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2 de novembro de 2026

O colapso do projeto liberal

 O projeto económico liberal está à beira do colapso e isso reflete-se nas manifestações pelos países europeus. O desespero e a raiva populares não cessam. Pergunta Alastair Crooke (1) : Será que as lideranças arriscam a violência nas ruas a par do colapso económico para não terem de ceder perante a Rússia e, arrastados pelos Estados Unidos, perante o Irão?

A agitação violenta em Paris está ligada ao resultado das eleições francesas de 2024. A eleição criou um Parlamento fragmentado, que Macron esperava manipular. Acabou por alimentar a crescente indignação pública contra a elite governante incapaz de se responsabilizar pelos erros que conduziram o país à crise.

As lideranças europeias não veem o abismo económico que criaram. Aspetos-chave da crise, são as falhas nos serviços públicos e crescentes aumentos do custo de vida, problemas com raízes na resposta à Grande Crise financeira de 2008. Agora estas contradições atingem o auge no meio dos conflitos na Ucrânia, Irão e Iémen-Arábia Saudita, que correm o risco de levar a crise a um nível muito diferente da crise financeira anterior: um colapso sistémico.

O agravamento surge por objetivos contraditórios: tentar ao mesmo tempo não tocar nos interesses das oligarquias, não reduzir demasiado os apoios sociais, participar em guerras - guerras destinadas a manter a hegemonia ocidental, mas causando um vertiginoso aumento do custo de vida e dos défices públicos.

1 de novembro de 2026

 OS CUSTOS EXORBITANTES DE ORMUZ REVELADOS - Jogos de Sombras - Simplicius

Com a aproximação das eleições de meio de mandato, Trump tem insinuado repetidamente uma nova ofensiva contra o Irão. Em comícios recentes, ele ameaçou "atacar o Irão" como nunca antes.

Absurdamente, ao afirmar que o Irão "não pode e não irá possuir armas nucleares", ele alega que essa capacidade está agora "enterrada sob milhares de toneladas de rocha". A pergunta lógica que se segue é: por que, então, lançar novos ataques? É a mesma velha contradição.

O WSJ relata que a operação de resgate dos EUA em Hormuz está agora a custar aos contribuintes americanos a quantia astronómica de US$ 2 a US$ 3 bilhões por mês:

Nota se síntese sobre a I. A.

 O episódio do investimento em inteligência artificial: risco sistémico de alocação de capital, estabilidade financeira e tensões distributivas.


(Nota preparatória de outubro de 2026)

Sumário executivo

A inteligência artificial representa um avanço tecnológico real e já produtivo em diversos casos de uso, como geração de código, busca e automação parcial de tarefas cognitivas.

Isso não constitui, por si só, um "erro tecnológico".

Por outro lado, a escala, o ritmo e o método de financiamento do atual ciclo de investimento — mais de US$ 1 trilhão em despesas de capital em IA pelos principais hiperescaladores em 2025-2026, segundo o BIS — criam um grande risco de erro na alocação de capital, sobreinvestimento em relação à monetização sustentável e pressão sobre a estabilidade macrofinanceira dos EUA.

Lembrar aos cretinos dos europeístas de aviário o que o Império pensa da Europa e da sociedade

 Grover Nosquist, o mentor do programa eleitoral de Bush, revela seus planos de governo:

"Vamos enterrar os europeus, acelerar o declínio dos sindicatos, cortar o financiamento dos trabalhadores e transformar o estado de bem-estar social  num sistema privado."

Fontes: El Mundo/Rebelión

O Wall Street Journal  chamou o de "o Lenin do Partido Republicano". Outros conservadores proeminentes acreditam que esse título é exagerado, mas não há dúvida de que, aos 48 anos, Grover Norquist, um assessor externo da Casa Branca, se tornou a força dominante na política económica americana.

 Sergey Glazyev *: A guerra na Ucrânia faz parte da estratégia de cinco fases de Brzezinski para desmantelar a Eurásia.

A primeira fase foi o golpe de 2014.

A segunda fase consistiu na separação da Europa da Rússia, incluindo os ataques contra o Nord Stream.

As fases três, quatro e cinco — mudança de regime na Rússia, destruição do Irão e isolamento da China — fracassaram.

“Vejo a guerra na Ucrânia como parte dessa estratégia.” (ver citações em baixo , clique)

31 de outubro de 2026

 

Em relação à IA: Uma crise é uma certeza que leva ao colapso.

Uma crise, escrevi, é uma certeza que desmorona, uma invariável que começa a variar. A invariável dos empréstimos subprime era a ideia de que os preços das casas só podiam subir;

Aqui, a certeza do sistema, sua invariante, é a ideia de que, economicamente, a inteligência artificial será o novo Eldorado!

 

Wall Street: uma correção severa, mas ainda não um banho de sangue.

Relatório sobre a sessão de Wall Street de 30 de outubro de 2026

A sessão de sexta-feira, 30 de outubro de 2026, terminou com uma queda acentuada nos índices dos EUA, marcada por uma aceleração da venda de ações de tecnologia.

As preocupações com as altas avaliações relacionadas à inteligência artificial e os gastos maciços no setor dominaram a sessão.

 

A desvalorização do trabalho da classe média causada pela IA, a resposta monetária e a explosão do populismo.

Uma visão marxista sobre IA

A queda na componente de força de trabalho vivo e o aumento acentuado na componente de força de trabalho morto irão intensificar a composição orgânica do capital e provocar uma aceleração da tendência de erosão da rentabilidade.

Este artigo  enquadra se na minha estrutura analítica habitual: a de um capitalismo cuja força motriz continua sendo a taxa de lucro, confrontado com a tendência espontânea de queda do valor do trabalho devido aos ganhos de produtividade, uma tendência que as autoridades monetárias e políticas tentarão sufocar/contrariar através da criação de moeda e crédito para evitar a deflação, a destruição do capital superacumulado e as convulsões sociais que daí resultariam.

Lembrar

 A 28 de outubro, comemorou-se o 82º aniversário da libertação de todo o território da República Socialista Soviética da Ucrânia dos invasores alemão-fascistas.


A libertação da Ucrânia Soviética foi possível graças à conclusão vitoriosa da operação estratégica do Exército Vermelho nos Montes Cárpatos Orientais.

Anteriormente, foram libertadas as regiões ocidentais da República Socialista Soviética da Ucrânia, onde, juntamente com os nazis, os banderistas da 14ª Divisão de Infantaria da SS "Galícia" também foram derrotados.

 Cerca de 2 milhões e 600 mil soldados soviéticos morreram e ficaram gravemente feridos nos combates pela República Socialista Soviética da Ucrânia.

Os tiranos nazis, de acordo com várias estimativas, exterminaram até 10 milhões de civis, e 2,5 milhões de pessoas foram levadas para a escravidão. Mais de 700 cidades e vilas foram destruídas, assim como cerca de 28 mil aldeias. Os ocupantes saquearam e destruíram dezenas de milhares de instituições de saúde, educação e cultura, empresas industriais e cooperativas agrícolas.

29 de outubro de 2026

As lutas populares na construção de reais alternativas

 A luta popular é uma base fundamental para a mudança do sistema económico e social vigente. Sem a consciencialização da necessidade de construir alternativas consistentes ao sistema instituído, pode ser - e com probabilidade será - revertida pela oligarquia e seus agentes políticos.

"Comentadores" esforçam-se por passar para a opinião pública que se trata de manifestações ilegais organizadas por "desordeiros", escamoteando as causas e ainda mais as alternativas. São na realidade lutas plenamente justificadas. Por exemplo, os jovens licenciados ganham no início da sua vida profissional menos que há 25 ou 30 anos. É assim que funciona a "economia de mercado" em que as pessoas são também objeto de mercado. Os jovens europeus estão a compreender que o seu futuro será - já está a ser - pior que a vida de seus pais. 

A luta por melhorias nas condições sociais é parte fundamental da tomada de consciência das ameaças à democracia a que a política de direita conduziu e da necessidade do retorno aos princípios do 25 de ABRIL e do seu reforço. 

As medidas propostas pelo governo resumem-se a subsidiar inquilinos e dar incentivos a construtores e senhorios, deixando intactas as rendas das casas.  Estão de acordo com as regras da "economia de mercado", não interferindo nos lucros, mesmo rentistas e nada alterando quanto à especulação imobiliária! As rendas permanecem descongeladas e os fundos imobiliários têm meios de não pagar impostos.

28 de outubro de 2026

 

Como o conflito ucraniano, o realinhamento estratégico da Rússia e a ascensão da China estão pondo fim a séculos de domínio europeu no cenário internacional.

Alexandre Mercouris

22 de outubro de 2026

Este ensaio é uma versão revisada e adaptada de uma apresentação e discussão subsequente conduzida pelo autor. A transcrição foi reorganizada para maior clareza, legibilidade e facilidade de publicação, preservando, ao mesmo tempo, a essência dos argumentos originais.


Introdução: Geopolítica na Era dos Monstros

Estamos testemunhando uma profunda transformação do sistema internacional. A ordem geopolítica que prevaleceu durante séculos, centrada na Europa e moldada pela competição entre as grandes potências europeias, está começando a ruir. As consequências vão muito além do conflito na Ucrânia ou da deterioração das relações entre a Rússia e o Ocidente. Envolvem uma redistribuição fundamental do poder econômico, político e estratégico, acompanhada por uma crise nos próprios fundamentos sobre os quais a política externa ocidental se baseou por tanto tempo.

26 de outubro de 2026

Acerca da auto destruição em curso na UE

 

Não exageremos... Analistas dizem que "se as elites ouvirem a rua e voltarem a dar prioridade à educação, aos serviços públicos e à justiça económica, esta crise poderá tornar-se uma oportunidade para reformar o projeto europeu."

Ora aqui está a solução! Reformas - mas eles conhecem outra coisa? - para manter o projeto europeu, desde o início colonialista/neocolonial e ultraliberal. É isto que os deixa saudosos e ver se novamente lá chegam... "reformando". Em resumo, uma oportunidade para "mudar alguma coisa e ficar tudo na mesma". Falam em "se", mas fogem ao "como"! E socialismo? Nem pensar!

O socialismo é um avanço em relação ao capitalismo, tão evidente que na Europa, houve progresso social quando era praticado algum keynesianismo e medidas sob a pressão sindical motivada pela esquerda, que hoje, para aterrorizar a opinião pública, se chama de "radical" - e assim será quando vai ás suas raízes e não é oportunista.

Porém, em capitalismo mesmo quando devido à sua luta o proletariado melhora as condições de vida a (sua) insegurança aumenta (Engels), porém independentemente disto, aumenta a pobreza relativa - a maior parte da riqueza é absorvida pelo grande capital. Com o liberalismo, mais de 90% como tem sido documentado.

25 de outubro de 2026

A venda de património público e a especulação

O bairro da Graça dá nos elementos precisos das razões da crise da habitação 

Três grandes espaços que foram públicos estão  a ser transformados em hotéis .  O Quartel da Graça, a Prisão das Mónicas  e o Hospital militar . A distância entre o Hotel do quartel e o da prisão das Mónicas é de 150 metros . A distância entre este e o do hospital militar é de cerca de 300 m. 
Numa pequena área vão se concentrar três mega hotéis com espaços que dariam para muita habitação e outros equipamentos coletivos para o apoio à  população.
Os espaços são de tal dimensão que mesmo construindo hotéis dariam para construir muitos fogos com rendas acessíveis e controladas .
 Quais são os responsáveis? 
O Bloco Central das negociatas : PS , PSD e quem saiu do seu interior , o Chega do Ventura . A nível autárquico os presidentes  do município lisboeta , Costa , Medina e  Moedas e os vereadores do Chega.
Isto é um escândalo  ...
 O Chega para desviar as atenções do seu apoio à nova lei do arrendamento proposta por Montenegro diz que a culpa da falta da habitação é da imigração , escondendo que foi precisamente  a falta de habitação , de creches , e de salários decentes que levou milhares e milhares de jovens portugueses para o estrangeiro criando uma brutal falta de mão de obra que continua a persistir . 
E o que se vê é que a especulação imobiliária  continua e os ministérios que detêm grandes espaços são os primeiros a promovê-la .
Francisca Napolitano

24 de outubro de 2026

O Bloco Central das negociatas



Recordar

Amadora-Sintra

Contrato leonino assinado com o Grupo Mello em 1995 já depois das eleições de Outubro de 1995,

mas antes da tomada de posse do Governo Guterres/PS. Durante anos foi um regabofe de falta de

controlo com o Grupo Mello a cobrar o que queria (e a conivência dos Governos PS que fizeram vista

grossa). Quando entrou o Governo Durão Barroso/Paulo Portas, e perante as denúncias do Tribunal

de Contas, da IGF (e do PCP) e até de dirigentes regionais do Ministério da Saúde, o Ministro Luís

Filipe Pereira (oriundo precisamente do Grupo Mello) avançou para o Tribunal Arbitral (previsto

claro no contrato e sem recurso para os tribunais gerais). Cada parte (grupo Mello e Ministro da

Saúde oriundo do mesmo grupo) nomeou um árbitro e ambos escolheram um presidente, por acaso

um homem do PSD. Resultado: em vez de o Grupo Mello pagar o que devia, o Tribunal Arbitral

concluiu que era o Estado que tinha ainda de pagar 75 milhões de euros.

Parcerias público privadas da saúde



Foi o Governo Barroso/Portas/Santana que avançou com estas parcerias na área da saúde e o

processo foi depois continuado e concretizado em definitivo pelos governos seguintes de Sócrates.

São os casos do Hospital de Cascais (Grupo HPP- Caixa Geral de Depósitos), Braga (Grupo Mello),

com os problemas que são conhecidos, e em breve Loures (Grupo Espírito Santo – abre em Janeiro).

Os contratos são mais uma vez chorudos e envolvem não só a remuneração do investimento de

construção e equipamento durante 30 anos, como a exploração da direcção clínica dos hospitais

durante 10 anos. Nem as originárias Project Finance Iniciatives da Tatcher e seus seguidores, onde se

inspiraram, incluíram esta segunda parte.

23 de outubro de 2026

Estudo da economista Asma Benhenda

 Todos eles são bons professores.

17 euros, publicado pela Fayard

Uma escolha da sociedade

Asma Benhenda

E se os professores não fossem o problema, mas a solução?
É possível construir uma escola mais eficaz e justa, fornecendo aos professores os recursos e as condições de trabalho compatíveis com seu papel no desenvolvimento intelectual e cívico de seus alunos.

As investigações nas ciências sociais são unânimes em demonstrar que, depois dos pais, as pessoas mais decisivas no futuro de uma criança são seus professores.

O impacto que causam nas gerações futuras é a maior alavanca política para combater as desigualdades sociais.


No entanto, com muita frequência, esse papel não se reflete nem no debate público nem nas decisões políticas.

Nós somos oposição

 O Secretário geral do PS diz que o PS é oposição ao governo...

Quando um SG se vê obrigado a lembrar que é oposição ao governo está tudo dito.
O problema é que estes sacristãos da moderação que se apresentam como esquerda acabam sempre por fazer a política dos dominantes e a desacreditar a esquerda pela não resolução dos problemas mais sentidos pelos trabalhadores e população em geral.
No entanto , chegada a altura das eleições , empolam o perigo 
do Chega e do Ventura para canalizar o voto dos anti fascistas naquilo que chamam o mal menor , ou o voto útil . Útil sim para quem os recebe 
A política do Il , do PSD , do CDS é muito diferente  do Chega? 
Enquanto não se quebrar esta dinâmica do voto no mal menor , do voto dito útil , não haverá mudança efectiva da política nas questões essenciais. Foi assim que Costa teve a maioria absoluta
E é esse truque de barrar o caminho ao Chega , de se  votar no mal menor que levará o Chega ao poder e á desagregação e descrédito  de toda  a "esquerda" e ao enfraquecimento da esquerda a sério  que lhe poderia fazer frente.
A cena vai repetir se...
Francisca Napolitano

França e serviços secretos - um escândalo

Há um escândalo político a ganhar dimensão em França, e desta vez as denúncias não partiram de um partido da oposição, mas do interior dos próprios serviços policiais e de informações do Estado. Em causa está a suspeita de que estes serviços tenham recebido instruções para responsabilizar a La France Insoumise (LFI), de Jean-Luc Mélenchon, pelos confrontos e actos de violência ocorridos durante as manifestações de 17 de Outubro.

Uma investigação publicada pelo Mediapart, a 19 de Outubro, revelou comunicações escritas nas quais um comissário dos serviços de informações territoriais denunciava instruções para atribuir à LFI a responsabilidade pelo movimento, apesar de, segundo o próprio, os agentes considerarem essa conclusão objectivamente errada e falsa. Outros elementos policiais contestaram igualmente a versão governamental, incluindo responsáveis sem qualquer simpatia particular pela LFI.

22 de outubro de 2026

 

 Sergei Ryabkov, vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia.

Está sendo discutida uma reunião entre o presidente russo Vladimir Putin, o presidente dos EUA Donald Trump e Vladimir Zelensky, mas ainda não se chegou a um acordo final, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov.

Em discurso no Fórum Econômico de Nizhny Novgorod, ele enfatizou que a posição dos países europeus sobre o conflito na Ucrânia é anti-Rússia, extremamente beligerante e muito perigosa.

Segundo Ryabkov, a Rússia não pode ser isolada "por definição".

Declarações importantes do Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros.

A posição dos Estados Unidos sobre a Ucrânia

A Rússia está examinando as ideias e propostas apresentadas pelos negociadores americanos: "Estamos analisando o conteúdo dessas considerações e as ideias adicionais."

A Rússia espera que os Estados Unidos estejam examinando cuidadosamente as declarações feitas na quarta-feira pelo presidente russo Vladimir Putin: "Espero sinceramente que nossos colegas americanos estejam se dedicando ao mesmo trabalho. Que estejam analisando com cuidado, atenção e rigor as declarações feitas diretamente pelo presidente no Palácio de Constantinopla."

Os problemas e as causas

 O estudo das causas foi um problema desde a Grécia antiga. Aristóteles falava na causa material, na formal, na eficiente e na final. Os "comentadores" ainda não chegaram a isto: falam muito dos problemas (quando não podem mais esconder...) mas não das causas.

A mediocridade da extrema-direita procura reduzir tudo a pessoas, as social-democracias e ultraliberais não vão além dos factos devidamente peneirados: o sistema é intocável.

Para resolver os problemas que saltaram para a rua em Portugal e pela UE, políticos e "comentadores" pouco têm mais para propor que "solidariedade", ora para bons princípios individuais bastam as religiões, não é preciso tentarem substituir-se aos sacerdotes!

Mas solidariedade com quem? Pelo que se ouve dos líderes da UE, solidariedade só se for com Zelensky e companhia - os fantoches dos belicistas europeus. O problema é outro. Como Marx lembrou, um capitalista pode ser individualmente muito boa pessoa, até ser de uma associação de amigos dos animais, mas como capitalista tem de seguir as leis do capitalismo, ou seja, a maximização do lucro.

Saúde? Educação? Habitação? Direitos dos imigrantes? Justiça social e igualdade? Problemas muito importantes, mas a História do último século mostra que não há democracia com imperialismo, nem direitos sociais com belicismo, nem justiça social e igualdade em sistemas oligárquicos fonte tanto do imperialismo como da guerra. Isto, enquanto as populações são alimentadas com histórias sobre ditadores malignos noutros países. (1)

21 de outubro de 2026

 

Regis de Castelnau e Pascal Clérotte
21 de outubro

Tumultos e saques: o alto preço de quarenta anos de neoliberalismo.

No último fim de semana, a França testemunhou a maior mobilização de rua organizada desde as greves de 1995: mais de 600 mil manifestantes, marchas pacíficas, sindicatos e reivindicações em grande parte legítimas.

No entanto, o que ficará na memória são as vitrines quebradas e os saques. É exatamente aí que reside o problema.

Por trás desse "teatro político de má qualidade", como foi chamado, emerge um fato perturbador: a violência não foi um acidente, mas uma manobra.

19 de outubro de 2026

Transformações quantitativas e transformações qualitativas

 Regista-se uma onda de protestos na Europa, de Portugal à Albânia, passando pela França,Alemanha, Itália entre outros. Representam estas manifestações uma mudança qualitativa? Em termos marxistas, a prática sem teoria é cega, a teoria sem prática é inútil. Que teoria informa as atuais manifestações? Estamos perante uma transformação qualitativa na UE?

As pessoas revoltam-se contra as políticas seguidas, mas a oligarquia já estabeleceu medidas para que não ganhem programa ideológico. Como historicamente se regista, socorre-se da social-democracia dos PS e da extrema-direita, esta aproveitando-se das crises, mesmo do caos, a que as políticas - que na realidade apoiam - lançam os países. Em França a social-democracia PSF, foi chamada a dividir a esquerda unida em torno de Melanchon, facilitando a vida à Le Pen e a outra direita.

Na UE a brutalidade policial tornou-se recorrente: canhões de água, gás lacrimogéneo, cargas policiais e prisões em massa, à medida que os cidadãos europeus rejeitam o modelo da UE que financia a militarização, negligenciando escolas, saúde, habitação, bem-estar e padrões de vida.

Por cá a extrema-direita direita apoiou desde logo a violência policial, contra as "desordens" em descabeladas intervenções ao estilo nazifascista contra a esquerda - cujo mal teria sido não ter apanhado antes mais porrada da polícia. 

15 de outubro de 2026

Um olhar sobre os protagonistas do cenário ucraniano: EUA, UE, Rússia - 2

 O cenário relativamente à Rússia é pintado como se nada se tivesse passado antes de 2022, quando desde 2014 as populações russófonas que se opuseram ao golpe foram massacradas, sobretudo civis, um monumento às crianças mortas recorda-o. Na RP do Donetsk desde 2014, 17 672 civis ficaram feridos, incluindo 1106 crianças. Outras 10 056 pessoas morreram, incluindo 258 crianças.

Conforme exposto, inclusive pela Amnistia Internacional, grupos nacionalistas como o Batalhão Azov, Batalhão Aidar, Setor Direito e outros assassinaram milhares de cidadãos da região do Donbass, cujo "crime" era serem etnicamente russos, sub-humanos, como Yatsenyuk, o PM escolhido pelos EUA após o golpe Maidan, os qualificou.

Em 2021, Putin escreveu "Sobre a Unidade Histórica de Russos e Ucranianos" defendendo que russos, ucranianos e bielorrussos eram "povos irmãos" descendentes da antiga Rus. A contenção de Putin, não intervindo diretamente durante oito anos, justificava-se, em 2022 quase metade dos russos tinha uma opinião favorável sobre a Ucrânia, dezenas de milhões de russos tinham ligações familiares na Ucrânia.

Por isso, a Rússia avançou sem massivas campanhas aéreas, sem destruir infraestruturas chave da Ucrânia, com apenas 150 000 soldados. Como poderia esta força dominar uma população de 35 milhões de pessoas (na época)? O objetivo, não era "conquistar a Ucrânia" como comprovado no acordo alcançado em Istambul, o objetivo era uma Ucrânia neutra, sem adesão à NATO, conforme a Constituição de 1991 e que em Donetsk e Lugansk houvesse uma vida normal e fossem regiões autónomas na Ucrânia.

13 de outubro de 2026

Um olhar sobre os protagonistas do cenário ucraniano: EUA, UE, Rússia

 Então a Ucrânia? A Ucrânia é a vítima da rivalidade e desconfiança Leste-Oeste. Como qualificar neste cenário a decisão dos estrategas NATO para ataques indiscriminados sobre a Rússia, quando a Ucrânia praticamente não dispõe de defesa aérea: imbecilidade ou demência?

Qualificar Zelensky de presidente, quando nada controla no país, completamente alheado da realidade, lendo textos sem nexo que lhe preparam, numa expressão motivada talvez pela toxicodependência que lhe é atribuída, é surreal.

Na UE depois de alardearem o reforço da unidade europeia e transatlântica alcançada devido à "agressão" russa, agora lamentam, protestam, acusam, vendo aquela unidade a desintegrar-se. Agarram-se à esperança de voltando os neocons do Partido Democrata ao poder, tudo será como dantes e a Rússia seja derrotada. Mas derrotada por quem? Esquizofrenia política ou desespero agarrando-se a uma quimera - imagem de monstruosidade e sonho.

Que podem fazer os EUA? Atolados no Médio Oriente com o Irão, tendo de financiar Israel, aguentar Taiwan, confrontar a China, como podem sustentar a Ucrânia? O império custa caro e não há como suportá-lo: em 2000, a dívida federal era de 5,6 milhões de milhões de dólares; em 2016, 20 milhões de milhões; em 2026, 40, 37 milhões de milhões, duplicou em 10 anos, cresceu mais de 7 vezes, desde 2000.

Na Alemanha aumenta a critica a Merz cada vez mais contestado

Alemanha devia defender um "acordo sobre o diesel" com a Rússia, seguindo o exemplo de Trump. - Reuters

Claudia Wittig, vice-presidente do grupo parlamentar "Aliança por Sarah Wagenknecht" (BSW) na Saxónia-Anhalt, afirmou que Berlim deve chegar a um acordo com Moscovo sobre o fornecimento de combustível.

"A Alemanha também precisa de um acordo sobre o diesel com a Rússia",
 enfatizou ela.

Segundo ela, os preços nos postos de gasolina alemães tornaram-se "escandalosos", e a política de sanções contra a Rússia "falhou completamente" e está a prejudicar principalmente a  Alemanha.

Wittig pediu que fossem retomados os fornecimentos regulares de petróleo e gás russos para apoiar a indústria alemã.

Anteriormente, como se sabeTrump anunciou um acordo com Putin sobre o fornecimento de gasóleo russo aos Estados Unidos. O governo alemão, por sua vez, tem a intenção de continuar com a sua política de sanções contra a Rússia.

 

 

Os bancos globais agravam 0 risco, e isso não é coincidência.

B. BERTEZ

Continuo a salientar que todos os dados contabilísticos, balanços e números de lucros das instituições financeiras são falsos e fantasiosos: o aumento das taxas de juro destruiu o valor real dos ativos nos balanços de todas as instituições. Tudo o que era um título deixou de o ser e mudou a sua natureza.

9 de outubro de 2026

 Para os que querem colar o PCP a Putin


No dia 1 de outubro, o líder da bancada do Partido Comunista da Federação Russa, G.A. Zyuganov, discursou na sessão plenária da Duma Estatal.                                                                                                                                                                                                                                                               Caros deputados, camaradas, amigos!...
Ontem, o presidente disse: não precisamos pedir nada a ninguém. Temos tudo. Só precisamos administrar nossos recursos com sabedoria. Isso é absolutamente verdade. Mas, ao mesmo tempo, sob a liderança do Rússia Unida, o número de oligarcas cresceu de 105 para 155 durante a guerra. Sua riqueza combinada é de 700 bilhões de dólares. Uma vez e meia o orçamento federal! E eles não querem pagar impostos normalmente, não querem contribuir para a vitória. Isso é absolutamente inaceitável! Essa situação está claramente prejudicando nosso desenvolvimento e nossa vitória!

Estabilidade e pensamento oco

 Continuar a fazer o mesmo à espera de resultados diferentes é insanidade. A frase aplica-se ao pensamento vazio de conteúdo real quando o PR pede como que implorando que todos os que defendem as políticas de direita (incluindo a extrema-direita) se entendam para haver "estabilidade". João Ferreira (PCP) mostrou a contradição daquele posicionamento: pedir estabilidade com políticas que apenas produzem instabilidade na vida das pessoas.

Outra leitura do discurso do PR é: façam lá o possível para não ter chatices no meu mandato - dado que ele não reconhece como a precariedade laboral, o ataque ao regime democrático promovido pela extrema-direita e apoiado pelos media, o domínio da finança, do grande capital e as políticas da UE causam de instabilidade a todos os níveis.

É a estabilidade um mal? Não, mas depende dos contextos. Há que distinguir entre estabilidade interna e estabilidade internacional. A estabilidade internacional conquista-se, adotando relações baseadas na paz e não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados. A estabilidade interna por direitos políticos e sociais, não com conformismo perante desigualdades, insegurança e belicismo.

Claro que o sr. PR não tem obrigação de saber, pois são coisas do marxismo, que o político e o social refletem a estrutura económica da sociedade: as políticas e correspondentes instituições constituem uma superstrutura sobre uma infraestrutura económica. "Estabilidade" baseada na continuidade e conformismo serve basicamente para reforçar o domínio da oligarquia sobre o proletariado.