Com o fim da União Soviética, os Estados Unidos tornaram-se líderes mundiais, instituindo o mundo unipolar, uma forma de império subordinado às regras ditadas de Washington. A criação deste império vinha desde 1947, com a Doutrina Truman estipulando que os EUA têm o direito de liderar o "mundo livre", impedir a expansão do comunismo e intervir militarmente em qualquer parte onde entendam estar em causa a segurança nacional dos EUA.
Diga-se que o comunismo nunca existiu (excetuando o pré-histórico "comunismo primitivo"), o que estaria em causa seriam formas de socialismo e soberania nacional. Era, o alibi para um direito de intervenção - mesmo guerra - contra as escolhas dos outros povos.
Apesar dos EUA prometerem apoio contra ameaças autoritárias a "nações democráticas", instituindo-se como uma "inquisição" a nível mundial, nunca foram questionadas as sangrentas ditaduras dos Pinochets, Vilelas, Mobutus, etc., por esse mundo fora nem deixaram de fazer parte do "mundo livre", enquanto líderes progressistas foram presos, exilados ou assassinados. Um direito que permitiu crimes como os que ocorrem na Palestina ou o que tem por efeméride 10 de agosto de 1961.
Historicamente os impérios nascem, crescem, mantêm-se e declinam pela guerra e este não é exceção.
A ameaça ao mundo unipolar dos EUA cresceu com o ressurgimento do poder russo. A degradação económica e social da Rússia nos anos 1990, refletiu-se nos horrores do crime organizado, queda da esperança média de vida, generalizada pobreza, país a caminho da banca rota. Para o ocidente a Rússia era uma democracia. Contudo, retomando a tese nazi, não era aceite a Leste um território com aquela dimensão e potencial económico, o separatismo foi apoiado e financiado.Com Putin a situação foi revertida e a Rússia passou a ser um totalitarismo, sujeita às retaliações decididas pelo império. A estratégia dos EUA, conduzida pelo Partido Democrata, centrou-se na submissão da Rússia - "mudança de regime" - colocando no Kremlin um líder pró-ocidente, neoliberal. A "revolução Maidan" na Ucrânia em 2014, que traria a Crimeia sobre o Mar Negro e o de Azov, para a esfera da NATO, reforçava este objetivo.
A lógica era que com uma mudança de regime na Rússia, cortava a China das matérias primas russas - controladas ou dominadas pelo ocidente, permitiria expandir a NATO para a Ásia central, etc. A resistência da Rússia à expansão da NATO e resistência dos povos russófonos do Donbass ao golpe de Kiev levou a uma guerra que a NATO apoiou desde 2014 e à intervenção direta da Rússia em 2022. Foi uma estratégia falhada: não conseguiram afastar Putin, muito menos derrotar a Rússia, além de custar aos EUA uns 100 mil milhões de dólares por ano, segundo Trump.
O objetivo prioritário da Administração Biden era derrotar a Rússia. O SE Blinken voou dezenas de vezes para o Médio Oriente tentando estabilizar a situação, retomar os "Acordos de Abraão" e parar as ações Netanyahu - este dizia-lhe que sim, mas logo que partia as políticas sionistas eram retomadas. Ao mesmo tempo, alianças foram desenhadas cercando a China com a militarização da Austrália e do Japão e envolvendo Taiwan e Filipinas na criação de tensões com a China.
Com Trump uma nova estratégia foi concebida tentando afastar a Rússia da China, a troco de parar a guerra na Ucrânia. Prometera parar as guerras no exterior, dedicar-se ao plano MAGA que refletia a noção do abissal endividamento, desindustrialização e atraso em tecnológico em sectores militares fundamentais.
Foi também uma estratégia falhada: pouco tempo decorrido os EUA viram-se envolvidos numa escalada da guerra na Ucrânia e - cedendo à propaganda e lóbis sionistas - numa guerra com o Irão que que não conseguem vencer nem sair dela. Portanto, duas guerras de alta intensidade e a braços com a preparação de outra, contra a China.
Talvez há 15 ou 20 anos, não houvesse poder que resistisse aos EUA, agora é tarde. A multipolaridade desenvolveu-se e organiza-se, vários países desenvolveram potencial militar que pode fazer frente aos EUA e aliados. Países - "regimes" - aprenderam a defender-se das "revoluções coloridas" e forças internas financiadas por serviços secretos e ONG do ocidente.
Claro que resta a opção nuclear que certa propaganda se esforça por tornar "natural", lógica, necessária... A NATO e a UE estão recheadas jornalistas e “cientistas políticos” que não fazem a mínima ideia do que seria este tipo de guerra com a Rússia ou mesmo com a China. São os mesmos "especialistas" que falavam da "bomba atómica das sanções" e das "armas maravilha" da NATO contra a Rússia. Neste cenário a passividade e impotência cidadã desta democracia, permite que permaneça dominada por belicistas russofóbicos.
O império encontra-se em "Zugzwang" (Alastair Crooke) situação no xadrez em que qualquer movimento que o jogador faça piorará sua posição. Um exemplo é o esgotamento de mísseis devido à guerra contra o Irão: os EUA gastaram 2500 Patriot PAC-3 - cada 5,3 milhões de dólares - restam 800. Encomendaram agora 3400, para o que demorarão 6 a 7 anos. Dos mísseis balísticos ATACAM usaram 1300 - 1,5 a 1,7 milhões de dólares cada - estão praticamente esgotados. (gen. Agostinho Costa, CNN).
Para tentar restabelecer o império unipolar os EUA promovem uma aliança globalista das oligarquias, servem-se de vigaristas políticos promovidos pela propaganda, obviamente à custa da deterioração da soberania dos países e condições de vida dos povos.
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