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3 de maio de 2026

A China diz não

 Pela primeira vez, a China ativa seu "status de bloqueio" contra as sanções dos EUA: um ponto de viragem na guerra económica sino-americana.

Num comunicado divulgado em 2 de maio de 2026, o Ministério do Comércio da China (MOFCOM) deu um passo histórico.

A alta do mercado de ações americano é teleológica: uma alavanca na estratégia geopolítica da supremacia dos EUA.

A ascensão orquestrada do mercado de ações americano é uma alavanca na estratégia geopolítica da supremacia dos EUA. A valorização do mercado de ações deixou de ser um indicador neutro da saúde económica e tornou-se um instrumento de poder geopolítico. Enquanto o dólar permanecer dominante e o mercado de ações se mantiver em alta, os Estados Unidos poderão financiar a sua supremacia. A questão que permanece é: por quanto tempo esse modelo económico teleológico resistirá às realidades da economia real e aos desafios internacionais?

A luta, é urgente, exigente e prolongada

 A frase é do SG da CGTP, Tiago Oliveira, no 1º de MAIO, está correta e tem toda a oportunidade, num momento em que o ataque aos direitos laborais coloca em risco não apenas o nível de vida, mas também as liberdades democráticas e o futuro de gerações. Uma revisão constitucional ultrarreacionária está na agenda da direita e extrema-direita ao serviço do grande capital corroendo a liberdade, as condições de vida, o futuro do país e das pessoas.

A direita conta com os media e seus trafulhas - alguns apresentados como esquerda - para consumar a submissão às oligarquias e ao imperialismo. Os papagaios dizem que a inflação é de 3%, quando o preço do cabaz alimentar aumentou 40% desde 2022; a GALP atingir nos primeiros três meses do ano lucros recorde de 207 milhões de euros, mais 40% face aos primeiros três meses do ano transato. (Tiago Oliveira). São as vantagens (para quem?) das privatizações.

Sem dúvida que a luta será prolongada, e sem dúvida difícil, mas para além da conquista ou reconquista de direitos e garantias, não se pode perder de vista e ter consciência que fundamentalmente a lógica e procedimentos deste sistema baseado na exploração têm de ser decisivamente invertidos.

2 de maio de 2026

Importante. A iminente crise energética e alimentar

A iminente crise energética e alimentar: análises de Jacques Sapir

 Numa série de tweets publicada em 2 de maio de 2026, Jacques Sapir, um especialista reconhecido da politica económica Rússa e em questões monetárias e energéticas, pinta um quadro particularmente alarmante e bem documentado da atual crise económica global.

Sapir, professor da EHESS e da Universidade Estatal de Moscovo, utiliza os dados mais recentes de organizações internacionais (FMI, Banco Mundial, Agência Internacional de Energia) para demonstrar que a comunidade económica internacional ainda subestima a escala e a duração das próximas perturbações nos mercados de energia e de matérias-primas estratégicas.

Estaremos todos lembrados...

Gen . Carlos Branco

Estaremos todos lembrados da satisfação do chanceler alemão Merz com o ataque de Israel ao Irão, em junho de 2025. Segundo ele Israel estava "a fazer o trabalho sujo da Europa, por ela". Em fevereiro de 2026, não manifestou nenhuma incomodidade com o ataque de Trump ao Irão, nunca questionou a sua ilegalidade. Agora que é claro (como já era na altura para alguns) que a guerra se está a saldar numa derrota estratégica monumental, expondo as imensas vulnerabilidades norte-americanas, as militares em particular, Merz comporta-se como os ratos em fuga dos navios que se estão a afundar.

Veio despudoradamente afirmar que teve sempre dúvidas sobre a guerra: os norte-americanos estão a ser “humilhados” nas negociações com o Irão (foi inclusivamente ao ponto de admitir que a Ucrânia terá de ceder território à Rússia); Washington tem falta de estratégia, carece de uma estratégia clara para resolver a guerra no Médio Oriente; os iranianos são claramente mais fortes do que o esperado (ver Reuters, AFP, Deutsche Welle). É fixe beneficiar-se das guerras da América quando elas correrem bem, e lavar as mãos da guerra quando correrem mal.

A reindustrialização

Se quisermos reindustrializar, primeiro precisamos destruir o capital antigo, as rendas, o capital fictício, o capital simbólico e, sobretudo, as elites que personificam a velha ordem e a ineficiência.

O capitalismo é um sistema de acumulação infinita de capital, movido pelo lucro e não pela satisfação de necessidades.

Elites como Draghi, por exemplo, publicam relatórios, generosamente pagos para afirmar o óbvio, que levam a becos sem saída: "tudo o que temos que fazer é", "devemos" reindustrializar as economias europeias. E despejam somas colossais de dinheiro nisso!