O sistema Pax Americana é um sistema para drenar o excedente da produção global.
O artigo abaixo é interessante. Ele descreve incorretamente a Pax Americana como um PACTO.
Isso tem o mérito de mostrar que se trata de um sistema em que tudo está interligado, e é isso que torna este artigo interessante. Trump, por exemplo, não compreendeu esse aspecto de "sistema"; ele acredita que se pode mudar uma parte sem mudar o resto.
Mas a Pax Americana não é um pacto, é uma troca desigual entre parceiros desiguais; alguns dominam e exploram outros; certamente, entre os outros, uma parte da população beneficia de compensações, essa parte é a elite e a burguesia compradora, mas isso não beneficia o país inteiro.
Os compradores ajudam os Estados Unidos a explorar sua população e, em troca, participam da partilha dos despojos, ou seja, da partilha do excedente da produção extraída.
Mas a maior parte do excedente extraído vai para os EUA, o que aumenta a taxa de lucro americana e atrai capital de todo o mundo.
É esse sistema que explica o que se chama de excepcionalismo americano; é o próprio sistema, não algum suposto gênio dos americanos! O sistema capitalista, que se financeirizou, produziu um mundo hierárquico com um centro financeiro em torno do qual as periferias gravitam.
O sistema não é um Pacto, é um Império com um Centro que domina, explora e drena recursos, e Periferias que são mantidas em silêncio pela proteção da máfia, que consiste em criar um risco inexistente, por meio de corrupção, submissão cultural, restrição jurisdicional, etc.
Acabei de ler uma pesquisa que indica que apenas 11% dos europeus consideram os Estados Unidos como aliados!
Apenas 11% dos europeus entrevistados em 15 países consideram os Estados Unidos um aliado, um número que caiu drasticamente em relação aos 16% de seis meses atrás e aos 22% de novembro de 2024, de acordo com uma pesquisa publicada pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores na quarta-feira.
Esses resultados, divulgados antes das cúpulas do G7 e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), sublinham a perda de confiança da Europa em Washington como um parceiro de segurança confiável.
Majid Hosseini
Esta guerra é existencial para o que se chama de pacto americano, também conhecido como Pax Americana.
O pacto em que os Estados Unidos forneceram investimentos, proteção militar e uma infraestrutura financeira altamente sofisticada.
Por sua vez, os outros participantes se concentraram naquilo que faziam melhor.
Divisão do trabalho e vantagem comparativa: China: mão de obra de alta qualidade; países árabes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG): energia barata e confiável, etc.
Como parte do acordo, qualquer excesso de capital desses participantes seria investido nos mercados financeiros dos EUA, principalmente na forma de títulos do Tesouro dos EUA, mas também em capital de risco (por exemplo, dinheiro saudita no Softbank) e outros instrumentos.
Isso teve dois efeitos:
1- Reduzir o custo de capital nos Estados Unidos. Isso significava taxas de juros mais baixas, um mercado de ações mais valorizado, mais dinheiro disponível para startups, custos de moradia mais baixos e muitas outras coisas.
2- O capital investido serviu como refém, uma garantia de bom comportamento por parte daqueles que estavam no sistema, o que trouxe um certo nível de estabilidade ao pacto.
Teoricamente, os Estados Unidos poderiam confiscar ou congelar os bens de qualquer participante que descumprisse o acordo. Partes desse pacto já começaram a desaparecer.
A China não é um estado satélite dos Estados Unidos, nem mesmo um parceiro.
É uma concorrente que está construindo seu próprio pacto na forma da Iniciativa Cinturão e Rota. Além disso, está reduzindo sua exposição a títulos do Tesouro dos EUA e aumentando suas reservas de ouro.
Se os Estados Unidos perderem sua hegemonia sobre o Golfo Pérsico, outra parte deste pacto se romperá. Os estados árabes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) perderão sua proteção, mantendo ainda um refém nos Estados Unidos.
Isso serve de incentivo para que reduzam sua exposição e diversifiquem seus ativos fora dos Estados Unidos.
Isso também enviará um sinal a todos os outros na órbita americana de que a proteção militar não está mais disponível.
À medida que esses estados orbitantes reduzem sua exposição a ativos dos EUA, o custo de capital nos Estados Unidos aumentará: taxas de juros mais altas, mercado de ações em baixa, custos de financiamento imobiliário mais elevados, menos startups, etc.
Além disso, os Estados Unidos possuem uma dívida pública de US$ 31 trilhões, com um prazo médio de vencimento de 5,9 anos. Com o aumento das taxas de juros, o custo do refinanciamento dessa dívida também aumentará.
Por último, mas não menos importante, há um acréscimo de aproximadamente 1,6 trilhão de dólares em dívidas anuais, que resultarão em juros mais altos.
À medida que a relação dívida/PIB aumenta, o ciclo de retroalimentação entra em ação: os Estados Unidos precisam pagar uma taxa de juros mais alta para manter o mesmo investidor. É por isso que a perda do Golfo Pérsico é tão significativa para os Estados Unidos. Bruno B.
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