Algo estranho se passou no Irão. Até que ponto os protestos não tiveram, pelo menos indiretamente o apoio do presidente Pezeshkian? No início dos protestos ele apareceu a pedir desculpa aos manifestantes responsabilizando o governo por erros e má gestão. Será que nunca tinha ouvido falar em "revoluções coloridas", nem nas interferências externas em tentativas anteriores?
Desde o início do mandato foi considerado um "moderado" voltado para o ocidente, a sua relação com a vizinha Rússia foi sempre reticente. Preferiu uma desvalorização de 40% da moeda em lugar de pedir apoio financeiro à Rússia e China, a sua economia estritamente capitalista liberal foi um fracasso. Recusou antes do ataque dos EUA/Israel da "guerra dos 12 dias" meios de defesa russos. Foi sob pressão que acabou depois por os aceitar e assinar um acordo de cooperação estratégica embora de âmbito muito mais reduzido que o da Rússia com a RPDC. Também não deixa de ser estranho que no decorrer da situação criada quem apareça a falar pelo governo seja o Ministro das Relações Exteriores.
Na UE, Leyen, entre outros, apareceu a pedir sanções para o Irão em nome dos direitos humanos e democracia. Já não espanta o nível de baixeza da UE dos seus "valores europeus". O campo de extermínio (1) de Gaza e os seus indescritíveis horrores - incluindo crianças - são ignorados. Nem uma sanção, nem sequer esboçar apoio humanitário.
Mas a UE incentiva os EUA a intervirem militarmente contra o "regime repressivo dos ayatollahs" e a Alemanha avança na cooperação militar com Israel ampliando o contrato original de sistema de defesa antimísseis Arrow 3, adicionando 3,1 mil milhões de dólares.
Os iranianos e o resto do mundo puderam ver natureza dos "manifestantes democracia" ao serem expostos atos de violência e vandalismo. Muitas vítimas de manifestantes sofreram ferimentos de corte na garganta' segundo o Chefe de Medicina Forense do Irão. O que na UE ou EUA são atos de terrorismo e vandalismo, no Irão são atos pró-democracia, como carros queimados, mesmo de combate a incêndio, mesquitas, lojas, esquadras policiais, etc. A violência procurava paralisar o país, os serviços de emergência e intensificar o caos interno para a "mudança de regime".
Trump instou os manifestantes a "continuar a protestar" e "assumir o controlo das suas instituições," prometendo " que a ajuda estava a caminho"... com bombardeamentos. O papel de Israel, "a única democracia na região", em fomentar a agitação foi evidenciado.
A tentativa dos EUA e Israel derrubarem o governo frustrou-se, a população uniu-se contra a intervenção estrangeira. As autoridades iranianas prenderam dezenas de agentes do Mossad e agitadores que coordenavam motins, os terminais Starlink usados organizar a violência foram desligados: 30, 50 mil ou mesmo mais terminais estavam ativos no país. O governo descobriu onde operavam, com bloqueadores de sinal de nível militar, possivelmente de origem russa ou chinesa, degradando as ligações dos terminais aos satélites Starlink. Carros e drones de deteção de sinal permitiram derrubar antenas e confiscar terminais.
Os agentes da CIA/Mossad que lideravam os manifestantes deixaram de poder comandar e controlar suas forças no terreno. É significativa a ausência de vídeos de propaganda do "horror" no Irão usados pelos media para mobilizar apoio à intervenção ocidental e ao desenvolvimento da "revolução colorida".
Manifestações em grande escala a favor do "regime" foram organizadas em todas as principais cidades. O sistema iraniano demonstrou mais uma vez que é estável e nenhum oficial militar mudou de lado. O Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, disse terça-feira que "a calma" tinha sido "restaurada" graças aos esforços das forças da ordem e da população vigilante.
Após o Irão pode ter avisado os países da região que poderia atacar bases dos EUA se fosse atacado, dadas as afirmações de Trump que a ajuda estava "a caminho" para os manifestantes, o pessoal militar dos EUA foi aconselhado a deixar a Base Aérea de Al Udeid no Qatar.
As opções militares dos EUA contra o Irão são limitadas: um ataque militar decisivo dos EUA é logisticamente impossível sem um grupo de porta-aviões no Golfo Pérsico, uma vez que toda a força naval disponível está empenhada em dissuadir a China, nas Caraíbas e apoiar a Ucrânia.
A narrativa ocidental foi buscar uma figura desacreditada: Reza Pahlavi um fantoche político financiado por Israel e pelos EUA, totalmente inaceitável para a sociedade iraniana. Quanto ao número de vítimas são como habitualmente fabricados por ONG em Londres e Washington, como guerra de informação.
O Congresso acaba de controlar os poderes de guerra presidenciais exigindo agora uma autorização para qualquer ataque contra o Irão. Apesar da retórica incendiária de Trump, não está planeado nenhum grande acréscimo de tropas. A resposta dos EUA, a ocorrer, provavelmente será um ataque de precisão em vez de uma nova guerra.
O fracasso desta tentativa de mudança de regime mostra que os métodos usados se tornaram óbvios e podem ser combatidos. Entretanto, os EUA e Israel formaram um centro de coordenação dos separatistas do Irão.
1 - Leia-se o que Erich Maria Remarque descreveu em "A Centelha da Vida" passado num campo de concentração nazi.
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