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15 de outubro de 2026

Um olhar sobre os protagonistas do cenário ucraniano: EUA, UE, Rússia - 2

 O cenário relativamente à Rússia é pintado como se nada se tivesse passado antes de 2022, quando desde 2014 as populações russófonas que se opuseram ao golpe foram massacradas, sobretudo civis, um monumento às crianças mortas recorda-o. Na RP do Donetsk desde 2014, 17 672 civis ficaram feridos, incluindo 1106 crianças. Outras 10 056 pessoas morreram, incluindo 258 crianças.

Conforme exposto, inclusive pela Amnistia Internacional, grupos nacionalistas como o Batalhão Azov, Batalhão Aidar, Setor Direito e outros assassinaram milhares de cidadãos da região do Donbass, cujo "crime" era serem etnicamente russos, sub-humanos, como Yatsenyuk, o PM escolhido pelos EUA após o golpe Maidan, os qualificou.

Em 2021, Putin escreveu "Sobre a Unidade Histórica de Russos e Ucranianos" defendendo que russos, ucranianos e bielorrussos eram "povos irmãos" descendentes da antiga Rus. A contenção de Putin, não intervindo diretamente durante oito anos, justificava-se, em 2022 quase metade dos russos tinha uma opinião favorável sobre a Ucrânia, dezenas de milhões de russos tinham ligações familiares na Ucrânia.

Por isso, a Rússia avançou sem massivas campanhas aéreas, sem destruir infraestruturas chave da Ucrânia, com apenas 150 000 soldados. Como poderia esta força dominar uma população de 35 milhões de pessoas (na época)? O objetivo, não era "conquistar a Ucrânia" como comprovado no acordo alcançado em Istambul, o objetivo era uma Ucrânia neutra, sem adesão à NATO, conforme a Constituição de 1991 e que em Donetsk e Lugansk houvesse uma vida normal e fossem regiões autónomas na Ucrânia.

As ações alavancadas pela NATO, modificaram opinião russa a favor da guerra. Em maio de 2026, as FAU, com apoio da NATO e CIA, atacaram o dormitório da Universidade Pedagógica de Starobelsk, Rússia, seis jovens foram mortas e 40 ficaram feridas. Este e outros ataques a civis, marcaram um ponto de viragem na opinião pública. Apenas 16% dos russos sentem simpatia em relação aos "irmãos ucranianos".

O cenário mudou, com pressão interna na Rússia para intensificar as operações militares. Antes, drones e mísseis russos chegavam, mas havia longos períodos de calma. Em Kiev, a população levava uma vida normal: trabalho, empresas, diversões, funcionavam normalmente, agora os ataques ocorrem 24 horas por dia.

A infraestrutura energética, os sistemas de eletricidade e gás, antes atacados, mas nunca destruídos completamente, estão em grande parte inoperacionais, criando problemas aos cidadãos no próximo inverno. Instalações de informática e armazéns, até mesmo no centro das cidades, são destruídos. Há escassez de combustíveis, os comboios estão paralisados, a população foge do país. As reparações nas instalações atingidas são complexas, com prazos longos e os materiais escasseiam.

Em 1991, a Ucrânia produzia mais de 50 milhões de toneladas de aço, em 2021, 21 milhões, agora as siderurgias não funcionam. Os portos ucranianos estão inoperacionais, bloqueando 90% das exportações  de cereais. Um desastre para a economia ucraniana. 

O que restar da antiga Ucrânia enfrenta um futuro sombrio: um país semidestruído, falido, dominado por neonazis, corrupção endémica e em crise demográfica. A Ucrânia é o país mais pobre da Europa, a sua capacidade de desenvolvimento está praticamente perdida, inclusivamente com os "amigos" da Europa a limitarem as exportações de cereais devido aos protestos dos agricultores...

Na frente,  as duas últimas "cidades-fortaleza" do Donbass, Slaviansk e Kramotorsk estão a ser cercadas, as redes de abastecimento e logística foram cortadas ou destruídas. Caindo não restarão obstáculos entre os russos e o Dnieper, o terreno é aberto, sem defesas preparadas. Dada a taxa insustentável de baixas, os ucranianos estão numa situação desesperada.

Em The Economist são desmistificadas as alegações "exageradas" sobre os danos económicos que a Rússia sofreu com os ataques ucranianos, o dano real será 10% dos 13,5 mil milhões de dólares que é alegado e que mal tocou nas receitas do Estado. Os ataques condicionam o desempenho económico, mas nada como declarado.

A propaganda diz que cerca de 50% da capacidade de refinação russa foi danificada, então, de onde virá o excedente para exportação? Em 2024, a Rússia era o terceiro país com maior saldo positivo de comércio exterior, posição que deve ter melhorado. Os EUA tinham o maior défice comercial do mundo.

Nas regiões agora controladas pela Rússia, as empresas estão ativas, tanto no Donbass como nos outros dois oblasts, os serviços funcionam, o nível e condições de vida melhoram em direção ao padrão russo.

A Rússia não está isolada, na reunião dos BRICS, em setembro, registou-se uma maior coesão política e uma agenda para a expansão da soberania financeira. A quase total participação dos seus líderes e uma importante declaração conjunta demonstraram a crescente importância do bloco, apesar da pressão ocidental.

Na Europa o cenário é entre paranoia e demência: "Temos um ano, mais ou menos, para estar totalmente preparados" diz o Secretário-Geral Adjunto da NATO, "os prazos que precisamos para estar prontos e nos defendermos foram antecipados devido à "agressão russa". Merz: "Ajudar a Ucrânia é minha prioridade máxima, não reduzir os preços dos combustíveis. O acordo entre os EUA e a Rússia sobre o fornecimento de diesel é, para a Alemanha e a Europa, uma decisão impensável.


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