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10 de setembro de 2026

A expansão geopolítica da China

 No seu livro "A Governança da China", diz Xi Jinping: "a modernização com características chinesas é uma modernização socialista liderada pelo Partido Comunista Chinês, e não uma modernização de qualquer outro tipo."

Essa modernização é um sucesso. Tirou quase 800 milhões de chineses da pobreza. A modernização capitalista gera pobreza, quando não absoluta, relativa das massas trabalhadoras, crescentes desigualdades tanto no nível nacional quanto entre países. O histórico avanço global da China melhorou o padrão de vida, não apenas dos mais pobres, mas de todo o povo chinês, a fim de alcançar uma prosperidade comum, um passo importante na modernização ao estilo chinês. Quase metade dos pedidos de patentes no mundo são chineses, três vezes mais que os pedidos dos Estados Unidos. A China forma 1,5 milhões de engenheiros todos os anos.

A Global Times atribui as conquistas do país a uma grande diversidade de capacidades de produção local; uma maior orientação para investimentos de longo prazo; uma flexibilidade muito maior no financiamento, devido a instituições públicas financeiras, únicas. A ascensão da China transformou-a de um dos países mais pobres do mundo numa potência capaz de desafiar os Estados Unidos numa única geração. Não se trata de copiar processos, mas estuda-los e aprender com o seu exemplo é fundamental.

9 de setembro de 2026

A renda . A divida . A fuga para a frente até quando . A farsa do Financial Times

Os governos do capital criaram um monstro de 2 trilhões de dólares — um fardo de serviço da dívida que devora a arrecadação de impostos 

O Financial Times acredita ter descoberto um monstro. Apenas fotografou o sintoma

Nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França, o pagamento da dívida supera a verba destinada à defesa; mais de uma dúzia de países da OCDE encontram-se na mesma situação.

Comentadores com humor

Só por humor alguém pode dizer a propósito do encontro com Trump, que Xi Jinping tem interesse em aparecer junto das grandes lideranças atuais (Jorge Tavares da Silva, CNN). Mas quais "grandes lideranças" ao pé da China?! Acaso se referem à Leyen e ao Costa, metidos num autocarro no aeroporto de Pequim, como meros turistas e recambiados no dia seguinte quando previam dois dias de reunião?!

Se há líderes junto dos quais Xi quer ser visto é ao lado de Putin, ou nas fotos das reuniões da OCX (Organização de Cooperação de Xangai) ou do BRICS. Devia-se explicar aqueles "especialistas" que não estamos em 1884, quando as potências colonialistas dividiam em Berlim o mundo entre si, nem em 1991, no "fim da História". A OCX é, a maior associação regional do mundo, com metade da população do planeta.

Segundo Pepe Escobar a OCX não é um mero fórum de discussões, mas as bases de um sistema económico que Washington não pode controlar. A Rússia, a China, o Irão e seus parceiros expandem o comércio nas suas próprias moedas (o comércio da Rússia com os países da OCX ultrapassou os 400 mil milhões de dólares, 98% realizado em moedas nacionais) ligando corredores de transporte e energia e construindo suas próprias instituições de desenvolvimento. Esses projetos transformam a OCX na base económica de uma Eurásia multipolar, cada vez mais distanciada das sanções dos EUA e da exclusão financeira.

8 de setembro de 2026

 A histeria russófoba ocidental, que fantasia sobre o desejo da Rússia de se expandir pela Europa, é simplesmente risível para um historiador.

O choque psicológico que aguarda os europeus será a constatação de que a OTAN foi criada não para nos proteger, mas para nos controlar.


Emmanuel Todd

“Nossa russofobia não tem nada a ver com a Rússia em si. É uma fantasia, uma patologia das sociedades ocidentais, uma necessidade interna de imaginar um monstro russo.”

Uma nova crise visto dos EUA

STEVE KEEN. O gatilho para a próxima crise será a oferta, e depois o serviço da dívida.

STEVE KEEN

Vi os números da dívida de 2008. A dívida privada dos EUA atingiu 150% do PIB em 2005. O crescimento do crédito atingiu o pico equivalente a 15% do PIB em 2006. Eu disse que esse ritmo não poderia ser sustentado.

Quando o nível da dívida privada parou de crescer, o crédito não apenas desacelerou, como se tornou negativo, caindo para -5% do PIB em 2009. Foi isso que desencadeou a recessão.

Desta vez, o gatilho é a oferta, e depois o serviço da dívida.

As famílias pagam suas hipotecas com seus salários. As empresas pagam suas dívidas corporativas com seus lucros. Até a guerra, isso era mais ou menos viável. Feche o Estreito de Ormuz e você não perde apenas petróleo. Você perde fertilizantes para as plantações americanas, hélio para máquinas de ressonância magnética e linhas de transmissão de alta tecnologia, e cerca de metade do ácido sulfúrico do mundo. O petróleo bruto ácido do Golfo Pérsico é a fonte desse enxofre.

Eleições na Alemanha

 Os alemães não comeram a infantilidade dos misseis em Leipzig  , operação dos serviços secretos alemães e ucranianos . O afundamento da Democracia Cristã e da Social Democracia

Está na hora de a Europa falar com Moscovo e acabar com esta guerra louca e com narrativas absurdas sobre a “ameaça russa”. " A verdadeira ameaça não vem de Moscovo , mas da política da União Europeia "

6 de setembro de 2026

Acerca da agenda da extrema - direita

 Em adolescente perguntei a um amigo (aliás pai de um amigo) ex-preso político como comunista, o que era o fascismo. Ele disse-me que fascismo era tudo o que é negativo para as pessoas e para o país.

Não será a definição teórica mais rigorosa, mas era importante que jovens aprendessem a distinguir entre o que é negativo e o que é positivo. E negativo é o ódio, o racismo, o belicismo, as desigualdades como forma de discriminação, marginalização dos mais fracos e mais pobres. Positivo é o que une e eleva as pessoas espiritual e materialmente.

E aqui estamos de novo com a agenda da extrema-direita dominando o espaço mediático, com alardeados puritanos exigindo acabar com "50 anos de corrupção", conduzindo a consciência social contra as instituições democráticas.

O seu nacionalismo não é defesa da soberania, é liberdade para a oligarquia e submissão a Bruxelas e Washington, impulsionando ressentimentos rácicos, religiosos, xenófobos, ignorando ou manipulando as causas reais dos descontentamentos.

Claro que estes aspetos tomam formulações diferentes (que não vamos aqui analisar) em países que se consideravam "grandes potências", sentem ter perdido esse estatuto, como no caso da Alemanha ou da França, que a extrema-direita quer retomar.