A dívida federal dos EUA ultrapassou os 40 milhões de milhões de dólares (122,7% do PIB), crescendo 1,3 milhões de milhões por ano desde 2000. Pode um império sobreviver desta forma? Não. Pode ameaçar, aplicar sanções, mas que só podem ser parcialmente seguidas e se voltam contra os que as aplicam. Podem fazer guerras e bombardear? Podem, mas a quem? E com que consequências para os próprios EUA e aliados?
A política externa dos EUA é um conjunto de avanços e recuos inconsequentes e não apenas com Trump, o que se passou com Bush, Obama ou Biden, não foi muito diferente, contudo o agravamento das contradições internas e externas torna mais evidente o desempenho do "império do caos" (Pablo Escobar).
A guerra com o Irão demonstrou a incapacidade dos EUA manterem as suas bases e os seus aliados em segurança. Agora o Pentágono avalia o nível de presença militar que os EUA podem ou devem manter no Médio Oriente após o fim da guerra com o Irão, uma guerra que custou até agora cerca de 113 mil milhões de dólares, com custos de reconstrução das bases incertos. As destruições levadas a cabo pelo Irão tornam a reconstrução completa dificilmente viável, numa altura em que os EUA pretendem libertar recursos para se concentrarem contra a China.
Os EUA utilizaram praticamente todos os seus sistemas de mísseis táticos do Exército (ATACMS) e mísseis de ataque de precisão (PrSM). De acordo com um relatório do CSIS, desde fevereiro, foram utilizados aproximadamente 65% dos intercetores Patriot, pelo menos 38% dos intercetores de mísseis balísticos THAAD e quase metade dos Tomahawk.
O mais espantoso é que o Pentágono sabia que a guerra com o Irão iria esgotar os recursos dos EUA, mas Trump caiu na armadilha de Nethanyahu, sendo apanhados pela resiliência do Irão, sua preparação militar e capacidade de mísseis. Já em janeiro de 2025, o vice-almirante Brendan McLane alertou sobre os altos custos de intercetores da Marinha dos EUA durante a Operação Prosperity Guardian no Mar Vermelho. O uso intensivo de Patriot pela Ucrânia foi outro sinal de alerta, assim como o facto de que nenhum sistema THAAD ter sido entregue aos EUA entre 2023 e o final de 2025.
A guerra entre Israel e o Irão em junho de 2025 destacou o crescente papel de mísseis e drones, e os custos e escassez de intercetores. Antes da Operação Epic Fury o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou Trump sobre o possível esgotamento dos principais estoques de munições dos EUA, sem sucesso. Desde 2009, o Office of Naval Intelligence alertava que o Irão poderia paralisar o tráfego pelo Estreito, etc.
Um estudo da RAND mostrava a vulnerabilidade das bases aéreas dos EUA a ataques de mísseis de cruzeiro e balísticos. O comandante do CENTCOM, general Frank McKenzie, propôs realojar as bases da USAF para Israel e Egito em caso de guerra com o Irão, pois poderiam tornar-se inutilizáveis por um ataque iraniano contínuo.
A destruição da base naval dos EUA no Bahrein, com o centro logístico naval Fujairah nos EAU também ao alcance de mísseis iranianos, mostrou outra fragilidade do poder imperial. A Marinha recorreu a Diego Garcia, distante da área de operações e carecendo da infraestrutura necessária para apoiar um grupo de porta-aviões.
Relatórios destacaram a deterioração do moral na marinha. No USS Gerald R. Ford um incêndio não relacionado a combate afetou alojamentos deixando 200 feridos, forçando o porta-aviões a navegar até Creta, para reparações. No USS Ford há fortes suspeitas de que o incêndio teria sido deliberadamente provocado pelos marinheiros para encerrar a missão. A suposta rebelião a bordo do USS Abraham Lincoln "é o sintoma de uma força levada além de seu limite (mais de 250 dias de missão) confrontando um adversário que se recusa a ceder".
Enquanto a administração Trump ameaça o Irão com um bloqueio, a Quinta Esquadra mantém-se longe do Estreito de Ormuz, operando no Mar Arábico, após o USS Lincoln ter sido supostamente atingido por mísseis e drones iranianos em meados de março.
Isso contrasta fortemente com a dominância naval dos EUA no Médio Oriente na década de 1990, muito longe do tempo em que Washington podia projetar o poder de seus porta-aviões e esperar que o mundo alinhasse imediatamente com as suas "regras". Na realidade, face ao desenvolvimento naval da China e também da Rússia, os EUA não são mais a potência marítima dominante.
A região da Ásia-Pacífico observa o declínio dos EUA. Apesar de ter assinado uma Parceria de Cooperação em Defesa com os EUA , a Indonésia deixou claro que não deseja bases militares dos EUA no seu território. A Malásia, que supervisiona o estrategicamente vital Estreito de Malaca, procura aprofundar os laços de defesa com o Irão, inclusive por meio de um memorando de entendimento sobre cooperação em defesa.
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