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24 de junho de 2026

A BANCA LUCRA E AS FAMÍLIAS ENDIVIDAM-SE

 A actividade bancária alimenta-se hoje fundamentalmente da concessão de crédito às famílias, para aquisição de habitação ou para as diferentes modalidades de crédito ao consumo (crédito automóvel, crédito para aquisição de outros bens de consumo ou utilização de cartão de crédito - crédito renovável -).



Foram profundas as alterações registadas na actividade bancária desde o final dos anos setenta até aos nossos dias, em especial no peso do crédito concedido às famílias para a compra de habitação própria e para as suas necessidades de consumo, como mostra o gráfico anterior.

Se em Dezembro de 1979, o montante dos empréstimos concedidos pela banca às empresas superavam e muito, o montante dos empréstimos concedidos às famílias para a compra de habitação e para consumo – eram 8,7 vezes superior –, hoje a situação é completamente inversa, o crédito concedido às empresas é pouco mais de metade (56%) do concedido às famílias para habitação e para consumo.

Para esta alteração profunda na actividade bancária contribuiu a política prosseguida pelos sucessivos governos desde 1976, de abandono da promoção da construção de habitação pública e de estímulo à aquisição, por parte das famílias, de habitação própria com recurso ao crédito bancário.

Para tal, a partir dos anos setenta, mas em especial nos anos oitenta, noventa e até ao início da 1ª década do século actual, entregaram à banca, milhares de milhões de euros em bonificações de crédito concedidos às famílias, a que juntaram ainda benefícios fiscais. Procederam ainda à abertura do sector financeiro à actividade privada (revisão constitucional de 1982), à eliminação da exclusividade da concessão de crédito à habitação a um conjunto restrito de instituições (CGD, Montepio Geral e Crédito Predial Português), à adesão à CEE em 1986 e à consequente liberalização da circulação de capitais, à assinatura do tratado de Maastricht em 1993 e à adesão à União Económica e Monetária e ao euro a partir de 1999.

Desta forma e ao longo dos últimos quase 50 anos, os diferentes governos de direita, do PS aliado à direita ou do PS sozinho, promoveram as condições para que a actividade bancária fosse alterada profundamente e o crédito interno concedido pelo sistema financeiro que em 1979 se concentrava na concessão de crédito às empresas e à administração pública (cerca de 92% do total), enquanto às famílias era de apenas 8%, para uma situação em que hoje a actividade fundamental da banca é a concessão de crédito às famílias para a compra da sua habitação própria ou para financiar as suas necessidades de consumo (representa agora 64% do crédito interno).

O resultado de tudo isto aparece reflectido no gráfico que acompanha este texto, com a banca a alterar, ao longo dos últimos 50 anos, profundamente o objecto da sua actividade – de financiamento das empresas e do Estado, para o financiamento das famílias e das suas necessidades -, mas não só, o último inquérito à situação financeira das famílias em 2024, divulgado há poucas semanas diz-nos que esta profunda alteração, que corresponde à chamada financeirização da nossa economia, resultou num enorme endividamento das famílias portuguesas. Hoje cerca de 42% das famílias tem dívidas para com a banca e se em 1995, a dívida das famílias portuguesas representava cerca de 35% do seu rendimento disponível, neste último inquérito o endividamento mediano é de 102,6%, havendo 17,7% das famílias endividadas com um nível de endividamento superior a 300%.

Nas últimas décadas, desde o início da contra revolução, as famílias portuguesas ao mesmo tempo que sofreram quebras reais nos seus salários e pensões, foram forçadas a trocar salários dignos, por crédito fácil para satisfazer as suas necessidades de habitação ou simplesmente de bens de consumo essenciais e foram empurradas para um crescente endividamento bancário ou outro, que atinge níveis preocupantes em camadas crescentes da nossa população. No reverso da medalha se as famílias se endividam como nunca, a banca obtém lucros como nunca antes vistos, só em 2025 o sector bancário teve lucros líquidos de 6 365 milhões de euros.

José Alberto Lourenço

23 de junho de 2026

Até "comentadores" podem perceber que o Médio Oriente certamente mudou

O acordo de entendimento (M E) entre o Irão e os EUA foi assinado. Chegar a acordo é uma coisa, preservá-lo contra ações provocadoras ou distorções do texto é bem diferente. O M E constitui no entanto uma fase importante, embora apenas um passo, na longa jornada que o Irão tem pela frente.

O Irão conseguiu pressionar um Trump relutante a chegar a um acordo e pôr fim à escalada como objetivo estratégico. A expectativa de longa data era que uma pressão sustentada levaria a uma mudança de regime em Teerão. O acordo anunciado sugere uma nova realidade: a campanha que muitos esperavam que enfraquecesse ou até mesmo desestabilizasse a República Islâmica terminará, ao contrário, com o regime intacto, fortalecido e lidando formalmente com os EUA.

É o colapso da suposição que a pressão dos EUA e Israel criaria condições propícias a mudanças políticas fundamentais no Irão. Em vez disso, o resultado provável é o oposto, reforçando a confiança na elite governante do Irão, em vez de enfraquecê-la.

Isto representa uma grande conquista estratégica para o Irão: uma imagem heroica espalhando-se globalmente, enquanto o isolamento de Israel atingiu um pico e no plano interno a popularidade de Netanyahu caiu de forma catastrófica.

20 de junho de 2026

Israel, tudo errado numa doutrina de autodestruição - 2

Claro que não há nenhum cessar-fogo, o sul do Líbano está novamente sob ataques aéreos israelitas e o Irão anuncia o encerramento do Estreito de Ormuz, devido à campanha militar de Israel no Líbano. Uma campanha em que as FDI são colocadas sob fogo constante pelo Hezbollah, impedindo o seu avanço.

Não há que ter ilusões, todas as declarações de Israel vão no sentido da guerra. Conforme dizem psicólogos: para compreender os comportamentos futuros, há que olhar para os comportamentos no passado.

O Ministro da Defesa,Katz, afirma: "Israel reserva-se o direito de agir independentemente contra o programa nuclear do Irão" e não vai retirar-se do Líbano, Síria, Gaza e Cisjordânia ocupados. Para o Ministro da Segurança, Ben Gvir, "todo o Líbano deveria arder". O Ministro das Finanças, Smotrich, diz que as FDI deveriam "abrir as portas do inferno" no Líbano. E quanto ao Irão, mesmo sem o apoio dos EUA, "teremos de continuar a campanha para derrubar o regime sozinhos", tendo como objetivo o colapso total do Irão. Para os "comentadores" isto é quase garantido, pois "o Irão entrará em colapso até ao fim do mês" (de maio)...

18 de junho de 2026

Israel, tudo errado numa doutrina de autodestruição - 1

 Israel estabeleceu uma doutrina dita de segurança e defesa, a partir da qual se permite atacar todos os que no seu entender lhe possam fazer frente. A expansão territorial está patente vendo a área que lhe foi concedida em 1948, a acordada na ONU em 1967 com estabelecimento de dois Estados: Israel e Palestina, a atual e a que é pretendida, nomeadamente através de "zonas tampão". Israel com aquele argumento ocupa zonas no Sinai, em Gaza, no Líbano, na Síria, na Cisjordânia.

Esta situação vive de guerras preventivas e da recusa em cumprir resoluções da ONU, inclusive do CS, acordos de cessar fogo, etc. É o fundamental das políticas sionistas, para além do que interpretam nos textos bíblicos, aos quais os outros povos têm obrigação de se sujeitar. Os EUA e a UE apoiam, justificam - os EUA financiam.

Tem tido êxito? Não. A criação das "zonas tampão" aumentou a insegurança e levou a maioria da população israelita à paranoia de se ver cercada de inimigos que tem forçosamente  derrotar, destruir.

Porém, se olharmos para o esboço de protocolo (que Israel recusa) entre os EUA e o seu arqui-inimigo Irão, tudo o que se lhe pede é que deixe de atacar o Líbano. Quanto a reconhecer os direitos dos palestinos é uma questão de direito internacional e cumprir a Carta e resoluções da ONU... apenas.

16 de junho de 2026

Um ponto de vista . Ver

 


Os Farsantes

O Ocidente, juntamente com o regime de Kiev, fabricou outra falsificação - uma verdadeira farsa: o Presidente francês Macron e o Ministro dos Negócios Estrangeiros Barrot fizeram declarações contundentes sobre o incêndio na Lavra de Kiev-Pechersk. Segundo eles, esta foi supostamente atingida pelas Forças Armadas da Rússia. De repente, "perceberam". De repente, lembraram-se do estatuto de Património Mundial da UNESCO.


O que realmente aconteceu, foi contado pelo Ministério da Defesa russo: "De acordo com dados confirmados, o complexo de edifícios da Lavra de Kiev-Pechersk foi atingido por um míssil do sistema de defesa antiaérea americano Patriot. Uma das razões para o mau funcionamento deste sistema pode ter sido o facto de os países ocidentais terem entregue ao regime de Zelensky mísseis com prazos de validade expirados".

Contradições - 2

 Contradições belicistas

A forma como a propaganda justifica as guerras imperiais é chocante, pelo totalitarismo informativo, pela forma como crimes de guerra são justificados. A arte pode ser uma arma para o progresso, hoje se o for é marginalizada seja na literatura, na música, na pintura. Ao procurar-se afastar as massas da cultura humanista, obviamente progressista, permite-se que venha ao de cima o escalão mais baixo da política: a extrema-direita.

É pena não haver alguém como Chaplin - perseguido nos EUA pela "democracia" macartista - para fazer um filme como o Grande Ditador (e o seu discurso final) sobre a baixeza da política instalada na cena internacional, capaz de justificar a morte de crianças.

Sem temer a contradição (e o inexistente contraditório!) um "comentador" afirmava "que há anos o Irão diz que não quer ter uma bomba nuclear, mas sabemos que isso é mentira." Então onde está o tal engenho "há anos" e quais eram as diretrizes do assassinado (pelos EUA/Israel enquanto decorriam negociações) Líder Supremo sobre a questão? Outro justificava o bombardeamento no Líbano (como em Gaza) sobre habitações, pois podiam esconder instalações do Hezbollah (podia acrescentar escolas, hospitais, instalações da ONU, etc.).