Por trás dos comunicados militares e das imagens está uma realidade fundamental: a guerra move-se para os balanços dos bancos centrais, as linhas de produção do complexo militar-industrial e os mercados de energia. O aparelho industrial iraniano, ao apostar numa estratégia de saturação de baixo custo, conseguiu expor a vulnerabilidade financeira da arquitetura imperial.
Existe um confronto entre estruturas económicas antagónicas e lógicas produtivas. A coligação EUA-Israel representa a forma mais avançada do capitalismo militarizado, com sistemas altamente sofisticados, décadas de pesquisa financiada pelo Estado e enormes margens de lucro dos monopólios do armamento.
A estratégia do Irão baseia-se numa industrialização restrita, marcada por sanções, que levou à produção em massa de armas simples, robustas e baratas. Este diferencial, que poderia ser interpretado como atraso, tornou-se uma vantagem estrutural numa guerra de desgaste.
O drone Shahed-136 produzido por vinte mil dólares, exige que o adversário mobilize sistemas de intercetação cujo preço unitário varia de várias dezenas de milhar a quase um milhão de dólares. Cada vaga enviada pelo Irão obriga , mesmo para neutralizar vetores relativamente simples, que aparelho imperial tenha de consumir recursos tecnológicos e financeiros desproporcionais.
Esta dinâmica representa uma lei da guerra industrial: quando a reprodução do sistema defensivo é mais custosa do que a do ataque, o equilíbrio é quebrado.