Claro que não há nenhum cessar-fogo, o sul do Líbano está novamente sob ataques aéreos israelitas e o Irão anuncia o encerramento do Estreito de Ormuz, devido à campanha militar de Israel no Líbano. Uma campanha em que as FDI são colocadas sob fogo constante pelo Hezbollah, impedindo o seu avanço.
Não há que ter ilusões, todas as declarações de Israel vão no sentido da guerra. Conforme dizem psicólogos: para compreender os comportamentos futuros, há que olhar para os comportamentos no passado.
O Ministro da Defesa,Katz, afirma "Israel reserva-se o direito de agir independentemente contra o programa nuclear do Irão" e não vai retirar-se do Líbano, Síria, Gaza e Cisjordânia ocupados. Para o Ministro da Segurança, Ben Gvir, "todo o Líbano deveria arder". O Ministro das Finanças, Smotrich, diz que as FDI deveriam "abrir as portas do inferno" no Líbano. E quanto ao Irão, mesmo sem o apoio dos EUA, "teremos de continuar a campanha para derrubar o regime sozinhos", tendo como objetivo o colapso total do Irão. Para os "comentadores" isto é quase garantido, pois "o Irão iria entrar em colapso até ao fim do mês" (de maio)...
Para além das declarações de psicóticos e tresloucados que os media encobrem ou promovem, Israel enfrenta um paradoxo devastador: a armadilha da guerra interminável. Quanto mais diz lutar por segurança, mais permanentes se tornam as suas guerras, Os custos são assustadores: 112 mil milhões de dólares, apenas em Gaza (estimativa do Banco de Israel), reservistas esgotados, coesão social fraturada e crescente isolamento global.
Incapaz de aceitar quaisquer acordos de paz ou mesmo cessar fogo, normalizando guerras permanentes, em várias frentes (Gaza, Líbano, Síria, Iraque, Iémen, Irão, Cisjordânia), Israel tornou-se mais vulnerável que nunca, incapaz de derrotar adversários como o Hezbollah ou mesmo o Hamas que precisa apenas de resistir.
O poder militar de Israel baseia-se na sua aviação. Todos os ramos e capacidades do setor de defesa israelita - jatos, mísseis, defesas aéreas - têm uma dependência quase total dos EUA, seja fabricado nos EUA ou produzido em conjunto.
Para atacar o Irão a Força Aérea israelita é totalmente dependente de reabastecimento aéreo dos EUA. O Irão provou ser capaz de atingir Israel, sobrecarregando tanto as suas defesas aéreas como as dos EUA e seus aliados regionais, usando mísseis de longo alcance e drones. As guerras que conduz desde 2023 levaram a que muitas das reservas de armas de Israel foram criticamente esgotadas.
O Irão produz mais de 90% das suas próprias armas. O Irão conseguiu restaurar rapidamente os seus arsenais de mísseis, mantendo cerca de três quartos das munições que possuía antes do conflito. O Irão tem aliados no Líbano, Iraque e Iémen que prometeram e cumpriram as promessas de apoio contra Israel e os EUA. Para além dos EUA, que aliados militares tem Israel? Os Estados do Golfo, sofreram uma dura derrota por albergarem bases norte-americanas. Os europeus, não querem meter-se na guerra ao Irão.
Tudo foi tentado contra o Irão: bombardeamentos, ataques cibernéticos, financiamento de separatistas, agentes terroristas, assassinatos, sabotagem económica. Resultado: o Irão não foi vencido, a liderança não foi submetida pela força.
A política israelita baseia-se no apoio militar, financeiro, tecnológico e diplomático que os EUA lhe prestam desde há décadas, necessário para travar guerras em várias frentes e desrespeitar todos os conceitos humanitários, mesmo em modo de guerra. Porém, nos EUA o apoio da opinião pública aos palestinos já superou o apoio a Israel. Desde outubro de 2023, os EUA gastaram em ajuda militar a Israel para operações em Gaza e no Iémen entre 31,35 e 33,77 mil milhões de dólares. O Pentágono pede mais 80 mil milhões de dólares para cobrir custos da guerra com o Irão e "outras despesas". O que leva a um total de mais de 110 mil milhões. Além disto, guerra contra o Irão levou a um adicional de custos de energia para os consumidores dos EUA de 40 mil milhões de dólares.
Os media insistem em centrar as questões em pessoas, neste caso Trump. É uma forma de iludir ou não querer perceber a natureza dos sistemas. Os EUA não têm condições de prosseguir guerras permanentes: desde 2001 a 2022, os custos assumidos com essas guerras (incluindo aos veteranos) atingiu 8 milhões de milhões de dólares.
A dívida federal dos EUA ultrapassa os 39,2 biliões de dólares (121,8% do PIB). Desde 2020 um crescimento anual de mais de 2 milhões de milhões. A dívida total dos EUA, situa-se acima dos 108 milhões de milhões, aproximando-se do PIB de todo o planeta.
Um acordo de paz é mais necessário que nunca, para além do que pensem psicóticos da guerra permanente. Um encerramento continuado do Estreito de Ormuz levaria a uma crise económica global.
Os que contam com o colapso do Irão - como se eles e seus próceres estivessem imunes - deviam recordar que o Irão pode suportar um bloqueio marítimo tendo vias de acesso através do Mar Cáspio da Rússia e corredores logísticos através da Turquia e do Iraque. do Paquistão e da China.
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