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12 de julho de 2020

Pandemia e luta de classes

 ANTÓNIO AVELÃS NUNES

1. Em 2008, a Sr.ª Merkel defendeu que a origem da criseestava nos excessos do mercado. Agora, a pandemia veio mostrar que o mundo depende da aspirina que (quase só) se produz na Índia e que a Europa e os EUA dependiam da China no que toca à produção de máscaras de protecção individual e de ventiladores utilizados nas unidades de cuidados intensivos. Há quem fale dos excessos da deslocalização de empresas industriais e até da necessidade de salvaguardar a «soberania farmacêutica e sanitária.» Tudo bem. Mas é ainda mais importante garantir aos povos a soberania alimentar, energética, financeira, a soberania no que toca ao controlo dos portos e aeroportos e das empresas de telecomunicações, das empresas de transporte aéreo e de todo o conjunto das empresas estratégicas, aquelas em que assenta a verdadeira soberania.
Em nome da liberdade de circulação do capital (a mãe de todas as liberdades do capital), inventou-se a internacionalização, a deslocalização de empresas industriais para os paraísos laborais, em busca de mão-de-obra barata e sem direitos. Os países emergentes seriam a fábrica do mundo, ficando as ‘metrópoles’ com os serviços ‘nobres’ (estratégicos) da investigação e concepção, os serviços financeiros e o turismo. Tudo para permitir ao grande capital aumentar a taxa de exploração (nas ‘metrópoles’ e nas novas ‘colónias’) e contrariar a tendência para a baixa da taxa média de lucro que as chamadas crises do petróleo (anos 1970) trouxeram à luz do dia.
A desindustrialização registada nos países mais industrializados arrastou consigo a subversão da estrutura produtiva (e da estrutura do emprego) e a ruptura das fileiras produtivas em vários sectores, ficando a nu os perigos destes excessos do capital. Fala-se agora da necessidade de re-industrialização. E fala-se também da necessidade de temperar o radicalismo do comércio livre imposto ao mundo através da OMC.
2. Nos últimos anos, o mundo tem sido fustigado por várias pandemias: SARS – 2003; H1N1 – 2009; MERS – 2012; Ébola – 2014; Zica – 2016. E os especialistas têm relacionado o seu carácter recorrente com as agressões ao ambiente motivadas pela mercantilização da vida, sacrificada ao objectivo da maximização dos lucros. Admite-se que a destruição brutal da floresta esteja a destruir o habitat natural de muitos animais selvagens (portadores de vírus com os quais convivem bem), empurrados para zonas onde é mais fácil e mais frequente o contacto com os humanos, facilitando assim a passagem desses vírus dos animais para as pessoas, que não têm anti-corpos para os enfrentar. Daí o carácter recorrente das pandemias e a provável ocorrência de outras em futuro próximo. O capitalismo, que até aqui gerava crises cíclicas, parece gerar agora também pandemias cíclicas, com efeitos desastrosos no plano económico e social. Vale a pena levar a sério estes avisos: a defesa do ambiente tem que estar no centro da nossa luta contra o capitalismo, pelo socialismo.
3. A pandemia deixou claro que as receitas do neoliberalismo são só para os pobres, porque são eles os condenados a sofrer as consequências das leis do mercado e das políticas impostas para garantir as liberdades do capital. Os ricos e os grandes potentados do capital vivem do estado (dos impostos pagos por quem trabalha), que lhes garante lucros abundantes sem riscos nem falências, que asfixia o estado social que protege os trabalhadores mas alimenta o estado social para as empresas («corporate welfare», em bom português…).

11 de julho de 2020

Pequenas diferenças


Diferenças entre um Pilha galinhas e um "too big to Jail"
Como dizia o das barbas , numa sociedade de classes antagónicas a Justiça será sempre uma justiça de classe . Tendencialmente favorável aos dominantes . Ninguém o quer julgar...O poder do dinheiro nas sociedades ditas de Estado de direito.
"Cerca de 26 mil credores e 617 volumes, sendo que só o apenso da reclamação de créditos tem 231, com mais de 43 mil folhas, e existem perto de três mil impugnações, de grande litigiosidade.
Em síntese, eis o processo de liquidação do BES, que já foi rejeitado por nove procuradores do Ministério Público, incluindo a diretora do novo departamento criado para defender o Estado, revela o Jornal de Notícias, na sua edição deste sábado, 11 de julho.
"O procurador do processo de liquidação do BES trocou o Tribunal do Comércio de Lisboa por um novo departamento do Ministério Público, criado justamente para defender os grandes interesses patrimoniais do Estado, mas foi autorizado a deixar o fardo para trás. A diretora do novo departamento, aliás, não queria lá o processo, já com 617 volumes. E os cinco procuradores que ficaram no Tribunal do Comércio também se mostraram indisponíveis", avança o mesmo diário.
"A fava calhou, então, a dois magistrados de Sintra e Vila Franca de Xira, que, porém, já requereram uma providência cautelar, reputando de ilegal a sua transferência, à força, para a Comarca de Lisboa", conta o Jornal de Notícias.
Entretanto, o Ministério Público já concluiu o despacho final de acusação contra Ricardo Salgado e alguns antigos administradores e quadros de topo do Banco Espírito Santo (BES), devendo as notificações dos arguidos e assistentes do processo começar já na próxima segunda-feira, avança a revista Sábado, enquanto o Público afirma que a acusação será conhecida até quarta-feira.
Este sábado, o diário Público avança que o Ministério Público inclina-se para a tese de que Ricardo Salgado liderou uma associação criminosa enquanto líder do Grupo Espírito Santo, criando uma estrutura fraudulenta dentro do próprio BES, sustentada no Departamento Financeiro e de Mercados, tutelado pelo ex-CFO (diretor financeiro) Amílcar Morais Pires."... Assim vamos nós


A especulação com a saude

Noticias de hoje sobre a evolução da Bolsa :O Dow Jones terminou o dia nos 26.075,30 pontos, a avançar 1,44%, com os investidores a centrarem-se nos novos dados revelados sobre testes ao fármaco remdesivir, da Gilead, que mostraram significativa redução do risco de morte pela covid-19, bem como uma melhoria na recuperação da saúde dos pacientes infetados com o novo coronavírus.

Entre as 30 "blue-chips" do índice, apenas a Microsoft e a Cisco fecharam no vermelho. O Dow Jones acumulou uma subida de 0,96% na semana.



Saúde nas mãos da especulação?


O virologista Vicente Larraga, do CIB-CSIC, critica o preço "excessivo" do remdesivir, o único aprovado para tratar o covid, embora sua eficácia esteja em discussão.

A epidemia de coronavírus, sem dúvida, perturbou muitas coisas em nossas sociedades; em muitos casos para pior, com a morte  de uma geração de idosos e em outros , mostrando a capacidade de esforço e solidariedade de pessoas essenciais para a manutenção do que poderíamos chamar de vida normal , profissionais de saúde, limpeza, abastecimentos etc ... E também de pesquisadores que, no esqueleto de uma estrutura empobrecida, tentaram - e conseguiram - ajudar em diagnósticos e trabalhar duro para entender melhor o SARS-CoV-2, combatê-lo e impedi-lo com o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas seguras e eficazes. 
Outros, no entanto, os chamados neoliberais, viram neste mundo de comoção o que eufemisticamente chamam de "uma oportunidade"; daqueles que especularam sobre o preço de uma máscara protetora, àqueles que, certamente, estão pensando em como enriquecer-se graças ao uso que pode ser dado a medicamentos já conhecidos ou em desenvolvimento para combater a epidemia de covid-19.
Esta longa introdução refere-se ao preço do Redesvir  da empresa farmacêutica de biotecnologia Gilead, comprada recentemente por uma grande multinacional. Um antiviral já usado contra o vírus Ebola e que demonstrou pouca utilidade contra o SARS-CoV-2. Não é eficaz em casos graves e só se mostrou útil ao diminuir o tempo de recuperação em casos de gravidade moderada em um terço, de acordo com o estudo divulgado pelo Dr. Fauci, , na época considerado autoridade mundial
Mesmo assim, seu uso foi autorizado pelas agências nacionais de drogas. Como não existe tratamento estabelecido, vamos usar o que existe, embora não seja o melhor, é um raciocínio. O preço de uma dose  excede trezentos euros e um tratamento usual excede dois mil.
Ninguém põe em  causa o direito das empresas farmacêuticas de obter benefícios, e  levando em consideração os custos de desenvolvimento dos medicamentos, que são muito altos. No entanto, esses preços de algo que se sabe ser muito pouco eficaz parecem excessivos, e sua possibilidade de venda é baseada no fato de haver poucos antivirais comprovados e que dá algum resultado contra uma doença para a qual não existe tratamento estabelecido. Parece pouca bagagem para um medicamento de primeira linha  num tratamento.
Receio que não seja o último caso. Na corrida para obter uma vacina eficaz, tradicionalmente considerada dessa maneira quando excede 60% de proteção em pessoas vacinadas, pode-se observar que existem empresas multinacionais que priorizaram a velocidade em detrimento de outros parâmetros, como a eficácia. As empresas mais avançadas não indicam as porcentagens de proteção que seus candidatos revelam. A partir da fase I do candidato  cobaia da empresa , deduz-se que apenas um terço dos voluntários alcançou níveis suficientes de produção de imunoglobulinas IgGs protetoras.
No caso da vacina Oxford-Astra / Zeneca, somos informados de que a proteção (medida, na ausência de testes de campo, como indução / produção de imunoglobulinas específicas contra o vírus), é "próxima" a 50%, com todas as dúvidas que o termo próximo suscita. Esse tipo de proteção não seria admitido, em nenhum caso, nas condições tradicionais de ação normal das agências de medicamentos que não aceitavam nenhum farmaco que induzisse proteção inferior a 60%.
Nesse caso, o trabalho funcionará novamente, pois não há mais nada , uma vez que o restante dos candidatos que estão sendo testados e que esperamos induzir altos níveis de proteção contra infecções, levará um ano, no mínimo, para estar disponível. Vamos nos encontrar novamente com medicamentos, desta vez com vacinas, que não parecem - pelo que vimos até agora - ter altos percentuais de proteção e que serão avidamente solicitadas pelos governos que desejam proteger seus cidadãos dessa epidemia. 
Receio que a tentação do dinheiro fácil, com preços muito superiores aos indicados pelos custos de desenvolvimento e produção, esteja presente novamente. Essa especulação sempre pode ser compensada com a doação de doses da vacina a países sem meios, compensados ​​em grande parte pelos benefícios obtidos em outros países.
Parece-me que é missão dos governos proteger seus cidadãos contra doenças, mas também contra especulações que serão saudadas por muitos neocon ou neoliberais, em nome da liberdade de negócios . É claro que nós, espanhóis e outros cidadãos do mundo ocidental, vivemos em um mundo capitalista e eu me acostumei a morar nele. Claro, isso não significa adorar o bezerro de ouro. Será necessário estar atento aos movimentos que buscam especular sobre a saúde das pessoas. Essa também é uma das missões dos poderes públicos. 
Vicente Larraga  é professor de pesquisa no CSIC. Atualmente, ele está liderando um dos projetos do CIB-CSIC (Centro de Pesquisa Biológica Margarita Salas) para procurar uma vacina contra o coronavírus.

7 de julho de 2020

O BID e Trump

http://estrategia.la/2020/07/05/la-presidencia-del-bid-juego-fuerte-en-la-region/
El Banco Interamericano de Desarrollo, el BID, es una organización financiera internacional, creada en el año 1959 con el propósito de financiar proyectos viables de desarrollo económico y promover la integración comercial y regional de América Latina y el Caribe. Su objetivo central es reducir la pobreza en Latinoamérica y el Caribe, fomentando el crecimiento sostenible y duradero. En la actualidad el BID es el Banco regional de desarrollo más grande del mundo y cuenta con un capital ordinario de 105 mil millones de dólares.
La Asamblea de los miembros integrantes del BID,es quien elige al Presidente de la Institución para un periodo de 5 anos, el cual puede ser renovable. El BID ha tenido 4 presidentes, el chileno Felipe Herrera de 1960 a 1970, el mexicano Antonio Ortiz, de 1970 a 1988, el uruguayo Enrique Iglesias de 1988 a 2005 y el actual presidente, el colombiano Luis Alberto Moreno el cual ha extendido su mandato desde 2005 hasta, seguramente, el presente año.La Argentina preside desde este sábado la Asamblea de Gobernadores ...
Integran el organismo  26 países de América Latina y el Caribe, que son los miembros receptores de créditos y a los que se suman Estados Unidos y Canadá,y otros 20 países donantes, mayoritariamente miembros de la Unión Europea,y otros como Japón, Corea del Sur y China. Estos miembros donantes no reciben financiamiento alguno, pero, se benefician de las reglas del BID, pues solo los países donantes pueden suministrar bienes y servicios a los proyectos financiados por el Banco.
Los 26 miembros de América Latina y el Caribe poseen el 50,2% del poder del voto, Estados Unidos concentra el 30%y Canadá el 4%, los países donantes que no son de la Región concentran el 16%. Esta representatividad ubica al BID en una postura muy progresista ya que los países dela región poseen más del 50% de los votos.
Los Estados Unidos poseen dos beneficios adicionales, a la de los otros miembros,  la sede del organismo se encuentra en Washington, y le corresponde,de forma vitalicia, la Vicepresidencia.Indudablemente el goce de estos estos beneficios, unido al hecho de que posee el 30% del poder del voto y la influencia, como potencia imperial, en la Región, lo colocan en una posición incuestionablemente hegemónicaa la hora de las decisiones.
En setiembre del presente año, se procederá a elegir al nuevo Presidente del BID, para ello se necesitará  cumplir con los siguientes requisitos, obtener por lo menos el voto de 15 miembros de la Regióny que estos sumen 50% más uno del total de los votos.
Ante la inminencia de postular candidato a la Presidencia del BID, algunos de los países receptores de créditos, o sea naciones integrantes de América Latina y el Caribe, elevaron los nombres de sus eventuales candidatos. Tales fueron los casos de la expresidente costarricense Laura Chinchilla y su compatriota Rebeca Grynspam, Secretaria General de la Comunidad Iberoamericana.
Fontes:  Le Monde diplomatique 
As multinacionais americanas costumam recorrer à filantropia para esconder os crimes que os enriqueceram. Assim, desde maio passado, eles concederam centenas de milhões de dólares a várias associações afro-americanas, incluindo a Black Lives Matter. Essa liberalidade em relação a uma organização militante que luta contra o "racismo sistémico" parece ter algum pagamento por apólice de seguro. Sabendo melhor do que ninguém o que "sistêmico" significa, Apple, Cisco, Walmart, Nike, Adidas, Facebook ou Twitter devem temer que protestos contra as injustiças estruturais da América em breve sejam direcionados contra infâmias que não sejam a violência policial e que afetam mais de perto seu conselho de administração. De acordo com essa hipótese, os manifestantes não se contentariam muito mais com gestos "simbólicos" que consistiam em ajoelhar-se diante dos afro-americanos, derrubar estátuas, mudar nomes de ruas ou se arrepender de seu "privilégio branco". Os donos das multinacionais querem limitar a esse repertório, inofensivo para eles, o movimento popular que despertou a sociedade americana após a divulgação de imagens da morte de um homem negro sufocado sob o joelho de um policial branco. (Veja "Um país minado por assassinatos policiais") .
Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Bank, que arruinou inúmeras famílias negras, seduzindo-as com empréstimos imobiliários que nunca poderiam ser pagos, ficou de joelhos diante de um enorme cofre em seu estabelecimento. O candidato republicano à eleição presidencial de 2012, Willard ("Mitt") Romney, que calculou que 47% dos cidadãos americanos eram parasitas, resmungou "a vida negra importa" em uma manifestação anti-racista. A perfumista Estée Lauder prometeu desembolsar US $ 10 milhões para "promover a justiça racial e social, além de maior acesso à educação". Sem dúvida, ele financiou a campanha de Donald Trump de 2016 para contribuir para esse objetivo.
Deixando de lado o barulho, que supera qualquer paródia, como não podemos observar que as manifestações contra o "racismo sistémico" acontecem poucas semanas depois que o candidato com maior probabilidade de realmente enfrentar o "sistema", Bernie Sanders, ter sido derrotado por um homem, Joe Biden, que contribuiu bastante para agravar o problema? De fato, em 1994, o senador Biden foi o grande arquiteto do arsenal jurídico que precipitou o encarceramento em massa de afro-americanos. O que, por outro lado, não impediu que 26 dos trinta e oito membros negros do Congresso votassem nesta lei: a cor da pele nem sempre garante a bondade de uma decisão - a prova disso era um presidente, Barack Obama.
Nos Estados Unidos, a riqueza da maioria das famílias afro-americanas permanece estagnada abaixo de US $ 20.000, um valor insignificante ( 1 ). Portanto, eles são obrigados a residir em bairros pobres e a enviar seus filhos para escolas medíocres, financiadas basicamente por impostos prediais. Seu futuro profissional é hipotecado antecipadamente. O cerne do problema, o "sistema", está aí: o "privilégio branco" é antes de tudo o privilégio do capital. E o banco JPMorgan sabe disso.

O Alargamento da NATO contra a CHINA

A NATO no comando da política externa italiana

O processo de abertura da NATO à zona Indo-Pacífico, que anunciamos há seis meses, acaba de surgir. Foi formado, oficialmente, um grupo de trabalho não para reflectir sobre a estratégia mais apropriada em relação à China, mas para justificar ‘a posteriori’ e para tornar público o trabalho já realizado. Quase não existe nenhuma diferença em relação ao período colonial, pois trata-se de impedir o desenvolvimento da China (containment).
Os Ministros da Defesa da NATO (em representação da Itália, Lorenzo Guerini, PD), reunidos através de video conferência em 17 e 18 de Junho, tomaram uma série de "decisões para fortalecer a dissuasão da Aliança". No entanto, em Itália, ninguém fala sobre este assunto, nem na comunicação mediática (incluindo as redes sociais) nem no mundo político, onde reina um silêncio multipartidário absoluto sobre todo este tema. No entanto, estas decisões, ditadas basicamente por Washington e subescritas em nome da Itália, pelo Ministro Guerini, traçam as directrizes não só da nossa política militar, mas também da política externa.
Antes de tudo - anuncia o Secretário Geral, Jens Stoltenberg - "a NATO está a preparar-se para uma possível segunda vaga do Covid-19", contra a qual já mobilizou mais de meio milhão de soldados na Europa. Stoltenberg não esclarece como a NATO pode prever uma possível segunda pandemia de vírus com um novo ‘lockdown’. Porém, é claro num ponto: "Não significa que tenham desaparecido outros desafios".
Os principais - sublinham os Ministros da Defesa - provêm do "comportamento desestabilizador e perigoso da Rússia", em particular de sua "retórica nuclear irresponsável, destinada a intimidar e ameaçar os aliados da NATO". Desse modo, eles deturpam a realidade, apagando o facto de que foi a NATO, quando acabou a Guerra Fria, que se estendeu ao redor da Rússia com as suas forças e bases nucleares, sobretudoas dos Estados Unidos. Foi metodicamente estabelecia com a direcção de Washington, uma estratégia destinada a criar, na Europa, tensões crescentes com a Rússia
Para decidir as novas medidas militares contra a Rússia, os Ministros da Defesa reuniram-se no Grupo de Planificação Nuclear, presidido pelos Estados Unidos. Não se sabe quais foram as decisões sobre matéria nuclear, assumidas pelo Ministro Guerini em nome da Itália. No entanto, é claro que, ao participar no Grupo e ao albergar armas nucleares dos EUA (a ser utilizadas pela nossa Força Aérea), a Itália viola o Tratado de Não-Proliferação e rejeita o Tratado ONU sobre a proibição de armas nucleares.
Stoltenberg limita-se a dizer: "Hoje decidimos adoptar novas medidas para manter segura e eficiente, a disuassão nuclear da NATO na Europa". Entre essas disposições, acontecerá, certamente, também em Itália, a próxima chegada das novas bombas nucleares B61-12 dos EUA.
O outro "desafio" constante, mencionado pelos Ministros da Defesa, é o da China, que pela primeira vez está "no topo da agenda da NATO". A China é ‘partner’ comercial de muitos aliados, mas, ao mesmo tempo, "investe fortemente em novos sistemas de mísseis que podem atingir todos os países da NATO", diz Stoltenberg.
➢ Assim, a NATO começa a apresentar a China como sendo uma ameaça militar.
➢ Ao mesmo tempo, apresenta os investimentos chineses nos países da Aliança como sendo perigosos.
Com base nessa premissa, os Ministros da Defesa actualizaram as directrizes para a "resistência na-cional", destinada a impedir que a energia, os transportes e as telecomunicações, em particular a tecnologia 5G, acabem sob a "alçada e controlo estrangeiros" (leia-se "chinês").
Estas são as decisões assinadas pela Itália na reunião da NATO dos Ministros da Defesa. Elas vinculam o nosso país a uma estratégia de crescente hostilidade, sobretudo contra a Rússia e contra a China, expondo-nos a riscos cada vez mais graves e tornando friável o terreno sobre o qual se apoiam os mesmos acordos económicos.
É uma estratégia a longo prazo, como demonstra o lançamento do projecto "NATO 2030", efectuado pelo Secretário Geral Stoltenberg, em 8 de Junho, para "fortalecer a Aliança nível militar e político", incluindo países como a Austrália (já convidada para a reunião dos Ministros da Defesa), Nova Zelândia, Japão e outros países asiáticos, em clara função anti-China [1].
Para o projecto Great Global NATO 2030, foi formado um grupo de 10 conselheiros [2], entre os quais a Professora Marta Dassù, a anterior Conselheira de Política Externa do governo D’Alema antes e durante a guerra da NATO na Jugoslávia, na qual a Itália participou, em 1999, sob comando USA, com as suas bases e bombardeiros.
Tradução 
Maria Luísa de Vasconcellos
Fonte
Il Manifesto (Itália)

5 de julho de 2020

Os dominantes aproveitam a pandemia

http://www.cadtm.org/Capitalismo-salvaje-para-las-clases-populares-y-Socialismo-para-el-gran-capital

Covid-19 Estados Unidos 

(...)Os governos e o grande capital só abandonarão a continuação dessa ofensiva contra os interesses da esmagadora maioria da população se mobilizações muito poderosas os forçarem a fazer concessões.
Entre os novos ataques a serem combatidos estão: a aceleração da automação / robotização do trabalho; a generalização do teletrabalho no qual os funcionários são isolados, consome ainda menos tempo e deve arcar com uma série de custos associados às suas ferramentas de trabalho que não deveriam suportar se trabalhassem fisicamente na empresa; novos ataques contra a educação pública e um desenvolvimento de ensino a distância que aumenta as desigualdades culturais e sociais; o reforço do controle da vida privada e dos dados privados; reforço da repressão, ...

Capitalismo salvaje para las clases populares y Socialismo para el gran capital .Eric Toussaint

Cuando Estados Unidos se ven sacudidos desde finales del mes de mayo de 2020 por una multitud de grandes manifestaciones antirracistas [1] y la epidemia de Covid-19 golpea de lleno a las clases populares de la primera potencia mundial (a fecha del 4 julio de 2020, en los Estados Unidos había oficialmente casi 2,9 millones de personas que estaban o habían sido infectadas por el Covid-19 y más de 130.000 fallecimientos atribuidos a ese virus), una serie de datos económicos muestran muy claramente la dirección tomada por las autoridades de Washington durante la crisis social y económica más grave desde los años 1930. Esta dirección supone una continuidad con las medidas tomadas durante los últimos años, desde la crisis de 2008 y de ninguna manera va acompañada de compensaciones y avances sociales esenciales para el bienestar de la población, como ocurrió en el marco de la New Deal a partir de 1933.
En un programa de radio en febrero de 1968, menos de dos meses antes de su asesinato por un partidario de la segregación racial, Martin Luther King afirmaba: “El problema es que tenemos demasiado a menudo el socialismo para los ricos y el capitalismo salvaje de libre empresa para los pobres” [2]
Esta caracterización de la política estadounidense corresponde claramente a las medidas tomadas desde marzo de 2020 por la administración del presidente Donald Trump y por el Banco Central de los Estados Unidos en el marco de un acuerdo entre el Partido Republicano y el Partido Demócrata, los dos grandes partidos que se alternan en el poder defendiendo los intereses fundamentales del gran capital.

Revisión rápida de la política llevada a cabo desde 2017-2018
Desde su llegada a la Presidencia del país, Trump ha hecho grandes regalos fiscales a las grandes empresas y a la gente más rica.
Wall Street se recuperó rápidamente, pero a partir de septiembre de 2019, estalló una crisis en el mercado de los repos(Sale and Repurchase Agreement-acuerdos de venta con pacto de recompra) porque los bancos ya no se fiaban unos de otros. En tres meses, la Fed inyectó 1 billón de dólares en el mercado interbancario y la especulación prosiguió en Wall Street, que continuó su progresión mientras la economía de Estados Unidos ya estaba al ralentí, y en algunos sectores incluso entrando en recesión.
Los principales bancos y otras grandes empresas estadounidenses pagaban dividendos en abundancia y recompraban sus acciones para mantenerlas artificialmente al alza y para enriquecer a las y los grandes accionistas y ejecutivos que venden sus opciones sobre acciones (stock-options) [3]
Actitudes de las autoridades de Washington ante la crisis del coronavirus
Respecto a las clases populares
Entre mediados de marzo, cuando progresivamente se decretó el confinamiento en los Estados Unidos y el final de la primera semana de junio de 2020, 44 millones de personas residentes de la principal potencia mundial se registraron como desempleadas. La tasa oficial de desempleo, que subestima en gran medida la situación real, alcanzó el 13,3% cuando se situaba en el 3,5% a principios de año.

4 de julho de 2020

Corrida de Obstáculos e fugas para a frente



Original em francês à Frente

Você não vai acreditar, o Bundestag deu luz verde à contínua participação do Bundesbank nos programas do BCE! Os juízes do Tribunal Constitucional haviam concedido os últimos três meses para justificar a "proporcionalidade" de seu principal programa de compra de títulos; foram necessários apenas dois meses para que eles ressipiscessem.


Ontem, o golpe era imparável, hoje foi parado A independência do judiciário não resistiu à razão de estado. Estava fora de questão obstruir uma política do banco central destinada a tornar a dívida pública suportável, correndo o risco de precipitar uma nova crise, desta vez correndo o risco de ser fatal para o euro.
Isso significa que a independência do BCE foi preservada? Preferiria ser o contrário que acaba de intervir. Em sua nova missão, o BCE está a serviço dos Estados, apenas as aparências podem ser preservadas. Este mundo é afetado por uma personalidade dividida, afirmando isso e fazendo aquilo.
Um verdadeiro engano ocorreu. O BCE lembra em todas as ocasiões que atua no âmbito de seu mandato para garantir a estabilidade dos preços, mas está envolvido no financiamento da dívida pública para chamar as coisas por seus nomes. Agora é livre continuar, estendendo o cronograma inicial para seus programas de compra de títulos. Apresentados como excepcionais e temporários, estes foram perpetuados, induzindo uma monetização surda da dívida. Somente uma recuperação da economia, que é objeto de especulação aleatória, poderia encorajá-la a voltar o relógio. Mas mesmo assim o declínio no tamanho de seu balanço seria lento, porque, caso contrário, seria necessário encontrar compradores para os títulos que apresentaria no mercado.

Guerras comerciais


https://thenextrecession.wordpress.com/2020/06/24/trade-wars-are-class-wars-part-two-global-imbalances/

Guerras comerciais são guerras de classe - parte dois: desequilíbrios globais?


As guerras comerciais são guerras de classe por Matthew Klein e Michael Pettis agora foi considerado um dos melhores livros do ano pelo FT e um para ler durante o verão por Martin Wolf, o guru econômico do FT. Wolf diz que “ este é um livro muito importante. Seu argumento central é que “Um conflito global entre classes econômicas dentro de países está sendo mal interpretado como uma série de conflitos entre países com interesses concorrentes. O perigo é uma repetição da década de 1930, quando um colapso da ordem econômica e financeira internacional minou a democracia e incentivou o nacionalismo virulento. Políticas que geram alta desigualdade e poupança privada excessiva devem terminar para restaurar a estabilidade econômica. ”
Klein-Pettis calcula que existe uma “falta de poupança global” na economia mundial causada pelo aumento da desigualdade, baixos salários e consumo. Eu discuti isso na primeira parte da minha revisão. Mas eles também argumentam que políticas de investimento para exportação de países como China e Alemanha criam 'desequilíbrios globais' que estimulam perigosas guerras comerciais. Nesta segunda parte, considero a validade dessa visão.
Primera parte: ¿exceso de ahorro global?Tradução em castelhano
Las guerras comerciales son guerras de clase,  es el título de un nuevo libro de Matthew Klein y Michael Pettis. Matthew C. Klein es el comentarista de economía de Barron's. Anteriormente escribió para el Financial Times, Bloomberg View y The Economist.  Michael Pettis  es profesor de finanzas en la Escuela de Administración Guanghua de la Universidad de Pekín y miembro principal del Carnegie Endowment for International Peace.
El libro tiene un título provocativo, pero es apropiado, dada la creciente rivalidad global entre los EEUU y China con la guerra de aranceles comerciales y tecnología, con la que EEUU trata de frenar y revertir la creciente cuota comercial y en la producción de alta tecnología que China ha logrado y que utiliza para ampliar su influencia a nivel mundial: a expensas de una hegemonía estadounidense envejecida y relativamente en declive.
El subtítulo del libro de Klein y Pettis es "cómo la desigualdad distorsiona la economía global y amenaza la paz internacional". Klein y Pettis sostienen que los orígenes de las guerras comerciales actuales son el resultado de las decisiones tomadas por políticos y líderes empresariales en China, Europa y Estados Unidos durante los últimos treinta años. En todo el mundo, los ricos han prosperado mientras que los trabajadores ya no pueden permitirse comprar lo que producen, han perdido sus empleos o se han visto obligados a endeudarse. La creciente desigualdad ha debilitado la demanda agregada; y un "exceso de ahorro" global generado por países como Alemania y China están creando enormes desequilibrios mundiales en la demanda y la oferta que amenazan con convertirse en crisis económicas, una mayor rivalidad proteccionista y la paz internacional.
La esencia del problema para Klein y Pettis es "el mayor entusiasmo de los productores por vender que el de los consumidores por comprar". Según ellos, esto está en el corazón de la rivalidad imperialista a nivel mundial. Los autores vuelven abierta y claramente a la tesis de John Hobson , el escritor y economista antisemita, social reformista, de principios del siglo XX. Actualizan la tesis de Hobson para el siglo XXI. Como dice Pettis :“Nuestro argumento es bastante directo: el coste comercial y el conflicto comercial en la era moderna no reflejan diferencias en el coste de producción; lo que reflejan es una diferencia en los desequilibrios de ahorro, principalmente debido a las distorsiones en la distribución del ingreso. Argumentamos que la razón por la que tenemos guerras comerciales es porque tenemos desequilibrios persistentes, y la razón por la que tenemos desequilibrios comerciales persistentes es porque en todo el mundo, el ingreso se distribuye de tal manera que los trabajadores y los hogares de clase media no pueden consumir lo suficiente de lo que producen”.

30 de junho de 2020

Pós Pandemia


https://thenextrecession.wordpress.com/2020/06/29/deficits-debt-and-deflation-after-the-pandemic/
Michael Roberts Blog

Déficits, dívidas e deflação após a pandemia


O grande bloqueio imposto pela pandemia do COVID-19 levou governos em todo o mundo a aplicar extensos programas de resgate e estímulo fiscal. Em média, essas medidas de suplementos salariais, pagamentos por licença, empréstimos e doações a empresas; e gastos emergenciais em saúde e outros serviços públicos, foram pagos por gastos extras do governo, equivalentes a uma média de cerca de 5 a 6% do PIB, com um valor semelhante além das garantias de empréstimos e outros apoios de crédito para bancos e empresas. Isso é pelo menos duas vezes maior que os pacotes de estímulo e resgate fiscal e monetário entregues durante a Grande Recessão de 2008-9.

28 de junho de 2020

As vigarices do sistema financeiro

Cuidado quando a confiança reina


Original e françês  publicado em baixo 
Cegueira, cegueira ou apenas olhando para o outro lado? o caso Wirecard, que sacode a Alemanha das finanças, agora é qualificado pelo presidente do órgão regulador, o BaFin, como um "desastre total", mas teremos que explicar como se chegou lá e como é que esse golpe poderia passar despercebido.
Esta jóia mimada da nova economia foi finalmente arrebatada e teve de declarar falência, mas levou algum tempo desde os primeiros alertas do Financial Times no início de 2019. 1,9 bilhão de euros foram desapareceu pura e simplesmente (porque nunca existiram) e 3,5 bilhões de reivindicações provavelmente farão o mesmo. Ninguém se orgulha de estar entre os perdedores, mas sabemos que os bancos franceses BNP Paribas, Crédit Mutuel, Société Générale e Crédit Agricole estão nas fileiras. Nesse sistema financeiro interconectado - diz-se que é sistêmico a partir de agora - sempre há vencedores e perdedores, os primeiros se gabam disso, os outros ficam calados.  
Estes últimos foram vítimas notáveis ​​de um desses acordos financeiros de que tanto gostam, aos bons cuidados do Credit Suisse. Após uma parceria com a Wirecard, o japonês SoftBank investiu 900 milhões de euros na empresa na forma de ações conversíveis, que agora não valem nada. Mas estes foram imediatamente vendidos, em particular aos fundos de pensão do BNP Paribas e do Crédit Mutuel, segundo o Wall Street Journal. Boas finanças e nada ilegal, mas parece furiosamente o jogo da batata quente, esse investimento ocorrido após o alerta ter sido dado! Quanto ao Crédit Agricole, ele participou de um pool bancário que abriu um crédito rotativo para o Wirecard de 1,75 bilhões de euros, segundo Agefi. 
Identificar um fabricante de lâmpadas não será suficiente neste momento. Todos são responsáveis ​​e culpados, o regulador, os auditores e as agências de classificação, bem como os analistas financeiros! Quando essa coleção é montada, é porque o sistema financeiro como tal está em questão, desta vez da Alemanha.
Que o regulador e as agências de notificação tenham sido enganados, isso dificilmente pode surpreender, mas esses guardas do templo, que são analistas financeiros, não relataram nada. É explicado que a profissão não é mais o que costumava ser, que suas fileiras são escassas desde que seus serviços são pagos e que seria necessário ter capacidades de investigação que não precisam detectar. tal engano que, além disso, ocorreu nas Filipinas. A verdade era muito perturbadora.

LOS MILLONARIOS VUELVEN CON LA MASCARADA DEL «CAPITALISMO CON ROSTRO HUMANO»
Por Franco Vielma, sociólogo investigador 

Indiscutiblemente, uno de los ámbitos en los que la pandemia Covid-19 está remodelando el mundo es el económico. Es este quizá el mayor nudo crítico que deja la crisis sanitaria y sus formas de “normalidad” como factor que acompañará a las subsecuentes crisis de gobernanza en todo el mundo.
El escenario al corto plazo sigue siendo incierto. En abril pasado y antes de que la crisis escalara a los niveles actuales con más de 9 millones de contagios confirmados en el mundo, la Organización Mundial del Comercio (OMC) estableció la previsión de que el comercio mundial retrocediera entre un 13 y un 32% en 2020.
Para el momento, la organización refirió que la crisis sería superior a la de 2008 y 2009, pero que recuperaría su ritmo en 2021.
Sin embargo, la nueva “normalidad” económica mundial impuesta por la pandemia tiene el concomitante de que cada vez las previsiones están más en desfase acorde al desarrollo de los eventos. Ya la previsión de una recuperación económica similar a los niveles previos a la pandemia ha quedado atrás y en el año 2021 la economía global seguirá lidiando los espasmos de esta coyuntura.
Un informe del Centro de Comercio Internacional (ITC, por sus siglas en inglés) titulado “Perspectivas de la competitividad” ha presentado una evaluación del impacto de la pandemia en el comercio mundial en 2020, incluidas las pequeñas y medianas empresas. Acorde al estudio, la economía mundial perdió al menos unos 126 mil millones de dólares en 2020 debido a la interrupción global de las cadenas de suministro en EEUU, la UE y China a causa del virus.
Esto ha tenido lugar luego de las interrupciones parciales y temporales en las cadenas de valor en dichos países a causa de las restricciones por cuarentenas. El ITC destaca que “en conjunto, esos países representan el 63% de las importaciones mundiales y el 64% de las exportaciones de las cadenas de producción y venta”.

Los problemas con la producción y el suministro de bienes también afectaron negativamente a los países en desarrollo, especialmente a los exportadores de materias primas en África, Latinoamérica y el Sudeste Asiático. Es sabido el impacto que la crisis ha tenido en el sector energético que, aunque se encuentra en una etapa de estabilidad por el momento, no queda exento a las contradicciones de la turbulencia económica en vigor.
Adicionalmente, el impacto de la crisis según el ITC está afectando a los más pequeños del espectro económico mundial. Señalan que en los primeros meses, más del 55% de todas las pequeñas y medianas empresas se vieron gravemente afectadas por la pandemia. Dos tercios de las micro y pequeñas empresas reconocen que la crisis afectó fuertemente sus operaciones comerciales, mientras solo el 40% de las empresas más grandes han señalado verse afectadas.Quedan expuestas con ello las asimetrías persistentes en el sistema económico.
“El Gran Reinicio” y la nueva estrategia de reacomodo del gran capital
El Foro Económico Mundial de Davos, Suiza, prevé organizar su cumbre de 2021 acorde a una premisa que han denominado “The Great Reset” o “El Gran Reinicio”, donde desarrollarán las nuevas directrices sobrevenidas por la pandemia y el estado de la economía mundial.
Klaus Schwab, fundador y presidente ejecutivo del Foro Económico Mundial, ha dejado claras las líneas que van a caracterizar a este reformado sistema económico, basado en “construir de manera conjunta y urgente las bases de nuestro sistema económico y social para un futuro más justo, sostenible y resistente”.
La orientación “progresista” de Davos en 2021 no es una novedad, si se sopesa desde el engranaje del “capitalismo verde” y los paradigmas de sostenibilidad y equidad que han caracterizado a las formas políticas socialdemócratas, especialmente en Europa, en las últimas décadas. Formas de organización económica que, debemos entender, han sido reformulaciones del “rostro humano” del capitalismo y sus mecanismos para rentabilizarlo política y económicamente.

O novo D. Dinis deve continuar confinado


TRÊS ANOS DEPOIS
Agostinho Lopes
«Estas circunstâncias justificam que, três anos após 2017, o País não se possa sentir ainda satisfeito pelo muito quanto foi feito, mas antes que se concentre, com considerável e avisada humildade, no muito que está ainda por fazer» Observatório Técnico Independente (OTI)/«Nota Informativa 2/2020 – Três anos após Pedrogão: onde estamos e onde queremos chegar?» 09JUN20.

As sábias e contidas palavras do Relatório do OTI têm pouco a ver com a gabarolice bacoca do MAI sobre a redução de ignições e área ardida e com a pesporrência do MAAC, que na reacção à Nota do OTI afirma: «não faz sentido fazer projecções especulativas» e «cá estaremos em Outubro e Novembro a fazer, com a mesma transparência, o balanço de 2020» (1). 
Outros o disseram depois de 2003. E depois de 2005! E até depois de Monchique em 2018 e de Vila do Rei/Mação em 2019! Aliás, como o fizeram depois de Pedrogão e Beiras em 2017! Balanços de gente morta e devastação económica. Há quem nunca aprenda!
Mais uma vez se tentam enganar e enganar o País com as médias estatísticas convenientes! Torçam os números, torçam que eles confessarão a mentira adequada! Bastaria um incêndio como o de Monchique, em 2018, depois de Pedrogão e Beiras, em 2017, para haver pudor em contar historietas estatísticas... com ignições, área ardida e comparações de períodos temporais que dêem jeito…

Podiam e deviam fazer o balanço sério que se impunha, mas não. Mais uma vez a mentira e a propaganda de milhões e manipulações estatísticas para ocultar o que não fizeram, os atrasos existentes, e a decisão de não responderem a questões cruciais da problemática florestal e dos incêndios florestais. Mais uma vez a tentativa de transferir responsabilidades e atribuir culpas sobre a matéria.
Ninguém, de boa fé, julga possível ou acredita que em três anos fosse possível (des)fazer, corrigir, na floresta portuguesa o que a política de direita do PS, PSD e CDS lhe fez em décadas. Coisa bem diferente seria avaliar com rigor os caminhos desencadeados após Pedrogão de 2017 e o estado das promessas feitas. Era o que se exigia. E não as lérias do costume com os resultados do costume, anos após anos de incêndios catastróficos. Que é o que está em marcha.    
O pobre do cadastro, mesmo na sua versão simplificada, arrasta-se, acabando agora, ao que parece e aparece no Programa de Estabilização Económica e Social RCM n.º 41/2020, por ser transferido para os municípios financiado pelo FSE (Fundo Social Europeu)! O mesmo para «Faixas de Interrupção de Combustíveis (FIC)» e «mosaicos de gestão de combustível», agora misturadas com a «mobilidade sustentável» num programa de 40 milhões de euros, suportados pelo (reforço) do Fundo Ambiental. O que é que disto está dotado no Orçamento Suplementar, não se sabe. Como é que obras essenciais de defesa e prevenção estrutural da floresta aparecem como adjacências da estabilização económica e social pós-Covid é um mistério! O Covid 19 é mesmo pau para toda a colher... Das faixas de gestão de combustível primárias da responsabilidade do Estado é que não há balanço! Do programa de «fogo controlado» também não. O problema do mercado e preços do material lenhoso, não é com o Governo! Da «maior revolução que a floresta conheceu desde os tempos de D. Dinis» (2) também nada se sabe. Nem sequer por que razão tendo havido decisões orçamentais e compromissos políticos solenes (em 2017, 2018, 2019) de se atingirem as 500 equipas de sapadores florestais (ESF) até 2020, ainda estamos, no balanço do DCIR/DON 02/2020, nas 375 (330 mais 45 integradas em 16 brigadas) (3). Ou, o que é feito da também decidida recomposição do corpo de Guardas Florestais? 

Um dia destes alguém vai dizer mais uma vez que o «Estado falhou». Só nunca falha com o Novo Banco (e a banca em geral!). Aí nunca falham os «centenos» com centenas de milhões. Aí nunca atiram a responsabilidade para cima de quem manda e gere, os «proprietários» do banco.

(1) Conferência de Imprensa de 16JUN20 do MAI Eduardo Cabrita e do Ministro do Ambiente e Acção Climática Matos Fernandes na apresentação do PNGIFR (Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais).

(2) O novo D. Dinis (o ex-Ministro Capoulas Santos) foi apeado, mas que se saiba a sua «obra legislativa» não. 

(3) Pode haver aqui algum lapso na contagem exacta das ESF, porque há lapsos na matéria nos documentos oficiais, mas tal não altera a reflexão feita.