Linha de separação


15 de junho de 2021

Casos, casinhos e outras coisas...

Não deixa de ser curioso, mesmo risível, ver nos media os “comentadores” – alguns até com parangonas de esquerda - andarem muito preocupados por a oposição (PSD, CDS e etc.) viver de casos. Casos que aparecem, desaparecem, como episódios da mesma interminável e inconsequente novela,

Diga-se que eles – os ditos “comentadores” - com isto vão ganhando a vidinha. Dizem mesmo que a democracia – ou que eles entendem por isso – precisa de uma oposição forte que tenha propostas alternativas ao governo PS. Mas a alternativa existe, só que nem por sombras a mencionam, está na esquerda marxista e numa política que seja patriótica e (verdadeiramente) de esquerda. Nisto não se fala.

Claro que o PSD, o CDS e os etc., não têm “propostas alternativas” porque os programas de governo, para além das boas e más intenções e das promessas que não serão cumpridas, é ditado de Bruxelas, segundo o que está escrito, como que em celestes tábuas da lei, pelos profetas do “fim da história” da religião neoliberal para serem seguidas pelos pobres mortais que têm de trabalhar para sustentar o poder oligárquico.

Os governos mais de direita ou menos de direita apenas seguem o guião do “modelo liberal” e euro-atlantista”. Neste contexto totalitário está excluída qualquer perspetiva de cariz socialista. É como o mesmo enredo teatral apenas mudando a encenação e os atores. Isto não impede que se prefira uns a outros e se não se hesite em vaiar (e lutar) firmemente contra certas encenações e interpretações.

Por isso, PSD, CDS e os etc., só têm casos e casinhos. Aliás, é bom não esquecer que o governo PSD-CDS foi pródigo em mentirolas, como falsas promessas eleitorais, escamotear as fraudes bancárias e os compromissos  com a UE para cortes nas prestações sociais 

Apresentam-se como puritanos anticorrupção, falando do que é selecionado como “casos”, porém nos media não se fala do que se passa - e passou - graças às políticas de direita, amplo território de corrupção, de facto intrínseca ao sistema que defendem, e de incompetência de que resultam persistentes crises, apesar das obscenas desigualdades  e da acrescida exploração sobre a força de trabalho.

Com casos e casinhos transferem para o campo pessoal as contradições do sistema que defendem, omitindo as causas e pondo de parte quaisquer soluções que alterem o seu funcionamento.

Casos e casinhos, com os quais a direita pretende impor-se com a máscara de puritanismo, servem alimentar a ideologia reacionária e despolitizar as massas proletárias, deslocando a discussão política e o esclarecimento das massas trabalhadoras do essencial: as relações de produção, o desenvolvimento económico soberano, as relações laborais, a democracia participativa, a consciência política do proletariado.


Para o Império : vacinas só da Pfizer e Moderna....

 Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês) é uma agência cientifica ou meramente política ?

Até agora ainda não emitiu nenhum parecer sobre a vacina russa Sputnik , anda há meses a encanar a perna à rã. Quanto às vacinas chinesas nem uma só referência.

Agora perante as dificuldades com certas vacinas , e com o atraso relativo a outros países a EMA com o maior dos descaramentos vem dizer que é necessário  diversificar o  portofólio ...

"A diretora-executiva da EMA defende que os governos devem ter à disposição um portefólio variado de diferentes vacinas contra a Covid e alerta que depender de uma vacina pode ser prejudicial. "

“Vamos precisar de um portfólio de vacinas – uma coisa que aprendemos com esta pandemia é que assim que começamos a fazer previsões, outra coisa acontece”, disse Emer Cooke, em declarações ao Financial Times (acesso condicionado, conteúdo em inglês), acrescentando que “a melhor abordagem é uma abordagem de portfólio”, isto é, ter vários tipos de vacinas à disposição, dado que alguma coisa “pode correr mal” ou até podem existir “problemas de produção”.

Estas declarações surgem numa altura em que alguns países estão a deixar de administrar as vacinas de vetores virais desenvolvidas pela AstraZeneca e pela Janssen, após o regulador europeu ter concluído que existem uma “possível ligação” entre a administração destas vacinas e a formação de coágulos sanguíneos muito raros. Nesse sentido, os países europeus e os EUA estão a dar primazia às vacinas desenvolvidas com a tecnologia RNA mensageiro, como as vacina da Pfizer/BioNTech e da Moderna. Só no mês passado, a Comissão Europeia assinou um contrato para aquisição de 1,8 mil milhões de doses da vacina Pfizer para 2022 e 2023.

Também m alto funcionário da Agência Europeia de Medicamentos disse numa entrevista publicada no domingo que seria melhor deixar de administrar a vacina anticovid-19 da AstraZeneca a todos os grupos etários quando houver alternativas disponíveis.

Marco Cavaleri, responsável pela estratégia de vacinação na EMA, também disse ao jornal italiano La Stampa que a vacina da Johnson & Johnson deve ser utilizada de preferência para pessoas com mais de 60 anos.

Ambas as vacinas virais vetoriais foram aprovadas pelo regulador europeu para os maiores de 18 anos, mas tem havido relatos  de coágulos sanguíneos .

Na Inglaterra  primeiro-ministro britânico da  , Boris Johnson, anunciou que considera necessário esperar um pouco mais para encerrar o encerramento total devido ao covid-19, que deverá terminar no dia 21 de junho. Centenas de pessoas se reuniram em frente ao Parlamento britânico para protestar contra a decisão. Nas últimas semanas, a cepa Delta, altamente contagiosa, do vírus se tornou a variante dominante em grande parte do país. As infecções e hospitalizações têm aumentado em todo o território e tem havido dúvidas sobre a eficácia da resposta da AstraZneca a esta nova variante, principalmente para quem ainda só tomou uma doze.


14 de junho de 2021

O império decide

 

O "Leão Africano" ianque busca uma nova presa

Diante do fracasso da implementação do AfriCom em solo africano, o Pentágono optou por reunir as forças dos EUA para a África e a Europa sob um único comando, com base em Wiesbaden, Alemanha. Os Estados Unidos usam essas tropas para impor à África uma nova divisão territorial que os países da União Europeia terão que aceitar e reconhecer. Em outras palavras, o comando militar dos EUA com base em Wiesbaden decidirá a política externa da União Europeia. Já assistimos a este último com o congelamento das operações militares da França e da União Europeia no Mali, enquanto se mantêm as operações no Chade.

Já começou o “Leão Africano”, o maior exercício militar na África, planeado e liderado pelo Exército dos Estados Unidos. “Leão Africano” inclui ações terrestres, aéreas e navais no Marrocos, Tunísia, Senegal e mares adjacentes - do Norte da África ao oeste daquele continente e do Mediterrâneo ao Atlântico - com a participação de 8.000 militares (metade são soldados americanos ) e cerca de 200 veículos blindados, canhões automotores, aviões e navios de guerra. Espera-se que este "Leão africano" custe US $ 24 milhões e terá implicações particularmente significativas. .

Com um plano político traçado e decidido principalmente em Washington, o “Leão Africano” deste ano realiza-se pela primeira vez no Sahara Ocidental, ou seja, no território da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), reconhecido por mais de 80 membros Estados da ONU, mas cuja existência Marrocos nega e luta por todos os meios. .

Rabat acredita que, ao segurar o “Leão Africano” no Saara Ocidental, Washington está de fato reafirmando seu reconhecimento da soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental.

Peru - a vitoria do povo e a cruzada da CIA ,Kelko Fujimoro

1-Según las agencias periodísticas miles de integrantes de las rondas campesinas, organizaciones comunales para la defensa de sus territorios y surgidas de la voluntad de los vecinos, preparaban su marcha a Lima. Fue en los inicios de la semana y querían asegurarse que los señoritos blancos de la costa no les arrebaten la victoria electoral que estaban alcanzando.

Nuestro conocido Jaime Durán Barba -que fuera asesor de Macri- que se caracteriza por ser conservador pero no tonto, lo dijo con todas las letras: “Los campesinos de Perú que están a un milímetro del poder por primera vez, no reconocerían una derrota”.

Cuando en las primeras horas del recuento electoral había dudas sobre la orientación del voto. Un avezado diplomático con destino en Lima, con voz grave y sin medias vueltas, dio en la tecla diciendo. La derecha tiene la posibilidad del fraude. En Perú se destruyen los votos en el lugar de elección y solo quedan -dentro de las urnas- las actas, más fáciles de reemplazar. La síntesis podría ser: “Actas…matan votos”, solo el temor a la rebelión de los campesinos y pobladores de los “pueblos jóvenes”, las “villas” de las grandes ciudades pudo cambiar ese destino y permitir que quienes fueron negados y explotados durante siglos, por esta vez lleguen a la administración del Estado.

13 de junho de 2021

As delicias da oligarquia para os senhores do dinheiro

 Totalitarismo   é um conceito  sem classes por isso serve às mil maravilhas , ao império , à Nato , ao capital.

Como se o poder não se exercesse ao serviço de uma classe , ao serviço de tal ou tal grupo da classe dominante.. Ora agora mando eu ora agora mandas tu com ambos a defenderem sempre os interesses de classe.

Mas mesmo utilizando o conceito ,veja se o artigo de Caitlin Johnstone e atente- se :Em regimes totalitários, você não é livre e sabe disso. Nas democracias livres, você não é livre e não sabe disso.

A diferença entre regimes totalitários e democracias livres

Por Caitlin Johnstone https://caitlinjohnstone.com

13 de junho de 2021  - Em regimes totalitários há massacres e guerras. Em democracias livres, eles têm intervenções humanitárias.

Em regimes totalitários, eles usam tortura. Nas democracias livres, eles usam técnicas aprimoradas de interrogatório.

Em regimes totalitários, eles financiam grupos terroristas para criar instabilidade. Em democracias livres, eles financiam grupos terroristas para criar estabilidade.

Em regimes totalitários, ditadores malignos bombardeiam seu próprio povo. Nas democracias livres, fazemos isso por eles.

Em regimes totalitários, um único partido defende e aplica o status quo. Nas democracias livres, dois partidos defendem e fazem cumprir o status quo.

Em regimes totalitários, o governo controla a imprensa e determina a quais informações o público pode ter acesso. Nas democracias livres, são os bilionários que fazem isso.

11 de junho de 2021

Informações a mais e informações a menos

 A transmissão de dados (ao que parece a mais) sobre três cidadãos russos à respetiva embaixada fez os media e respetivos comentadores quase entrarem em histeria. A direita então nem se fala, ou não fosse: "A Rússia é o inimigo!". 

Esta agitação tem muito de hipocrisia, ignorância ou má fé. Nada se sentiram incomodados quando foram fornecidos à embaixada de Israel  dados sobre elementos da manifestação contra a repressão de Israel sobre o povo palestiniano. Nem então nem agora o assunto foi sequer aflorado.  

Recentemente foi revelado em certos media na Alemanha e Dinamarca sobre espionagem americana a líderes europeus. Biden está pessoalmente implicado no escândalo. A Agência de Segurança Nacional dos EUA espiava telefonemas e e-mails de outros governos europeus, o que se passava também no governo de Obama, no qual Biden foi vice-presidente.

Isto mostra como os países europeus são tratados como meros subordinados dos ditames de Washington. E assim a hostilidade dos Estados Unidos na renovada Guerra Fria contra a Rússia e a China é refletida inquestionavelmente no bloco europeu. Estes mais recentes relatórios acrescentam credibilidade ao que anteriormente tinha sido revelado por Edward Snowden, sobre a espionagem dos EUA aos líderes europeus

O que nos leva a pensar: se isto se passa com governantes, o que dizer do cidadão comum em que estejam interessados? Mas este escândalo nem sequer mereceu uma palavra aos "comentadores". 

Outra questão que nada moveu os "puritanos" da democracia e direitos humanos. Alguém ouviu falar nas eleições que se realizaram na Síria? Não. Porém, as eleições presidenciais da Síria em 27 de maio, foram um sucesso num cenário de 10 anos de guerra brutal e implacável imposta pelos EUA e outros países da NATO.

Após uma década de horrores cometidos por mercenários e terroristas implantados secretamente pelas potências ocidentais, bem como a agressão aberta das forças militares da NATO e Israel que atacam ilegalmente o país e da guerra de sanções económicas, o povo da Síria permanece desafiador e independente.

O presidente Bashar al-Assad foi reeleito para um quarto mandato de sete anos depois de obter 95 por cento dos votos expressos. É impressionante e isto refuta completamente a narrativa ocidental que descreve Assad como um “tirano”.

Apesar de todas as dificuldades, o povo sírio compareceu em massa para votar em 27 de maio. A participação foi de mais de 78%, com mais de 14 milhões de votos expressos num eleitorado elegível de 18 milhões.

Os governos ocidentais e os media servis não conseguem demonstrar as suas teses face ao épico desafio popular às suas nefastas intrigas pela "mudança de regime" na Síria. Daí o silêncio total dos media sobre o resultado da eleição.

O grande número de pessoas comparecendo para votar e as subsequentes cenas de júbilo em toda a Síria contam uma história que confunde a propaganda ocidental e expõe a criminalidade das potências da NATO. A nação síria escolheu o seu presidente - novamente.

O mesmo silêncio vergonhoso já acontecia quando o exército sírio libertava cidades e vilas de terroristas apoiados pelo Ocidente. Quando as pessoas saíram para saudar os libertadores do exército sírio, a realidade foi simplesmente ignorada, apesar de ter sido dito que o exército sírio e seus aliados russos cometiam massacres contra “rebeldes” e populações civis.

Nenhum meio de comunicação ocidental fez o mesmo para relatar como os sírios se sentem por serem libertados e por terem suas vidas pacíficas restauradas. Isso porque os sírios elogiariam a liderança de Assad, a coragem do exército e a ajuda crucial da Rússia, Irão e Hezbollah. Por outras palavras, as mentiras do Ocidente seriam demolidas pela verdade e, portanto, os media são obrigados a ignorar e manter o silêncio.

Para todos que mo mundo desejam justiça e paz e a derrota do imperialismo, a vitória da eleição na Síria é um dia glorioso para comemorar.

Ver Finian Cunningham http://www.informationclearinghouse.info/56561.htm e http://www.informationclearinghouse.info/56554.htm

O EURO ,a política de direita e o passa culpas no Bloco Central das negociatas

 FAZER O MAL E A CARAMUNHA

Agostinho Lopes


De há uns tempos a esta parte multiplicaram-se os comentários sobre a avaliação da situação económica do país, comparando-a com os países do Leste Europeu a partir do cotejo da evolução dos respectivos rácios do PIB/capita. E as conclusões são sempre as mesmas: Portugal ultrapassado até pela Roménia; Portugal lanterna vermelha na UE, pior só a Bulgária; «Portugal é o terceiro pior do euro»! Com mais ou menos música, os títulos são elucidativos: «Retrato de um país ameaçado pelo marasmo» (1); «Assim não saímos do mesmo sítio» (2); «Portugal, pedala, pedala, e não sai do sítio» (3); «Causas da nossa decadência» (4); «História de um país pobre que se tornou um pobre país» (5); «O fracasso de Portugal na Europa e a SEDES» (6) – com um subtítulo: «É infelizmente necessário constatar que, em termos de desenvolvimento económico e social, os últimos 22 anos se saldaram por um rotundo fracasso», etc., etc. E a controvérsia não será certamente com as «conclusões» inscritas nos títulos. Três breves anotações e o registo da superficialidade, mesmo do simplismo, de algumas análises e surpreendentes «esquecimentos». (7)

Aparentemente não passa pela cabeça dos analistas que no período de tempo de referência utilizado, as duas primeiras décadas do século, a economia portuguesa é definitiva e estruturalmente marcada pela adesão ao euro e tudo o que a pertença à Zona Euro arrastou, nomeadamente em termos de gestão orçamental e investimento público. A que se deve acrescentar as consequências da chamada Estratégia de Lisboa (2000) e os seus sucedâneos, com o carrossel das liberalizações e privatizações, uma financeirização brutal, e consequências dramáticas nos sectores produtivos, como foi a desindustrialização. Depois são análises que, metendo todos aqueles países no mesmo saco, não conseguem ver que há dois grupos bem distintos. O grupo que está fora do euro (Bulgária, Croácia, Hungria, R. Checa e Roménia), que crescem a um ritmo médio anual que é o dobro da média da Zona Euro. O outro, os restantes cinco (Estónia, Lituânia, Letónia, Eslovénia e Eslováquia), que aderiram ao euro em momentos diferentes nos últimos 15 anos, e que, desde então, baixaram consideravelmente os seus ritmos de crescimento. Sendo, apesar disso, quase sempre superior ao da média da Zona Euro (e não só de Portugal, Itália, Grécia e Espanha). Veremos no futuro o que vai acontecer, mas seria estranho que não se acrescentassem nesta análise outros factores, nomeadamente os pontos de partida das suas estruturas produtivas, qualificação da mão-de-obra (uma «herança» do comunismo!), e até a sua maior proximidade geográfica à Alemanha e países do centro da Europa.   

Depois o «esquecimento» de que há mais de duas décadas todos estes analistas, e os jornais onde escrevem, e os partidos a que alguns pertencem, são os promotores, os ideólogos e estremes defensores das políticas de sucessivos governos do PS (incluindo do actual), PSD e CDS, e de tudo quanto tem vindo da UE e sobretudo da Zona Euro – algumas das quais são atrás referidas – exactamente as causas e as explicações para a situação de desastre económico e social em que o país se encontra e que povoa os títulos dos seus comentários. É absolutamente notável o tom compungido do Director do Público em recente Editorial, lacrimejando pela «queda de 17% dos salários dos (jovens) portugueses licenciados» nos últimos dez anos e a «emigração dos mais ousados e talentosos» (1)! Arre, que é preciso lata!

Para acabar, desnudar os reais objectivos daquelas análises. Todos concentram as responsabilidades (mesmo se alguns dão mais umas voltas) do ponto a que chegamos, não em mais de quatro décadas de políticas de direita do PS, PSD, CDS, particularmente as que geriram os 20 anos deste século, não na continuidade, no essencial, dessas mesmas políticas pelo actual Governo PS (caso da submissão à UE e ao euro), mas na paralisia do actual Governo PS peado no ímpeto reformista pelas «alianças» à esquerda (8), na concretização das velhas e conhecidas, e nunca assaz louvadas, «reformas estruturais»: maior liberalização da legislação laboral, assalto à Segurança Social pública, privatização de serviços públicos, etc. E nunca esquecer: mais dinheiro dos fundos comunitários para o grande capital... «Esquecendo», também, mas não é por mal, que daqueles 20 anos a pontual e limitada interferência da esquerda se deu em cinco anos! Curiosamente, o único período em que crescemos acima da média da Zona Euro.


(1) Manuel Carvalho, Público, 03JUN21; (2) João Vieira Pereira, Expresso,  09ABR21; (3) João Silvestre, Expresso, 09ABR21; (4) Miguel Poiares Maduro, Expresso, 04JUN21; (5) João Vieira Pereira, Expresso, 04JUN21; (6) Clemente Pedro Nunes, “i” 05FEV21; (7) Refira-se como excepção, Cristina Casalinho, Jornal de Negócios, 26MAI21, tendo o cuidado até de uma comparação com países com economias com dimensão semelhante à nossa, Hungria e R. Checa; (8) No bom resumo de muitos dizeres de Luís Todo Bom: «um Governo socialista, de matriz comunista, onde a extrema esquerda dita as regras do seu posicionamento estratégico (...)» (Expresso, 04JUN21) Ouviste, oh Costa!?


10 de junho de 2021

Um terramoto político

https://americasocialista.org/america-latina-entre-la-pandemia-y-la-crisis-capitalista-un-polvorin-a-punto-de-estallar-video/

A vitória de Pedro Castillo nas eleições presidenciais peruanas é um grande terremoto político, refletindo a enorme polarização social e política no país andino. A classe dominante sofreu uma derrota massiva por parte das massas, pelas mãos do militante sindicalista de professores à frente de um partido, o Peru Libre, que se autodenomina marxista, leninista e mariateguista.

A recontagem foi um processo lento e doloroso, e o resultado decisivo não ficou claro até o final, três dias após o fechamento das urnas em 6 de junho. No momento em que escrevo, com 99,795 por cento dos votos apurados, Pedro Castillo tem 8.735.448 votos (50,206 por cento), o que lhe dá uma pequena mas irreversível vantagem sobre seu rival, o populista de direita Keiko Fujimori, que obteve 8.663.684 votos (49.794 por cento) .

Mesmo agora, os resultados oficiais não foram anunciados. A equipe de Fujimori alega fraude e está preparando dezenas de recursos. As massas estão prontas para defender o voto nas ruas. Há relatos de que 20.000 ronderos (membros das milícias camponesas de autodefesa criadas durante a guerra civil dos anos 1990, da qual Castillo é membro) estão viajando para a capital para defender a vontade do povo. Hoje, 9 de junho, uma grande manifestação foi convocada em Lima, onde as pessoas se reuniram por três noites consecutivas em frente à sede eleitoral de Castillo.

Foi a extrema fragmentação da votação no primeiro turno que permitiu a Castillo passar para o segundo turno com apenas 19 por cento. No entanto, seu sucesso eleitoral não é coincidência. É uma expressão da profunda crise do regime no Peru. Décadas de privatizações e políticas de liberalização contra a classe trabalhadora em um país extremamente rico em recursos minerais deixaram um legado de democracia burguesa baseada na extrema disparidade de riqueza e corrupção generalizada.

Cinco ex-presidentes estão presos ou acusados ​​de corrupção. Todas as instituições da democracia burguesa estão extremamente desacreditadas. As manifestações em massa de novembro de 2020 foram uma expressão da profunda raiva acumulada na sociedade peruana.

A isso deve ser adicionado o impacto da pandemia COVID-19 e da crise capitalista. O país sofreu uma das piores contrações econômicas da América Latina com uma queda de 11 por cento no PIB, e registrou o pior percentual de excesso de mortes e a pior taxa de mortalidade do mundo, enquanto os ricos e políticos do governo foram vacinados antes de qualquer outro .

Um voto para uma mudança radical

As massas operárias e camponesas queriam uma mudança radical e isso é precisamente o que Pedro Castillo representa aos seus olhos. Sua campanha teve dois eixos políticos principais: a renegociação dos termos dos contratos com as multinacionais mineradoras (e se recusassem, seriam nacionalizadas) e a convocação de uma Assembleia Constituinte para encerrar a constituição de 1993 elaborada durante a ditadura de Fujimori (candidato Pai de Keiko).

Seus principais slogans eleitorais: “não há mais pobres em um país rico” e “palavra do professor” ressoaram entre os oprimidos, os trabalhadores, os pobres, os camponeses, os oprimidos, os indígenas quíchuas e aimarás, especialmente entre a classe trabalhadora e os pobres. Longe dos círculos da classe alta de pele clara de Lima.

A autoridade de Castillo vem de ter desafiado a burocracia sindical para liderar a greve dos professores de 2017. Para os trabalhadores e camponeses, ele é um dos seus. Um humilde professor rural de raízes camponesas que prometeu viver do salário de professor quando ele se tornar presidente. Seu apelo é exatamente o de ser um anti-sistema de esquerda. Sua popularidade revela um profundo descrédito da democracia burguesa e de todos os partidos políticos (incluindo os principais partidos de esquerda).

Embora Keiko Fujimori não fosse sua candidata favorita, toda a classe dominante peruana cerrou as fileiras atrás dela no segundo turno. Sua campanha foi brutal. Cartazes em Lima proclamavam "Comunismo é pobreza" e as sete pragas seriam ameaçadas se Castillo vencesse as eleições. Ele foi acusado de ser "o candidato do violento Sendero Luminoso" em uma terra que não pegou. O ganhador do prêmio Nobel Vargas Llosa, que no passado se opôs ao governo de Alberto Fujimori do ponto de vista liberal burguês, escreveu furiosos artigos de opinião afirmando que uma vitória de Castillo significaria o fim da democracia.

Apesar de tudo isso, ou talvez exatamente pelo ódio que provocou entre a classe dominante, Castillo começou a campanha do segundo turno com uma vantagem de 20 pontos sobre o rival. Essa vantagem diminuiu com a aproximação do dia da eleição. Em parte porque a campanha de ódio empurrou eleitores hesitantes para Keiko Fujimori, mas também porque Castillo tentou diminuir sua mensagem e moderar suas promessas.

Embora no primeiro turno ele tivesse prometido convocar uma Assembleia Constituinte a todo custo, agora ele disse que respeitaria a Constituição de 1993 e pediria ao Congresso (onde não tem maioria) a convocação de um referendo para decidir se convoca uma Constituinte Conjunto. Embora tenha dito no primeiro turno que nacionalizaria as minas, ele agora enfatizou que primeiro tentará renegociar os contratos. Quanto mais ele fazia isso, mais sua liderança se estreitava, a um ponto em que, no dia da eleição, sua vitória estava muito próxima.

Contradições de classe

No entanto, a vitória estreita mascara a forte polarização de classes do país. Fujimori venceu em Lima (65 a 34) e mesmo aqui seus melhores resultados estão nos bairros mais ricos: San Isidro (88%), Miraflores (84%) e Surco (82%). Castillo ganhou 17 dos 25 departamentos do país, com vitórias massivas nas regiões mais pobres do sul e andina: Ayacucho 82 por cento, Huancavelica 85 por cento, Puno 89 por cento, Cusco 83 por cento. Ele também venceu em sua terra natal, Cajamarca (71 por cento), uma região onde ocorreram protestos massivos contra a mineração.

Nos últimos dias da campanha, Keiko Fujimori, em um clássico estilo populista, prometeu transferências diretas de dinheiro dos pagamentos das mineradoras para a população das cidades onde estão as minas. Esta foi uma tentativa de desviar os eleitores da proposta de Castillo de mudar os contratos para beneficiar toda a cidade. Os eleitores elegeram Castillo en masse em todas as cidades mineiras: em Chumbivilcas (Cusco), 96 por cento, Cotabambas (Apurímac), a base da mina chinesa MMG Las Bambas, mais de 91 por cento, Espinar (Cusco), onde opera a Glencore, mais de 92 por cento; Huari (Áncash), onde há uma mina conjunta BHP Billiton-Glencore, mais de 80 por cento.

As massas operárias e camponesas que apóiam Castillo estavam prontas para sair às ruas para defender sua vitória, enquanto Fujimori gritava fraudes e apelava dos resultados. Nos dias que antecederam as eleições e imediatamente após, surgiram rumores de um golpe militar. Apoiantes proeminentes de Fujimori apelaram ao Exército para intervir para impedir Castillo de assumir o poder.

Não há dúvida de que um setor da classe dominante no Peru está em pânico e usou todos os meios à sua disposição para impedir que Castillo ganhasse as eleições. Eles veem isso como uma ameaça ao seu poder e privilégios e à forma como governam o país desde sua independência, há 200 anos.

Até agora, os elementos mais cautelosos da classe dominante parecem ter prevalecido. Um editorial do principal jornal burguês La República descreveu Fujimori como irresponsável por gritar fraude. “Vamos apelar para a liderança sensata e cuidadosa de líderes políticos e autoridades. Precisamos acalmar as ruas do interior do país, que fervilham entre a desconfiança e o cansaço ”. É isso que os preocupa. Qualquer tentativa de roubar a eleição de Castillo levaria às ruas as massas operárias e camponesas, radicalizando-as ainda mais.

Tudo isso dá uma ideia do que Castillo enfrentará quando assumir o cargo. A classe dominante e o imperialismo recorrerão a todos os meios necessários para impedi-lo de realmente governar. Vimos o mesmo roteiro no passado contra Chávez na Venezuela. Membros proeminentes da oposição ao golpe venezuelano estiveram em Lima para apoiar Fujimori antes das eleições, e isso não é coincidência. Eles usarão o Congresso e as outras instituições burguesas, a mídia, o aparelho de estado (até e incluindo o exército), a sabotagem econômica, para limitar sua capacidade de implementar suas políticas.

Defenda a vitória - prepare-se para a batalha

O programa de Castillo, apesar das referências a Marx, Lenin e Mariátegui nos documentos do Peru Libre, é um programa de desenvolvimento capitalista nacional. Propõe usar a riqueza mineral do país para programas sociais (principalmente educação) e trabalhar com "empresários nacionais produtivos" para "desenvolver a economia". Seus modelos são Correa do Equador e Morales da Bolívia.

A CIA , a OEA e os dominantes querem esmagar o voto Popular

Perú

 

As organizações pediram que os resultados eleitorais sejam respeitados diante de denúncias de fraude e ameaças de intervenção militar.

Após questionar o processo eleitoral, as instituições do Estado e a sociedade civil exigiram que o resultado das eleições fosse respeitado.

O apelo surge depois de denúncias de suposta "fraude eleitoral" feitas pelo Partido Popular Fuerza e setores afins.

Apoiadores do fujimorismo e grupos de direita pedem através das redes sociais que as Forças Armadas intervenham, para ignorar os últimos resultados dados como presidente virtual do Peru ao professor Pedro Castillo Terrones.

Atitude vigilante

Na mesma linha, o Coordenador Nacional de Direitos Humanos (CNDDHH) exige respeito à vontade popular manifestada nas eleições, instituições democráticas e direitos.

Em nota, expressou sua preocupação com as mensagens que apontam para uma suposta fraude nas últimas eleições, apesar das opiniões de parabéns das entidades eleitorais.

Da mesma forma, assinalou que a contestação de atos para forçar o procedimento de um processo eleitoral instituído constitui "um atentado à institucionalidade democrática".

Além disso, lamentou o desequilíbrio na cobertura midiática de ambos os candidatos, fato que afetou a liberdade de informação, o direito à liberdade de expressão e a imprensa dos jornalistas.

Finalmente, ele pediu a vigilância dos cidadãos contra as decisões do Congresso para forçar uma quarta legislatura com o objetivo de fazer reformas constitucionais.


9 de junho de 2021

Peru

Um video esclarecedor co legendas em castelhano
 

A liberdade de imprensa

 Por acaso viram algum protesto no Expresso , no Diario , na RTP contra os despedimentos de jornalistas no Peru? A indignação destes orgãos é uma indignação de funil...

Nota del diario La República:

El despido de periodistas en razón de sus ideas hace recordar la década ignominiosa del fujimorismo de los 90. La persecución de medios independientes, la existencia de hombres y mujeres de prensa favoritos del régimen, las prebendas a los dueños de los medios de comunicación, son imágenes que simbolizan la dictadura de esos años y que parecía un capítulo cerrado en nuestra historia contemporánea.

Conocer las cartas remitidas por los periodistas de América TV y Canal N, entre ellos de quienes formaban el equipo de Cuarto poder –que presentaron su renuncia masiva por el cambio de la línea editorial en favor de Keiko Fujimori– significa un caso de violación flagrante de las libertades de información y expresión en uno de los canales de televisión de mayor presencia a nivel nacional. Estas cartas de denuncia han originado despidos y forzado acuerdos de “mutuo disenso” de los firmantes, que se irán conociendo en el transcurso de las próximas horas.

Grupo La República, integrante del directorio de Plural TV, empresa propietaria del Canal 4 y Canal N, puso en conocimiento vulneraciones de la libertad de información y de expresión ante el Tribunal de Ética del Consejo de la Prensa Peruana, solicitud que ha sido admitida a trámite.

La abierta parcialización con la candidata Keiko Fujimori ha sido el detonante de estos casos que se inician con el despido arbitrario de la directora de prensa, Clara Elvira Ospina, y que se suman a los recientes casos de renuncias y despidos del personal de prensa que denunció el desequilibrio informativo para favorecer a la heredera del fujimorismo.

Se han señalado casos concretos de coberturas realizadas para perjudicar la imagen de Pedro Castillo, eliminación de declaraciones que pudieran favorecerlo, privilegios para la candidata Fujimori y la elección de transmisión únicamente del mitin de ella, pese a que ambos actos de cierre de campaña se realizaron en simultáneo. Todos estos son hechos que trasladan a una época que considerábamos concluida.

Peru


Por Lucas Malaspina y Marcos Doudtchitzky.

Pedro Castillo ganará a pesar de estar demonizado por los medios y ausente, hasta hace poco, de las redes sociales. Sintonizar con la nueva generación política y con el sentimiento anti-sistema de la mayoría produjo un resultado, que dice algo a América Latina.

Pedro Castillo, el profesor sindical que está a punto de ganar las elecciones presidenciales peruanas, sorprendió a todos los niveles. Hasta entonces desconocido para el público en general, el candidato del partido Perú Libre se prepara para derrotar a Keiko Fujimori, probablemente la política más conocida hoy, para bien o para mal, en el país. Una de las facetas más sorprendentes de Castillo está ligada a su presencia (o, de hecho, su ausencia) en las redes sociales. Cuando ingresó a la encuesta, tenía apenas 3.000 seguidores en Twitter y actualmente tiene 79.000 contra más de un millón de Keiko Fujimori. Irónicamente, inicialmente podría haber sido llamado «el candidato no me gusta». Pero, ¿hasta qué punto fue este el caso? ¿Cómo es posible que en el siglo XXI, cuando los consultores de comunicación enfatizan constantemente la importancia de una estrategia política integrada en diferentes plataformas, un candidato esté cerca de ganar la presidencia en estas condiciones? En última instancia, ¿cuál es la distancia entre las redes sociales y la «realidad»?

A clareza de Rui Rio

"Admitir " ? Como diria o ex ministro , Jamais !!!

 Que interesses representa e defende Rui Rio e o PSD ?

Rui Rio sem o querer é claro. Quando se trata das questões centrais do capital e do trabalho , Rui Rio nem consegue disfarçar . Legislação laboral , repor justos direitos retirados com a troika é para o PSD como ver o diabo. 

Ao longo das suas intervenções quando é que defendeu o aumento do salário mínimo ? Quando é que condenou a precariedade laboral ? 

Mesmo com os sindicatos de colaboração com os dominantes ,como são os da UGT, quantas vezes se reuniu com estes ? 

Um almocinho no primeiro de Maio para a fotografia e para não ficar ausente dos noticiários do dia

 Nem se lembra destes.

 Na pedra de toque entre o capital e o trabalho Rui Rio e o PSD , tal como todos os partidos de direita , no seu posicionamento normal e quotidiano , quer por omissão quer por intervenção posiciona-se sempre do lado do capital . Indiquem  nos uma vez que seja em que tal não tenha acontecido É a sua posição de classe natural , normal .tal como o ar que respiram. Vestir a pele dos assalariados , nem lhe passa pela cabeça . Umas referências anódinas a estes em épocas eleitorais , na caça aos votos e basta.

Só assim se compreende o histerismo da sua senha contra as declarações de António Costa  que "admitiu" rever as leis laborais com o pretexto de a pandemia ter demonstrado " a fragilidade dos contratos de Trabalho " . Repare se que o PS nem sequer diz que vai rever , simplesmente diz que " admite ", o suficiente para o PSD  vir jogar a carta do preconceito anticomunista e dizer aos senhores do grande capital :vejam o que este PS que sempre esteve ao nosso lado nas revisões laborais para a  supressão de direitos "exagerados" e "aumentar a competitividade "quer fazer agora com os comunistas para ter o seu voto ....

 O PS sabe que vamos ter eleições , sabe como o tema é justo e bem visto nas classes laboriosas e como lhe é útil uma pincelada de esquerda sem grandes compromissos e problemas , daí o ter "admitido " e apenas ter "ter admitido".



7 de junho de 2021

O Papão russo

Um video esclarecedor com legendas em castelhano . Curto e directo
 

A descarbonização e os seus álibis

 


por Daniel Vaz de Carvalho

A nova pastorinha.1 – A religião da descarbonização e os seus teólogos 

A religião tem os pastorinhos de Fátima, Bernardette de Lourdes em França, Maria Goretti e Gemma Galgani na Itália, Santa Faustina Kowaslka na Polónia, os ecologistas do CO2 têm a sua santa Greta… Não se lhe conhecendo nenhuma referência científica no complexo âmbito da climatologia, as suas extáticas revelações devem ter origem em qualquer divindade, talvez nórdicas, talvez de Washington. 

No seu twiter , Greta fazendo-se eco da CNN , que anunciava que as emissões da China em 2019 excediam as do conjunto das nações desenvolvidas relatava:   apesar de ser a segunda maior economia do mundo ainda é um país em desenvolvimento segundo a OMC, no entanto não tem desculpa para a sua responsabilidade na destruição do planeta. 

É pena que os deuses da Greta não lhe revelem que as emissões de CO2 per capita eram nos EUA 16,16 toneladas, na China 6,86… [1] 

A climatologia corresponde a um complexo cientifico que inclui nomeadamente paleontologia, física e geofísica. Não sou especialista em climatologia, mas também não são os que defendem a descarbonização. Dizem seguir o consenso da comunidade científica. Não é verdade. Não há sobre este tema um consenso na chamada comunidade científica, na qual muitos dos que apoiam a tese da descarbonização nem sequer são cientistas e muito menos climatologistas. Comportam-se como teólogos defendendo os seus dogmas, tudo o que se opõe às suas convicções é ignorado. 

Recordemos que em setembro de 2019, um conjunto de 500 cientistas e profissionais de 13 países enviou uma carta ao secretário-geral da ONU contestando a doutrina da descarbonização, que a ignorou completamente. O climatologista prof. emérito Marcel Leroux , afirmava em 2007 que 95% do efeito estufa deve-se ao vapor de água. O CO2 representa apenas 3,62% do efeito estufa. Só uma pequena proporção pode ser atribuído às atividades humanas, com um valor total de 0,28% do efeito estufa total, incluindo 0,12% para o CO2. O metano (CH4) tem um potencial de efeito de estufa 60 vezes superior ao CO2 e o óxido nitroso (N2O), quase 300 vezes superior. 

Os fanáticos da descarbonização conscientemente ou não colocam-se ao serviço de interesses que mascaram os problemas ambientais que afligem o planeta, erigindo em dogma as atuais políticas da descarbonização, fugindo ao contraditório da análise e discussão destes temas com cientistas devidamente habilitados. 

2 – As contradições da descarbonização 

A concentração de CO2 na atmosfera tem aumentado desde o final do século XVIII, registando-se períodos frios ao longo deste tempo, designadamente nos anos 40 do século XX. Também não é explicável pela concentração de CO2 a existência de períodos quentes no passado, como o que levou no século IX e X os vikings a instalarem-se na Gronelândia (a Terra Verde). 

Entre 1150 e 1300, na Europa central e ocidental prevaleceu um período quente fértil e próspero. Os períodos frios foram historicamente épocas de escassez tornando mesmo inabitáveis áreas do Norte da Europa. Na Idade Média os glaciares dos Alpes eram mais pequenos que atualmente. Os modelos climáticos adotados para descarbonização não explicam estas variações. 

A chamada "temperatura média mundial" aumentou em 0,74º Celsius entre 1906-2005, mas na realidade não se pode falar em "temperatura global" como o demonstra um estudo cientifico que contradiz a doutrina canónica do efeito de estufa (Energy & Environment, 2018, vol. 29(4), pgs.613-632). Nas regiões interiores da Sibéria, a temperatura média não subiu de 1930 a 2010, registando-se nos invernos de 2000 e 2005-2006, recordes de frio e neve. Também, no interior oeste norte-americano as temperaturas médias foram em 2010 quase 1º Celsius mais baixas do que nos anos trinta. 

O aquecimento é observado em regiões sob influência oceânica, tendo sido detetado um aumento da temperatura média inferior a 1º Celsius, por causas que não são conhecidas em detalhe. Se o aumento da concentração atmosférica de CO2 fosse a causa das alterações climáticas o aumento da temperatura deveria manifestar-se da mesma maneira em todas as regiões do planeta, costeiras ou continentais, pelo que a doutrina do efeito estufa não faz grande sentido. 

A descarbonização permite iludir todo um conjunto de problemas ambientais como a poluição dos solos, do ar, dos rios e do mar, etc. Segundo a organização da ONU para a biodiversidade (IPBES) um milhão de espécies estão à beira de extinção. Desde 1960, 680 espécies de vertebrados, 559 raças domesticadas de mamíferos para a alimentação; mais de 40% das espécies anfíbias, um terço dos mamíferos marinhos, etc. [2]