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25 de setembro de 2022

Acerca dos media e a Ucrânia

Há uma desonestidade básica nas notícias, comentários, debates: ignorarem as consequências do que estão a defender; ignorarem tudo o que passou antes de 24 de fevereiro. E este ignorar tem o sentido de pôr de lado, tornar irrelevante ou não existente.

Assim a “criminosa invasão russa à democrática Ucrânia”, ignora o que se passou desde 2014, os dois acordos de Minsk assinados e sabotados pela Alemanha e França, cujo objetivo era simplesmente dar garantias – dentro da Ucrânia – a regiões russófonas.

Um puritanismo de direitos humanos e democracia enche a boca a quem nunca se incomodou, pelo contrário justificou, guerras na Europa (Jugoslávia), Iraque, Líbia, os crimes contra os Palestinianos, no Afeganistão, Iémen, golpes de Estado, ditaduras. Tudo isto apoiado pela Nato. Agora apresentam-se como puras vestais guardiãs da democracia, direitos humanos, direito internacional.

Enquanto se passam sucessivos documentários para demonstrar como a Rússia é dominada por um ser diabólico – o que quer que se pense sobre o político – que no entanto tirou os russos da miséria e do horror social a que a “democracia liberal” os tinha conduzido. Não vemos nem os resultados eleitorais, nem resultados de sondagens sobre a opinião pública. Pelo contrário a Ucrânia dominada por grupos neonazis, em que um criminoso de guerra, como Stefan Bandera é herói nacional, é defendida dizendo que se trata de proteger “a nossa liberdade e democracia”, portanto… façam sacrifícios.

Cada vez que se ouvem os “comentadores” mais se parecem com a propaganda nazi encobrindo derrotas e baixas, com hipotéticas “vitórias” pontuais. Assim, o triunfalismo propagandístico sobre a situação militar desapareceu subitamente dos media, concentrando-se na mobilização de reservistas – que significaria a derrota da Rússia - destinados a defender os novos territórios russos, uma frente de 1000 km, face… à Nato/EUA (menos de 1,5% do potencial de mobilização russo)

Também se ignorou que na Ucrânia ao serviço da Nato há seis meses que há uma mobilização geral, a saída do país está fechada para quase todos os homens e a questão de recrutar mulheres para servir está sendo discutida no Parlamento.

Limitadas manifestações contra a mobilização na Rússia foram repetidamente transmitidas e transformadas em movimento nacional contra o “regime”, como de costume misturando imagens nada tinham que ver como o noticiado.

Porém manifestações em Berlim, Colónia (4 de setembro), Leipzig e Magdeburg (Politico, 5 de setembro) exigiram o comissionamento imediato do Nord Stream 2 e o fim das entregas de armas para a Ucrânia, no porto báltico de Lubmin – onde o Nord Stream 2 chega a terra na Alemanha – pediram a proibição das exportações de armas para a Ucrânia e a renúncia do governo federal (Redaktions Netzwerk Deutschland, 4 de setembro). Manifestações em Praga, em França, Itália, etc. Uma concentração pela paz em Torres Novas foi praticamente ignorada não se ouvindo (que se saiba) palavras de participantes.

Nada disto é visto ou considerado contra o “regime” neoliberal, a UE ou a Nato e fica fora de consideração pelos comentadores, que prosseguem de palas nos olhos as suas ladainhas.

Nos EUA desenvolvem-se importantes movimentos pela paz. Exigindo um "Cessar-fogo agora!" Ativistas organizaram eventos anti-guerra em D.C., São Francisco, Filadélfia, Baltimore, Milwaukee, Madison, Boston, Rockville, Santa Cruz, San Mateo, San Pedro, Santa Barbara e Los Angeles.

A Coalizão paz na Ucrânia, a CODEPINK, Veteranos pela Paz, Socialistas Democráticos da América, Ação pela Paz de Massachusetts, Liga Internacional das Mulheres para a Paz e liberdade-EUA e outras organizações, mobilizam-se para negociações, não para a escalada numa guerra por procuração ameaçando uma guerra direta entre as duas mais importantes nações nucleares.

Os membros dos Veteranos pela Paz na Área da Baía escreveram aos deputados democratas Mark Desaulinier (CA-11) e Barbara Lee (CA-13), o único voto contra a invasão dos EUA no Afeganistão e patrocinador da legislação para cortar o orçamento do Pentágono em 350 mil milhões de dólares. "Pedimos que peçam negociações e se manifestem contra o apelo do Secretário de Defesa Austin para continuar a guerra para 'enfraquecer a Rússia'. Essa é uma receita para uma guerra mundial, se alguma vez houve uma", dizem nas cartas.”( Um empurrão para a paz na Ucrânia - Notícias do Consórcio (consortiumnews.com)

E assim vai a “liberdade de informação” no “ocidente”: “Embora lamentando a prostituição arrogante dos media também é importante prestar homenagem aos corajosos jornalistas independentes, escritores, analistas, denunciantes e documentaristas que estão tentando manter e preservar alguma aparência de integridade, decência e sanidade no Ocidente. Eis apenas alguns: Julian Assange, John Pilger, Chris Hedges, Oliver Stone, Pepe Escobar, George Galloway, Robert Scheer, Daniel Ellsberg, Eva Bartlett, Vanessa Beeley, Brian Becker, John Kiriakou, Scott Ritter, Mnar Adley, Lee Camp, Ben Norton, Max Blumenthal, Aaron Mate, Alexander Rubenstein, Patrice Greanville, Rania Khalek, Peter Dale Scott, Aaron Good, Eric Zuesse, Gerald Horne, Garland Nixon, Whitney Webb, Abby Martin, Mike Prysner, o venerável Noam Chomsky, Vijay Prashad, Caitlin Johnstone, Danny Haiphong e, claro, o Saker.

O que eles têm em comum além de falar a Verdade e defender a Paz?

Eles foram difamados como "agentes russos/chineses" e/ou fontes de "desinformação" e/ou sofreram ataques cibernéticos e/ou foram censurados das principais plataformas pelas potências corporativas e estatais. Julian Assange está na prisão, sendo lentamente assassinado.” (https://thesaker.is/propaganda-wars-who-is-actually-spreading-disinformation/ )


22 de setembro de 2022

Como a guerra na Ucrânia vai mudar

 A pós o referendo e as quatro regiões – como é expectável – se juntarem à Rússia, este país adicionará 5 a 6 milhões de novos cidadãos e quando os refugiados começarem a voltar a população total das novas regiões pode crescer para 8-9 milhões de pessoas. A área dos territórios onde os referendos serão realizados é de cerca de 113 000 quilómetros quadrados.

A guerra irá mudar drasticamente. Já não se trata de uma “operação militar especial” para acabar com indiscriminados ataques às regiões russófonas do Donbass, nos quais, recordemos, foram mortas 14 000 pessoas, mas de defender territórios da Rússia de ataques da Nato/Ucrânia. Uma guerra informalmente declarada entre a Nato e a Rússia.

O anúncio perante o mundo inteiro que a Rússia defenderia seu próprio território com armas nucleares, se necessário, não é novidade. Reitera a doutrina militar estratégica da Rússia, desde há anos divulgada pelos próprios. Isto é muito diferente do que os “comentadores” e políticos da Nato propagam, que Putin ameaçou o ocidente com uma guerra nuclear.

Se este aviso fará com que em Washington se pense duas vezes, sobre a elaboração de grandes ofensivas para recapturar o território ucraniano da Rússia, não é certo. Quanto aos pincher da UE obedecendo aos donos do outro lado do Atlântico, como aqueles cachorros, ladram, são imprudentes, incomodam os vizinhos e são atrevidos para quem lhes mostra medo. Mas não mordem.

A Rússia ignora-os, visto estarem vazios de poder. O pedido de Macron para uma conversação telefónica com Putin foi negado – alegadamente adiada por alguns dias.

No entanto, pelo mundo as campainhas de alarme, começaram a ouvir-se. O presidente mexicano Lopez Obrador pedirá na AG da ONU para ser criado uma comissão internacional destinada a promover o diálogo entre Biden, Putin e Zelensky com convites ao Papa Francisco, ao primeiro-ministro da Índia e ao secretário-geral da ONU, para atuarem como mediadores, para acabar com a guerra na Ucrânia.

A incapacidade dos políticos UE/Nato terem uma atitude consistente sobre o que ocorre atinge formas de estupidez funcional, comprometidos com uma agenda que nada tem que ver com os interesses não apenas das camadas populares, mas de vastos sectores da burguesia. Prevalecem os interesses do capital monopolista e financeiro, imbricado no dólar.

Esta guerra já custou à Ucrânia, segundo o ministro da defesa russo, baixas de metade
do seu exército. Só nas últimas três semanas, nas tentativas de prosseguir a ofensiva, mais de 7 000 efetivos ucranianos foram mortos, 970 peças de material destruídas, incluindo 208 tanques. No total, a Rússia reconhece ter perdido 5.937 combatentes.

Milhares de mercenários do ocidente morreram. Centenas de “conselheiros” militares da Nato estão em Kiev e espalhados pelo país ou trabalhando em informações e planos militares, treino de tropas, nos países da Nato. Reservistas há muito que foram incorporados e a saída do país está fechada para todos os homens. Agora está a ser discutida uma lei que permite recrutar mulheres 

A operação militar da Ucrânia na região de Kharkiv apanhando de surpresa tropas russas e aliados, tem servido exclusivamente para propaganda e incentivar as tropas… a continuar a morrerem. O facto é que a Ucrânia perdeu milhares de soldados e ficou numa situação muito mais vulneráveis a contra-ataques.

Segundo o American Conservative, os Estados Unidos pediram a Zelensky que deixasse a Crimeia em paz. "Com as forças disponíveis, não será fácil para Kiev recuperar até o Donbass. Perseguir a Crimeia seria uma tarefa muito mais difícil, um potencial salto para uma guerra total." Telegram: Contact @intelslava

Em suma, parece que finalmente começam a ouvir o que Putin diz. O próprio discurso de Biden na ONU não é de um vencedor. Por seu lado, o New York Times escreve que Putin é mais perigoso do que nunca. Ao integrar os territórios do referendo, as contraofensivas ucranianas no leste e no sul para tomar o território libertado pela Rússia serão vistas como ataques ao território russo que justifiquem qualquer nível de retaliação, até e incluindo uma resposta nuclear. O discurso de Putin sobre o uso de armas nucleares exacerbou um dilema para o Ocidente que existe desde o início da guerra: até onde o apoio militar intensivo para a Ucrânia pode ir. Telegram: Contact @intelslava

Por seu lado, Volodymyr Rogov, membro da Comissão Autónoma Administrativa de Zaporozhye, diz que as tropas ucranianas devem deixar imediatamente o resto da região, caso contrário, após o referendo, serão consideradas ocupantes.

A questão subsiste desde o primeiro dia, senão antes: Como terminará então a guerra na Ucrânia? Com aniquilação nuclear de 60% da raça humana, uma guerra de atrito durante décadas enquanto a UE se afunda, um acordo – com que forma? 

O ocidente (Nato/UE) antes de se meter em aventuras de “revoluções coloridas” contra a Rússia, devia pensar nas consequências de desafiar um pais que detém mais de 5 000 ogivas nucleares. Tanto como os EUA. Mas parece que nos media os “comentadores” só agora o perceberam… e mal.

20 de setembro de 2022

Sobre a e China: 23 anos da Revolução

 Deixemos a poeira assentar sobre a Ucrânia e olhemos para o líder do mundo multipolar – a China - não já em gestação, mas em crescimento. (*)

Em 1 de outubro comemoram-se 23 anos da Revolução e vai realizar-se o 20º Congresso do PCC. É altura de olhar para os resultados da construção do socialismo. A economia chinesa corresponde a 18% do PIB global em paridade do poder de compra superando a economia dos EUA desde 2014. A China é a principal potência exportadora do mundo e maior parceiro comercial de 130 países.

As condições de vida materiais dos chineses foram radicalmente melhoradas. A expectativa de vida subiu de 36 para 64 anos de 1949 a 1976 e agora está em 78,3 anos, mais do que os EUA (76,1). Na China 95% da população tem cobertura de saúde, enquanto 50% da população mundial não tem nenhuma.

O analfabetismo e a desnutrição estão erradicados, a China tem um dos melhores sistemas de educação do mundo. Em em 1949, quase 90% das pessoas vivia em pobreza extrema, em 20 anos, a pobreza extrema foi eliminada. O salário médio continua a subir.

O PCC construiu uma economia mista impulsionada pelo Estado. O objetivo prioritário é o crescimento, baseado na modernização das empresas estatais que dominam setores-chave, na criação de um dinâmico  setor privado, no uso de capital estrangeiro e nas transferências tecnológicas de países mais avançados. Este processo foi iniciado pelo próprio Mao Tsé-Tung em 1972. O Estado detém firmemente o leme do desenvolvimento económico, a propriedade pública continua dominante, e o setor financeiro privado está sob controlo.

A China já constrói reatores de terceira geração que equiparão novas centrais na China e em outros lugares do mundo. Em fevereiro de 2022, Argentina e China assinaram um acordo para construir uma central nuclear perto de Buenos Aires, projeto financiado por bancos chineses.

De 1 a 7 de Setembro, realizaram-se as manobras de Vostok 2022, com 50 000 soldados russos, sírios, bielorrussos, indianos e chineses, entre outros. Nunca antes a Índia tinha concordado participar com a China.

Quanto aos "campos de concentração" com "três milhões de uigures", a acusação é tão grotesca que é ridícula. O maior erro dos ocidentais é acreditar que essas calúnias têm o menor efeito sobre a estabilidade interna da China. Mas esta avalanche de mentiras não foi muito bem sucedida internacionalmente: na ONU, todos os países com maioria muçulmana apoiam a política chinesa em Xinjiang. Em 31 de março de 2014, terroristas uigures esfaquearam cerca de trinta passageiros.

Os países ocidentais estão irritados, porque veem desmoronar os fundamentos da sua supremacia , enquanto pensavam manter o domínio sobre os países do Sul por mais um século ou dois. Os chineses vivem mais do que os americanos, sua sociedade é mais coerente e tolerante. Enquanto navios de guerra dos EUA cruzam a costa da China, os chineses constroem ferrovias de alta velocidade, autoestradas, portos e hospitais na China e no exterior.

Na França, desde o início do ano, nove pessoas foram mortas pela polícia. Se houvesse a mesma taxa de homicídios da polícia na França, teria havido 180 cidadãos chineses mortos nas ruas nos últimos meses. E se compararmos a China com os Estados Unidos, o contraste seria alucinante. A menos que eu esteja enganado, não havia nenhum, porque nesta “ditadura abominável” a polícia simplesmente não tem armas. Apenas a polícia militar está armada, para vigiar locais sensíveis e combater o terrorismo. Na questão dos direitos humanos, como em muitos assuntos, é hora do mundo ocidental varrer sua própria porta.

Se os ocidentais estão tão zangados, é porque eles vêem sua supremacia desmoronando - Bruno GUIGUE (legrandsoir.info)

No discurso na reunião da OCS em Samarcanda, Xi ressaltou a importância desta organização que se expande, tendo recebido 11 solicitações para ingressar na organização com estatutos diversos. O Irão foi admitido como estado membro e lançados procedimentos para a adesão da Bielorrússia e como parceiros admitir Bahrein, Maldivas, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Mianmar como parceiros.

Devemos nos precaver, disse Xi, contra as tentativas de forças externas de instigar “revoluções coloridas”, opor-nos conjuntamente à interferência nos assuntos internos de outros países e manter o nosso futuro firmemente em nossas próprias mãos.

Segundo XI, no Congresso Nacional, o PCC fará a revisão das principais conquistas alcançadas e a valiosa experiência adquirida nos esforços de reforma e desenvolvimento da China. Também formulará programas de ação e políticas abrangentes para atender às novas metas de desenvolvimento da China na jornada à frente na nova era e nas novas expectativas do povo. Continuaremos a seguir o caminho chinês para a modernização e continuaremos a promover a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidadehttps://thesaker.is/full-text-of-xis-speech-at-sco-samarkand-summit/

A China realizou o que nenhum país capitalista conseguiu – talvez com exceção dos países nórdicos sob a social-democracia tradicional - porém em capitalismo é algo sempre em risco, assim que os lucros caiam por qualquer crise. O país capitalista mais rico, os EUA, é um país de pobres. E se considerarmos o endividamento pessoal é um país maioritariamente de pobres.

* - Cumpre-me informar que por motivos estritamente de ordem pessoal – felizmente não tendo que ver com a saúde - o colaborador e fundador deste blog, Pena Preta, retomará a sua participação na próxima semana.

18 de setembro de 2022

A Rand Corp. explica por que temos uma guerra e um suicídio económico

 Por que é que a UE e o RU estão a cometer um suicídio económico e desindustrializar-se? Não é porque os políticos como Scholz, Macron, etc., sejam estúpidos ou ignorantes. Corrupto e desonestos, talvez. Eles sabem exatamente o que estão fazendo. Tudo faz parte do plano para desindustrializar uma das concentrações industriais mais eficientes (a Alemanha).

Trata-se da Grande Reinicialização de Klaus Schwab, tornando a UE completamente dependente dos EUA tanto em energia quanto em tecnologia. A história de um suposto plano dos EUA para drenar recursos da UE para sustentar a sua economia foi relatada pelo Nya Dagbladet. O jornal sueco alegou que obteve um documento confidencial da RAND Corporation, intitulado “Enfraquecendo a Alemanha, fortalecendo os EUA”. O relatório, produzido em janeiro deste ano, delineou um cenário de como os EUA poderiam ajudar a sua economia em dificuldades drenando recursos dos seus aliados europeus. A suposta trama envolvia incitar a Rússia a atacar a Ucrânia, o que forçaria a UE a impor sanções à Rússia e dissociar as suas economias da energia russa. 

O documento pode ser consultado aqui: https://nyadagbladet.se/wp-content/uploads/2022/09/rand-corporation-ukraina-energikris.pdf

O relatório da RAND é rotulado como "Confidencial". A lista de distribuição inclui o Chefe de Gabinete da Casa Branca, o Assistente do Presidente para Assuntos de Segurança Nacional, Departamento de Estado, CIA, Agência de Segurança Nacional e o Comité Democrático Nacional.

Eis algumas passagens e comentários do autor do texto, em referência (1): O estado atual da economia dos EUA não sugere que ela possa funcionar sem apoio financeiro e material de fontes externas [própria definição de um império parasitário!]. A política de flexibilização quantitativa, à qual o FED recorreu regularmente nos últimos anos, bem como a emissão descontrolada de dinheiro durante os bloqueios Covid de 2020 e 2021, levaram a um aumento acentuado da dívida externa e a um aumento da oferta de dólares [ a própria definição de altas taxas de inflação].

A contínua deterioração da situação económica provavelmente levará a uma perda da posição do Partido Democrata no Congresso e no Senado nas próximas eleições a serem realizadas em novembro de 2022. O impeachment do presidente não pode ser descartado nessas circunstâncias, que deve ser evitado a todo custo. [destaques a negrito do autor do texto]

Há uma necessidade urgente de recursos para a economia nacional, especialmente para o sistema bancário. Somente os países europeus vinculados aos compromissos da UE e da NATO poderão fornecê-los sem custos militares e políticos significativos para nós. [Os EUA ficaram sem países do terceiro mundo e em desenvolvimento para violar e pilhar.]

O maior obstáculo para isso é a crescente independência da Alemanha. Embora ainda seja um país com soberania limitada, há décadas que se vem movendo consistentemente para eliminar essas limitações e tornar-se um Estado totalmente independente. Esse movimento é lento e cauteloso, mas constante. A extrapolação mostra que o objetivo final só pode ser alcançado em várias décadas. No entanto, se os problemas sociais e económicos nos Estados Unidos aumentarem, o ritmo poderá acelerar significativamente.

Vulnerabilidades na economia alemã e da UE

Um aumento no fluxo de recursos da Europa para os EUA pode ser esperado se a Alemanha começar a experimentar uma crise económica controlada. O ritmo de desenvolvimento económico na UE depende quase sem alternativa do estado da economia alemã.

O atual modelo económico alemão baseia-se em dois pilares. Acesso ilimitado a recursos energéticos russos baratos e à energia elétrica francesa barata, graças à operação de centrais nucleares. A importância do primeiro fator é consideravelmente maior. A interrupção do fornecimento russo pode criar uma crise sistémica que seria devastadora para a economia alemã e, indiretamente, para toda a União Europeia

Devido às dificuldades da coligação, a liderança alemã não está no controle total da situação no país. Graças às nossas ações precisas, foi possível bloquear o comissionamento do gasoduto Nord Stream 2, apesar da oposição de lobistas das indústrias siderúrgica e química. No entanto, a dramática deterioração dos padrões de vida pode encorajar a liderança a reconsiderar sua política e retornar à ideia de soberania europeia e autonomia estratégica.

A única maneira viável de garantir a rejeição da Alemanha ao fornecimento de energia russo é envolver ambos os lados no conflito militar na Ucrânia. Nossas ações futuras neste país inevitavelmente levarão a uma resposta militar da Rússia. Os russos obviamente não poderão deixar sem resposta a pressão maciça do exército ucraniano sobre as repúblicas não reconhecidas do Donbas. Isso permitiria declarar a Rússia agressora e aplicar-lhe todo o pacote de sanções preparado de antemão.

1 - https://thesaker.is/why-is-germany-committing-suicide-the-same-reasons-why-the-eu-uk-is-being-deindustrialized/ por David Chu

A RAND, detalha as “Consequências Esperadas” das perdas para a Alemanha. Assim: Declínio do PIB, 3 a 4% ao ano; desemprego pode atingir 200 a 400 mil trabalhadores; desligar Estados Europeus de relações com a China; queda do euro; benefícios para os EUA em 4 a 5 anos, 7 a 9 milhões de milhões de dólares.

É caso para dizer: Entendido?

16 de setembro de 2022

A guerra Nato – Rússia – Contexto atual

Conforme dissemos anteriormente, a ofensiva Nato/Ucrânia, parou, tentativas de retomar têm sido anuladas. O próprio Stoltenberg o reconhece: “o contra ataque da Ucrânia foi muito eficaz, mas isto não é o fim da guerra, temos de estar preparados para um longo caminho.”

Desde o fim de fevereiro um total de mais de 47 mil toneladas de material foram entregues para a Ucrânia. O exército ucraniano é na realidade um exército Nato composto por ucranianos, mercenários e “conselheiros” Nato. A organização e os equipamentos são Nato, que tem proporcionado milhares de milhões de dólares em equipamento e treino. Dezenas de milhares de efetivos foram e estão a ser treinados pela Nato.

Neste contexto, a guerra prosseguirá até a Ucrânia esgotar a sua vontade de lutar e morrer, a Nato esgotar a sua capacidade de continuar a fornecer material e dinheiro ou a Rússia esgotar a sua disposição de combater um conflito inconclusivo na Ucrânia. O resultado são mais forças ucranianas e russas mortas, mais civis mortos e mais equipamentos destruídos.

As baixas que a Ucrânia sofreu e sofre são insustentáveis. A Ucrânia está a esgotar as suas reservas estratégicas, e eles terão que ser reconstituídos se a Ucrânia tiver alguma aspiração de continuar a guerra. A Rússia, por sua vez, perdeu nada mais do que um espaço indefensável. As baixas russas foram mínimas e as perdas de equipamentos foram prontamente substituídas.

De acordo com um documento assinado pelo Comandante das Forças Armadas da Ucrânia, general Zaluzhny, até o início de julho de 2022, 76 640 soldados ucranianos tinam sido mortos (dez semanas depois, devem ser quase 100 000). Com os feridos graves geralmente numa proporção de 1 para 1, isso significa que até 200 000 tropas de Kiev podem ter sido postos fora de ação permanentemente. E isso não inclui desertores, capturados e desaparecidos em ação, o que poderia fazer outros 50 000.

Isto confirma relatos anteriores de que o total de vítimas de Kiev, aqueles que estão permanentemente fora dos combates, são uns horríveis 250 000. Os hospitais ucranianos estão transbordando. Muitos feridos foram enviados para hospitais na Polónia, que também estão lotados, pelo menos no leste.

Por outro lado, a Rússia e aliados parecem ter perdido desde o início cerca de 10 000 mortos, incluindo milícias Donbass. Isso pode significar até 25 000 fora da luta do seu lado, Isto é, um décimo das baixas de Kiev. Com perdas tão grandes em Kiev, muitos acham que Zelensky e seus patrões em Washington e Londres são de fato culpados de crimes de guerra. Ref. - A Turning-Point Once Every 500 Years | The Vineyard of the Saker

Estima-se que 17,7 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária na Ucrânia, (quase 60% da população atual) incluindo 6,6 milhões que tiveram que fugir de suas casas e agora estão em outras partes do país. Muitos sofrem de traumas, enquanto a guerra continua a destruir vidas. Milhões de outros deixaram a Ucrânia para encontrar segurança em países vizinhos – 6,4 milhões de pessoas buscaram proteção na Europa. A maioria das pessoas que fugiram são mulheres, crianças e idosos, enquanto homens capazes são obrigados a permanecer no país.

Mulheres e meninas enfrentam taxas altas de violência, incluindo sexual perpetrada por soldados, tendo acesso limitado aos cuidados de saúde e apoio psicológico que precisam. As crianças, estão particularmente em risco de tráfico e exploração. Os preços de habitação vertiginosos e os custos crescentes da energia estão a levar as pessoas a questionarem-se se pode manter esta situação.

O apoio a ucranianos diminuí em muitos lugares - na Polónia, por exemplo, em 1 de julho, o governo encerrou em grande parte seu esquema de assistência que fornecia para famílias que hospedavam refugiados. Muitos refugiados e pessoas deslocadas na Ucrânia enfrentam preocupações sobre como continuar suas vidas – encontrar dinheiro para pagar bens essenciais como comida e medicamentos, fornecer educação para seus filhos e manter-se aquecido quando chegar o inverno. Ref. - Ukraine crisis: six months on the impacts of war continue to devastate lives | Oxfam International

Compare-se o que atrás se disse com as políticas da UE: von der Leyen quer sanções cada vez mais drásticas à Rússia, levando à ameaça de uma grave crise energética europeia neste inverno. Pediu a rápida adesão à UE para a Ucrânia, notoriamente o país mais corrupto da Europa e longe de atender aos padrões da UE; proclamou que “a Rússia entrará em decadência económica, financeira e tecnológica, enquanto a Ucrânia está marchando em direção a um futuro europeu”. A Ucrânia está “combatendo nossa guerra”.

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, quer também “arruinar a Rússia”. “As pessoas vão para a rua e dizem que não podemos pagar os preços de energia, e eu digo: ‘Sim, eu sei, então vamos ajudá-lo com medidas sociais. […] Ficaremos ao lado da Ucrânia e isso significa que as sanções também permanecerão, mesmo que seja muito difícil.” Numa sondagem recente 77% dos alemães são a favor de esforços diplomáticos para acabar com a guerra – o que deveria ser da responsabilidade de Baerbock, mas ela não mostra interesse em diplomacia, apenas em “fracasso estratégico” para a Rússia – não importa quanto tempo leve. Ref. - DIANA JOHNSTONE: The Specter of Germany Is Rising – Consortium News

Estamos tramados com esta gente...

14 de setembro de 2022

A guerra Nato – Rússia – Situação em 13-9

 Basicamente o que dissemos anteriormente está correto. O que mostra que as nossas fontes são fiáveis. Aliás para ter informação correta a primeira coisa é não ligar ao que os media dizem. Falaram em debandada russa, que a Rússia sofreu uma derrota esmagadora e a OME estava a entrar em colapso; a Visão (do sr. Delgado) dizia que as tropas ucranianas avançavam à velocidade da luz”. Nem de propósito – o homem acerta sempre ao lado – quatro centrais elétricas ucranianas tinham sido postas fora de serviço, levando a falhas de energia em sete regiões e sobrecarga nas restantes. (Intel Slava Z – Telegram13/9)

Enquanto a ofensiva de Kherson foi repelida, com as forças ucranianas sofrendo pesadas perdas em homens e materiais, quando o exército ucraniano atacou na região de Kharkov alguns dias depois, a Rússia foi apanhada de surpresa e a ofensiva de Kharkov tornou-se um grande sucesso com milhares de quilómetros quadrados de território anteriormente ocupado pelas tropas russas colocadas de volta sob controle ucraniano.

Para a Ucrânia, as enormes perdas sofridas, combinadas com os danos limitados infligidos à Rússia, significam que a ofensiva de Kharkov é, na melhor das hipóteses, uma vitória de Pirro, que não muda a realidade fundamental de que a Rússia está vencendo, e vencerá, o conflito na Ucrânia. Mas o custo para estender esta guerra tornou-se muito maior para todas as partes envolvidas. (Scott Ritter)

Em suma, o avanço ucraniano tem sido muito lento e carece de um caminho claro para alcançar objetivos operacionais. A Rússia já começou a implantar enormes reservas e o medo aparece entre os ucranianos mais conscientes operacionalmente. Um jornalista ucraniano na frente tinha isso a dizer: "Há lutas intensas perto de Kupyansk, pior do que Balakleysky. Estamos tendo grandes perdas. O inimigo está transferindo enormes reservas por via aérea. O céu está cheio de aeronaves. Ouvindo sobre tudo isso, um sentimento assombroso de uma emboscada surge na alma. E se tudo isso realmente for uma emboscada de nível estratégico?"

Em um sentido operacional, o recuo russo não é uma catástrofe. A Rússia tem poder de fogo e mobilidade para esmagar essas ofensivas. O problema é que permite que a Ucrânia retome temporariamente os assentamentos, o que expõe os civis nessas áreas a mortes de represália, como ocorreu em Bucha. 

Em primeiro lugar, a ofensiva ucraniana em torno de Kharkov representa uma das mais graves falhas dos serviços de informações (inteligência militar). Parece que quando a Ucrânia iniciou seus ataques ao longo da linha Kherson, a Rússia assumiu que esta era a tão esperada ofensiva, e apressou reservas e reforços para esta frente. Uma falha de inteligência dessa magnitude sugere deficiências tanto na capacidade da Rússia de coletar dados de informações, como na incapacidade de produzir avaliações oportunas e precisas para a liderança russa. 

De qualquer forma, esta guerra não vai parar tão cedo, e a NATO/Ucrânia continua a preparar-se para futuras ações ofensivas. A Rússia continua a tentar vencer a guerra com uma implantação de força mínima e ataques de precisão, poupando infraestruturas críticas. Embora a derrota das contraofensivas atuais demonstre que ainda está no caminho da vitória, a mera existência dessas contraofensivas sugere que a Rússia terá de aumentar a sua força no terreno aproveitando-se do seu significativo poder de geração de força - e negar à Ucrânia o acesso aos centros populacionais populacionais, ou então a vitória pode muito bem ser mais lenta e mais cara do que o necessário. (Big Serge)

Os combates continuam. mas sem sucesso para as forças NATO/Ucrânia. A travessia do rio Oskol, na direção de Kupyansk, foi repelida. O ataque a Davydov Brod foi também repelido. Forças russas avançaram de Kodema e tomaram Nikolaevka-2 próximo da autoestrada Artemovsk-Dzerzhinsk. O atque russo a Zaitsevo estava em curso.

Um dos grandes objetivos da NATO/Ucrânia é a tomada da região e da central de Zaporozhye. Vários ataques foram sucessivamente repelidos, mesmo antes da ofensiva. Foi agora detetada uma imensa acumulação de forças e material.

A tentativa de atravessar em embarcações o rio Dnieper, foi também repelida por helicópteros através de mísseis anti tanque Vikhr. Os ataques a Liman foram repelidos ontem (11/9) com pesadas perdas. O mesmo aconteceu na direção de Seversky, onde foi tentado romper as defesas russas na direção de Lisichansk.

De acordo com os últimos relatórios, a retirada do grupo da área ao sul de Izyum foi concluída com sucesso. As unidades de retaguarda que detiveram o inimigo também conseguiram recuar (de forma organizada, apesar das perdas). Reagrupando as tropas nas áreas de Balakleya e Izyum. (Intel Slava Z – Telegram 12 e 13/9)