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15 de agosto de 2019

Coisas que eles (não) dizem - 16

Penso que as preocupações que cada pessoa tem definem não só a sua maneira de ser, mas a sua condição. A pobreza a fome as guerras deveriam ser preocupações fundamentais no campo social. Porém todas estas questões são tratadas - quando são - da forma mais inócua possível, sendo de imediato superadas pela agenda imperialista, precisamente causa daquelas questões.
Em 2018 o número de pessoas com fome no mundo aumentou para 821,6 milhões, 11% da população mundial. Juntamente com as pessoas com insegurança alimentar moderada, a FAO estima que o número chegue a 2 mil milhões de pessoas no mundo, 26,4% da população mundial.
Segundo a OIT o desemprego reduziu-se no seguimento da ligeira recuperação da crise, porém as condições de trabalho não melhoraram. Mais de 700 milhões de pessoas vivem na extrema ou moderada pobreza apesar de terem emprego”,
Meio milhão de pessoas morrerão se a guerra no Iémen se estender até 2022. Uma em cada quatro crianças iemenitas está desnutrida.
Jean Ziegler, em 2006 Relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, declarou que “todas a crianças que atualmente morrem de fome morrem assassinadas”. Em cada cinco segundos, morre de fome uma criança com menos de 10 anos (mais de 6 milhões - um holocausto por ano, perante a indiferença dos mediáticos “bem falantes”).
Mesmo com o mundo produzindo alimento suficiente para toda a população do planeta, em cada 4 segundos uma pessoa morre de fome (7,8 milhões). A UNICEF lançou um alerta: 1,4 milhão de crianças correm o risco de morrer de fome em quatro países: Iémen, Nigéria, Somália e Sudão do Sul. Todos países ricos em matérias primas e sob agressão imperialista.
Mais alguns números: 149 milhões de crianças com menos de 5 anos (21,9%) têm atraso no crescimento; 49,5 milhões (7,3%) têm insuficiências de peso.
Contudo, segundo a Forbes Magazine o número de ultraricos triplicou de 793 em 2006, para 2 000 em 2018, bem como a sua riqueza de 2,6 milhões de milhões para 9,1 milhões de milhões.
Os EUA gastam 1 milhão de milhões de dólares por ano, desde há 20 anos, para fins militares; . Centenas de milhares de seres humanos foram raptadas ou iludidas e levadas para a escravatura (incluindo a sexual) que atinge atualmente 46 milhões de seres humanos; 15 750 000 de pessoas foram forçadas a deslocarem-se pela guerra, perseguições ou fome.
Eis, enfim, algumas das facetas do "admirável mundo novo" capitalista.
Notas
https://news.un.org/pt/story/2019/07/1680101
https://nacoesunidas.org/oit-desemprego-cai-no-mundo-mas-condicoes-de-trabalho-nao-melhoram/
https://nacoesunidas.org/oit-desemprego-cai-no-mundo-mas-condicoes-de-trabalho-nao-melhoram/
https://news.un.org/pt/story/2019/06/1676641
ttps://www.unric.org/pt/questoes-humanitarias-novedades/7084
https://observatorio3setor.org.br/noticias/cada-4-segundos-uma-pessoa-morre-de-fome-no-mundo/
https://fr.wfp.org/communiques-de-presse/rapport-de-lonu-la-faim-dans-le-monde-persiste-alors-que-lobesite-continue-de
http://www.informationclearinghouse.info/50873.htm

 

12 de agosto de 2019

Se fosse Davos o Publico ,Expresso&CIA ...

NÃO ACONTECEU…Agostinho Lopes
De 25 a 28 de Julho realizou-se em Caracas o XXV Encontro do Fórum de São Paulo (FSP), sob o lema «Pela Paz, Soberania e a Prosperidade dos Povos. Unidade, Luta, Batalha e Vitória!». Participaram mais de 1200 delegados e convidados nacionais e internacionais de 150 organizações e 70 países. Uma clara expressão de unidade anti-imperialista e de solidariedade com os povos latino-americanos e caribenhos que enfrentam a ingerência e ataques à sua soberania pelo imperialismo norte-americano e o conluio das oligarquias nacionais.
Em várias sessões temáticas e plenárias do Fórum reuniram-se partidos e forças democráticas, progressistas e revolucionárias de toda a América Latina e Caraíbas e convidados de outros continentes. Denunciaram a agenda neoliberal e a incessante campanha de deslegitimação dos processos progressistas na região. Expressaram a solidariedade, em particular ao povo venezuelano, que acolheu o Fórum.
Para os principais órgãos da Comunicação Social portuguesa, inclusive os ditos de «referência», tal Encontro não existiu. Apesar das toneladas de notícias despejadas durante meses sobre a Venezuela, nem o facto de se realizar em Caracas e de ter constituído uma visível manifestação de solidariedade com a Revolução Bolivariana os comoveu.  
Uma excepção, e notável, no Expresso de 3 de Agosto, sob o título «Esquerda volta costas a Maduro», do seu correspondente em Buenos Aires. Não se pode dizer que é uma notícia falsa, uma das nomeadas «fake news». É de facto mais uma peça jornalística fabricada, da campanha imperialista comandada pelos EUA contra a Venezuela. Mais uma peça que os media dominantes vão reproduzindo, sem qualquer objectividade ou critério deontológico. A presença e a expressão viva de 150 partidos e forças democráticas e revolucionárias, de esquerda, entre os quais partidos da social-democracia e da Internacional Socialista, de toda a América Latina e Caribe é a evidência – não carece de demonstração – da contradição absoluta com o título e o conteúdo da notícia. Aliás bastaria atentar na «ignorância» (???) do correspondente quando assim descreve, entre outras falsidades, o Fórum de S. Paulo: «Trata-se de uma Plataforma da esquerda para manifestar apoio internacional a Maduro». Ou a informação de que se reúne anualmente. Ou indiciar de que é, ou tem sido, um Encontro de Presidentes da República e Chefes de Estado da região!    
O Fórum de S. Paulo é uma criação de Lula, então Presidente do PT, e de Fidel de Castro, em 1990. Um grande espaço de debate das forças progressistas latino-americanas para aprofundar a reflexão e a procura de respostas, de acção, em consenso e unidade, na luta popular e anti-imperialista.
Se tivessem estado em Caracas, os jornalistas portugueses teriam ouvido nas diversas iniciativas do Fórum, na grande manifestação de muitas dezenas de milhares de venezuelanos no sábado, 27 de Julho, entoar a milhares de vozes: «El derecho de vivir em paz»! A palavra de Victor Jara, assassinado em 1973, por Pinochet e o imperialismo norte-americano, ressoava do fundo da tragédia da história da América Latina e Caribe, das «veias abertas» dos seus povos. E em coerência, gritavam: «Tirem as patas da Venezuela».      




    

11 de agosto de 2019

Quem viola os tratados ? Um lapso revelador

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A Gafe nuclear da NATO
Que os EUA mantém bombas nucleares em cinco países da NATO - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - está há muito comprovado (em especial pela Federação dos Cientistas Americanos) [1]. No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. No entanto, algo aconteceu por lapso. No documento “A new era for nuclear deterrence? Modernisation, arms control and Allied nuclear forces”, publicado pelo Senador canadiano, Joseph Day em nome da Comissão de Defesa e Segurança, da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo”veio a público. Através da função “copiar/colar”, o Senador informou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (numerado 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:
No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e Europa: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Voikel na Holanda, Incirlik na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.
Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear USA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.

Coisas que eles (não) dizem - 15

Uma investigação feita pela Agencia France Press evidenciou que uma série de imagens e vídeos destinados a mostrar a repressão realizada pelas tropas chinesas em Hong Kong eram falsas. Essas imagens foram divulgadas amplamente nas redes sociais, algumas delas sendo vistas mais de um milhão de vezes, muitas eram falsas ou antigas.
As imagens eram da polícia de choque na Coreia do Sul em 2012. Apareceram pela primeira vez na imprensa estrangeira em 2014 quando o jornal britânico Daily Express publicou um vídeo com a legenda: “Korean police show France how to stop a riot with ancient military masterclass”
Outros videos alegadamente mostravam "as tropas do Partido Comunista a entraram em Hong Kong", em julho de 2019. No entanto, as imagens eram de um vídeo do youtube de uma substituição de tropas de rotina em 2012.
A Venezuela também tem sido alvo de imagens falsas. A AFP realizou outra investigação para verificação de factos em março, provando que imagens amplamente difundidas que mostravam uma "crise" nos hospitais venezuelanos eram falsas, incluindo algumas imagens de hospitais na República Dominicana. (1)
 
Quanto a Hong Kong a China emitiu uma forte advertência aos manifestantes, dizendo que suas tentativas de "brincar com fogo vão sair pela culatra". Um porta-voz do governo central em Hong Kong disse aos manifestantes para não "subestimarem a firme determinação do governo central", alertando os manifestantes a não "confundirem contenção com fraqueza".
Disse ainda que forças "radicais e violentas" estavam na linha de frente dos protestos. (2)


 

8 de agosto de 2019

As contradições do sistema acentuam se

Un gouverneur de la BCE met les pieds dans le plat

En fin de mandat, Ewald Nowotny, membre sortant du Conseil des gouverneurs de la BCE, a retrouvé sa liberté de parole et nous en fait profiter. « Je suis sceptique quant à savoir si de nouvelles mesures expansionnistes auraient vraiment un impact positif sur l’économie réelle » affirme-t-il, avant d’en tirer la conclusion : « Je ne pense pas qu’il soit nécessaire de reprendre ce programme. Nous devons nous préparer à une longue phase de croissance atone, de faible inflation et d’endettement élevé. »
Dans un océan de paroles contraintes et de non-dits, des éclairs de vérité jaillissent de temps en temps. Simultanément, la publication de l’enquête mensuelle d’IHS Markit auprès des directeurs d’achat – qui fait autorité – ne donne pas spécialement tort au gouverneur, en tout cas dans un proche avenir. La croissance de la zone euro a encore ralenti en juillet, et la contraction qui s’aggrave dans le secteur manufacturier commence à avoir un impact sur le secteur des services qui sauvait jusqu’ici l’ensemble. Partout, la décroissance est en vue. De l’inflation n’en parlons même pas ! La « japonisation » de l’Europe est devenue un danger reconnu, évoquant le piège à liquidités dans lequel le Japon est tombé et qui l’attendrait, la Bank of Japan (BoJ) multipliant les mesures non-conventionnelles sans rien y changer.
La BCE tente de freiner le mouvement en favorisant la relance, n’espérant plus que les États s’y engagent après leur avoir si souvent demandé. Au risque des plus probables que ses injections financières alimentent à nouveau la spéculation au lieu de dynamiser l’économie réelle. Pour qui en douterait encore, une étude de Funcas, un think tank espagnol, qui porte sur les quatre années d’assouplissement quantitatif (QE) de 2015 à 2018 de la BCE, fait apparaître une augmentation des investissements en actifs financiers étrangers par les sociétés non financières de la zone euro. Pour environ 200 milliards d’euros par an. Quoi que le QE ait pu faire d’autre pour stimuler le crédit, il a pour le moins encouragé et facilité ces investissements financiers hors zone euro, ce qui n’était pas vraiment dans les intentions de la BCE.