Confessou-me um amigo nunca ter votado em partidos do governo, votava sempre à esquerda, não nos mesmos partidos, mas na verdade não sabia ao certo o que era ser de esquerda. Como diz certo fado: "eu disse que não sabia, menti naquela hora, mas vou dizer agora". Pelo menos vamos tentar.
Frederic Lordon dá-nos uma boa contribuição acerca ser de esquerda. Ser de esquerda, é uma posição em relação ao capital: não permitir o domínio do capital sobre a sociedade, não permitir que um grupo social possa converter o interesse geral no seu próprio interesse. É a relação com o capital que define uma posição de esquerda. Uma sociedade não capitalista será gerida por leis económicas diferentes das que o capitalismo determina: a maximização do lucro, não um lucro qualquer, mas o lucro monopolista e financeiro, geralmente visto no curto prazo. A visão de médio ou longo prazo é geralmente entregue ao Estado com a missão de "criar condições" para as atividades serem atrativas para o capital e desempenhar o papel que lhe couber no sistema imperialista.
A eficiência capitalista é essencialmente antissocial, todos os progressos laborais e sociais foram obtidos através de duras lutas e movimentos sindicais fortes. Parte dos sectores populares perderam esta noção, daqui o ataque, apresentado em nome da eficiência empresarial, a que estão a ser aqueles progressos.