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21 de maio de 2026

Declarações conjuntas de Xi Jinping e Putin

 Em 24 horas desmoronou-se a narrativa de Xi dizer que a Rússia podia vir a arrepender-se de ter invadido a Ucrânia e as "evidentes" vulnerabilidades económicas e militares da Rússia. Para os belicistas vale tudo, o que prova o seu desespero.

Mertz apelou (!!) a Xi Jinping para influenciar Putin e forçá-lo a capitular perante as "forças unidas do bem" - incluindo certamente Israel. Algo contraditório com o que diz Rutte preocupado com a visita de Putin: "A NATO é uma aliança transatlântica, mas dada a cooperação da Rússia com a China, a Coreia do Norte e o Irão, devemos assegurar relações fortes com parceiros fora do território da aliança". O que é que isto significa (até em termos democráticos) é um mistério. Esta gente não tem o mínimo senso. O que é espantoso é continuar a ser tolerada. Na realidade, só existem na bolha mediática da "imprensa livre" propriedade de oligarcas.

Para os que sonham prolongar a guerra até Trump ser substituído fariam melhor em atender às palavras do ex-Secretário de Estado de Biden, Antony Blinken: "O século americano acabou". Os EUA estiveram no topo 80 anos, mas a ordem mundial mudou drasticamente e essa nostalgia tem de desaparecer. "A realidade é que não se pode voltar a meter o génio na garrafa,"

Das declarações conjuntas da Rússia e da China, destaca-se: A relação entre Moscovo e Pequim não é orientada para um bloco contra outros países. O sistema de relações internacionais no século XXI está a transitar para a multipolaridade. Não existem países ou povos "de primeira classe" no mundo; o hegemonismo, sob qualquer forma, é inaceitável; é inadmissível coagir países soberanos a renunciar à neutralidade; todos os Estados soberanos têm um direito igual à segurança.

Consideram o percurso do Japão em direção à remilitarização acelerada como uma ameaça à paz; opõem-se a um regresso a uma ordem mundial onde apenas a lei do mais forte prevalece, defendendo a autoridade da ONU em assuntos internacionais. Opõem-se a quaisquer sanções unilaterais não acordadas com o Conselho de Segurança das Nações Unidas e iniciativas relacionadas com o bloqueio, apreensão ou confisco de ativos e propriedades de Estados estrangeiros.

Estão preocupadas com a militarização pelos Estados Unidos e os seus aliados e a retórica de confronto de certos países. A presença da NATO na região Ásia-Pacífico é incompatível com o fortalecimento da paz. Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão são ilegais e minam a estabilidade no Médio Oriente.

Exigem o fim da interferência nos assuntos internos dos Estados e opõem-se à utilização dos direitos humanos como pretexto para essa interferência. Opõem-se a ações que violem a Carta das ONU na América Latina e nas Caraíbas. Apoiam a independência e o auto desenvolvimento de África, a soberania e a integridade territorial da Síria, apelando ao novo governo para combater o terrorismo. Opõem-se a pressões sobre a Coreia do Norte.

A Rússia valoriza a posição objetiva e imparcial da China sobre a Ucrânia. China e a Rússia opõem-se firmemente a todas as tentativas de negar os resultados da vitória na Segunda Guerra Mundial e reabilitar o fascismo e o militarismo.

A Bloomberg reconhece que Moscovo e Pequim tenham assinado uma declaração para promover uma ordem mundial multipolar. O desejo de ambos os países se afastarem de uma ordem mundial liderada pelos EUA é conhecido. Isto foi agora amplamente demonstrado: a Rússia e China estão a destruir a antiga ordem económica.

As últimas conversações entre Xi e Putin revelam algo que deixa as elites ocidentais e seus comentadores extremamente nervosos, dado tomarem os desejos por realidades: em lugar de verem Xi a criticar Putin e afastar-se da Rússia, o que se estabelece é uma alternativa funcional à ordem global dos EUA.

As relações russo-chinesas atingiram o seu nível mais elevado e continuam a desenvolver-se de forma estável. O volume de comércio entre as duas nações ultrapassou os 200 mil milhões de dólares. Entre janeiro e abril, cresceu 20%, sendo todos os pagamentos são feitos inteiramente em rublos e yuan. A Rússia é um dos principais fornecedores de energia da China, estão a desenvolver conjuntamente o corredor de transporte Trans-Ártico, um desafio direto de Moscovo ao Canal do Suez como a principal ligação entre a Europa e a Ásia. Os reatores projetados pela Rússia estão a ser concluídos na central elétrica de Xudapu na China e irão aprofundar a cooperação nos domínios da fusão nuclear e dos reatores de neutrões rápidos.

É a construção de uma arquitetura económica alternativa, sem FMI, sem SWIFT, sem dólar e sem pontos de estrangulamento marítimos controlados pelo Ocidente. A Rússia e a China afirmam-se como potências soberanas que estabelecem as suas próprias regras.

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