Linha de separação


10 de julho de 2026

Trump e Rubio estão a alimhar com os europeus ?

  As recentes declarações de Rubio na cúpula da OTAN sobre os ataques de longo alcance da Ucrânia suscitaram considerável debate. Ele e Trump pareceram apoiar a ideia de ataques ucranianos contra alvos russos em profundidade, argumentando que essa campanha cria "espaço" para negociações com a Rússia.

Nota BB, esta ideia, que se alinha com a dos belicistas europeus, é outra formulação, porém menos extravagante e mais covarde, da velha ideia de "paz pela força"!

À fatura militar a pesada fatura civil

 Uma fatura inesperada preocupa Bruxelas.

A destruição sistemática das infraestruturas de transporte e de abastecimento de combustíveis , assim como dos terminais portuários e de complexos industriais  , por parte dos russos . estão a colocar a economia da Ucrânia no ponto zero. A produção cai a pique e as exportações são cada vez mais difíceis 
A fatura já era pesada mas agora só para pôr o país a flutuar . Calcula-se na UE , que esta  deve duplicar o que levanta sérios problemas de financiamento e de cortes com a inevitável agudização social e política. Nunca se pensou que a fatura civil tivesse este súbito agravamento  . A questão está a ser tratada com pinças nos gabinetes da presidente da Comissão e do Conselho Europeu .

9 de julho de 2026

Por que é que a guerra na Ucrânia não vai parar

 A guerra na Ucrânia está no quinto ano o o número de vítimas do lado ucraniano ultrapassou 1,2 milhões. A pergunta que a maioria das pessoas coloca - ou deveria colocar - é: quando vai acabar esta guerra?! Dmitri Orlov responde: A guerra não acaba porque isso não é do interesse de ninguém.

Se a guerra fosse terminar, poderia ocorrer de pelo menos três maneiras diferentes. A primeira, totalmente inaceitável para a Rússia, seria concordar com um cessar-fogo, congelar o conflito na atual linha de separação (embora isso não dure muito tempo, dado o ritmo do avanço russo) e permitir o estacionamento de tropas da NATO em território controlado por Kiev. Este fim equivaleria a uma derrota.

Outra maneira, seria por meio de uma vitória russa repentina e definitiva. As forças ucranianas seriam derrotadas, as FAU se dissolveriam, os EUA, a NATO e a UE lavariam as mãos do conflito, abandonando seus aliados ucranianos à própria sorte. A Rússia teria então, na sua fronteira, uma área caótica e ingovernável, transformada em desastre humanitário, tendo que tirar as pessoas do seu terrível destino.

Quanto aos Estados Unidos, é improvável que um fim rápido da guerra na Ucrânia ocorra em termos aceitáveis para eles. O seu fim privaria os fabricantes de armas americanos das suas vendas pagas pelos europeus. Além disto, nos EUA muitos acalentam a esperança que o conflito ucraniano enfraqueça suficientemente a Rússia militar e economicamente.

Até o Parlamento Europeu foi obrigado a condenar Zelensky

 Parlamentares afirmam que a decisão de Vladimir Zelensky de nomear uma unidade militar em homenagem a um destacamento que matou milhares de polacos étnicos durante a Segunda Guerra Mundial é "contrária aos valores europeus".

O Parlamento Europeu condenou Kiev pela decisão de renomear uma unidade militar de elite em homenagem a colaboradores nazis da Segunda Guerra Mundial, uma medida que alimentou um diferendo diplomático de semanas com a Polónia.

8 de julho de 2026

Entendendo a dinâmica contemporânea do capitalismo financeirizado.   

  A capitalização de mercado global atingiu US$ 166 trilhões. Esse número  levou me, mais uma vez, a questionar a inflação do capital fictício e o ciclo vicioso da superacumulação. Em junho de 2026, a capitalização de mercado global atingiu um recorde histórico de US$ 166 trilhões, segundo dados da Bloomberg. Isso representa um aumento de US$ 32 trilhões (23,6%) em apenas um ano e de US$ 94 trilhões (131%) desde o ponto mais baixo da pandemia em 2020. Nos últimos vinte anos, a capitalização de mercado global cresceu a uma taxa composta de crescimento anual de aproximadamente 7%. No entanto, o crescimento económico global tem sido significativamente mais fraco. Essa divergência se intensificou desde 2008 e, principalmente, desde 2020. Em relação ao PIB global, está se aproximando de 134%, um nível sem precedentes em longo prazo.

A desregulamentação financeira da década de 1980 transformou os mercados de ações em entidades "grandes demais para falir" Too big to fail. As bolsas de valores estão "encostadas "...

A desregulamentação financeira transformou os mercados de ações em entidades " grandes demais para falir ".

Essa é uma ideia que apresentei já em 1984, durante discussões nos EUA e depois na França sobre a desregulamentação financeira. Argumentei que colocar o financiamento nos mercados certamente aumentaria o investimento e a capacidade de crescimento, mas também aumentaria o risco de excessos de todos os tipos — especialmente a especulação — e colocaria a atividade financeira sob o controle dos "instintos animais".

7 de julho de 2026

As empresas é que criam empregos?

Quantas pessoas, mesmo alunos de economia, responderiam: Falso? Então as empresas não criam empregos?! Claro que não, o que cria empregos é a procura. A procura é criada pelo que os salários podem comprar e o Estado investir quer em infraestruturas, melhorando - se houver um plano económico para isso - o desempenho económico do país, quer em prestações sociais - salário indireto.

Então as empresas não investem criando procura? Bem, primeiro é preciso avaliar quanto dessa procura, nas condições atuais, é nacional ou externa, segundo, as empresas só investem se houver procura dos cidadãos - pelo que o salário pode comprar - ou do Estado pelos seus investimentos.

Mas o Estado para ter dinheiro não tem que aumentar os impostos? Não. O Estado pode ter rendimentos de empresas nacionalizadas - monopólios naturais e empresas estratégicas para o desenvolvimento económico - se organizadas e geridas de acordo com um plano económico e social.

Mas não é o Estado um mau gestor? Pode ser, e isso viu-se no processo de privatizações em que foram colocadas na gestão pessoas que objetivamente as queriam degradar para as entregar de mão beijada aos privados.

De qualquer forma, se a gestão privada fosse boa, não apenas para dar grandes lucros à custa do resto da economia e transferi-los para o estrangeiro, mas também socialmente, não provocava crises económicas que têm que ser resolvidas pelo Estado à custa dos cidadãos a favor do grade capital.