ideias profundas que se trava publicamente o debate sobre quem mente mais e melhor através da comunicação mainstream, incluindo as famosas redes sociais, agora que Donald Trump resolveu partir a loiça e convulsionar a harmonia – podre, mas harmonia – em que tudo decorria.
Tratando-se de um ajuste de contas entre o presidente norte-americano e uma parte de relevo – e bipartidária – do establishment que se lhe opõe, discordando sobre as estratégias para combater a crise do capitalismo, poderia supor-se, ainda assim, que a questiúncula se mantivesse em círculos domésticos.(...)

18 de setembro de 2018

Mea Culpa entre paredes para continuarem no mesmo

Angel Gurria Secretário geral da OCDE a propósito do aniversário da queda do Lehman Brothers disse numa reunião desta organização para retirarem lições da crise que à época a OCDE foi" optimista em relação aos créditos imobiliários americanos , que estavam prestes a ruir "
Em junho de 2007as previsões da OCDE asseguravam que " a situação económica há muitos anos que não era tão boa " e acrescentou:"O pensamento económico e os modelos sobre os quais ele se baseou não reflectiam nem a realidade económica , nem a vida das pessoas " . " É por essa razão que nós não vimos o que estava a chegar "
Pois . Mas continuam na mesma. Como se sabe em Agosto de 2007 rebentou a crise dita do Sub prime !

17 de setembro de 2018

A Ucrânia apoiada pela UE e pelo Ocidente

A UE e o PE tão preocupados com a escalada anti democrática na Hungria continua a apoiar a Ucrânia e nada diz da vaga anti semita e fascista
Une vague d’antisémitisme balaye l’Ukraine. Rien qu’au cours des trois dernières semaines, un dirigeant d’extrême droite a publiquement appelé à nettoyer l’Ukraine de zhidi (une insulte équivalente à « kike ») [insultes antisémites équivalentes à « youpin », NdT] ; un mémorial de l’Holocauste à Ternopil a été incendié ; des centaines de personnes ont défilé à Lviv, en l’honneur d’une unité SS, avec des saluts nazis ; Le graffiti « Mort aux Zhidi » a été gribouillé dans deux villes ; le tombeau d’un rabbin vénéré a été vandalisé ; un camp rom de Kiev a été attaqué et brûlé par des nationalistes d’extrême droite, et des centaines de personnes se sont défoulées lors d’un concert néonazi paré de croix gammées et ont vomi des saluts nazis.

Ce déferlement de haine a attiré l’attention du Congrès juif mondial, qui a produit une courte vidéo condamnant la montée de l’antisémitisme ...
wave of anti-Semitism has swept over Ukraine. In the past three weeks alone, a far-right leader publicly called for cleansing Ukraine of zhidi (a slur equivalent to “kike”); a Holocaust memorial in Ternopil was bombed; hundreds marched through Lviv, in honor of an SS unit, complete with Nazi salutes; “Death to Zhidi” graffiti was scrawled in two cities; a revered rabbi’s tomb was vandalized; a Romani camp in Kiev was attacked and burned by far-right nationalists, and hundreds rocked out at a neo-Nazi concertclad in swastikas and throwing up Nazi salutes.
This outpouring of hatred got the attention of the World Jewish Congress, which put out a short video condemning the surge of anti-Semitism: