Sobre a carta de Zelenski
Moderadora Geeta Mohan: Prometi limitar-me às questões económicas, mas, como jornalista, tenho de
lhe fazer esta pergunta. O presidente ucraniano Vladimir Zelensky escreveu uma carta aberta e não se
limitou a propor conversações directas – na mesma carta, ameaçou-o directamente e referiu-se a isto como sendo a sua guerra.
Gostaria de o citar, se me permite. Ele diz: «Os nossos drones de longo alcance fizeram uma visita àabertura do seu fórum em São Petersburgo, percorrendo uma distância de mais de mil quilómetros.» Ele diz que esta guerra é uma escolha sua, uma guerra sem uma causa real.
«Ouvimos frequentemente dizer que se sente à vontade com esta guerra. Claro que não nos casos em
que está em causa a segurança da sua residência em Valdai ou o seu desfile em Moscovo. A sua própria
vida é valiosa para si.»
Ele acrescenta que terá de lutar muito mais arduamente pela sua própria existência, não pela da Rússia, mas pela sua.
Ele propôs marcar uma data concreta para um encontro entre si e ele. A sua primeira reacção.
Vladimir Putin: Quanto aos [ataques à] residência ou ao desfile – isso não é um assunto pessoal meu.
Mais tarde, deram-nos informações, dizendo-nos: «Sabíamos que não estava na residência», e assim por
diante. A razão pela qual o fazem é outra questão.
O meu assessor de imprensa, o Sr. Peskov, mostrou-me esta carta ontem. Mas tivemos uma reunião de
trabalho – um jantar de trabalho com o Presidente do Uzbequistão –, por isso, sinceramente, não tive
tempo de a ler. Esta manhã, o Peskov voltou a entregar-ma. Dei-lhe uma vista de olhos rápida, mas mesmo
assim. Há algumas coisas que gostaria de salientar.
Primeiro, o autor mencionou a minha idade. Bem, o que posso dizer? É claro que todos devem pensar na
idade, mas imagino que muitas outras figuras políticas da minha idade estejam a cumprir as suas funções,
algumas delas até mais velhas do que eu. A idade não é o mais importante… (Aplausos)… É claro que
importa, mas não é tudo. O que importa é a capacidade política e a perspicácia mental. Alguns dos meus
colegas, que, repito, são mais velhos, demonstram vigor suficiente. Se estão a sair-se bem ou mal é outra
questão – isso é uma questão de julgamento político, mas, no geral, trabalham activamente.
Além disso, ele também referiu o tempo que se passa no cargo eleito. Trata-se, evidentemente, de uma
questão importante. Mas temos de nos candidatar às eleições – sem receio de concorrer a um cargo – e
agir sempre dentro do quadro da Constituição. Exercer o poder fora do âmbito da Constituição denomina-
se usurpação; é um crime. Por isso, não há motivo para receios. Temos de nos candidatar, e aconselho a
todos que façam o mesmo. Especialmente porque, na Ucrânia, falava-se de eleições em breve e, depois,
tudo ficou em silêncio, sem motivo claro.
O autor argumenta também que os acordos alcançados em Anchorage não devem ser cumpridos e que é
necessário procurar verdadeiros garantes de qualquer potencial acordo entre a Rússia e a Ucrânia – e
esses garantes devem ser procurados na Europa. Garantidores fiáveis são sempre úteis, mas não consigo
compreender por que razão se nega esse papel à administração dos EUA e ao Presidente Trump. Querem
armas dos Estados Unidos, mas, por alguma razão, não querem a administração dos EUA e o Presidente
Trump como garantidores. Isso levanta questões.
Mas todos vimos como o Donald, diante do mundo inteiro, repreendeu o autor daquela carta – insistindo
num código de vestuário, lembram-se? Fazer de Rambo: First Blood a toda a hora pode funcionar, mas
apenas até certo ponto, e não em todo o lado. Esse é o primeiro ponto. E quanto às boas maneiras: no
lhe fazer esta pergunta. O presidente ucraniano Vladimir Zelensky escreveu uma carta aberta e não se
limitou a propor conversações directas – na mesma carta, ameaçou-o directamente e referiu-se a isto como sendo a sua guerra.
Gostaria de o citar, se me permite. Ele diz: «Os nossos drones de longo alcance fizeram uma visita àabertura do seu fórum em São Petersburgo, percorrendo uma distância de mais de mil quilómetros.» Ele diz que esta guerra é uma escolha sua, uma guerra sem uma causa real.
«Ouvimos frequentemente dizer que se sente à vontade com esta guerra. Claro que não nos casos em
que está em causa a segurança da sua residência em Valdai ou o seu desfile em Moscovo. A sua própria
vida é valiosa para si.»
Ele acrescenta que terá de lutar muito mais arduamente pela sua própria existência, não pela da Rússia, mas pela sua.
Ele propôs marcar uma data concreta para um encontro entre si e ele. A sua primeira reacção.
Vladimir Putin: Quanto aos [ataques à] residência ou ao desfile – isso não é um assunto pessoal meu.
Mais tarde, deram-nos informações, dizendo-nos: «Sabíamos que não estava na residência», e assim por
diante. A razão pela qual o fazem é outra questão.
O meu assessor de imprensa, o Sr. Peskov, mostrou-me esta carta ontem. Mas tivemos uma reunião de
trabalho – um jantar de trabalho com o Presidente do Uzbequistão –, por isso, sinceramente, não tive
tempo de a ler. Esta manhã, o Peskov voltou a entregar-ma. Dei-lhe uma vista de olhos rápida, mas mesmo
assim. Há algumas coisas que gostaria de salientar.
Primeiro, o autor mencionou a minha idade. Bem, o que posso dizer? É claro que todos devem pensar na
idade, mas imagino que muitas outras figuras políticas da minha idade estejam a cumprir as suas funções,
algumas delas até mais velhas do que eu. A idade não é o mais importante… (Aplausos)… É claro que
importa, mas não é tudo. O que importa é a capacidade política e a perspicácia mental. Alguns dos meus
colegas, que, repito, são mais velhos, demonstram vigor suficiente. Se estão a sair-se bem ou mal é outra
questão – isso é uma questão de julgamento político, mas, no geral, trabalham activamente.
Além disso, ele também referiu o tempo que se passa no cargo eleito. Trata-se, evidentemente, de uma
questão importante. Mas temos de nos candidatar às eleições – sem receio de concorrer a um cargo – e
agir sempre dentro do quadro da Constituição. Exercer o poder fora do âmbito da Constituição denomina-
se usurpação; é um crime. Por isso, não há motivo para receios. Temos de nos candidatar, e aconselho a
todos que façam o mesmo. Especialmente porque, na Ucrânia, falava-se de eleições em breve e, depois,
tudo ficou em silêncio, sem motivo claro.
O autor argumenta também que os acordos alcançados em Anchorage não devem ser cumpridos e que é
necessário procurar verdadeiros garantes de qualquer potencial acordo entre a Rússia e a Ucrânia – e
esses garantes devem ser procurados na Europa. Garantidores fiáveis são sempre úteis, mas não consigo
compreender por que razão se nega esse papel à administração dos EUA e ao Presidente Trump. Querem
armas dos Estados Unidos, mas, por alguma razão, não querem a administração dos EUA e o Presidente
Trump como garantidores. Isso levanta questões.
Mas todos vimos como o Donald, diante do mundo inteiro, repreendeu o autor daquela carta – insistindo
num código de vestuário, lembram-se? Fazer de Rambo: First Blood a toda a hora pode funcionar, mas
apenas até certo ponto, e não em todo o lado. Esse é o primeiro ponto. E quanto às boas maneiras: no
geral, quero agradecer ao Donald por esse esforço – foi certamente útil. Mas ainda há margem para
melhorias. O trabalho tem de continuar. (Aplausos.)
Agora, para abordar a questão central. Dado que a parte ucraniana optou por levar as nossas relações
para a esfera pública, avançando para um discurso e debate abertos – o que, na minha opinião, é um
tanto inapropriado ou totalmente incorrecto –, isto dá-me a oportunidade, e de facto o direito, de discutir
certos assuntos que são pouco conhecidos ou totalmente desconhecidos do público.
A que me refiro? Trata-se de um assunto sério, posso assegurar-vos, sem qualquer traço de ironia ou
brincadeira.
Há três semanas, um representante da nossa comunidade empresarial contactou-me a respeito de um
assunto. Conheço esta pessoa há bastante tempo; embora não tenhamos uma relação muito próxima,
considero-o uma pessoa de confiança e honrada. Ele ligou-me e disse: «Senhor Presidente, fui convidado
para ir a Kiev.» Eu respondi: «Bem, vá lá, vá em frente; em que é que isso me diz respeito?» Ele respondeu:
«Senti que era imperativo informá-lo, uma vez que a discussão provavelmente envolverá questões
pertinentes às relações entre os nossos dois países.»
Aconselhei-o: «Ouça, não posso enviá-lo em nenhuma qualidade oficial; tais assuntos devem ser da
competência de profissionais qualificados do Ministério dos Negócios Estrangeiros, do Ministério da
Defesa e de outros serviços relevantes – tal como aconteceu durante as nossas negociações em Istambul.
Por conseguinte, não posso autorizar qualquer acção oficial da sua parte.» Ele respondeu: «Eu apenas
queria informá-lo deste convite. Eu iria, ouviria e, posteriormente, reportaria a si sobre as discussões.» Eu
respondi: «Não posso impedi-lo; sinta-se à vontade para ir.»
Ele deslocou-se a Kiev, onde se encontrou com a pessoa em questão, o autor daquela carta, na sua
residência, e não em Valdai. Ao regressar, reuni-me com ele. Entre os elementos menos substanciais, o
ponto mais relevante foi este: o Sr. Zelensky estava a solicitar uma reunião. Comentei: «Nunca recusei
pedidos deste tipo.» No entanto, reunir-se apenas para um diálogo vazio, como se costuma dizer — estou
bem familiarizado com isso.
Se não me engano, a carta contém uma referência aos acordos de Minsk. Trabalhámos arduamente
durante toda a noite nesses acordos de Minsk – redigindo-os – apenas para que se revelasse
posteriormente, através das declarações dos principais representantes da República Federal da Alemanha
e da França, que tudo não passava de um exercício fútil. A totalidade dos acordos de Minsk serviu um
único propósito: ganhar tempo para o rearmamento da Ucrânia. Para que precisamos de tais acordos?
Assim, afirmei: «Não vejo qualquer mérito numa reunião deste tipo.» O único objectivo, na perspectiva
ucraniana, é impedir o avanço das nossas Forças Armadas, nada mais. Precisamos de acordos que
perdurem não por meros meses, nem por meio ano, mas por um período histórico significativo. Deixemos
que os especialistas deliberem, elaborem soluções e só depois poderemos reunir-nos, assistir – como
mencionei – à assinatura dos documentos pertinentes, ou mesmo apor as nossas próprias assinaturas. No
entanto, é necessário primeiro formular uma solução.
Agora, o ponto mais crítico, que o público, particularmente o público russo, compreenderá. Isto ocorreu,
creio eu, a 21 de maio, e a 22 de maio, as forças ucranianas executaram um ataque terrorista hediondo a
um dormitório universitário na República Popular de Lugansk, resultando na trágica perda de crianças e
adolescentes. Isto constitui um crime grave. Não havia instalações militares nas proximidades, nem
veículos militares nas imediações.
Naquela manhã, entrei em contacto com este – digamos assim – colega que tinha viajado para Kiev e
perguntei: «O que é que isto significa?» Eles pedem uma reunião enquanto cometem crimes tão
hediondos como o assassinato de crianças. O que é que isto implica? Ele respondeu: «Não consigo
encontrar uma explicação. Estão a contactar-me mais uma vez; vou falar com eles e, posteriormente,
informá-lo e mantê-lo a par de tudo.» Respondi: «Muito bem.» Não voltei a falar com ele desde então.
E a carta que acabou de mencionar contém, de facto, certa grosseria. Será esta realmente a forma de criar
as condições para reuniões pessoais e negociações? Ou será que, pelo contrário, cria uma atmosfera em
que tais reuniões se tornam praticamente impossíveis? Creio que é a segunda hipótese.
Por isso, a nossa atenção não deve centrar-se nos autores desta carta, nem nos apreciadores do género
epistolar, mas sim nos nossos soldados na linha de contacto. (Aplausos.) E dirigindo-me a eles, gostaria
de dizer: «Camaradas soldados e marinheiros! Camaradas sargentos e suboficiais! Camaradas oficiais,
almirantes e generais! Todo o país está de olho em vocês. Todo o país se orgulha de vocês e deposita as
suas esperanças em vocês. Continuem o bom trabalho, irmãos!» (Aplausos.)
Moderadora Geeta Mohan: Então, vou interpretar isso como um «Não», ou seja, que não vai encontrar-
se com o autor da carta.
Vladimir Putin: Ainda não vejo qual é o objectivo.
Moderadora Geeta Mohan: Uma vez que mencionou o Presidente americano, será Trump a sua
oportunidade para resolver de uma vez por todas a questão Rússia-Ucrânia?
Pergunto-lhe isto, Presidente Putin, porque o Presidente Trump é, talvez, o único presidente americano
que está a interagir com a Ucrânia de forma a levá-la à mesa de negociações para chegar a um acordo.
Ele coloca o Presidente Zelensky em alerta. Se fosse o Biden ou o Obama, isto nem sequer teria sido
proposto. Será ele a oportunidade?
Vladimir Putin: Já falei sobre isto em Anchorage, e fui sincero quanto a isso. Acredito que, se o Presidente
Trump estivesse no poder naquela altura – e acredito que ele foi privado da vitória devido ao que
considero graves irregularidades naquela eleição –, os acontecimentos poderiam ter-se desenrolado de
forma diferente. Acredito que o uso generalizado do voto por correspondência não cumpriu as normas
internacionais aceites para garantir eleições justas. Se ele tivesse assumido o cargo, talvez estes
acontecimentos não tivessem ocorrido. Talvez ele tivesse dedicado maior atenção à procura de uma
solução pacífica.
Na verdade, nos últimos dias do mandato do Presidente Biden, falei com ele por telefone e disse-lhe
exactamente isso. No entanto, a administração da época não respondeu às propostas que tínhamos
apresentado em dezembro de 2021. Bem, isso agora faz parte da história. Talvez, se o Presidente Trump
estivesse no cargo, os acontecimentos tivessem seguido um rumo diferente.
Considero-o um colega meu e respeito-o. Tanto quanto posso avaliar, a atitude da actual Administração
dos EUA em relação à Rússia é semelhante. As nossas relações pessoais baseiam-se no respeito mútuo.
Mas, naturalmente, as questões fundamentais têm, em última análise, de ser resolvidas entre a Rússia e
a Ucrânia. Os nossos colegas nos Estados Unidos e noutras regiões do mundo só podem ajudar a criar as
condições necessárias e actuar como garantes. É partindo desse princípio que procedemos.
Moderadora Geeta Mohan: Presidente Putin, estamos aqui reunidos a debater isto no SPIEF 2026: como
é que o senhor consegue realmente oferecer um futuro económico estável e atrair investidores para a
Rússia, quando vemos infra-estruturas críticas a serem activamente alvo de ataques por parte da Ucrânia?
Vladimir Putin: Sabem, estes ataques certamente não trazem nada de positivo. Além disso, causam-nos
certos prejuízos. No entanto, quando os investidores tomam decisões de investimento, avaliam toda a
gama de riscos.
Ontem, ao falar com os vossos colegas – os responsáveis das principais agências noticiosas –, afirmei que
isto significa apenas uma coisa para nós: temos de reforçar a nossa segurança, reforçar as nossas
capacidades de defesa antimísseis e melhorar os nossos sistemas de defesa aérea. E é isso que faremos.
No entanto, as empresas, especialmente os investidores sérios, pensam em termos de perspectivas
históricas a longo prazo. Acima de tudo, avaliam a economia na qual pretendem investir.
Discutimos a situação actual da economia russa. Reconhecemos que o crescimento do PIB abrandou e
que existem outros desafios. No entanto, aceitámos esta situação com o objectivo de reforçar as bases e,
por assim dizer, melhorar a saúde geral da economia russa e os seus indicadores macroeconómicos.
Estamos deliberadamente a arrefecer a economia. E quero assegurar-vos que não vemos quaisquer
ameaças, nem hoje nem num futuro previsível. Pelo contrário, podemos ver que as medidas que estamos
a tomar estão a produzir resultados. Sei que muitos dos meus colegas estão aqui presentes, incluindo
representantes do sector real da economia. Reúno-me com eles regularmente e discutimos todas estas
questões.
Quanto aos gritos de «Está tudo perdido!» — uma espécie de «Lamento de Yaroslavna» —, esta expressão
talvez não vos seja totalmente clara, mas o público russo compreenderá a referência; estamos cientes de
que a taxa de juro de referência e outros factores tornam, sem dúvida, a actividade de investimento mais
difícil. No entanto, quero salientar mais uma vez o ponto principal: os alicerces fundamentais da economia
russa continuam sólidos. Isto dá-nos todos os motivos para acreditar que a Rússia continua a ser um
destino atraente para o investimento, não só interno, mas também estrangeiro. E devo dizer que vemos
esse interesse. Iremos certamente dar as boas-vindas aos nossos parceiros. (Aplausos.)
Moderadora Geeta Mohan: Ok. O senhor afirma que, no seu discurso, estabeleceu objetivos ambiciosos
para lançar um novo ciclo de investimento, mas o próprio senhor referiu que houve um declínio de 2,3%
no ano passado.
Como propõe, então, crescer num ambiente de guerras, sanções, activos congelados e, ao mesmo tempo
que fala de soberania, como equilibra isso com o convite a estrangeiros para virem para a Rússia?
Vladimir Putin: Veja bem, a senhora mencionou a guerra e as sanções, mas a nossa economia continua a
desenvolver-se de forma constante. O mercado interno está em expansão e o bem-estar da nossa
população está a aumentar. Estabelecemos como objectivo – tal como referi ontem – reduzir a taxa de
pobreza para menos de sete por cento até 2030. Já alcançámos uma taxa de 6,7%, atingindo esta meta
antes do previsto e superando as expectativas. Os nossos indicadores macro-económicos permanecem
estáveis – devo sublinhar isto mais uma vez.
Apesar destes desafios – que são sempre muitos, em todo o lado –, as bases sólidas do desenvolvimento
económico russo permanecem estáveis e oferecem perspectivas de crescimento promissoras. Todas as
empresas e sociedades permanecem vigilantes face aos riscos – reitero – do presente, do futuro próximo
e a longo prazo. Há quem esteja preparado para avançar após ter avaliado esses riscos. Estou confiante
de que superaremos estes desafios e, a seu tempo, esses riscos diminuirão.
No que diz respeito às operações de combate, partimos do princípio de que estas acabarão por chegar ao
fim e que isso acontecerá certamente assim que tivermos alcançado os objectivos que nos propusemos.
Quanto às sanções – bem, continuo a defender que estas causam mais danos a quem as impõe. Estas
sanções causam-nos prejuízos? Sim, causam. Congelaram 300 mil milhões, e nós detemos actualmente
mais de 500 mil milhões, se calcularmos em dólares. Congelaram 300 mil milhões, e nós já possuímos
mais de 500 mil milhões. Eis o resultado.
Causam-nos prejuízos? Sim, mas será que aqueles que impõem estas sanções sofrem com isso? Sem
dúvida, e profundamente! De acordo com várias estimativas – tomando a zona euro como exemplo –, os
danos infligidos pelas sanções contra nós ascendem a entre 1,5 e 2,5 biliões de euros. No entanto, está
actualmente em curso uma reavaliação desta situação. Esta reavaliação está a levar muitos a concluir que
um regresso à cooperação com os parceiros russos poderá muito bem ser o caminho mais sensato.
Iremos acompanhar esta situação de perto. Se os parceiros que nos abandonaram – retirando-se do nosso
mercado há dois ou três anos – não causaram perturbações significativas nem agiram de forma insolente,
daremos as boas-vindas ao seu regresso. De facto, já existem partes interessadas que desejam regressar.
No entanto, daremos, evidentemente, prioridade aos interesses das empresas nacionais nesta matéria.
(Aplausos.)
Moderadora Geeta Mohan: Voltando à questão das sanções, Presidente Putin, o senhor falou sobre
objetivos. No que diz respeito às sanções que estamos a assistir e que foram impostas à Rússia, há
certamente margem para se chegar a um acordo com a Ucrânia. Qual é o objetivo que a Rússia pretende
alcançar antes de se chegar a um acordo e quais são as linhas vermelhas neste contexto?
Vladimir Putin: Sabe, durante o meu discurso no Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, no verão
de 2024, expus todos os meus objetivos. Essencialmente, foram definidos logo no início da operação
militar especial.
Isto vai demorar algum tempo, mas vou resumir brevemente os pontos-chave.
Nos termos da Carta das Nações Unidas, todas as nações têm direito à auto-determinação. Na sequência
do golpe de Estado na Ucrânia, várias regiões do país rejeitaram as novas autoridades, declararam que
não apoiavam o golpe e proclamaram a sua independência e soberania. Ao fazê-lo, agiram em plena
conformidade com o direito internacional e com as disposições da Carta das Nações Unidas.
Durante muito tempo, procurámos resolver todos estes litígios por meios pacíficos. Os Acordos de Minsk,
assinados em Minsk, a capital da Bielorrússia, estabeleceram um quadro para abordar a complicada
situação no sudeste da Ucrânia.
No entanto, tornou-se posteriormente claro que as partes do outro lado tinham assinado estes acordos
apenas para ganhar tempo, reforçar as suas capacidades militares e lançar operações militares. Foi assim
que os acontecimentos se desenrolaram. Posteriormente, estes territórios declararam a sua
independência.
Vale a pena recordar que, na sua apreciação do caso do Kosovo, o Tribunal Internacional de Justiça
determinou que um território que declare a independência não é obrigado nem tem de solicitar
autorização às autoridades centrais do Estado a que pertence. Esta foi a decisão do Tribunal Internacional
e, com base nisso, as acções do Kosovo foram consideradas legítimas.
Seguindo o mesmo raciocínio, tanto a República Popular de Donetsk como a República Popular de Lugansk
também agiram dentro desse quadro. Embora nos tenhamos abstido de reconhecer a sua independência
durante um período considerável, acabámos por fazê-lo depois de concluirmos que um acordo negociado
entre todas as partes era inatingível e que estávamos, na verdade, a ser enganados. Reconhecemos,
portanto, a independência e a soberania destas entidades e, posteriormente, celebramos acordos com
elas.
Tínhamos o direito de as reconhecer? Sim, tínhamos, e foi o que fizemos. Isto não contradiz a Carta das
Nações Unidas. Poderíamos celebrar um tratado de amizade, cooperação e assistência mútua com elas?
Claro que sim – e foi exactamente isso que fizemos. O acordo foi ratificado pelo parlamento russo. Elas
solicitaram a nossa assistência e nós afirmámos que a prestaríamos no âmbito deste acordo. Essa é a
primeira tarefa, e está a ser cumprida.
A mesma carta a que se referiu afirma que o nosso objectivo é a libertação do Donbass – e estas duas
repúblicas, a República Popular de Lugansk e a República Popular de Donetsk, constituem a região do
Donbass. A carta afirma também que este objectivo nunca será alcançado.
Será que Kiev não sabe que, desde 1 de abril deste ano, a República Popular de Lugansk está totalmente
sob o controlo da Federação Russa e das forças russas, enquanto menos de 15 por cento do território da
República Popular de Donetsk permanece sob o controlo de Kiev? Estamos a avançar de forma constante
e confiante para a concretização destes objectivos, e não há dúvida de que os alcançaremos.
O mesmo se aplica a outros objectivos que pretendemos alcançar através de negociações – e estou a falar
da desnazificação. Também falei sobre isto ontem. Diziam-nos constantemente: «Que desnazificação? Do
que é que estás a falar? Isso é um disparate!» Mas que tipo de disparate é esse? Recentemente, assistimos
ao reenterro de criminosos nazis tratados como heróis da Ucrânia, com honras militares e saudações. E
quem é que está a fazer tudo isso? O chefe do regime de Kiev, que é judeu. É simplesmente escandaloso.
Apenas a Polónia reagiu de forma um pouco tímida, e há uma razão para isso – porque foram
principalmente judeus e polacos, bem como russos e ciganos, que foram exterminados pelos nazis
durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de um milhão de pessoas [foram exterminadas].
Já disse isto ontem, mas vale a pena repeti-lo. Esta é uma parte fundamental da tragédia do Holocausto.
Um milhão de pessoas, compreende? Mulheres e crianças foram esfaqueadas com forquilhas e
queimadas nas suas casas. Mas agora [os criminosos nazis] estão a ser enterrados novamente com honras
militares, com a presença do chefe do regime actual e com saudações e homenagens, glorificando
efectivamente os nazis. O nosso objectivo é alcançar a desnazificação, e esperamos o apoio da
comunidade internacional para o fazer.
http://en.kremlin.ru/events/president/news/79956
Sem comentários:
Enviar um comentário