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26 de abril de 2021

A descarbonização e os seus álibis - 1

Tal como a religião tem os pastorinhos de Fátima, Bernardette de Lourdes em França, Maria Goretti e Gemma Galgani na Itália, ou Santa Maria Kowaska na Polónia, os ecologistas do CO2 inventaram a sua santa Greta… Não se lhe conhecendo nenhuma referência científica no complexo âmbito da climatologia, as suas extáticas revelações devem ter origem em qualquer divindade, neste caso talvez das nórdicas.Mas teremos de acreditar nos especialistas? Nem por isso. O especialista pode dominar técnicas, mas não a ciência, que na climatologia corresponde a um complexo cientifico da paleontologia, à física e geofísica.

 Ao cientista exige-se cada vez mais a “cultura integral do indivíduo” (Bento Jesus Caraça) para não cair no que Brecht ou Ortega e Gasset referiram.Claro que não sou especialista em climatologia, mas também não são os que defendem a descarbonização. Dizem seguir o consenso da comunidade científica. Não é verdade. Não sobre este tema um consenso na chamada comunidade científica. Muitos dos “cientistas” que apoiam a tese nem sequer são cientistas e muito menos climatologistas. 

Pelo contrário, em setembro de 2019 um conjunto de 500 cientistas e profissionais de 13 países enviou uma carta ao secretário-geral da ONU contestando a doutrina da descarbonização, que a ignorou completamente. (1)

O climatologista prof. emérito Marcel Leroux, afirmava em 2007 que 95% do efeito estufa deve-se ao vapor de água. O CO2, representa apenas 3,62% do efeito estufa, Só uma pequena proporção pode ser atribuído às atividades humanas, com um valor total de 0,28% do efeito estufa total, incluíndo 0,12% para o CO2. O metano (CH4) tem um  potencial de efeito de estufa 60 vezes superior ao CO2 e o óxido nitroso (N2O), quase 300 vezes superior. (1)

Outro aspeto não explicado é que tendo aumentado a concentração de CO2 na atmosfera desde o final do século XVIII, se registaram períodos frios ao longo deste tempo, designadamente nos anos 40 do século passado. Ou se quisermos recuar, também não é explicável pela concentração de CO2 a existência de períodos quentes no passado, como o que levou no século IX e X os vikings a instalarem-se na Gronelândia (a Terra Verde).

A agricultura industrial é responsável por 25% das emissões de CO2, 60% de metano e 70 a 80% do óxido nitroso, além disto a questão do CO2 foi centrada nos automóveis ligeiros e nas energias alternativas. No primeiro caso, não passa de uma farsa, ignorando, que em tempos normais há milhões de veículos pesados, milhares de navios e aviões que diariamente viajam por todo o mundo, em resultado sobretudo da globalização neoliberal, mas que não são considerados. A frota de cargueiros, petroleiros e outros navios atinge cerca de 100 000, percorrendo os mares, a que se somam a frota de pesca e recreio. (2)

Entre 1150 e 1300, na Europa central e ocidental prevaleceu um ótimo climático que deslocou as culturas particularmente a vinha, de 4 a 5 graus de latitude para o Norte Os períodos quentes foram períodos férteis e prósperos. os períodos frios foram historicamente épocas de morte de morte e escassez tornando mesmo inabitáveis áreas do Norte da Europa. (1) .

Na Idade Média os glaciares dos Alpes eram mais pequenos que atualmente. Os modelos climáticos adotados para descarbonização não explicam estas variações.

A chamada "temperatura média mundial" aumentou em 0,74º Celsius entre 1906-2005, mas na realidade não se pode falar em “temperatura global” como o demonstra um estudo cientifico que contradiz a doutrina canónica do efeito de estufa (Energy & Environment, 2018, vol. 29(4), pgs.613-632).

As conclusões mostram que nas regiões interiores da Sibéria, a temperatura média não subiu de 1930 a 2010. Contudo, nas zonas sob influência oceânica, foi detetado para o mesmo período um aumento da temperatura média inferior a 1º Celsius.

O inverno de 2005-2006, bateu recordes de frio e neve, no Inverno de 2000 a Sibéria registou as suas temperaturas mais baixas e a Mongólia pediu ajuda internacional. No interior oeste norte-americano as temperaturas médias foram em 2010 quase 1º Celsius mais baixas do que nos anos trinta. No que diz respeito às regiões costeiras norte-americanas, sujeitas à influência oceânica, a temperatura média foi ligeiramente superior à dos anos 1930.

Durante mais de um século o aquecimento é observado apenas em regiões sob influência oceânica, a temperatura dos oceanos aquece lentamente por causas que não são conhecidas em detalhe, conclui o estudo. Se o aumento da concentração atmosférica de CO2 fosse a causa das alterações climáticas o aumento da temperatura deveria manifestar-se da mesma maneira em todas as regiões do planeta, costeiras ou continentais, pelo que a doutrina do efeito estufa deixa de fazer sentido. (1)

A tese da “descarbonização” é, sem receio de contradição, propalada pelos mesmos que no momento seguinte fazem propaganda aos “black fridays”, a modelos de consumo compulsivo e desperdício. Os jovens são tanto mobilizados contra o CO2, como insistentemente seduzidos para adquirem novos artefactos eletrónicos, que se sucedem numa competição irracional, para basicamente mesmas funções.

Sobre este tema ver: 1- https://resistir.info/v_carvalho/falsa_emergencia.html

2 - https://resistir.info/v_carvalho/ecologia_e_eleicoes.html







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