A luta popular é uma base fundamental para a mudança do sistema económico e social vigente. Sem a consciencialização da necessidade de construir alternativas consistentes ao sistema instituído, pode ser - e com probabilidade será - revertida pela oligarquia e seus agentes políticos.
"Comentadores" esforçam-se por passar para a opinião pública que se trata de manifestações ilegais organizadas por "desordeiros", escamoteando as causas e ainda mais as alternativas. São na realidade lutas plenamente justificadas. Por exemplo, os jovens licenciados ganham no início da sua vida profissional menos que há 25 ou 30 anos. É assim que funciona a "economia de mercado" em que as pessoas são também objeto de mercado. Os jovens europeus estão a compreender que o seu futuro será - já está a ser - pior que a vida de seus pais.
A luta por melhorias nas condições sociais é parte fundamental da tomada de consciência das ameaças à democracia a que a política de direita conduziu e da necessidade do retorno aos princípios do 25 de ABRIL e do seu reforço.
As medidas propostas pelo governo resumem-se a subsidiar inquilinos e dar incentivos a construtores e senhorios, deixando intactas as rendas das casas. Estão de acordo com as regras da "economia de mercado", não interferindo nos lucros, mesmo rentistas e nada alterando quanto à especulação imobiliária! As rendas permanecem descongeladas e os fundos imobiliários têm meios de não pagar impostos.