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17 de novembro de 2022

Adeus baixa inflação

Estagno - inflação à vista

 A nível mundial, fala-se de um regresso aos anos 70 com elevados níveis de inflação, associados aos dois choques do petróleo, em simultâneo com uma forte recessão em 1974 e 1975, intimamente relacionada com as elevadas subidas das taxas de juro que conduziram a uma recessão mundial em 1982 e a crise da dívida nas economias emergentes.

No entanto, para o Banco Mundial, a crise atual, embora tenha algumas semelhanças com a estagflação dos anos 1970, é muito diferente porque "quadros de política monetária aprimorados em economias avançadas e em muitas economias emergentes fortaleceram a credibilidade dos bancos centrais e ajudaram a ancorar expectativas de inflação de longo prazo.

A realidade mostra que, este ano, apesar dos aumentos consecutivos das taxas de juro promovidas pelos bancos centrais dos Estados Unidos e do Reino Unido nos países avançados e em economias emergentes como a Turquia, Brasil, Chile e Colômbia, a Inflação mantém-se persistente e alta, mostrando as limitações da credibilidade exclusiva das autoridades monetárias, já que, na presença de choques de oferta e problemas estruturais, é muito difícil ancorar as expectativas inflacionárias.

Embora as bolsas tenham ficado felizes em receber os dados de inflação anualizada dos EUA de 7,7% até outubro junto com o crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2,6%, o problema é que para os falcões do Fed o objetivo é voltar aos baixos índices de inflação das duas décadas de estabilidade deste século, cerca de 2%, como se nada tivesse acontecido ao nível da fragmentação da globalização, das crises dos combustíveis e dos alimentos, a par dos efeitos da pandemia e da tecnologia nas condições de trabalho e salariais.

Na crise financeira de 2008, vários economistas propuseram flexibilizar a meta de taxa de inflação de 2% e, acontece que agora, quando se fala em inflação baixa, mencionam-se as taxas da Suíça e do Japão com taxas de 3% até outubro de 2022 Essas são as taxas anualizadas mais baixas dos países da OCDE, que em média já estão em 10,5%, quando a taxa de dois dígitos era considerada inflação alta, como a que vigorava na América Latina na década de oitenta. E, por fim, há o caso da Turquia, que registra uma taxa anualizada de 85,5% a partir de outubro deste ano, semelhante à da Argentina.

Assim, vão ter que mudar o padrão para caracterizar inflação baixa, tendo que elevá-la para cerca de 3% e passar a usar o conceito de inflação moderada, estendendo-a para menos de 10% para cobrir as taxas anuais de vários países da OCDE. E então, só então, a inflação de dois dígitos ou inflação alta teria que ser considerada, onde a maioria dos países da Zona do Euro está localizada.

O problema é que as receitas para reduzir a inflação, como aumentar os juros ou contrair os gastos públicos, muitas vezes levam à desaceleração do crescimento ou provocam uma recessão. Assim, a recessão já apareceu de mãos dadas com a alta da inflação, pois para o FMI a Rússia já está em recessão este ano, estima que o Chile entrará na região em 2023 e prevê que países que representam mais de um terço do produto mundial contrairão durante parte deste ano ou no próximo. O Reino Unido entraria em recessão no quarto trimestre deste ano enquanto a zona euro o faria no quarto trimestre de 2020. Desta forma, vão ter de alterar o padrão para caracterizar inflação baixa, tendo de aumentá-la para cerca de 3% e começar a usar o conceito de inflação moderada, estendendo-a para menos de 10% para cobrir as taxas anuais de vários países da OCDE. E então, só então, você teria que considerar a inflação de dois dígitos ou inflação alta, onde a maioria dos países da zona do euro está localizada. 22 e o primeiro trimestre de 2023 conforme previsto pela Comissão Europeia.

De esta manera, mutatis mutandis con los años ochenta, tendríamos el retorno al fantasma de la estanflación, ya que Rusia registra una tasa de inflación a octubre de 12,6% y, en la región, Chile está con una tasa de 12,8%.  En los países adelantados, a fines de año la entrada en recesión el  Reino Unido la haría con una tasa de 10,1% de inflación mientras que el área del euro con 10,7% de inflación.

Pareciera que los bancos centrales no aprendieron la lección de la estanflación  de los setentas y ochentas y siguen con la misma receta con la finalidad de volver al pasado de baja inflación, aunque algunos bancos van a tener que decir: ¡Goodbye baja inflación y bienvenida estanflación!

Fuente: https://estrategia.la/2022/11/16/goodbye-baja-inflacion-bienvenida-estanflacion/

* Ex-presidente do Banco Central da Bolívia, Ministro do Planejamento do Desenvolvimento e Diretor da Unidade de Análise de Políticas Econômicas e Sociais (UDAPE). Colaboradora do Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)

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