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15 de outubro de 2021

Assim vai o mundo...para além do orçamento

 Esperemos que haja mais vida para além do orçamento, mas esta mesma vida encontra-se constantemente ameaçada pelas ações imperialistas. O caso de Taiwan torna-se de momento um grave perigo para a paz.

Taiwan faz parte da China desde 1683, sendo antes refúgio de piratas e depois de “descoberta” pelos portugueses – a Formosa – também entreposto de holandeses e espanhóis.

Pelo "Comunicado de Xangai" de 28 de fevereiro de 1972, os EUA assinaram com a China um acordo em que: "reconhecem que todos os chineses de ambos os lados do Estreito de Taiwan sustentam que há apenas uma China e que Taiwan é parte da China. O governo dos Estados Unidos não contesta essa posição, reafirmando o seu interesse numa solução pacífica da questão de Taiwan pelos próprios chineses.”

Os belicistas de Washington querem ignorar o acordo, considerando “ter perdido Taiwan” e fomentam a sua formalização como país independente. Por seu lado a China continua a fortalecer a sua preparação militar para obter uma influência decisiva e resolver a questão de Taiwan.

A China está determinada a defender a soberania nacional e a realizar a reunificação, disposto a “lutar até a morte contra qualquer um que nos desafie e nos obstrua.” “Não se trata de uma escolha em que realizaremos a reunificação quando for fácil e desistiremos quando for difícil.

A questão de Taiwan tornou-se o centro do confronto entre os EUA e a China. A posição do governo da China é que os EUA pretendem criar maiores obstáculos à ascensão da China, jogando a "carta de Taiwan", mas esta não é uma questão de morte que os EUA defenderão independentemente dos custos e das vidas. Washington nunca lutará até a morte com o continente chinês pela secessão da ilha. Para além da retórica, os EUA não têm força para assumir compromissos "sólidos como uma rocha" – como dizem - com Taiwan.

O Estreito de Taiwan e a área próxima estão dentro do alcance de ataque do Exército Popular da China. O envio de forças navais e aéreas dos EUA para defender Taiwan seria um golpe mortal para os soldados norte-americanos. Além disso, a China é uma potência nuclear com mísseis balísticos intercontinentais DF-41 e JL-3. Esta realidade limita os EUA quanto ao uso de armas nucleares. Em suma, considera a China, os EUA não são mais o país que pode exercer chantagem militar contra a China. Tudo o que pode e está a fazer são jogos geopolíticos.

Por outras palavras, temos de volta a tese do imperialismo “como um tigre de papel”, só que os argumentos agora são muito mais fortes! “Os EUA e a ilha de Taiwan deveriam parar de tentar assustar o continente chinês de que a reunificação pela força gerará sérias consequências políticas e económicas. Nos últimos anos, os Estados Unidos já mostraram quais serão essas consequências com sua contenção total contra a China. Todos os chineses já os viram e o efeito dissuasor será zero.”

Os independentistas da ilha pensam obstinadamente que os EUA nunca os abandonarão e lutarão com a ilha para deter o continente. Isso nada mais é do que uma ilusão. Assim que o continente tomar a decisão política de resolver a questão de Taiwan pela força, as pessoas verão uma versão moderna da libertação de Nanjing durante a Guerra de Libertação da China (1946-49). Nesse ponto, abandonar Taiwan será a escolha inevitável dos EUA.

Recentemente, o comandante do exército de Taiwan visitou os Estados Unidos. Há informações de que os EUA pretendem colocar unidades militares em Taiwan. A China num editorial do Global Times declarou que nesse caso enviará unidades suas para a ilha. A situação através do Estreito está portanto a ser empurrada para um confronto final.

A China não desistirá de uma solução pacífica para a questão de Taiwan, mas a reunificação deve ser o fim dessa solução pacífica, ao invés de "duas Chinas" ou "uma China e um Taiwan".

Neste contexto o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Moscovo continuou a apoiar firmemente a posição de Pequim sobre Taiwan como parte integrante da China. Também sublinhou que Moscovo apoiaria Pequim nos seus esforços legítimos para reunir a província separatista com o resto do país. Muitos observadores concluíram que a declaração de Lavrov foi um sinal claro para todas as partes da crise: a Rússia provavelmente apoiaria até mesmo a tomada militar da ilha por Pequim.

Entretanto a China e a Rússia realizaram exercícios navais conjuntos no Mar do Japão, exibindo o "maior nível de confiança e capacidade". 

Assim vai o mundo… para além do orçamento.

Ver: China’s iron will stronger than US’ ‘rock solid’ commitment to Taiwan: Global Times editorial - Global Times

13 de outubro de 2021

Cimeira da NATO: uma câmara de ecos

Paul C. Roberts referia-se aos “comentadores” como os “presstitutos. Andrei Martyanov referia-se à propaganda ocidental como “uma câmara de ecos". Foi isso que vimos na ridícula cimeira da NATO realizada em Lisboa. O terrível problema dos manipuladores é que acabam por acreditar uns nos outros e na própria manipulação. Temos assim que a NATO tem que “defender a democracia em todo o mundo”, enfrentar as “ameaças a leste” e no “mar da China”.

Claro que esta gente nem coerente sabe ser em geografia, mas adiante. O PR de Portugal falou como professor a dar a matéria do programa aprovado oficialmente, como antes do 25 de ABRIL, O sr. Costa, falou como bom aluno que quer ter boa nota repetindo de cor o que dizem os livros aprovados. Nenhum deles se preocupou com o que a Constituição diz sobre blocos militares.

O mais curioso foram os apelos à unidade… para combater os “desafios” dos “adversários” da “democracia" e da “Europa”. A subordinação aos desígnios imperiais dos EUA é total, apesar da série de falhanços da política externa dos EUA, da Guerra da Coreia e do Vietname, ao Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão, nada melhor encontra esta “Europa” que aplaudir os argumentos contraditórios e as ações absurdas dos EUA. O que a UE mais necessitava era de paz nas suas fronteiras a sul e a leste, desenvolvendo termos de vantajosa mutua cooperação, bem como com a China, Cuba, Venezuela, etc.

Mas não, os governos da UE/NATO e “aliados” são incapazes de separar a narrativa difundida por analistas políticos que não passam de propagandistas, vendo os EUA como omnipotentes, e o resto do mundo como ignorantes (europeus inclusive) em contemplação perante o “execionalismo” dos EUA.

A história e a vida corrente vai demonstrando como as suas estratégias e respetivas análises laudatórias se acumulam numa lixeira de desinformação onde os "comentadores" mergulham incessantemente. O caso da Ucrânia, ou o que resta, transformou-se num pseudo Estado, subordinado a corruptos e nazifascistas, sem outra solução senão voltar-se mais tarde ou mais cedo para o seu aliado natural e a sua matriz histórica, a Rússia. O “ocidente” – a NATO/EUA - queria uma nova guerra da Crimeia como no século XIX, à espera que a Rússia, como afirmou Obama ao impor sanções ficasse com "a sua economia em farrapos”. Vale a frase de Putin sobre Biden: “está-se a olhar ao espelho”.

O processo da Ucrânia, como da Síria, Iraque, etc., mostra como ignoram o que sejam os interesses não apenas estratégicos mas de sobrevivência de outros povos, como a Rússia, China, Coreia do Norte, etc.

A NATO não tem política externa. É incapaz de lidar com a realidade e os reais interesses dos seus povos, mesmo de um estrito ponto de vista das leis do capitalismo. Limita-se a seguir as orientações psicóticas dos estrategas de Washington, consequência de décadas de propaganda anti comunista que se alarga a qualquer país que queira ou possa ter um desenvolvimento independente.

A NATO pode ter vencido batalhas em países com muito fracas capacidades militares mas foi sempre incapaz de ganhar uma guerra, apenas levar o caos, depredação e horrores da morte indiscriminada de civis. No Afeganistão aponta-se para 250 000 mortes sobretudo civis, sem que se vissem as atuais lágrimas de crocodilo televisivas. A o que parece era isto "levar a democracia".

O drama é a forma como lidam com o único país que neste momento pode varrer os EUA e a UE/NATO do mapa: a Rússia. A NATO incapaz de aceitar a realidade que destruiria os mitos da sua manipulação – o seu terrível problema – transformou-se numa espécie de agência de provocações no Mar Negro e no Mar do Sul da China, mas que nada mais faze que fugir quando confrontada. Os media falam, falam, mas nada dizem sobre isto.

Nem admira, gente sem o mínimo de preparação ou conhecimentos emite, opiniões, julgamentos sobre tudo, da geopolítica às alterações climáticas. Não é preciso mais, pois a comunicação ao serviço do império em declínio não passa de uma “câmara de ecos”, basta repetir o que diz a CNN, Wall Street Journal, Financial Times e mais uns poucos. E repetir a lição...senão chumbam.

Este texto baseou-se em alguns trechos do livro de Andei Martianov, Desintegration, Clarity Press, 2021, pag. 127 a 136, sobre a incompetência da elites ocidentais, sub capítulo “An analytical Echo Chamber”.

 

Ano Europeu (da mercantilização) do Transporte Ferroviário


Francisco Asseiceiro

Membro da Comissão para os Assuntos Económicos do PCP (CAE)

 

Com mais de trinta anos de imposições para mercantilizar os caminhos de ferro, vinte dos quais de implementação dos quatro pacotes legislativos, a Comissão Europeia, leia-se as multinacionais do sector, decidiram designar 2021 como o Ano Europeu do Transporte Ferroviário, uma vez que representa o primeiro ano completo de aplicação das regras Quarto Pacote Ferroviário (1).

Têm motivos para a celebração. Nele ficou assegurado o acesso das empresas de transporte ferroviário estabelecidas na UE a todos os tipos de serviço de transporte de passageiros na UE a partir de dezembro de 2020... e a obrigatoriedade de concursos para contratos de serviços públicos ferroviários (2).

Os utentes e os trabalhadores do caminho de ferro nada têm para celebrar, apenas motivos para continuar a lutar por melhor transporte ferroviário e melhores condições de trabalho.

Muito do que é de valorizar tem o contributo dessa luta na direcção oposta aos objectivos dos pacotes ferroviários: a reintegração da EMEF na CP, alguma contratação de novos trabalhadores, a reabertura das oficinas de Guifões e a reactivação da actividade formativa, o evidente aumento da capacidade de manutenção, recuperação e modernização do material circulante, designadamente o que estava encostado há dezenas de anos e o recentemente adquirido para reutilização e o aumento da oferta e da fiabilidade de transporte pela CP.

E é sintomático, na difusão pública dos objectivos do Ano Europeu do Transporte Ferroviário, serem apresentadas (3) intenções essencialmente de apelo ao uso do caminho de ferro, de anúncio de investimentos e aquisições de material circulante, que deslizam no tempo, de aposta do Governo na ferrovia, sempre evidenciando as enormes vantagens que lhe são reconhecidas, como se tratasse de descobertas de hoje, deixando na sombra aqueles objectivos de classe que celebram.

Também no nosso país a política de direita precisa de assim cavalgar este estilo de onda de aposta no caminho de ferro que faz esquecer e disfarçar as suas responsabilidades com o apoio no PE e a execução aqui, por PS/PSD/CDS, da devastação que assolou o caminho de ferro com o encerramento de 1250 km de linhas durante 25 anos, o último dos quais em 2013, e com o desmembramento da CP e a sua asfixia financeira, sem meios para renovação de material circulante, causa principal da supressão de 18 000 comboios em 2018.

Neste processo recuou-se mais de 20 anos, nas diversas vertentes da conceptualização à construção, nos meios e nas capacidades da engenharia de infraestrutura e de material circulante, a par do desinvestimento, falta de trabalhadores em diversas áreas, aumento do trabalho externo, da precariedade, do trabalho temporário e de desvalorização dos salários e das condições de trabalho.

O Plano Estratégico de Transportes dos tempos do Pacto de Agressão da troika assumia que o transporte ferroviário de passageiros não era uma prioridade para o país e que a prioridade era ligar os portos à Europa, passando por cima de Portugal.

Ainda bem que se voltou a considerar a ferrovia como uma questão estratégica para o país e no contexto ibérico. Esta alteração deve-se muito à consciência que vai crescendo de que o transporte ferroviário electrificado é a solução de futuro para o transporte massivo de passageiros e mercadorias.

A contradição entre a degradação a que chegou o sistema ferroviário, e o que dele é exigido para responder a necessidades estruturais do país, tem-se recentemente traduzido em alguns avanços que reflectem certo desconforto de quem aqui, então considerando-se no pelotão da frente da UE, concretizou a pulverização da CP com vista à sua eliminação.

É o que aparentemente revelam duas questões colocadas pelo Governo ao Comité Económico e Social Europeu (CESE): i) que ensinamentos se podem retirar de três décadas de tentativas de liberalização do sector ferroviário nos países da UE e se ii) a separação do sistema ferroviário melhorou ou prejudicou o seu desempenho global.

Das respostas, inseridas em relatório (4) do CESE, elaborado a propósito do Ano Europeu do Transporte Ferroviário, destacam-se três afirmações: a) quase três décadas de esforços para abrir os mercados ferroviários... não produziram os resultados globais pretendidos; b) muitos dos grandes… países da Europa optaram por empresas ferroviárias integradas para garantir sinergias e melhor coordenação; c) não deve ser imposta aos Estados-membros qualquer separação entre infraestrutura e operação.

Se as perguntas e particularmente estas respostas podem sugerir alguma reflexão no sentido de inverter o caminho de destruição do sistema ferroviário que tem vindo a ser seguido, o relatório do CESE desenvolve exaustivamente a argumentação recorrente da UE de que agora é que é com mais e mais liberalização para alcançar na ferrovia os tais resultados não atingidos em três décadas.

Sem romper com os pacotes ferroviários não é credível nenhuma onda de aposta no sistema ferroviário. Para consumo interno é exibido algum apoio à CP, mas nos compromissos com a UE não falta o dedicado apoio à liberalização, que conduz à sua eliminação.

É assim que o contrato de serviço público da CP para todos os serviços urbanos, regionais e de longo curso, foi anunciado, para consumo interno, mas o texto continua sem divulgação pública, embora sabendo-se (5) que o serviço do Alfa Pendular está excluído.

Ou seja, as multinacionais querem o serviço mais rentável da CP, e a política de direita de PS/PSD/CDS obedece. Trata-se do serviço que gera importantes receitas que podem ser aplicadas para a CP operar em zonas menos rentáveis no interior do país, pelo que, sem aqueles recursos, estes serviços só poderão ser efectuados com verbas do Orçamento de Estado, e sendo assim, os lucros das multinacionais serão verbas extorquidas ao país. 

É à empresa pública DB alemã, que já manifestou interesse em operar o eixo Braga – Faro, que a política de direita pretende entregar o serviço actualmente realizado pela empresa pública CP.

A DB alemã é hoje um conglomerado com 220 mil funcionários em mais de 500 empresas em 130 países, que em Portugal, detém a Arriva, 31,5% da Barraqueiro, participação na TAP, na Fertágus, Metro Sul do Tejo, TST e opera mais de 3000 autocarros.

O PCP mantém a sua posição de sempre, de luta contra a mercantilização no sector ferroviário e pela reconstituição do sistema ferroviário nacional com a reintegração na CP, da componente ferroviária da Infraestruturas de Portugal (IP), a ex-Refer, do serviço de mercadorias da ex-CP Carga/Medway, do serviço de passageiros concessionado à Fertágus e a reconstituição das capacidades de fabrico de material circulante perdidas com o encerramento da Sorefame no mesmo processo de liberalização. A urgência da recuperação no país da capacidade produtiva no fabrico de comboios, pelo qual nos temos batido, revela-se sobretudo num contexto em que haverá excesso de procura na Europa para o fabrico de milhares de comboios com financiamento do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) de cada país da UE e de outros programas.

O caminho de ferro é um sistema composto por diversas áreas que se complementam pelo que é fundamental, também na perspectiva de escala, a integração numa única estrutura, que já foi e defendemos que volte a ser a CP, responsável pela infraestrutura, pelo material circulante e pela operação.

Na opção pelo sistema ferroviário integrado o PCP defende também a complementaridade entre modos de transporte. A articulação complementar do transporte público rodoviário com rebatimento no transporte público ferroviário, sempre que justificável, é uma base estrutural de um verdadeiro sistema de transportes. É mais eficiente, mais económico e ambientalmente mais sustentável. Pela mesma razão a complementaridade entre o transporte aéreo e o transporte ferroviário faz desta opção o modo mais eficiente para ligações de curta distância como as ligações Lisboa-Porto e Lisboa-Faro.

No apoio à mercantilização, em vez da complementaridade, a política de direita promove no transporte público o que diz ser a concorrência entre a rodovia privada e a ferrovia e, como se tal não bastasse, defende na liberalização ferroviária a concorrência intramodal, portanto a concorrência dentro do próprio sistema ferroviário.

Com este caminho de promoção da concorrência, que alimenta e consolida os monopólios, pretendem as multinacionais substituir nas linhas mais rentáveis o monopólio público pelo monopólio privado.

Só a separação da infraestrutura e da operação, primeiro passo do processo de liberalização, custa anualmente 5.800 milhões de euros na UE28, de acordo com estimativas de 2019 (6). Os povos pagam a festa!

De recordar que há quase cem anos o liberalismo conduziu o centro do capitalismo à crise dos anos trinta, a que se seguiu a Segunda Guerra Mundial. O contributo decisivo da União Soviética na derrota do fascismo, e o prestígio do Estado assim evidenciado, conteve o liberalismo, com a correspondente expressão nos Caminhos de Ferro da Europa do pós-guerra: em 1950 quase todos os Caminhos de Ferro da Europa tinham sido nacionalizados e «…são explorados directamente pelo Estado.» (7) As duas únicas excepções eram, não por acaso, os países europeus mais pobres de então, a Grécia e Portugal.

Os anos que se seguiram foram de impressionante crescimento e aperfeiçoamento do caminho de ferro, desde as redes urbanas de transporte público até ao desenvolvimento da alta velocidade.

É assim espantoso que o relatório do CESE refira que «Na verdade, inovações em ferrovias, como ferrovias de alta velocidade, foram desenvolvidas por operadoras estatais com apoio público» e defenda insistentemente a continuação do processo mercantilização, afinal o que as multinacionais decidiram celebrar neste ano europeu.

 

 

Referências

 

(1)          https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/eu-affairs/ 20210107STO95106/2021-ano-europeu-do-transporte-ferroviario

(2) TEN/727 – EESC-2020-05425-00-00-DT-TRA (EN) 3/4

(3) https://eurocid.mne.gov.pt/2021-ano-europeu-do-transporte-ferroviario

https://www.infraestruturasdeportugal.pt/pt-pt/centro-de-imprensa/2021-e-o-ano-europeu-do-transporte-ferroviario

https://www.cp.pt/institucional/pt/comunicacao/em-destaque/ano-europeu-ferrovia

https://www.publico.pt/2021/01/04/economia/noticia/ano-europeu-ferrovia-lisboa-capitais-nao-comboios-internacionais-1944913

(4) https://www.eesc.europa.eu/en/ourwork/opinions-information-   reports/opinions/single-european-railway-area-0

(5) https://www.dn.pt/dinheiro/cp-recebe-90-milhoes-do-estado-para-prestar-servico-publico-11564287.html

(6) Eduardo Garcia Alvarez – ex-Director Geral de Desenvolvimento e Estratégia da RENFE – Jornadas Internacionales de Ingeníería para Alta Velocidad, Córdova, 2019.

(7) Caminhos de Ferro – Instituto Superior Técnico – Segundo as lições do Prof. Eng.º Francisco Leite Pinto. Edição da Secção de Folhas da A.E.I.S.T. – 1950-1951.

 

(Caixa)

 

Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, na apresentação pública de «Um plano para comprar comboios, aumentar a oferta de transportes e reconstruir o aparelho produtivo», realizada pelo PCP a 6 de Abril de 2021

 

«…O PCP apresenta hoje aqui uma proposta ao povo português para que se mobilizem os recursos e meios necessários para que em Portugal se voltem a produzir comboios que respondam não apenas às necessidades de renovação de frota que se irão colocar nos próximos anos, mas também para a sua modernização e expansão. Uma proposta que permite que se construa em Portugal aquilo que nos estão a obrigar a comprar lá fora. A nossa proposta assenta, pois, em três eixos fundamentais:

 

1. reconstruir um comando único ao sector ferroviário nacional (voltar a ligar a roda ao carril, como dizem os ferroviários);

2. apostar de facto no sector ferroviário como um sector estratégico para a mobilidade de pessoas e mercadorias e para a melhoria do ambiente e da qualidade de vida;

3. aproveitar o volume de investimento necessário para reconstruir a produção nacional de material circulante.

 

Nós apontamos que nos próximos quinze anos o volume de investimento necessário em material circulante ronde os 3,75 mil milhões de euros, cerca de 250 milhões por ano. Parece e é muito. Podíamos dizer com verdade que é menos do que o país entregou ao grande capital nos processos do Novo Banco ou do BPN. Podíamos dizer, igualmente com verdade, que as parcerias público-privadas vão custar cinco vezes mais no mesmo período. Mas preferimos sublinhar que com esse investimento, se o Estado não se limitar a ir às compras ao mercado e antes apostar na reconstrução da capacidade produtiva nacional, contribuirá para que uma parte importante dele se reproduza economicamente, gerando milhares de postos de trabalho e riqueza em Portugal, para além de permitir no longo prazo diminuir os custos desse investimento no nosso país. É um investimento a 15 anos que permitirá dar resposta a três linhas essenciais:

 

1. substituir toda a actual frota nacional para o transporte ferroviário pesado de passageiros, que está envelhecida fruto do desinvestimento dos últimos trinta anos;

2. permitir aumentar a oferta de transporte ferroviário de passageiros onde tal se coloque como necessário;

3. rentabilizar o conjunto de investimentos na infraestrutura que estão em curso, que estão planificados ou possam ser planificados.» (...)

10 de outubro de 2021

A Paz e a Informação - 1

O Prémio Nobel da Paz de 2021 foi entregue a dois jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, considerados “representantes de todos os jornalistas que defendem este ideal num mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas", afirmou Berit Reiss-Anderson, presidente do comité do Prêmio Nobel da Paz.

Maria Ressa, ajudou a fundar um site de jornalismo independente nas Filipinas. Dmitry Muratov, faz parte "Novaya Gazeta" “um jornal em que desde 1993, quando foi fundado, até hoje, seis pessoas da redação da foram mortas”, afirmou Reiss-Anderson.

Como curiosidade podemos apontar algumas coincidências. As Filipinas não são hoje um aliado confiável de Washington no confronto contra a China, muito pelo contrário. Quanto à Rússia é simplesmente um “regime” dirigido por um “criminoso” como disse o sr. Biden.

Claro que não ocorre àquelas fervorosas mentes democráticas ao serviço do império, recordar Julian Assange a ser assassinado lentamente numa prisão inglesa – como ocorreu com militantes comunistas na PIDE para morrerem “libertados” – ou a outros perseguidos como Chelsea Maning, Edward Swowdown, ou aos jornalistas, sindicalistas, democratas em geral, assassinados por exemplo na Colômbia.

Os media escamoteiam estes acontecimentos, a Amnistia Internacional, a Human Riggts Watch ou a UE nunca classificaram a Colômbia de ditadura - mas Cuba sim - tal como Israel, que despreza resoluções da ONU, ocupa, destrói e mata o povo palestiniano perto do que pode ser considerado genocídio. Temas que a “imprensa livre” capitalista se recusa a tratar.

Não admira, seis agências de notícias (4 EUA, 1 França, 1 Reino Unido) controlam o que se lê, ouve e vê no "mundo livre". A CIA controla os principais media dos EUA desde 1950. Os media não fornecem notícias, fornecem explicações de acordo com a oligarquia, garantindo que notícias reais não interferem nos seus objetivos. O livro “Jornalistas Comprados” (Gekaufte Journalisten) do jornalista alemão Udo Ulfkotte mostra que a CIA também controla a imprensa europeia. (http://www.informationclearinghouse.info/55571.htm)

Os media tornaram-se o principal organizador, ou melhor, desorganizador do proletariado e da sua consciência de classe. Já que, para o sistema se manter são necessários cidadãos passivos, sem memória política, isto é, sem perspetiva do passado, que não compreendam o presente e não antecipem a realidade futura, como se tivessem perdido a cidadania, como a abstenção eleitoral comprova, simplesmente "público" de uma propagandeada sociedade de consumo – apenas para alguns.

Qualquer mentira, falsa notícia, acusação absurda, desde que tenha origem nas centrais de informação do império ou entidades ao seu serviço – como certas ONG – passa por verdade absoluta, sem provas, sem investigação, sem contraditório, é promovida a caso mediático. A deontologia jornalística é posta em "quarentena" nestes casos. Quanto maior a mentira mais gente acredita nela, dizia Goebbels. A calúnia transforma-se, quando muito, em "polémica", conferindo-lhe credibilidade. É uma espécie de terrorismo informativo que este Prémio Nobel ajuda a tornar credível.

Os media assumiram o papel de difusores da alienação. Subprodutos do jornalismo são disponíbilizados gratuitamente em locais públicos como cafés nos mais recônditos lugares (com a pandemia situação suspensa) servindo de suporte à ideologia da direita e extrema-direita. Nas redes sociais proliferam pró-fascistas expressando o ódio, deturpando, mentindo sem escrúpulos, atacando a democracia e os democratas.

O controlo da opinião pública é assim garantido pelos principais media, veiculando falsas notícias e calúnias com que o império procura diabolizar os que não se lhe submetem como se fosse verdade absoluta e comprovada, abdicando de confirmar factos ou veicular o contraditório, tornando-se assim agentes da conspiração e da subversão.

São estes os “valores” arrogantemente proclamados, mas que que morrem nos muros para deter mexicanos, em resultado do “comércio livre” NAFTA ou nas tragédias dos que fogem do Médio Oriente ou África em resultado das agressões e das misérias provocadas pelo chamado Ocidente.

No Ocidente, o jornalismo praticamente morreu. Milhares de escribas são destacados pelos grandes media, em busca dos “segredos mais sombrios” dentro da China, Rússia e outros países não ocidentais. As histórias positivas só podem ser destacadas se ocorrerem no Ocidente ou nas neocolónias do Império Ocidental. Tudo isso porque o regime luta desesperadamente pela sua sobrevivência. Porque não pode mais inspirar ninguém. Não pode oferecer otimismo ou motivar com ideais entusiásticos. Manchar os seus oponentes é o melhor que pode fazer". (https://resistir.info/crise/histeria_jun20.html Andre Vitchek)


9 de outubro de 2021

O fascismo e os seus tentáculos

 

Fundación Franco: pura violencia política

La "democracia plena" española, de la que se hace alarde desde nuestras instituciones, tiene varios puntos negros que la enferman y uno de ellos es la existencia de una fundación creada para mayor loa del dictador Francisco Franco: un lobby destinado a conservar su legado ideológico autoritario y genocida y traspasarlo a cuantas generaciones sea posible. Hace 45 años que nació la Fundación Nacional Francisco Franco (FNFF), gracias al apoyo, entre otros, del exjefe de Estado y comisionista por excelencia, Juan Carlos I, como informa hoy en Público el periodista Danilo Albin.

Hace semanas que asistimos a un intento de blanqueamiento intensivo de la Fundación Franco por parte de sus propios integrantes. Lo hacen ante la inminencia de una extinción de esta guarida de franquistas anunciada en la Ley de Memoria Democrática de Pedro Sánchez, que es una actualización de la Ley de Memoria Histórica de 2007 promulgada por José Luis Rodríguez Zapatero. Mucho hemos esperado las demócratas y mucho hemos pagado por este dolor infligido a los familiares de la víctimas de la dictadura, que aún hoy buscan y desentierran restos de su misma sangre esparcidos por las cunetas. Mucho hemos pagado y pagamos, además  con ese sacar pecho de ahora por los 150.000 euros que José María Aznar dio a esta Fundación de los horrores porque sí.

La Fundación Franco y sus miembros, cuyos tentáculos ideológicos y económicos llegan a Vox y a grupos neofascistas y/o ultracatólicos de esta modernidad ultraderechista que nos asfixia, han vivido 45 años al amparo de una democracia más débil por el solo hecho de permitir semejante aberración. En este casi medio siglo de existencia -que desde Público exigimos que nunca se cumpla-, su trabajo no ha sido, como nos cuentan, el de digitalizar, conservar y cuidar el legado material de Franco y sus 40 años de tiranía. Su trabajo ha sido el de negar la memoria histórica, renegar del relato sobrecogedor de las víctimas del dictador, tratar de ocultar la abolición que hizo éste de los derechos y libertades fundamentales hasta la tortura y la muerte de quienes los defendían o esconder sus asesinatos racistas y genocidas, así como los robos de bienes y propiedades de los españoles.

7 de outubro de 2021

O que está para vir

Viene otra crisis (¿la grande?) y no se le da respuesta.

Cuando comenzó a extenderse la Covid-19 advertí (por ejemplo, aquí) que la pandemia produciría una doble crisis o una sola, si se prefiere, con dos manifestaciones separadas y muy diferentes. Por un lado, una de demanda, como consecuencia de la caída de los ingresos provocada por los cierres de empresas y la gran disminución de la actividad durante el confinamiento. Esta, dije desde el principio, tenía un tratamiento muy costoso pero bastante fácil de aplicar, la garantía gubernamental, total o parcial, de los ingresos perdidos por empresas y familias. Un tratamiento que conocemos desde hace tiempo cuando, por alguna razón, deja de haber dinero en los bolsillos y la falta de consumo paraliza la vida económica. No hay otro remedio, entonces, que crear dinero y repartirlo aunque sea, como gráficamente decía el liberal Milton Friedman, tirando billetes desde un helicóptero.

Se trata de una solución conocida y de relativamente fácil pues basta, como hemos visto, con que los bancos centrales creen medios de pago o los gobiernos se endeuden. Aunque eso no quiere decir que resuelva todos los problemas, ni que salga gratis.

6 de outubro de 2021

Lá como Cá - a justiça fiscal de funil

 A Procuradoria do Supremo Tribunal Federal investiga, em três processos preliminares, a alegada cobrança de comissões pela concessão do AVE a Meca a empresas espanholas; o suposto uso por Juan Carlos I e outros parentes de cartões de crédito opacos; e a existência de uma conta de 10 milhões de euros em nome de Juan Carlos de Borbón no paraíso fiscal da ilha de Jersey. Estes três casos ficariam sem investigação judicial, uma vez que o Ministério Público não apresentará queixa-crime nem queixa-crime contra o rei emérito.   

A opaca fortuna de Juan Carlos de Borbón, fruto de  negócios, comissões e doações  recebidas durante seu reinado , ficará sem acusação criminal com a decisão do Ministério Público de arquivar suas investigações. O público destruiu a origem da imensa fortuna daquele que foi rei de Espanha durante 40 anos, protegida pelos benefícios concedidos pelo Estado, através do Património Nacional.    

O Supremo Ministério Público elabora um decreto de arquivamento para as três investigações, onde apresentará seus argumentos para arquivar as investigações preliminares.   

No referido decreto, o Ministério Público explicará os motivos que o levaram a afirmar que os dois ajustes fiscais do Rei Emérito foram corretos , apesar de Juan Carlos I ter sido previamente notificado do processo contra ele por intermédio de seu advogado. Esse aviso prévio impediria a regularização para evitar a investigação de crime tributário    

https://www.publico.es/politica/fiscalia-archivara-investigaciones-negocios-opacos-juan-carlos-i.html