Linha de separação


9 de julho de 2026

Por que é que a guerra na Ucrânia não vai parar

 A guerra na Ucrânia está no quinto ano o o número de vítimas do lado ucraniano ultrapassou 1,2 milhões. A pergunta que a maioria das pessoas coloca - ou deveria colocar - é: quando vai acabar esta guerra?! Dmitri Orlov responde: A guerra não acaba porque isso não é do interesse de ninguém.

Se a guerra fosse terminar, poderia ocorrer de pelo menos três maneiras diferentes. A primeira, totalmente inaceitável para a Rússia, seria concordar com um cessar-fogo, congelar o conflito na atual linha de separação (embora isso não dure muito tempo, dado o ritmo do avanço russo) e permitir o estacionamento de tropas da NATO em território controlado por Kiev. Este fim equivaleria a uma derrota.

Outra maneira, seria por meio de uma vitória russa repentina e definitiva. As forças ucranianas seriam derrotadas, as FAU se dissolveriam, os EUA, a NATO e a UE lavariam as mãos do conflito, abandonando seus aliados ucranianos à própria sorte. A Rússia teria então, na sua fronteira, uma área caótica e ingovernável, transformada em desastre humanitário, tendo que tirar as pessoas do seu terrível destino.

Quanto aos Estados Unidos, é improvável que um fim rápido da guerra na Ucrânia ocorra em termos aceitáveis para eles. O seu fim privaria os fabricantes de armas americanos das suas vendas pagas pelos europeus. Além disto, nos EUA muitos acalentam a esperança que o conflito ucraniano enfraqueça suficientemente a Rússia militar e economicamente.

Até o Parlamento Europeu foi obrigado a condenar Zelensky

 Parlamentares afirmam que a decisão de Vladimir Zelensky de nomear uma unidade militar em homenagem a um destacamento que matou milhares de polacos étnicos durante a Segunda Guerra Mundial é "contrária aos valores europeus".

O Parlamento Europeu condenou Kiev pela decisão de renomear uma unidade militar de elite em homenagem a colaboradores nazis da Segunda Guerra Mundial, uma medida que alimentou um diferendo diplomático de semanas com a Polónia.

8 de julho de 2026

Entendendo a dinâmica contemporânea do capitalismo financeirizado.   

  A capitalização de mercado global atingiu US$ 166 trilhões. Esse número  levou me, mais uma vez, a questionar a inflação do capital fictício e o ciclo vicioso da superacumulação. Em junho de 2026, a capitalização de mercado global atingiu um recorde histórico de US$ 166 trilhões, segundo dados da Bloomberg. Isso representa um aumento de US$ 32 trilhões (23,6%) em apenas um ano e de US$ 94 trilhões (131%) desde o ponto mais baixo da pandemia em 2020. Nos últimos vinte anos, a capitalização de mercado global cresceu a uma taxa composta de crescimento anual de aproximadamente 7%. No entanto, o crescimento económico global tem sido significativamente mais fraco. Essa divergência se intensificou desde 2008 e, principalmente, desde 2020. Em relação ao PIB global, está se aproximando de 134%, um nível sem precedentes em longo prazo.

A desregulamentação financeira da década de 1980 transformou os mercados de ações em entidades "grandes demais para falir" Too big to fail. As bolsas de valores estão "encostadas "...

A desregulamentação financeira transformou os mercados de ações em entidades " grandes demais para falir ".

Essa é uma ideia que apresentei já em 1984, durante discussões nos EUA e depois na França sobre a desregulamentação financeira. Argumentei que colocar o financiamento nos mercados certamente aumentaria o investimento e a capacidade de crescimento, mas também aumentaria o risco de excessos de todos os tipos — especialmente a especulação — e colocaria a atividade financeira sob o controle dos "instintos animais".

7 de julho de 2026

As empresas é que criam empregos?

Quantas pessoas, mesmo alunos de economia, responderiam: Falso? Então as empresas não criam empregos?! Claro que não, o que cria empregos é a procura. A procura é criada pelo que os salários podem comprar e o Estado investir quer em infraestruturas, melhorando - se houver um plano económico para isso - o desempenho económico do país, quer em prestações sociais - salário indireto.

Então as empresas não investem criando procura? Bem, primeiro é preciso avaliar quanto dessa procura, nas condições atuais, é nacional ou externa, segundo, as empresas só investem se houver procura dos cidadãos - pelo que o salário pode comprar - ou do Estado pelos seus investimentos.

Mas o Estado para ter dinheiro não tem que aumentar os impostos? Não. O Estado pode ter rendimentos de empresas nacionalizadas - monopólios naturais e empresas estratégicas para o desenvolvimento económico - se organizadas e geridas de acordo com um plano económico e social.

Mas não é o Estado um mau gestor? Pode ser, e isso viu-se no processo de privatizações em que foram colocadas na gestão pessoas que objetivamente as queriam degradar para as entregar de mão beijada aos privados.

De qualquer forma, se a gestão privada fosse boa, não apenas para dar grandes lucros à custa do resto da economia e transferi-los para o estrangeiro, mas também socialmente, não provocava crises económicas que têm que ser resolvidas pelo Estado à custa dos cidadãos a favor do grade capital.

5 de julho de 2026

Como a Rússia vê a Europa

 Como Europa vê a Rússia sabemos. Embora esteja esquecido que era um posto de gasolina com armas nucleares - não reparando nas vantagens estratégicas que isto lhe dava ! - agora apesar de derrotada "pela Ucrânia" vai invadir a Europa.

Os belicistas europeus não temem contradições, protegidos pelos media e seus "comentadores", brincam com fogo correndo o risco de nos levar a uma grande conflagração.

Starmer, Merz e Macron, prometeram a Zelensky apoio inabalável e mais pressão sobre a Rússia, salientando "ampliar a produção de intercetores, capacidade de ataque em profundidade, desenvolvimento de mísseis antibalísticos e apoiar a sustentabilidade das FAU”.

Acerca da reunião no Alasca, Lavrov, descreveu-a como uma “manobra” americana destinada a ganhar tempo para que a Ucrânia se reconstruisse e se rearmasse, comparando-a aos Acordos de Minsk, montados como um engodo. O seu vice-ministro, Ryabkov, afirmou: Vemos a linha de Washington a aproximar-se das políticas anti russas mais radicais adotadas pelos europeus.

Isso representa uma enorme mudança estratégica. A Rússia já não procura um relacionamento com Washington, embora os contactos continuem. Sintomático é o discurso de Putin aos cadetes militares em 23 de junho (e a referência a 1941): o Ocidente fabrica uma ameaça russa e, em seguida, acusa a Rússia de criar essa mesma ameaça. Isto é um padrão que se repete historicamente desde 1941.

3 de julho de 2026

Medidas económicas e reformas

Discutem-se "medidas", propalam-se "reformas", mas nunca o sistema em que se aplicam e as leis que o regem. Reformas, foi o que a social-democracia propunha - combatendo o marxismo - como forma de alcançar o socialismo. Contudo, o que o proletariado conseguiu alcançar de direitos deveu-se à intensa luta dos trabalhadores não ao palavreado "reformista".

É um princípio da ciência que impossibilidades teóricas não são ultrapassadas por medidas técnicas. Por outras palavras, "medidas" que ignorem ou vão contra as leis fundamentais do sistema a que se aplicam ou são inúteis ou mesmo gravosas em relação aos objetivos que se diz pretender. As leis económicas não podem ser ignoradas, desrespeitadas, intencionalmente ou não. A violação das leis seja da natureza, sejam da economia política provoca o fracasso do procedimento.

Por esta razão as críticas e promessas de oposições que nada alteram na economia política do sistema são meras boas intenções ou demagogia - o dito populismo. A social-democracia assume lucro privado como eficiência, centra as suas políticas sociais em formas de redistribuição que não vão além do empobrecimento relativo.

Na realidade, centrava, hoje alinha nas teses neoliberais do empobrecimento absoluto, aceita capital fictício como "riqueza", nega a lei da mais-valia e aposta em "revoluções digitais e IA" em que a exploração do grande capital tende a agravar-se.