O cenário relativamente à Rússia é pintado como se nada se tivesse passado antes de 2022, quando desde 2014 as populações russófonas que se opuseram ao golpe foram massacradas, sobretudo civis, um monumento às crianças mortas recorda-o. Na RP do Donetsk desde 2014, 17 672 civis ficaram feridos, incluindo 1106 crianças. Outras 10 056 pessoas morreram, incluindo 258 crianças.
Conforme exposto, inclusive pela Amnistia Internacional, grupos nacionalistas como o Batalhão Azov, Batalhão Aidar, Setor Direito e outros assassinaram milhares de cidadãos da região do Donbass, cujo "crime" era serem etnicamente russos, sub-humanos, como Yatsenyuk, o PM escolhido pelos EUA após o golpe Maidan, os qualificou.
Em 2021, Putin escreveu "Sobre a Unidade Histórica de Russos e Ucranianos" defendendo que russos, ucranianos e bielorrussos eram "povos irmãos" descendentes da antiga Rus. A contenção de Putin, não intervindo diretamente durante oito anos, justificava-se, em 2022 quase metade dos russos tinha uma opinião favorável sobre a Ucrânia, dezenas de milhões de russos tinham ligações familiares na Ucrânia.
Por isso, a Rússia avançou sem massivas campanhas aéreas, sem destruir infraestruturas chave da Ucrânia, com apenas 150 000 soldados. Como poderia esta força dominar uma população de 35 milhões de pessoas (na época)? O objetivo, não era "conquistar a Ucrânia" como comprovado no acordo alcançado em Istambul, o objetivo era uma Ucrânia neutra, sem adesão à NATO, conforme a Constituição de 1991 e que em Donetsk e Lugansk houvesse uma vida normal e fossem regiões autónomas na Ucrânia.