Linha de separação


22 de setembro de 2026

O que é preciso é manipular a malta! - 1

 Cantava-se - e punha-se em prática - "o que é preciso é avisar a malta!", esclarecer, compreender a realidade. Manipular é o contrário: não é simplesmente mentir ou deturpar é também distrair, desviar do essencial, obscurecer factos e conceitos.

Três exemplos das alterações geopolíticas que os media preferem ignorar, continuando a potenciar a agenda da extrema direita mais as "derrotas" da Rússia (ou o seu ataque à Europa): os Houtis, Israel-Palestina, a reunião dos BRICS, que não mereceram mais que apressadas referências nos media, visto não encaixarem nas "narrativas".

Quanto aos Houthis:  Houve "uma vitória muito importante para o lado dos maus" no Estreito de Bab el-Mandeb (Azeredo Lopes, CNN). Deixemos a questão do maniqueísmo político para outra oportunidade. Os Houthis, ocupando a vital cidade portuária de Mokha e tomando várias ilhas importantes no Mar Vermelho, capturam toda a costa iemenita no Mar Vermelho, permitindo-lhes o controlo do Estreito de Bab el-Mandeb. Este rápido avanço dos Houthis no Iémen, representa uma derrota para a Arábia Saudita e Israel abrindo caminho para uma nova arquitetura geopolítica no Médio Oriente.

A ofensiva da Arábia Saudita contra os iemenitas, mostrou-se um fracasso. Na Arábia Saudita, refinarias foram atacadas, o oleoduto até ao Mar Vermelho para contornar Ormuz, foi desativado e as forças mercenárias da Arábia Saudita no Iémen entraram em colapso. Os Houthis estão "prontos para a paz", se a Arábia Saudita interromper os ataques aéreos, levantar o bloqueio ao Iémen e parar de apoiar milícias rivais.

O filme "NAZA" foi tema desprezado pelos media. O título é um eufemismo em hebraico para o número de civis que se espera serem mortos num ataque aéreo e expõe o assassinato em massa praticado em Gaza. O filme/documentário baseia-se em depoimentos anónimos de 24 soldados e agentes de inteligência israelitas, tendo sido aplaudido durante 25 minutos pelo público no Festival de Cinema de Veneza. Mais de 200 cineastas israelitas apoiam os criadores de 'NAZA' Yuval Abraham e Rachel Szor alertando que enfrentam ameaças pessoais.

"Queríamos saber, como eram e funcionavam os mecanismos de extermínio em Gaza". Testemunhas revelaram como o Exército israelita localiza, através dos seus telemóveis, alegados membros do Hamas e suas famílias, para depois os atacarem indiscriminadamente nas suas casas. Segundo um militar israelita entrevistado, cerca de 500 pessoas foram mortas em ataques israelitas que visavam um único alvo humano." Um membro dos serviços secretos israelitas revelou, que "demoliam edifícios inteiros sem problemas".

BRICS: a reunião foi de tal forma traumatizante para a manipulação que tudo foi feito para as pessoas não darem conta da realidade geopolítica demolindo as "narrativas". O que aconteceu evidenciou a construção de um mundo fora do controlo dos EUA - a UE nada conta neste âmbito. Com o avanço do BRICS Pay a desdolarização prossegue, expandindo-se o comércio em moedas nacionais. A Rússia e a China pressionam por laços financeiros, industriais e digitais mais profundos em todo o bloco. Estabelecem-se novas rotas de comércio e mecanismos de pagamento tornando os países menos vulnerável a sanções e pressão financeira.

Na declaração final, aprovada unanimemente, pedem o levantamento de sanções unilaterais e secundárias, considerando-as ilegais; pretendem intensificar o diálogo para construir um sistema justo de governança global; expressaram preocupação com os crescentes riscos de ameaças e conflitos nucleares; pretendem o fortalecimento do regime de não proliferação; condenaram fortemente qualquer ato de terrorismo, independentemente de motivações, local e autores; rejeitam qualquer medida unilateral destinada a alterar o status legal e histórico de Jerusalém; pedem o levantamento de restrições económicas, comerciais e financeiras contra Cuba.

Os países do BRICS representam mais de 40% do PIB mundial, o G7, 29%, e realizam 90% de suas transações comerciais nas suas próprias moedas, utilizando sistemas de pagamento nacionais."

A declaração adotou uma posição firme em relação ao conflito israelo-palestino e à situação no Líbano. Opõe-se fortemente ao deslocamento forçado de palestinos sob qualquer pretexto e a quaisquer mudanças demográficas ou geográficas em Gaza. Condenam usar a fome como método de guerra, ataques a civis e infraestrutura civil – incluindo instalações de saúde - e a obstrução do acesso humanitário. Apoiam a plena adesão da Palestina à ONU e à sua representação adequada em organizações internacionais. Israel deve respeitar os termos acordados com o governo libanês e retirar tropas dos territórios libaneses. Condenam os ataques contra instalações e pessoal da UNIFIL.

Segundo Putin na reunião dos BRICS, o mundo passa por um período de transformações estruturais, com novos motores de desenvolvimento. Parcerias económicas sólidas e conexões comerciais confiáveis determinam, em grande parte, a força das relações internacionais. Os BRICS possuem mercados poderosos e dinâmicos, e a urbanização está ocorrendo rapidamente. Mais de 30000 sanções foram impostas à Rússia, porém mudanças estruturais tornaram a economia mais forte e flexível. A economia russa entre 2023 a 2025, aumentou 10,3%, superando a média global. Os que praticam sanções estão a enfrentar uma recessão económica.



1 comentário:

Isabel Maria disse...

Sem querer ser abelhuda ou antipática, porquê "Houthis" se na verdade é o AnsarAllah? Merci.