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15 de agosto de 2019

Coisas que eles (não) dizem - 16

Penso que as preocupações que cada pessoa tem definem não só a sua maneira de ser, mas a sua condição. A pobreza a fome as guerras deveriam ser preocupações fundamentais no campo social. Porém todas estas questões são tratadas - quando são - da forma mais inócua possível, sendo de imediato superadas pela agenda imperialista, precisamente causa daquelas questões.
Em 2018 o número de pessoas com fome no mundo aumentou para 821,6 milhões, 11% da população mundial. Juntamente com as pessoas com insegurança alimentar moderada, a FAO estima que o número chegue a 2 mil milhões de pessoas no mundo, 26,4% da população mundial.
Segundo a OIT o desemprego reduziu-se no seguimento da ligeira recuperação da crise, porém as condições de trabalho não melhoraram. Mais de 700 milhões de pessoas vivem na extrema ou moderada pobreza apesar de terem emprego”,
Meio milhão de pessoas morrerão se a guerra no Iémen se estender até 2022. Uma em cada quatro crianças iemenitas está desnutrida.
Jean Ziegler, em 2006 Relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, declarou que “todas a crianças que atualmente morrem de fome morrem assassinadas”. Em cada cinco segundos, morre de fome uma criança com menos de 10 anos (mais de 6 milhões - um holocausto por ano, perante a indiferença dos mediáticos “bem falantes”).
Mesmo com o mundo produzindo alimento suficiente para toda a população do planeta, em cada 4 segundos uma pessoa morre de fome (7,8 milhões). A UNICEF lançou um alerta: 1,4 milhão de crianças correm o risco de morrer de fome em quatro países: Iémen, Nigéria, Somália e Sudão do Sul. Todos países ricos em matérias primas e sob agressão imperialista.
Mais alguns números: 149 milhões de crianças com menos de 5 anos (21,9%) têm atraso no crescimento; 49,5 milhões (7,3%) têm insuficiências de peso.
Contudo, segundo a Forbes Magazine o número de ultraricos triplicou de 793 em 2006, para 2 000 em 2018, bem como a sua riqueza de 2,6 milhões de milhões para 9,1 milhões de milhões.
Os EUA gastam 1 milhão de milhões de dólares por ano, desde há 20 anos, para fins militares; . Centenas de milhares de seres humanos foram raptadas ou iludidas e levadas para a escravatura (incluindo a sexual) que atinge atualmente 46 milhões de seres humanos; 15 750 000 de pessoas foram forçadas a deslocarem-se pela guerra, perseguições ou fome.
Eis, enfim, algumas das facetas do "admirável mundo novo" capitalista.
Notas
https://news.un.org/pt/story/2019/07/1680101
https://nacoesunidas.org/oit-desemprego-cai-no-mundo-mas-condicoes-de-trabalho-nao-melhoram/
https://nacoesunidas.org/oit-desemprego-cai-no-mundo-mas-condicoes-de-trabalho-nao-melhoram/
https://news.un.org/pt/story/2019/06/1676641
ttps://www.unric.org/pt/questoes-humanitarias-novedades/7084
https://observatorio3setor.org.br/noticias/cada-4-segundos-uma-pessoa-morre-de-fome-no-mundo/
https://fr.wfp.org/communiques-de-presse/rapport-de-lonu-la-faim-dans-le-monde-persiste-alors-que-lobesite-continue-de
http://www.informationclearinghouse.info/50873.htm

 

12 de agosto de 2019

Se fosse Davos o Publico ,Expresso&CIA ...

NÃO ACONTECEU…Agostinho Lopes
De 25 a 28 de Julho realizou-se em Caracas o XXV Encontro do Fórum de São Paulo (FSP), sob o lema «Pela Paz, Soberania e a Prosperidade dos Povos. Unidade, Luta, Batalha e Vitória!». Participaram mais de 1200 delegados e convidados nacionais e internacionais de 150 organizações e 70 países. Uma clara expressão de unidade anti-imperialista e de solidariedade com os povos latino-americanos e caribenhos que enfrentam a ingerência e ataques à sua soberania pelo imperialismo norte-americano e o conluio das oligarquias nacionais.
Em várias sessões temáticas e plenárias do Fórum reuniram-se partidos e forças democráticas, progressistas e revolucionárias de toda a América Latina e Caraíbas e convidados de outros continentes. Denunciaram a agenda neoliberal e a incessante campanha de deslegitimação dos processos progressistas na região. Expressaram a solidariedade, em particular ao povo venezuelano, que acolheu o Fórum.
Para os principais órgãos da Comunicação Social portuguesa, inclusive os ditos de «referência», tal Encontro não existiu. Apesar das toneladas de notícias despejadas durante meses sobre a Venezuela, nem o facto de se realizar em Caracas e de ter constituído uma visível manifestação de solidariedade com a Revolução Bolivariana os comoveu.  
Uma excepção, e notável, no Expresso de 3 de Agosto, sob o título «Esquerda volta costas a Maduro», do seu correspondente em Buenos Aires. Não se pode dizer que é uma notícia falsa, uma das nomeadas «fake news». É de facto mais uma peça jornalística fabricada, da campanha imperialista comandada pelos EUA contra a Venezuela. Mais uma peça que os media dominantes vão reproduzindo, sem qualquer objectividade ou critério deontológico. A presença e a expressão viva de 150 partidos e forças democráticas e revolucionárias, de esquerda, entre os quais partidos da social-democracia e da Internacional Socialista, de toda a América Latina e Caribe é a evidência – não carece de demonstração – da contradição absoluta com o título e o conteúdo da notícia. Aliás bastaria atentar na «ignorância» (???) do correspondente quando assim descreve, entre outras falsidades, o Fórum de S. Paulo: «Trata-se de uma Plataforma da esquerda para manifestar apoio internacional a Maduro». Ou a informação de que se reúne anualmente. Ou indiciar de que é, ou tem sido, um Encontro de Presidentes da República e Chefes de Estado da região!    
O Fórum de S. Paulo é uma criação de Lula, então Presidente do PT, e de Fidel de Castro, em 1990. Um grande espaço de debate das forças progressistas latino-americanas para aprofundar a reflexão e a procura de respostas, de acção, em consenso e unidade, na luta popular e anti-imperialista.
Se tivessem estado em Caracas, os jornalistas portugueses teriam ouvido nas diversas iniciativas do Fórum, na grande manifestação de muitas dezenas de milhares de venezuelanos no sábado, 27 de Julho, entoar a milhares de vozes: «El derecho de vivir em paz»! A palavra de Victor Jara, assassinado em 1973, por Pinochet e o imperialismo norte-americano, ressoava do fundo da tragédia da história da América Latina e Caribe, das «veias abertas» dos seus povos. E em coerência, gritavam: «Tirem as patas da Venezuela».      




    

11 de agosto de 2019

Quem viola os tratados ? Um lapso revelador

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A Gafe nuclear da NATO
Que os EUA mantém bombas nucleares em cinco países da NATO - Itália, Alemanha, Bélgica, Holanda e Turquia - está há muito comprovado (em especial pela Federação dos Cientistas Americanos) [1]. No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. No entanto, algo aconteceu por lapso. No documento “A new era for nuclear deterrence? Modernisation, arms control and Allied nuclear forces”, publicado pelo Senador canadiano, Joseph Day em nome da Comissão de Defesa e Segurança, da Assembleia de Defesa da NATO, o “segredo”veio a público. Através da função “copiar/colar”, o Senador informou, inadvertidamente, nesse documento o seguinte parágrafo (numerado 5), extraído de um relatório confidencial da NATO:
No contexto da NATO, os Estados Unidos instalaram em posições avançadas, na Europa, cerca de 150 armas nucleares, especificamente bombas gravitacionais B61. Estas bombas estão armazenadas em seis bases dos EUA e Europa: Kleine Brogel, na Bélgica, Buchel, na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre na Itália, Voikel na Holanda, Incirlik na Turquia. No cenário hipotético de serem necessárias, as bombas B61 podem ser transportadas por aviões de dupla capacidade, dos EUA ou da Europa”.
Ao acusar a Rússia de manter muitas armas nucleares tácticas no seu arsenal, o documento afirma que as armas nucleares instaladas pelos EUA em posições avançadas na Europa e na Anatólia (ou seja, perto do território russo) servem para “garantir o amplo envolvimento dos Aliados na missão nuclear da NATO e como confirmação concreta do compromisso nuclear USA com a segurança dos aliados europeus da NATO”.

Coisas que eles (não) dizem - 15

Uma investigação feita pela Agencia France Press evidenciou que uma série de imagens e vídeos destinados a mostrar a repressão realizada pelas tropas chinesas em Hong Kong eram falsas. Essas imagens foram divulgadas amplamente nas redes sociais, algumas delas sendo vistas mais de um milhão de vezes, muitas eram falsas ou antigas.
As imagens eram da polícia de choque na Coreia do Sul em 2012. Apareceram pela primeira vez na imprensa estrangeira em 2014 quando o jornal britânico Daily Express publicou um vídeo com a legenda: “Korean police show France how to stop a riot with ancient military masterclass”
Outros videos alegadamente mostravam "as tropas do Partido Comunista a entraram em Hong Kong", em julho de 2019. No entanto, as imagens eram de um vídeo do youtube de uma substituição de tropas de rotina em 2012.
A Venezuela também tem sido alvo de imagens falsas. A AFP realizou outra investigação para verificação de factos em março, provando que imagens amplamente difundidas que mostravam uma "crise" nos hospitais venezuelanos eram falsas, incluindo algumas imagens de hospitais na República Dominicana. (1)
 
Quanto a Hong Kong a China emitiu uma forte advertência aos manifestantes, dizendo que suas tentativas de "brincar com fogo vão sair pela culatra". Um porta-voz do governo central em Hong Kong disse aos manifestantes para não "subestimarem a firme determinação do governo central", alertando os manifestantes a não "confundirem contenção com fraqueza".
Disse ainda que forças "radicais e violentas" estavam na linha de frente dos protestos. (2)


 

8 de agosto de 2019

As contradições do sistema acentuam se

Un gouverneur de la BCE met les pieds dans le plat

En fin de mandat, Ewald Nowotny, membre sortant du Conseil des gouverneurs de la BCE, a retrouvé sa liberté de parole et nous en fait profiter. « Je suis sceptique quant à savoir si de nouvelles mesures expansionnistes auraient vraiment un impact positif sur l’économie réelle » affirme-t-il, avant d’en tirer la conclusion : « Je ne pense pas qu’il soit nécessaire de reprendre ce programme. Nous devons nous préparer à une longue phase de croissance atone, de faible inflation et d’endettement élevé. »
Dans un océan de paroles contraintes et de non-dits, des éclairs de vérité jaillissent de temps en temps. Simultanément, la publication de l’enquête mensuelle d’IHS Markit auprès des directeurs d’achat – qui fait autorité – ne donne pas spécialement tort au gouverneur, en tout cas dans un proche avenir. La croissance de la zone euro a encore ralenti en juillet, et la contraction qui s’aggrave dans le secteur manufacturier commence à avoir un impact sur le secteur des services qui sauvait jusqu’ici l’ensemble. Partout, la décroissance est en vue. De l’inflation n’en parlons même pas ! La « japonisation » de l’Europe est devenue un danger reconnu, évoquant le piège à liquidités dans lequel le Japon est tombé et qui l’attendrait, la Bank of Japan (BoJ) multipliant les mesures non-conventionnelles sans rien y changer.
La BCE tente de freiner le mouvement en favorisant la relance, n’espérant plus que les États s’y engagent après leur avoir si souvent demandé. Au risque des plus probables que ses injections financières alimentent à nouveau la spéculation au lieu de dynamiser l’économie réelle. Pour qui en douterait encore, une étude de Funcas, un think tank espagnol, qui porte sur les quatre années d’assouplissement quantitatif (QE) de 2015 à 2018 de la BCE, fait apparaître une augmentation des investissements en actifs financiers étrangers par les sociétés non financières de la zone euro. Pour environ 200 milliards d’euros par an. Quoi que le QE ait pu faire d’autre pour stimuler le crédit, il a pour le moins encouragé et facilité ces investissements financiers hors zone euro, ce qui n’était pas vraiment dans les intentions de la BCE.

6 de agosto de 2019

CO2 o inimigo público nº1

As alterações climáticas são uma realidade, porém no mundo das “inevitabilidades” e do “não há alternativa”, a degradação ambiental é praticamente ignorada sendo instituído o dogma de que o dióxido de carbono, CO2 seria o inimigo principal do ambiente, tornando-se uma nova religião a ser aceite sob pena de excomunhão.

O grande capital deu esta bandeira aos “ecologistas reformistas” e absorveu-o nos seus esquemas, de tal forma que se propõe agora que os partidos da direita e extrema-direita assumam também este objetivo como seu.
Não há comprovação científica de que as alterações climáticas sejam causadas pelo CO2. Há dados empíricos interpretados de determinada forma, pondo de lado todo um complexo conjunto de contextos e causas possíveis e detetáveis. Isto mesmo tem sido repetidamente dito - e silenciado - por importante parte da comunidade científica.
Ora os gases de efeito de estufa relevantes são o CO2, o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Com a agravante do CO2 ser essencial para a existência de vida na Terra, enquanto os demais são tóxicos, poluentes e agressivos. Do ponto de vista do efeito de estufa o metano tem um potencial 60 vezes superior ao do dióxido de carbono e o óxido nitroso quase 300 vezes superior.
A agricultura industrial é responsável por 25% das emissões de CO2, 60% de metano e 70 a 80% do óxido nitroso, além disto a questão do CO2 foi centrada nos automóveis ligeiros. Trata.se de uma farsa, ignorando, por exemplo, os mais de 13 milhões de veículos pesados que circulam pelas estradas da Europa, graças ao sacrossanto comércio livre.
Os grandes porta-contentores queimam cada um 10 000 toneladas de combustível para uma viagem e regresso entre a Ásia e a Europa. A frota de cargueiros, petroleiros e outros navios atinge cerca de 100 000, percorrendo os mares. A que se somam a frota de pesca e recreio. (Carros elétricos assunto de reflexão, https://groups.google.com/forum/#!topic/tertulia-das-tercas/R7q1fiPYj-M )
Um estudo da ONU vem dizer - conforme noticiado esta semana - que é necessário mudar de forma de alimentação: comer mais vegetais e menos carne. Esta falsa ingenuidade mascara a incapacidade de chamar nomes às coisas e apontar os responsáveis pela degradação do que dizem defender. Assim, optam por “aconselhar” as transnacionais a procurarem ganhar dinheiro de outra forma. Comovente, porém deixemos os sermões entregues aos religiosos de ofício.
Vejamos: os EUA com pouco mais que 4% da população mundial consomem anualmente 25% dos recursos mundiais - e geram resíduos na mesma proporção. Seria o último modelo de sociedade que um ambientalista promoveria, mas os ecologistas do CO2 nada de concreto dizem sobre isto. Pelo contrário, apoiam os “mecanismos do mercado” e o liberalismo económico, como se não fossem altamente agressivos para o ambiente, a par com medidas avulsas que o sistema tolera e até apoia, visto tornarem-se fonte de lucro privado.
Para aferir a seriedade dos ambientalistas do sistema é ver qual a posição que tomam perante a globalização neoliberal, a agricultura industrializada e correspondente desflorestação. Também o belicismo imperialista com as suas imensas esquadras navais, aviões, misseis e guerras fica à margem das indignações destes ambientalistas.
A opinião pública vai ouvindo os sermões, e continua a ver fazer e a fazer como sempre nesta sociedade dita de consumo, porque para isso é conduzida a todos os instantes.

 

 

O modelo USA de governo

Itália
Embora a oposição ataque sempre o governo e existam divergências no seio do próprio governo, em todo o arco parlamentar não se ergueu uma única voz, quando o Primeiro Ministro Conte expôs as linhas de orientação da política externa, na Conferência dos Embaixadores (em 26 de Julho), o que prova o amplo consenso multipartidário.
Conte definiu, antes de tudo, qual é o fundamento da posição da Itália no mundo: “O nosso relacionamento com os Estados Unidos continua qualitativamente diferente do que temos com outras Potências, porque é baseado em valores, em princípios partilhados, que são o próprio fundamento da República e parte integrante da nossa Constituição: a soberania democrática, a liberdade e a igualdade dos cidadãos, a salvaguarda dos direitos humanos fundamentais”.
O Primeiro Ministro Conte não só reitera que os EUA são o nosso “aliado privilegiado”, como também afirma um princípio orientador: a Itália considera os Estados Unidos como um modelo de sociedade democrática. Uma mistificação histórica colossal.
- No que diz respeito à “liberdade e à igualdade dos cidadãos”, basta lembrar que os cidadãos americanos ainda hoje são oficialmente registados com base na “raça” - brancos (distintos entre não hispânicos e hispânicos), negros, índios americanos, asiáticos, nativos havaianos - e que as condições de vida médias dos negros e dos hispânicos (latino-americanos pertencentes a todas “raças”) são, de longe, as piores.
- No que diz respeito à “salvaguarda dos direitos humanos fundamentais”, basta lembrar que nos Estados Unidos mais de 43 milhões de cidadãos (14%) vivem na pobreza e cerca de 30 milhões não possuem plano de saúde, enquanto muitos outros possuem seguro de saúde insuficiente (por exemplo, para pagar uma longa quimioterapia contra um tumor).
- E no que diz respeito à “salvaguarda dos direitos humanos”, basta recordar os milhares de negros desarmados, assassinados impunemente, por polícias brancos.
- No que diz respeito à “soberania democrática”, basta recordar a série de guerras e golpes de Estado, efectuados pelos Estados Unidos, desde 1945 até hoje, em mais de 30 países asiáticos, africanos, europeus e latino-americanos, causando 20-30 milhões de mortes e centenas de milhões de feridos (ver o estudo de J. Lucas apresentado pelo Prof Chossudovsky em Global Research [1]).
Estes são os “valores partilhados” sobre os quais a Itália baseia a sua relação “qualitativamente diferente” com os Estados Unidos. E, para demonstrar como ela é profícua, Conte assegura: “Encontrei sempre no Presidente Trump, um interlocutor atento aos legítimos interesses italianos".
Interesses que Washington considera “legítimos” enquanto a Itália ➢ Permanecer associada à NATO, dominada pelos EUA ➢ Seguir os EUA, de guerra em guerra, ➢ Aumentar a sua despesa militar, a seu pedido, ➢ Colocar o seu território à disponísição das forças e bases USA, incluindo as nucleares.
Conte procura fazer crer que o seu governo, habitualmente designado como “soberanista”, tem um amplo espaço autónomo de “diálogo com a Rússia com base de aproximação NATO de duplo binário” (diplomático e militar), uma abordagem que, na realidade, segue o binário único de um confronto militar cada vez mais perigoso.
A este respeito - refere ‘La Stampa’ [2] - o Embaixador dos EUA, Eisenberg, telefonou ao Vice Presidente Di Maio (considerado por Washington o mais “confiável”), pedindo esclarecimentos sobre as relações com Moscovo, em particular do Vice Presidente Salvini (cuja visita a Washington, apesar dos seus esforços, teve um “resultado decepcionante”).
Não se sabe se o governo Conte vai passar no exame. Sabe-se, no entanto, que prossegue a tradição, segundo a qual, em Itália, o governo deve ter sempre a aprovação de Washington, confirmando qual é a nossa “soberania democrática”.

A caminho da deflagração

A crise espreita e as medidas dos bancos centrais só o confirmam.Em 2007 também rebentou em Agosto. As bolsas estão nervosas.Vitor Constâncio  parece descobrir agora o que querem os ditos mercados...

" Há  uma verdadeira vaga de corte nos juros pelos bancos centrais. Desde 1 de julho, 15 autoridades monetárias, nas economias desenvolvidas e emergentes, desceram as taxas diretoras.
O corte mais importante, com repercussões mundiais, foi decidido na quarta-feira pela Reserva Federal norte-americana (Fed), o mais importante banco central do mundo, que baixou o custo do dinheiro em um quarto de ponto percentual.
A Fed tinha-se abstido de cortar taxas desde dezembro de 2008 e havia iniciado até um ciclo de encarecimento do dinheiro entre dezembro de 2015 e dezembro de 2018. Nesses três anos subiu, pela mão de Janet Yellen e depois de Jerome Powell, as taxas de perto de 0% para 2,5%. Subitamente, no início de 2019, começou a mudar de agulha. Passou a uma atitude de paciência e de pausa e, depois, a um temor crescente sobre o impacto dos riscos globais (leia-se a estratégia geopolítica de Donald Trump).
A mais recente descida anunciada por um banco central registou-se em Hong Kong na quinta-feira, onde a autoridade monetária também cortou a taxa em 25 pontos-base (0,25 pontos percentuais), seguindo as pisadas da Fed. Entre os bancos centrais que cortaram as taxas desde 1 de julho contam-se o da Austrália, do Brasil, da Rússia e da Turquia.
AINDA NÃO FOI UM TSUNAMI DE CORTES
Os analistas esperavam um verdadeiro tsunami com a decisão da Fed, mas acabou por saber a “poucochinho” a redução de apenas 25 pontos-base. Jerome Powell, o presidente do banco central dos EUA, avisou, depois de muito pressionado pelas perguntas dos jornalistas, que o corte tomado não significava necessariamente o começo de um ciclo prolongado de descida das taxas, o que frustrou os mercados, com as bolsas em Nova Iorque a caírem 1% na quarta-feira.
Vítor Constâncio, o ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), comentou, na ocasião, no Twitter, que “os mercados nunca estão satisfeitos, queriam mais uma corrida açucarada”. Por outro lado, a prudência de Powell irritou uma vez mais o Presidente Trump, que havia publicamente pressionado para um corte significativo.
DRAGHI, CARNEY E KURODA ADIAM DECISÕES
No entanto, a onda gigante de corte nas taxas de juro ainda não varreu todo o planeta. Três importantes bancos das economias desenvolvidas, o BCE, o Banco do Japão e o Banco de Inglaterra, por razões diferentes, não seguiram a tendência.
O BCE adiou para a reunião de 12 de setembro a discussão de um pacote de estímulos monetários, apesar do seu presidente, Mario Draghi, ter prometido no Fórum de Sintra em meados de junho que as medidas estariam para “as próximas semanas”, o que levou muitos investidores a julgar que seriam tomadas já na reunião de 25 de julho".Expresso

31 de julho de 2019

Coisas que eles (não) dizem - 14


Quem havia de dizer?! Desde há meses que se realizam conversações de paz entre os EUA e os Talibans para terminar com 18 anos de guerra. Mais uma guerra que os EUA não ganharam apesar de inúmeros bombardeamentos, sacrifícios e mortes entre a população civil, um país levado ao caos. que se tornou o maior produtor de heroína.
Eis evidenciada a farsa dos direitos humanos e democracia defendida pelo imperialismo.
Um recente relatório da ONU refere que as forças governamentais e da coligação dos EUA matam mais civis que os Talibans. Os EUA perderam ali muitos dos seus militares, mortos ou feridos, outros regressam afetados com depressões de stress traumático. Quanto à despesa isso pouco importa aos EUA já que ela é está à conta dos países que têm o dólar EUA como moeda internacional de referência. O euro é apenas subsidiário do dólar tal como o yen do Japão.
Porém as conversações começam com os EUA em desvantagem já que os Talibans controlam mais de metade do território afegão e os EUA não conseguiram senão impor governos altamente corruptos, incompetentes, incapazes de dar um mínimo de estabilidade e condições de vida ao povo afegão. Esta a obra dos “combatentes da liberdade” como forram qualificados em Washington.
 
Não esqueçamos que tudo isto foi iniciado nos anos 70 com a intervenção direta da Arábia Saudita e Paquistão para derrubar o governo progressista, que iniciava transformações socialistas, na sequência do derrube do sistema feudal existente.
Um outro caso mostra a insanidade do imperialismo EUA e seus vassalos, colocando o mundo em situações de pré-guerra iminente. Dado que a China ignora as sanções contra o Irão e continua a adquirir-lhe petróleo, os EUA decidiram aplicar sanções extra à China.
 
No Brasil de Bolsonaro que tem como programa transformar o país numa colónia dos EUA, dois navios iranianos carregados com cereais, foram deixados à deriva tendo-lhes sido recusado o reabastecimento de combustível, a partir de uma ordem direta da Administração dos EUA. O Irão fez saber que não serão retomadas importações do Brasil (trigo, milho, soja, carne) no valor de 2 mil milhões dólares por ano até os navios serem reabastecidos. (1)
 
Entretanto democratas e republicanos aprovaram na Câmara dos Representantes o orçamento militar para os próximos dois anos: 1,48 milhões de milhões de dólares, 724 mil milhões por ano, mais que todas as restantes despesas governamentais limitadas a 650 mil milhões por ano. (2)

O complexo militar industrial capturarou o que restava de democracia nos EUA, porém mesmo com aqueles valores exorbitantes não conseguiram vencer no Afeganistão, na Síria, no Iémen (guerra por procuração da Arábia Saudita) apenas conseguem disseminar sofrimento e caos por todo o lado com a cumplicidade da UE/NATO e do jornalismo submetido aos interesses da oligarquia.

2 . http://www.informationclearinghouse.info/52001.htm

 







25 de julho de 2019

Coisas que eles (não) dizem - 13

Um documento militar chinês acusa os EUA de degradarem a segurança global na busca da "superioridade absoluta", adotando “políticas unilaterais” e provocarem a concorrência armamentista entre as principais potências mundiais. Pequim concentra-se agora em ter um exército de "classe mundial".
Pequim acredita que os EUA procuram “inovações tecnológicas e institucionais em busca da superioridade militar absoluta”. Especialistas militares dos EUA insistem em que os EUA devem desenvolver "novas formas de guerra" ou arriscar "derrotar" a Rússia e a China.
Isto mostra que a classe dirigente dos EUA se divide não entre democratas e republicanos, mas entre os que querem a guerra o mais breve possível - e fazem por isso - e os que defendem o uso de métodos a mais longo prazo, de conspiração, ingerência, corrupção de dirigentes, propaganda hostil, sanções, etc., que deram origem às “revoluções de veludo”, ao fim da URSS e países socialistas europeus e á criação países caóticos e disfuncionais em todos os continentes. Claro que estas estratégias apenas diferem em questões de planeamento. O objetivo é idêntico: guerra e caos mundial, para instaurar a chamada "democracia liberal" isto é, o capitalismo monopolista transnacional.
A China ressente-se da recente venda massiva de armas dos EUA a Taiwan, onde "forças separatistas" representam “a mais grave ameaça imediata à paz e estabilidade” na área. Pequim "não prometerá renunciar ao uso da força" ao lidar com a ilha e "derrotará resolutamente qualquer um que tente separar Taiwan da China", adverte.
O documento chinês reconhece que o Exército de Libertação do Povo "ainda está muito atrás das principais forças armadas do mundo" e corre o risco de ser apanhado de surpresa devido a uma "crescente lacuna nos avanços tecnológicos militares". Para lidar com isto, a China irá atualizar as suas forças procurando transforma-las progressivamente em "forças de classe mundial”.
O caso muda de figura quando se considera o potencial militar conjunto da China com a Rússia. Embora documentos dos EUA mostrem a China como o adversário número um. O Pentágono adverte que Pequim - juntamente com a Rússia - está prestes a derrotar os EUA no ciberespaço, defesa aérea e tecnologia militar, propondo que os EUA gastem mais dinheiro nas forças armadas. (ver https://www.rt.com/news/464931-china-white-paper-us/)
Entretanto, bombardeiros russos e chineses fazem a sua primeira patrulha conjunta na região da Ásia-Pacífico (https://www.rt.com/news/464871-video-china-russia-bombers/)

Sobre as novas armas russas ver: “A perda da supremacia militar e a miopia do planeamento estratégico dos EUA, um livro de Andrei Martyanov (1ª e 2ª partes)

 

22 de julho de 2019

Coisas que eles (não ) dizem (12)

No passado dia 28 de junho realizou-se uma reunião em Viena, entre a França, Reino Unido, Alemanha, Rússia, China e Irão. Desde maio de 2018, quando os EUA se retiraram do acordo nuclear com o Irão, que esta reunião era pretendida. Os media dominantes  ignoraram-na totalmente ou quase. Por muito que finjam atacar Trump, veiculam todas as provocações e falsas notícias dos extremistas neoconservadores que o rodeiam, verdadeiros fautores da instabilidade global e de guerras.

A reunião realizou-se sob a ameaça dos EUA contra qualquer entidade que negoceie com o Irão. Brian Hook, representante especial dos EUA para o Irão, disse então aos participantes da UE/NATO: "Vocês devem escolher entre Washington e Teerão".

O resultado da reunião de Viena pode ser considerado uma vitória para a Rússia, a China e o Irão, pelo anúncio da ativação imediata do mecanismo europeu INSTEX, que visa contornar as sanções dos EUA,

O INSTEX é uma ferramenta baseada no euro que permite ao Irão vender o seu petróleo para países da UE em troca de bens (apenas produtos alimentares e médicos) que o Irão compre; o saldo dessas operações torna-se crédito bancário.

Embora o Irão pretendesse garantir a compra de cerca de 500 mil barris por dia, os países da UE/NATO representados ofereceram cerca de 250 mil barris por dia.

A China anunciou a sua intenção de se juntar à INSTEX, para cobrir o pagamento das suas compras de petróleo iraniano, retomando a compra de 650 000 barris por dia, correspondendo a quase um terço das vendas diárias de petróleo iraniano. A China venderá um equivalente de bens da sua própria produção.

Os russos anunciaram que também serão parceiros da INSTEX, embora já tenham criado empresas offshore, protegidas por um decreto presidencial contra sanções, para comprar e revender petróleo iraniano como contribuição a proteção do acordo.


por Nasser Kandil

 

 

Grandes objectivos , opções estratégicas

ELEIÇÕES LEGISLAIVAS 06OUT19
APRESENTAÇÃO PROGRAMA ELEITORAL PCP 2019
AGOSTINHO LOPES

0.Saudações
Antes de dar a palavra ao C. JS, SG do PCP para apresentar os grandes objectivos, opções estratégicas, eixos centrais e principais medidas do Programa Eleitoral do PCP, alguma contextualização. 
1.A ENVOLVENTE POLÍTICO-MEDIÁTICA
Estávamos em 2015 a caminho de eleições. A grande novidade da época era o Relatório do PS “Uma Década para Portugal” de Centeno, base do Programa do PS. Uma verdadeira “comoção” percorria a comunicação social. A Coligação PSD/CDS, poucos dias antes tinha apresentado o seu programa/cenário eleitoral na Assembleia da República, disfarçado de PEC/PNR! (Aliás a Coligação exigiu que a credibilidade, a consistência económica, do Relatório PS fosse examinada pela UTAO e CFP!)
As iniciativas foram transformadas pelos medias no selo de garantia da “credibilidade económica” dos programas eleitorais. Sim senhor! Isto trabalho sério. Não as fraudes costumeiras das promessas eleitorais! Uma nova era tinha sido aberta nas eleições portuguesas! 
Tinha sido interessante, que ao chegarmos ao fim da Legislatura esses partidos fizessem contas de comparar! E se não eles, que pelo menos os arautos mediáticos da «credibilidade», comparassem cenários, programas e resultados!
Mas comparemos nós o Relatório e o Impacto Financeiro do Programa Eleitoral do PS (19AGO15) com as perpectivas do PE 2019/2023 de Abril passado.

A religião neoliberal

Economia mundial
A religião neoliberal

Carlos Carvalhas


As «crises cíclicas», as «crises financeiras», os elevadíssimos recursos saídos dos Orçamentos de Estado para salvar bancos, banqueiros e grandes accionistas, a acentuação das desigualdades, a polarização da riqueza e a redução de direitos e do poder aquisitivo dos trabalhadores, têm levado ao descrédito políticos e economistas e as políticas neoliberais por estes seguidas.
Rebatizadas de políticas de austeridade, as políticas neoliberais tiveram por efeito uma elevada concentração e centralização de capitais e a sua aplicação em plena recessão agravou a crise com quedas brutais do produto, a intensificação da exploração, o aumento do desemprego e da emigração, com dolorosas situações sociais.
O resultado da «contra-revolução conservadora» iniciada por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, designadamente no campo da teoria económica, é trágico.
No entanto, os dominantes, depois do susto da crise 2007/09, procuraram de novo retomar a ofensiva, fazendo do charlatanismo económico uma ciência e procuram que esta seja a base do ensino universitário. Escudam-se em modelos abstractos e classificam de «ciência» económica o culto de um qualquer modelo matemático apesar de serem contrariados pela prova dos factos.
Em vez de formação procura-se a deformação, criando um corpo de defensores de uma «Teoria Económica» que sirva os dominantes e lhes salvaguarde os privilégios.

19 de julho de 2019

EUA - um caldeirão em ebulição

A propósito do declínio dos EUA
Jorge Cadima

Nos EUA avoluma-se uma crise profunda, cujos efeitos se estendem a todos os campos -
económico, financeiro, social, político, militar, sanitário e mesmo demográfico. As suas raízes
residem na crise sistémica do capitalismo, mas também no declínio relativo dos EUA face a
outras potências, na insustentabilidade da sua situação financeira e na brutalidade da sua
dominação de classe.
Os mecanismos com que a classe dirigente norte-americana tem procurado enfrentar o seu
declínio não apenas não o inverteram, como contribuíram para acentuar esse declínio. Trump
expressa essa crise. ‘Tornar de novo grande a América’ é uma ilusão que não reflecte a
realidade mundial em mudança. Mas o perigo de que tudo termine numa aventura catastrófica
é enorme.

Um país em crise
Os EUA são um caldeirão em ebulição. A ofensiva de classe das últimas décadas traduziu-se

numa baixa acentuada dos níveis de vida de grande parte da população trabalhadora. Tornou-
se frequente que, mesmo trabalhadores com duplo emprego, mal consigam sobreviver (1).

18 de julho de 2019

Fake news

Fake News e manipulação
Fernando Correia
Jornalista.
As Fake News (FN) estão na moda. É um bom tema para discutir e, principalmente, aprofundar.
Mas, em si próprias, as notícias falsas estão longe de constituir o elemento mais importante
para nos guiar no combate por uma informação verdadeiramente comprometida no
aprofundamento da democracia em todas as suas vertentes. O conceito recentemente
vulgarizado pela União Europeia de desinformação não se afigura suficientemente operacional
para nos ajudar neste combate, que para alguns parece ser coisa nova, contra uma outra
realidade: a manipulação da informação. Uma realidade indissociável de contextos
económicos, políticos, sociais e ideológicos que não podem ser ignorados, sob pena de o
combate ser apenas de faz de conta.
Neste século e na sociedade capitalista em que nos inserimos, falar do panorama mediático, e
particularmente das FN, leva-nos a ter como referência os Estados Unidos. País onde não são
apenas, só por si, os grandes monopólios da informação que dominam os media e condicionam
e influenciam a opinião pública nacional e também a dos países ocidentais e de grande parte
do chamado Terceiro Mundo. E a situação não é de agora. Nos anos 80 do século passado
funcionavam mais de duas dezenas de organismos estatais vocacionados para essa tarefa.

14 de julho de 2019

A Farsa das Relações com a Rússia

Manlio Dinucci relata a viagem de Vladimir Putin a Roma. Não há nada de novo em comparação com as outras viagens nos países da União Europeia, salvo a grande diferença retórica do governo de Giuseppe Conte: ele apresenta-se como um “soberanista,” se bem que obedeça aos desejos da NATO, como fazem os outros.
O estado das relações entre a Itália e a Rússia é “excelente”: afirmou o Primeiro Ministro Conte, ao receber em Roma, o Presidente Putin. A mensagem é reconfortante, na verdade, soporífera em relação à opinião pública. Limitamo-nos, fundamentalmente, ao estado das relações económicas.
A Rússia, onde funcionam 500 empresas italianas, é o quinto mercado extra-europeu para as nossas exportações e fornece 35% da procura italiana de gás natural. O intercâmbio - Putin especifica - foi de 27 biliões de dólares em 2018, mas em 2013 chegou a 54 biliões. Portanto, reduziu para metade o que Conte designa como a “deterioração das relações entre a Rússia e a União Europeia, que conduziu às sanções europeias” (decididas, na realidade, em Washington).

Capoulas auto apelidado D. Dinis , Cristas & CAP - desastre pinhal Leiria & floresta

D.DINIS II, O REFORMADOR
Agostinho Lopes
Não adianta. Tudo como dantes Quartel-General em Abrantes na floresta portuguesa. Oxalá o tempo deste Junho fresco se mantenha por muitos e bons anos e meses. Assim poderemos continuar a dizer, como dissemos depois dos Incêndios Florestais de 2003 e 2005, que tudo corria bem. Que a área ardida em cada ano não chegava aos 100 mil hectares fixados na Estratégia Nacional das Florestas. Que graças às medidas de vários governos o problema estava resolvido. E fundamentalmente graças ao muito papel/legislação do Diário da República produzido. Infelizmente a tragédia estava aqui ao pé da porta, à nossa espera. Pedrogão em 17 de Junho e Beiras a 15 de Outubro. Ainda nos dói e vai doer-nos outra vez na alma. Oxalá o diabo seja cego, surdo e mudo. Oxalá todas as previsões de aves de agouro falhem desta vez. Mas quem acreditar, deve rezar.
É difícil não denunciar a fraude de quem quase resume a resolução do problema à aplicação a todo o país de uma coisa a que chamam «cadastro simplificado». Instrumento que irá permitir que uma Empresa Pública Florestal faça a gestão das áreas ditas abandonadas e/ou sem dono e livrar do fogo do inferno a floresta portuguesa. Que tal «cadastro simplificado» vai permitir «um programa de médio e longo prazo de gestão florestal» (1). E diz isto, quem é responsável pelos milhares de hectares de floresta pública ardida. Como aconteceu nesse fatídico ano no Pinhal de Leiria. Responsável por milhares de hectares de floresta baldia, onde era cogestor, queimada. Quem, passado um ano da experiência piloto do tal «cadastro» em dez concelhos, atingiu «50% dos 600 mil prédios existentes» (1)! Agora «iremos ter, dentro de quatro anos o país cadastrado» (1). Isto é, vai resolver em 4 anos em mais de 200 concelhos! Triste sina, mas é um facto que o Diário da República não impede nem combate fogos! 
A focagem absoluta no «cadastro simplificado» e «terras abandonadas» é pura manobra de diversão. Não se dá um passinho, mesmo de passarinho, para resolver o problema dos preços da matéria lenhosa. Bem pelo contrário, chumbam-se as iniciativas mais simples para iniciar essa abordagem nuclear. E, sem preços da madeira, não há e não haverá nunca gestão activa. Mas pode ser que agora tudo se resolva com a substituição da área de pinheiros e eucaliptos por painéis solares, peça de grande impacto ambiental, da «transição energética» do ministro do Ambiente. Solução radical: quando tivermos toda a floresta substituída por painéis solares haverá outros incêndios, mas florestais não! É claro que os ditos «sumidouros de carbono», «fábricas de tratamento» do CO2/função clorofilina, também desaparecerão… Mas isso é preciso para alguma coisa, se atingirmos as ditas metas de renováveis fixadas pela UE?!? Não se avança no investimento que o próprio secretário de Estado das Florestas reconhece que «É preciso investir muito mais na floresta». Não se concretiza o necessário reforço dos recursos humanos, apesar de tudo o que foi decidido e orçamentado em OE. Vamos nas 322 equipas de sapadores florestais. Mas não devíamos estar a chegar às 500? E os guardas florestais? Qual é a área de fogo controlado executada? Tem alguma coisa a ver com as metas o que os próprios serviços oficiais avançaram? E as faixas primárias de gestão de combustível? Depois dos PROF (Planos Regionais de Ordenamento Florestal) com anos de atraso (e sem revisão actualizada das «metas da composição da floresta»), só agora (Junho) chegou o Inventário Florestal. Com quatro anos de atraso e sem ter em conta as áreas ardidas de 2017 e 2018! Em carta à Assembleia da República, na entrega do Relatório 1º Semestre de 2019, o Observatório Técnico Independente, escreve que não «foi disponibilizada qualquer informação quanto ao Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais», pelo que o não pode analisar (alínea e) do artº 2º da Lei 56/2018)! Percebem-se bem as razões da recusa do Governo a prestar contas rigorosas do trabalho feito, em matéria de prevenção e ordenamento florestais, na Assembleia da República. E mais não se acrescenta ao rol, para que a angústia não se espalhe.
Oxalá chova muito…

  1. Capoulas Santos, Público, 04JUL19

13 de julho de 2019

Contornar o império do dólar

A new report by the American Foundation for Defense of Democracies (FDD) says the US’ geopolitical adversaries are deploying blockchain technology to help avoid sanctions and counter US financial power.
According to the FDD, with the increase of adoption of cryptocurrencies around the world, efforts are underway to build new systems for transferring value that work outside of conventional banking infrastructure.
Governments in Russia, China, Iran, and Venezuela are experimenting with the technology that underpins the crypto market, said the report. They are prioritizing blockchain technology as a “key component of their efforts to counter US financial power.

9 de julho de 2019

Atenção ao Deutsche Bank


De novo e mais uma vez a banca
Deutsche Bank : un risque de type Lehman Brothers 

On ne prête pas assez attention à ce qui se passe en Europe et en Allemagne au plan bancaire. Il y a à la fois de la complaisance et de l'ignorance.

Il n'y a pas d'analyste spécialiste du secteur bancaire dans les médias, le sujet est trop complexe.

En ce qui concerne la crise Deutsche Bank (DB), certains professionnels de la City n'hésitent pas à parler d'un risque de type Lehman Brothers – dont l'effondrement avait précipité la crise de 2008 – car des très gros clients internationaux retirent leurs fonds et leur activité de la DB.


 
Une vilaine chaîne cumulative peut s'enclencher : en effet, le leverage [endettement destiné à faire jouer l'effet de levier, NDLR] de la DB est encore colossal si on tient compte du fait que les dérivés équivalent à une forme de leverage. La capacité bilantielle de la DB est en chute libre, ce qui se ressent sur tous les marchés.

Un sujet tabou

La banque, les banques, c'est un sujet barré, tabou, pour des raisons de budgets publicitaire également... et aussi parce que les groupes de médias ne tiendraient pas sans les appuis bancaires qui vont jusqu'au soutien abusif.

Je suis persuadé qu'Emmanuel Macron, qui n'est pas stupide et a des amis banquiers bien placés, sait tout cela.

Deutsche Bank, le plus grand prêteur en Allemagne, le géant des dérivés mondiaux, a annoncé un ambitieux plan de restructuration. Un de plus. Il devrait coûter 7,4 milliards d'euros.

La Deutsche Bank va quitter le métier des actions, réduire considérablement la banque d'investissement. C'est une sorte de liquidation douce ! Environ 74 milliards d'euros d'actifs pondérés en fonction du risque seront logés dans une banque pourrie, une structure de défaisance, a déclaré le prêteur.

Et dire que les Allemands se moquaient des Italiens, se permettaient de leur donner des leçons et de poser des exigences !
notes de Bruno B

7 de julho de 2019

O dólar a UE e o Irão

Goodbye Dollar, It Was Nice Knowing You!

Philip Giraldi

https://www.translatetheweb.com/?from=en&to=fr&dl=en&rr=HE&a=https%3a%2f%2fwww.strategic-culture.org%2fnews%2f2019%2f07%2f04%2fgoodbye-dollar-it-was-nice-knowing-you%2f

Over the past two years, the White House has initiated trade disputes, insulted allies and enemies alike, and withdrawn from or refused to ratify multinational treaties and agreements. It has also expanded the reach of its unilaterally imposed rules, forcing other nations to abide by its demands or face economic sanctions. While the stated Trump Administration intention has been to enter into new arrangements more favorable to the United States, the end result has been quite different, creating a broad consensus within the international community that Washington is unstable, not a reliable partner and cannot be trusted.