Linha de separação


12 de agosto de 2026

Estratégias do império unipolar

 Com o fim da União Soviética, os Estados Unidos tornaram-se líderes mundiais, instituindo o mundo unipolar, uma forma de império subordinado às regras ditadas de Washington. A criação deste império vinha desde 1947, com a Doutrina Truman estipulando que os EUA têm o direito de liderar o "mundo livre", impedir a expansão do comunismo e intervir militarmente em qualquer parte onde entendam estar em causa a segurança nacional dos EUA.

Diga-se que o comunismo nunca existiu (excetuando o pré-histórico "comunismo primitivo"), o que estaria em causa seriam formas de socialismo e soberania nacional. Era, o alibi para um direito de intervenção - mesmo guerra - contra as escolhas dos outros povos.

Apesar dos EUA prometerem apoio contra ameaças autoritárias a "nações democráticas", instituindo-se como uma "inquisição" a nível mundial, nunca foram questionadas as sangrentas ditaduras dos Pinochets, Vilelas, Mobutus, etc., por esse mundo fora nem deixaram de fazer parte do "mundo livre", enquanto líderes progressistas foram presos, exilados ou assassinados. Um direito que permitiu crimes como os que ocorrem na Palestina ou o que tem por efeméride 10 de agosto de 1961.

Historicamente os impérios nascem, crescem, mantêm-se e declinam pela guerra e este não é exceção.

11 de agosto de 2026

O Fim da Ucrânia

Os ataques da Ucrânia a barcos no mar negro, a empresas de distribuição, a empresas privadas, a refinarias deram a Putim a legitimidade para retaliar na mesma direção. Mesmo a população ucraniana que sofre as consequências vê que a nova escalada é uma resposta à escalada ditada pelos curadores de Zelensky. Um desastre.

A Rússia com muito mais capacidade militar está a desarticular a economia Ucraniana e a elevar a fatura para a Europa em termos incomportáveis. Gazeta de Vienne

O canal ucraniano "Resident" resume os resultados da "operação de 40 dias de Zelensky para forçar o Kremlin à paz"

O objetivo era isolar a Crimeia e paralisar o complexo energético da Rússia.

Nenhum dos objetivos foi alcançado e, em resposta, sofremos um golpe devastador do inimigo e uma crise política interna. 

A Ucrânia perdeu o Mar Negro. Navios não conseguem mais entrar nos portos de Odessa, Mykolaiv e Chornomorsk. A Rússia responde a qualquer tentativa de acesso aos portos com ataques aéreos, afundando embarcações.

9 de agosto de 2026

E se perguntarem o que é ser de esquerda?

Confessou-me um amigo nunca ter votado em partidos do governo, votava sempre à esquerda, não nos mesmos partidos, mas na verdade não sabia ao certo o que era ser de esquerda. Como diz certo fado: "eu disse que não sabia, menti naquela hora, mas vou dizer agora". Pelo menos vamos tentar.

Frederic Lordon dá-nos uma boa contribuição acerca ser de esquerda. Ser de esquerda, é uma posição em relação ao capital: não permitir o domínio do capital sobre a sociedade, não permitir que um grupo social possa converter o interesse geral no seu próprio interesse. É a relação com o capital que define uma posição de esquerda. Uma sociedade não capitalista será gerida por leis económicas diferentes das que o capitalismo determina: a maximização do lucro, não um lucro qualquer, mas o lucro monopolista e financeiro, geralmente visto no curto prazo. A visão de médio ou longo prazo é geralmente entregue ao Estado com a missão de "criar condições" para as atividades serem atrativas para o capital e desempenhar o papel que lhe couber no sistema imperialista.

A eficiência capitalista é essencialmente antissocial, todos os progressos laborais e sociais foram obtidos através de duras lutas e movimentos sindicais fortes. Parte dos sectores populares perderam esta noção, daqui o ataque, apresentado em nome da eficiência empresarial, a que estão a ser objeto aqueles progressos.

7 de agosto de 2026

 

Putin permite escalada limitada -Korybko

Ele aparentemente entendeu que o Ocidente estava buscando desindustrializar e desmilitarizar sistematicamente a Rússia por meio da nova campanha de drones ucranianos e, consequentemente, concluiu que isso representava uma ameaça existencial.

Constatou-se que " a operação de influência de Zelensky, com duração de 40 dias, teve um efeito desastroso em Kharkiv e Odessa ", depois que a Rússia intensificou seus ataques a postos de gasolina na primeira e a portos na segunda, estabelecendo "bloqueios" parciais para contrabalançar, ainda que minimamente, o "bloqueio" de drones da Ucrânia na Crimeia.

Essa situação foi surpreendente, pois as poucas escaladas autorizadas até então por Putin se limitavam aos dois testes de mísseis Orechnik na Ucrânia e a uma intensificação esporádica de ataques contra infraestrutura militar.



Como explicar a demissão de Fedorov?

As forças armadas ucranianas não só não conseguiram recuperar terreno como todos os

dias recuam, assim o dizem as agências ucranianas Deep State e AMK Mapping. Quem

está a ganhar não muda simultaneamente o ministro da Defesa nem o responsável

máximo pela campanha militar.

Carlos Branco, Major-General

7/8/2026

jornal económico

A crise política causada pelas sucessivas demissões de cargos governativos e de

posições chave no sistema político ucraniano, culminando com a do ministro da Defesa

Mikhail Fedorov, ilustra bem a presente divisão nas elites políticas do país, resultado,

acima de tudo, do insucesso da campanha militar contra a Rússia e da necessidade de

encontrar estratégias alternativas ganhadoras.

6 de agosto de 2026

Auditando a afirmação: "A Rússia está a perder." - Conclusão

A autora - lily357 - faz intervir no texto o fator chinês ignorado nos media. A China tem fornecido apoio económico e diplomático à Rússia. O comércio chinês com a Rússia tem aumentado 25% ao ano desde 2022. A cooperação tecnológica chinesa permitiu alternativas à tecnologia ocidental. A integração no sistema financeiro chinês CIPS (Cross-border Interbank Payment System) e com o yuan, proporcionou alternativas aos sistemas ocidentais e ao dólar.

A China não forneceu armas nem tropas, mas tem linhas vermelhas, comunicadas por declarações do governo, media estatais e outros canais. A linha vermelha chinesa é que a Rússia não deve ser derrotada militarmente pelo ocidente, isto significaria a destruição da arquitetura multipolar dos BRICS, da OCS, da Iniciativa do Cinturão e Rota e outros instrumentos de competição estratégica com os Estados Unidos. Significaria a infraestrutura da NATO posicionada ao longo da fronteira norte da China, dando aos EUA uma profundidade estratégica muito ampliada. Significaria que a base crítica de energia e recursos minerais da Rússia seria capturada pelos interesses ocidentais, em vez de estar disponível para a China. Significaria também a eliminação ou redução do veto russo no CS da ONU e que a China teria de enfrentar os EUA sozinha sem o peso diplomático, económico e militar que a Rússia acrescenta à posição multipolar.

5 de agosto de 2026

Auditando a afirmação: "A Rússia está a perder."

É o que comentadores vão dizendo sem análise, sem argumentos. Uma autora, lily357, responde a estas suposições vazias quanto a factos

1 - A Rússia tomou a maior parte de Pokrovsk e Myrnohrad, no Donetsk, em 2025 e 2026, completando o cerco ao cinturão defensivo central do Donbass, a linha de defesa mais forte da Ucrânia. A frente desloca-se a favor da Rússia cerca de 250 a 500 km2 por mês, dependendo dos meses e da zona. O avanço russo é lento, mas consistente nos últimos dois anos, sem interrupção. A contraofensiva ucraniana de 2023 não conseguiu retomar nenhum território significativo, a de 2025 foi abandonada devido à falta de recursos.

A campanha de ataques profundos da Ucrânia contra refinarias de petróleo russas, reduziu a capacidade de refinação russa em cerca de 10 a 15%, no auge das interrupções. Um dano real, obrigando a redirecionar exportações de petróleo e arranjos alternativos de refinação. Estes ataques não produziram um efeito estratégico nem alteraram a trajetória militar.

Estimativas ocidentais de elevadas baixas russas não condizem com os dados demográficos e de recrutamento de ambos os lados. A mobilização forçada ucraniana - homens arrancados das ruas por gangues de recrutamento - representam a falta de efetivos militares. O recrutamento russo supera as perdas, dado o fluxo de voluntários, evitando uma mobilização extraordinária.