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21 de julho de 2022

Leituras das redes sociais - dois textos importantes

1_ Gazeta de Viene.

20 de julho. 22
"!¡AVALIAÇÃO PELOS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA POLACOS DA SITUAÇÃO NA 
UCRÂNIA
Intel Slava Z, [19/07/2022 19:32]

Avaliação de inteligência polonesa da situação na Ucrânia

A Agência de Inteligência (AW) da República da Polônia preparou um relatório analisando a situação atual na Ucrânia. 

Segundo o documento, desenvolveu-se uma situação catastrófica nas formações das forças
Forças armadas ucranianas.

O número de vítimas irrecuperáveis ​​é superior a 300 pessoas por dia, e esse número é subestimado pelo gabinete do presidente para reduzir a probabilidade de disseminação pública e evitar criar pânico entre civis e militares. 

Os Psheks apontam que os ataques sistemáticos das Forças Armadas russas contra os postos de comando e centros de treinamento das Forças Armadas Ucranianas resultaram na morte de cerca de 4.600 dos militares mais treinados nos últimos três meses, incluindo oficiais superiores, instrutores e mercenários.

O relatório observa que as formações despreparadas são enviadas para o Donbass, o nível profissional dos oficiais do comandante do batalhão e abaixo é baixo, as funções dos comandantes nas tropas são frequentemente desempenhadas por combatentes de batalhões domésticos. 

Desde maio deste ano, quase todas as funções de supervisão no planejamento e condução das hostilidades foram assumidas por conselheiros estrangeiros dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá. 

Ao mesmo tempo, o fato de sua presença em postos de comando é mantido em segredo para evitar a captura de militares da OTAN pelas forças armadas russas.

Ressalta-se que o escritório de Zelensky estabeleceu a tarefa de manter a linha Sloviansk-Kramatorsk-Toretsk a todo custo até o final de agosto deste ano..."

2_ Intervenção do General Agostinho Costa
ATAQUE RUSSO A REUNIÃO “DE ALTO NÍVEL” ESTARÁ NA ORIGEM  DA “PURGA” NOS SERVIÇOS DE SEGURANÇA UCRANIANOS (SBU)
- admite o general Agostinho Costa, citando fontes que considera credíveis e com argumentos «muito plausíveis»

O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou, no domingo passado, 17 de Julho de 2022, o afastamento de Ivan Bakanov, seu amigo de infância, do cargo de chefe dos Serviços de Segurança Ucranianos (SBU), e ainda da procuradora-geral da Ucrânia, Irina Venediktova, devido a alegadas ligações da Procuradoria com Moscovo.
Na opinião do general Agostinho Costa, o afastamento do chefe e de outros funcionários do SBU pode ter tido origem  numa alegada falha de segurança relacionada com um ataque russo, durante uma reunião de “alto nível” que teve lugar em Vinnytsia, no centro da Ucrânia, no passado dia 14 de Julho.
«Estas demissões e afastamentos no SBU são o epílogo do que parece ter resultado de uma falha de segurança relacionada com um ataque que destruiu uma messe - ou clube de oficiais - em Vinnytsia, na passada quinta-feira [dia 14 de Julho]», declarou o general Agostinho Costa, que é vice-presidente do Centro de Estudos Eurodefense-Portugal, após ter recorrido a fontes que considerou «relativamente credíveis e em termos de argumentação muito plausíveis».
Na ocasião, os responsáveis ucranianos só se referiram à morte de civis, mas o general Agostinho Costa, baseado nas informações recolhidas, refere-se a uma «reunião de alto nível». Um ataque que também provocou «efeitos colaterais», com a morte de civis. «Houve efeitos colaterais, é assente que dois mísseis atingiram o clube de oficiais, mas um outro míssil terá sido interceptado pela antiaérea ucraniana e provocou danos num prédio, com baixas civis». 
«Zelensky terá ficado muito irritado, e compreende-se. Houve uma circunstância muito semelhante durante um ataque à base de Yavoriv [a 13 de Março], perto de Lviv, que estava repleta de estrangeiros. Os ucranianos falaram em 30 mortos, e os russos em cerca de 200», assinalou. «Na sequência deste ataque, o então chefe local do SBU também foi afastado», precisou.
O Presidente Zelensky revelou ainda que mais de 60 oficiais do SBU estão a trabalhar «contra a Ucrânia» nos territórios controlados pelos separatistas russófonos e pelas tropas russas, e anunciou «651 processos por traição e colaboracionismo».
Na perspectiva do general Agostinho Costa, o ataque da passada quinta-feira, dia 14 de Julho, em Vinnytsia foi determinante para esta nova «purga» nas mais altas esferas da liderança de Kiev.
Na reunião de Vinnytsia, cidade situada a oeste de Kiev, próxima das fronteiras com a Moldova e Roménia, estaria em análise «um acordo de fornecimento de aeronaves de combate à Ucrânia», disse o general.

20 de julho de 2022

Armas e dinheiro para a "democracia na Ucrânia"

Os estoques europeus de armamento estão a esgotar-se, afirma o Financial Times. O conflito na Ucrânia revelou a impreparação da Europa (leia-se UE - NATO) para confrontos militares. Os países entregaram centenas de tanques, MLRS e artilharia para conter a ofensiva russa. Agora esses estoques estão a esgotar-se.

Nos EUA analistas surpreendem-se com o facto da Rússia com um orçamento de defesa de 66 mil milhões e a NATO com um orçamento de 1,1 milhões de milhões, o Ocidente esteja a ficar sem armamento para transferir para a Ucrânia, enquanto Moscovo continua a operação e vai destruindo toda a ajuda militar à Ucrânia de custo incalculável. Mas não só... Os javelin (anti-tanque) dos EUA, são negociados na darknet por 30 000 dólares cada.

Eis o que diz a este respeito Djamel Labidi: "A as forças convencionais francesas dispõem ao todo: 200 tanques, 110 canhões "César", 217 aviões de combate. A Ucrânia em 25 de fevereiro tinha as 318 aeronaves, incluindo 247 de combate, 2 596 tanques e 2 000 canhões A França é uma potência nuclear, mas não possui um exército convencional capaz de enfrentar uma guerra de "alta intensidade". Na verdade, só dispõe dos meios militares para expedições contra Estados africanos vulneráveis."

"Como é que a Ucrânia, que no início do conflito tinha mais armamentos do que os principais países da Europa Ocidental, continua a pedir armas. Estes incessantes pedidos mostram a desastrosa gestão ucraniana da guerra e a tão rápida destruição de um arsenal relativamente impressionante. Para essas necessidades permanentes de armas, uma razão profunda, uma causa estrutural. Um país que não tem uma indústria bélica não pode travar uma guerra de alta intensidade por muito tempo. A Rússia tem uma poderosa indústria de guerra que lhe permite produzir, manter e substituir continuamente seus armamentos, enquanto a Ucrânia continua com intermináveis pedidos de armas."

Nós somos um país pequeno, mas possuímos o que melhor há no mundo em capacidade de análise. Na Visão, de 20/6 o sr. Luís Delgado (administrador e dono da sociedade Trust in News, comprou 12 revistas por 10,2 milhões de euros em 2018, negócio que fez com Balsemão) afirmava, no papel de grande estratega militar - ou talvez astrólogo : "As novas armas começarão a fazer toda a diferença a partir de julho, as forças militares ucranianas já receberam 97 mil sistemas anti-tanque, mais do que todos os blindados existentes no mundo. A quantidade russa, alguma com mais de 50 anos, não se equipara à qualidade e sofisticação das armas aliadas . Em nenhuma área. (?!! aprende Pentágono...) A vitória da Ucrânia é inquestionável. O que está em causa não é só a inqualificável invasão russa, que os ucranianos enfrentaram com bravura, mas também o orgulho e a demonstração de força dos aliados, dando o que de melhor têm nos seus arsenais. A diferença vai notar-se em julho."

Aqui chegámos. Mas os estrategas - ou os astrólogos - do ministro da defesa ucraniano são diferentes. O Ministro da Defesa ucraniano, corrigiu anteriores declarações à BBC em ucraniano. Numa entrevista ao The Times, sobre a preparação de uma contra-ofensiva no sul: “Houve um mal-entendido, fui mal interpretado. Eu não disse que estamos reunindo um um milhão de homens para um contra-ataque em Kherson. Ainda não haverá contraofensiva em Kherson." "Mudanças sérias na frente em favor da Ucrânia ocorrerão até ao final deste ano." Bem, primeiro era em agosto, agora no final do ano…

É bonito e reconfortante ver comentadores - como o sr. Pedro Marques Lopes - defenderem democracia e valores na Ucrânia de cuja vitória dependem também os valores e a democracia na "Europa" (UE - NATO).

Para provar o modelo de "democracia" que a UE e a NATO defendem em "unanimidade" (quem é que fazia chacota da unanimidade em congressos da RPDC?!) a Ucrânia emitiu selos de com a efígie de Roman Szuchewycz comandante das forças ucranianas associadas aos nazis, responsáveis pelo massacre de até 100 000 polacos. (Wołyn genocidio)

Outro exemplo dignificante de democracia, além de ter proibido todos os partidos da oposição - exceto os seus apoiantes e os neonazis - em 19 de Maio o governo Zelensky mandou destruir todas as obras em língua russa ou traduzidas da língua russa.Trata-se de destruir no mínimo 100 milhões de livros que veiculam o “Mal”. Algumas obras serão conservadas por bibliotecas universitárias para ser estudadas por investigadores sobre a origem do “Mal”. Neste auto-da-fé incluem-se os clássicos da literatura russa, de Alexander Pushkin a Léon Tolstoi, Fiodor Dostoievski, etc. Carl Bildt. antigo Ministro sueco dos Negócios Estrangeirosse, publicou uma mensagem no Twitter, em 21 de Maio (retirada depois), acusando a Rússia de queimar livros ucranianos. O Governo Zelensky manda destruir 100 milhões de livros (voltairenet.org)

Esta “democracia” custa caro e muito, mas para defender os “valores” da NATO, vale a pena... se a bolsa não for pequena. O conselheiro económico de Zelensky, Oleg Ustenko, disse que a Ucrânia precisa de 9 mil milhões de dólares por mês dos países ocidentais para cobrir o défice orçamental, quase o dobro dos pedidos anteriores de Kiev, escreve o Financial Times.

Claro que enquanto o dinheiro for chegando, a bandeira da UE há de figurar no Parlamento ucraniano, apoiando incondicionalmente o regime de Kiev. Eis a degradação a que o "ocidente" chegou.

(informações de Intel Slava Z – Telegram exceto quando mencionado)

18 de julho de 2022

Ucrânia: agosto de 1943 - julho 2022

Em meados de agosto de 1943 iniciou-se a primeira fase da ofensiva soviética para libertar a Ucrânia dos nazis, visando os territórios da margem esquerda do Dnieper. Alemanha e aliados dispunham de 1,2 milhões de soldados, a União Soviética uns 10% mais. Terminou em meados de novembro, sendo Kiev libertada em 6 de novembro. A segunda fase, para a libertação dos territórios da margem direita do Dnieper e a Crimeia, foi iniciada em meados de dezembro, com reforço de efetivos de ambos os lados. A Alemanha e aliados alinharam 1,8 milhões de homens, os soviéticos 2,4 milhões. A ofensiva vitoriosa foi dada como concluída em 12 de maio de 1944.

Situação atual

A ofensiva russa prossegue, com ocupação de novas povoações e ataques a concentrações de material e tropas ucranianas. A Rússia não mostra grande pressa no avanço, vendo que o tempo joga a seu favor, com o esgotamento dos meios da Ucrânia e seus aliados da NATO.

A determinação da Rússia anexar os territórios que considera libertados, está expressa na reconstrução e medidas de integração. A parte libertada da região de Kharkiv assinou um acordo de amizade e cooperação com a RP de Lugansk em várias áreas como assistência humanitária, cooperação económica, cultura, políticas de juventude, proteção contra agressão externa, etc.

Monumentos e memoriais soviéticos, como o de Saur-Mogila na RP de Donetsk, demolidos pelo regime de Kiev, são reconstruidos. É frequente em zonas libertadas do poder de Kiev serem instaladas ao lado de bandeiras russas as "bandeiras da vitória" - bandeiras do exército vermelho com foice e martelo. Isto mesmo pode ser visto à entrada da região de Kharkiv.

Depois do assassinato de um administrador da região de Kharkiv e uma tentativa idêntica em Saldo, foram tomadas medidas para combater o "terrorismo Bandera" nos territórios libertados. Entre as medidas destaca-se: estabelecer uma vida socioeconómica normal para minar a base social do terrorismo; fortalecer as forças de segurança e usar a experiência obtida no Cáucaso e na Síria, e a prática soviética de eliminação dos Bandera, incluindo o envolvimento de moradores locais. Em consequência, foi decidido considerar os Serviços de Segurança da Ucrânia, suas instalações e elementos como fazendo parte de organização terrorista.

Um decreto presidencial estabeleceu um procedimento simplificado para obter a cidadania russa aplicável a todos os cidadãos da Ucrânia, e não apenas às regiões DPR, LPR, Zaporozhye e Odessa. A Rússia espera que "novos concidadãos e novos territórios sejam devolvidos à sua origem nativa."

A construção em larga escala prossuegue em Mariupol para substituir o que foi destruído. Nas regiões de Kherson, Zaporozhye e Kharkiv o processo de reforço das administrações civis começou a ser acelerado com utilização de funcionários russos.

Para o regime de Kiev e aliados as coisas não correm bem. Vê-se que a propaganda adota o tom de lástima, em vez do anterior triunfalismo. Os mercenários também se queixam, vêm a armadilha em que a propaganda os meteu. O líder da "Legião Georgiana" anunciou pesadas baixas entre os voluntários da Geórgia.

Residentes de Seversk e Nikolaev foram mobilizados para preencher as perdas da 115 brigada. O comando da 24ª brigada ucraniana desarmou uma companhia que se recusou a participar nos combates. Os soldados decidiram que era melhor a prisão do que uma morte sem sentido pelo regime de Kiev.

"Em 13 de julho, mísseis Kalibr de alta precisão atingiram em Vinnitsa um instalação onde, naquele momento, decorria uma reunião do comando da Força Aérea Ucraniana com representantes de fornecedores estrangeiros de armas, para entrega de aeronaves, armas e reparação da aviação ucraniana. Em resultado do ataque, "os participantes da reunião foram destruídos."

Na floresta próximo da vila de Shchurovo e dos Lagos (Blue Lakes) (Donetsk) "uma extensa linha de fortificações foi literalmente esmagada no avanço das forças russas e aliadas."

Praticamente desde o início das hostilidades em Nikolaev, Odessa e outras cidades têm sido recebidas regularmente mensagens dos habitantes que transmitem a localização das forças ucranianas, para apressar a libertação das suas cidades da ocupação nazi.

Kiev sofre diariamente milhares de baixas, a Rússia tem procurado eliminar sistematicamente os mercenários estrangeiros com ataques de alta precisão.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Peskov, a "operação especial da Rússia" será concluída quando todos os seus objetivos forem atingidos. Não há limites de tempo definidos, o principal é a eficiência das realizações. Quanto ás sanções. a Rússia está habituada, é o preço da sua soberania e começaram muito antes da "operação especial". "Os militares russos têm ordens de Putin para evitar causar danos aos civis e operarem cuidadosamente. Mas os batalhões de nacionalistas ucranianos não serão poupados."

Desde junho que importantes fazedores de opinião (think tanks) dos EUA se mostram extremamente pessimistas quanto às perspetivas de desenvolvimento da crise ucraniana. Praticamente todos se inclinam para a inevitável derrota do regime de Kiev.

Avril Haynes, diretor da National Intelligence dos EUA:Vemos que a China está a ajudar a Rússia de várias maneiras, uma mais óbvias outras menos óbvias. O que podemos concluir é que a China considera a Rússia o seu principal aliado. Isto é um mau sinal para nós." Nós quem?!

(informações obtidas em: Intel Slava Z – Telegram referentes ao mês de julho)

16 de julho de 2022

Assim vai a loucura no ocidente

 A NATO repete o grito de Catão na Roma do século II AC, "delenda est Cartago": a Rússia tem de ser destruída.

É isto que sobressai de um texto de Jorge Vilches for the Saker Blog. plano A, visava primeiro esgotar a Rússia num conflito armado levando-a ao tempo de Yeltsin e ao seu desmembramento. O problema é que o plano A falhou miseravelmente em todas as frentes, não importa quantas centenas de especialistas EUA e RU manipulando a UE e a Ucrânia planearam isso, alguns dos quais ainda insistem que é apenas uma questão de pressionar ainda mais tempo. Outros dizem que não vamos perder esta guerra, vamos torna-la nuclear se necessário for. Outros de cabeça fria alertam que é melhor não tentar, pelo menos agora, uma guerra nuclear, pois a Rússia  com mísseis hipersónicos totalmente comprovados também venceria.

Além disso, as capitais europeias seriam alvos muito fáceis e o Sarmat (1) da Rússia tem poder para demolir meio continente, como o míssil mais poderoso de sua classe em termos de alcance e ogivas imparáveis para as defesas aéreas existentes. É também a imparável a última geração de drones UAV russos ou submarinos que também podem desencadear tsunamis inéditos nas costas ocidentais. (míssil subaquático nuclear Poseidon)

De qualquer forma, o plano A teve muitos anos de conceção e treino, provavelmente mais de 10, como orgulhosamente explicado pelo líder da NATO, Jens Stoltenberg. De acordo declarações públicas feitas pelo ex-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca John Bolton, foi preciso muito trabalho, muitas agências dos EUA e do RU e centenas de especialistas, planos, mapas, imagens de satélite, pesquisa logística, desenvolvimento de telecomunicações e testes, entrevistas e questionamento de milhares de soldados ucranianos e mercenários estrangeiros, influência política e muitos, muitos milhares de milhões de dólares enviando toneladas de armas letais, modernas e sofisticadas. Mesmo assim o plano A falhou.

Com o plano A, a Alemanha quebrou a sua política de proibir a exportação de armamento pesado para zonas de conflito quando concordou entregar 1 000 lançadores de foguetes e 500 mísseis terra-ar Stinger para a Ucrânia. França, Bélgica, Holanda e muitos outros estados juntaram-se ao esforço, incluindo armas antitanque, antiaéreas, obuses, veículos blindados, defesas corporais, dispositivos de visão noturna, lançadores de granadas, etc., muitos, a maioria, dos quais completamente descontrolados e sem qualquer supervisão acabaram nas mãos de vários revendedores na “Internet escuraou foram destruídos pelos russos.

Os seis “pacotes” de sanções da UE – o nº 7 está em andamento – também não ajudaram o plano A e, na verdade, foram muito contraproducentes. O nível de envolvimento dos EUA foi cada vez maior à medida que o plano A continuava a falhar, incluindo preparação de sanções, informações, entrega de armas e toneladas de dinheiro, incluindo suborno. 

Acrescente-se o crescente desvario da retórica política: “Os Estados Unidos estão nisto para ganhar… não para um impasse”. Os EUA enviaram muitos jatos F35 para a Estónia, ainda mais para a Espanha e outros lugares... aumentaram sua presença militar com quartéis-generais e tropas permanentes dos EUA na Polónia, uma Força de resposta rápida que querem ampliar 10 vezes até 300 000... além de mais navios nas águas e aviões nos céus da Europa.

O RU ajuda à loucura, conforme a (ex)ministra das Relações Exteriores Liz Truss – agora candidata ao cargo de primeiro-ministro – pedindo para serem enviadas mais “armas pesadas, tanques e também aviões” para a Ucrânia o mais rápido possível “utilizando nossos estoques e aumentando a produção”. Segundo ela o Ocidente “deve garantir que, ao lado da Ucrânia, os Balcãs Ocidentais, Moldávia e Geórgia tenham a resiliência e as capacidades para manter a sua soberania e liberdade." (?!)

Mas a Ucrânia não é suficiente para Liz Truss: a China enfrentará o mesmo tratamento que a Rússia se não "jogar pelas regras". A guerra na Ucrânia é “nossa guerra” porque a vitória da Ucrânia é um “imperativo estratégico para todos nós”, mas além disto denuncia a “falsa escolha entre a segurança euro-atlântica e a segurança indo-pacífica. "No mundo moderno, precisamos de ambos. Precisamos de uma NATO globalA hora é de coragem, não de cautela" - disse Truss.

Assim vai a loucura no mundo em que vivemos. Mas alguém vota na loucura?

1 - Sarmat: míssil intercontinental capaz de transportar 10 a 15 misseis de reentrada (warheads); pode voar em trajetórias suborbitais arbitrárias (como sobre o Pólo Sul) e atingir qualquer lugar do planeta. Por não seguir uma trajetória balística previsível, é impossível intercetar. Os EUA não têm defesas no Sul do seu território.

14 de julho de 2022

Sanções

 http://andreboyer.over-blog.com/2022/07/les-premieres-sanctions-masochistes-de-l-histoire.html?utm_source=_ob_email&utm_medium=_ob_notification&utm_campaign=_ob_pushmail

AS PRIMEIRAS SANÇÕES MASOQUISTAS DA HISTÓRIA

Irão, Síria, Iraque, Coreia do Norte, Venezuela, Cuba e, mais recentemente, Rússia, as sanções estão caindo. Solução milagrosa que obriga os países sancionados a se curvarem ao "direito internacional " ou solução fácil que esconde um fracasso total?

 

O sistema de sanções não é novo e não foram os Estados Unidos que o inventaram, mesmo que o usem à vontade. Porque Maquiavel já escrevia no século XV :  "É melhor triunfar sobre o inimigo pela fome do que pelo ferro" e, durante a Primeira Guerra Mundial, os países da Tríplice Entente estabeleceram um severo embargo contra a Tríplice Aliança, enfraquecendo o Império Alemão e causando centenas de milhares de mortes, segundo historiadores.

Hoje, uma sanção económica internacional consiste em pressionar um país tentando privá-lo de seus recursos económicos com o objetivo (oficial) de mudar seu comportamento. As sanções tornam-se assim uma arma substituta da força militar.

No fundo, trata-se de usar as sanções para fazer guerra a um país sem derramamento de sangue, pelo menos visível, porque a opinião pública é naturalmente ofendida pelos horrores da guerra. É por isso que Madeleine Albright, Secretária de Estado de Bill Clinton, foi particularmente imprudente quando, em defesa dos crimes de guerra contra a humanidade de que foi acusada por  apoiar sanções internacionais contra o Iraque  , que teriam causado a morte de 500.000 crianças iraquianas , ela declarou que foi uma "decisão difícil" mas que no final "valeu a pena"!

As sanções têm, portanto, a vantagem de serem aceitáveis ​​pela opinião pública, o que fez o  ministro das Finanças, Bruno Lemaire, dizer quando começou o ataque da Rússia à Ucrânia: "Vamos fazer uma guerra do sistema económico e financeiro à Rússia", com o objectivo oficial de conquistá-la, mas com o efeito direto de punir os povos da Europa, o que ele aparentemente não pretendia.

Porque podemos realmente vencer uma guerra aplicando sanções? Sempre citamos o caso da África do Sul, que renunciou ao apartheid sob o peso das sanções. Mas dois fatos específicos explicam esse sucesso: em primeiro lugar, toda, ou muito pouco, a comunidade internacional respeitou os embargos rígidos das décadas de 1970 e 1980 contra a África do Sul para obter a abolição das leis segregacionistas. Então a classe dominante da África do Sul fazia parte da classe dominante anglo-saxônica, então não poderia ser separada desta última por muito tempo, por causa de seus interesses cruzados e sua cultura.  

Mas a África do Sul continua sendo o único caso moderno de sucesso das sanções. O fracasso mais célebre é certamente Cuba. Em 25 de janeiro de 1962, todas as relações diplomáticas, comerciais e aéreas foram suprimidas entre Cuba, os países da América Latina e a maioria dos aliados ocidentais dos Estados Unidos. Este embargo pretendia dobrar o regime de Fidel Castro, que tinha o duplo defeito de ser comunista e desrespeitar os direitos humanos. No entanto, o apoio infalível da URSS a esse aliado essencial, a adaptação da economia cubana ao embargo e a falta de fôlego das sanções explicam por que, sessenta anos depois , o regime político ainda não mudou em Cuba. 

Mas as sanções, de que a França também gosta*, não são apenas ineficazes, mas perfeitamente imorais, porque as primeiras vítimas são as populações civis. O caso do Iraque é um dos mais escandalosos, pois o embargo de medicamentos gerou centenas de milhares de mortes, enquanto esse embargo de medicamentos atualmente se aplica ao Irã. A população civil da Síria, por sua vez, sofreu dupla punição, com uma década de guerra civil concluída com sanções econômicas para punir o regime sírio: é assim que hoje 14 milhões de sírios estão sob ajuda humanitária e que defensores de direitos humanos se tornam carrascos de humanidade. Em outras palavras, enquanto não houver voto controlado pelas Nações Unidas na Síria,

Resta, no entanto, o aspecto simbólico das sanções que têm pelo menos a vantagem de mostrar à opinião pública mundial que não se pode violar impunemente. Mas as mesmas regras ainda devem se aplicar a todos. Agora eles se aplicam hoje à Rússia, mas não se aplicam aos Estados Unidos e seus aliados quando atacaram a Sérvia e separaram Kosovo de seu território nacional em 1999. Como resultado, o símbolo da sanção, em vez de ser visto como uma punição internacional justa , oferece a imagem de uma ferramenta vulgar de poder.

Em termos de sanções, nunca as vimos assumir uma forma tão barroca como contra a Rússia. Com efeito, as cimeiras em termos de contraprodutividade das sanções foram alcançadas porque afectam mais uma parte dos países que aplicam as sanções, a União Europeia e a Grã-Bretanha, e países terceiros, na Ásia, África e América. Sul do que o país teoricamente visado, a Rússia. Os russos certamente sofrem muito com a venda com prejuízo do McDonald's para um concorrente russo porque não tenho certeza de que a qualidade dos hambúrgueres não sofra com isso (embora), enquanto os europeus sofrem e sofrerão muito com a escassez de gás e grãos.

Se somarmos a isso que grande parte do mundo, a começar pela China e Índia, não aplica sanções ocidentais, vemos surgir uma grande novidade no cenário das sanções internacionais, ou seja, sanções que os países aplicam a si mesmos, na vanguarda da que é a Alemanha.

 

Isso não se enquadra no escopo da análise deste post, mas resta saber quanto tempo durarão as primeiras sanções masoquistas da história...

 

* A França não fica atrás em termos de sanções que aplica a 24 países, militares para Líbia, Coreia do Norte, Zimbábue, Irão, setoriais para Venezuela, Somália, Síria, Iraque, Irã, Rússia e Coreia do Norte. Acrescente-se a isso as sanções postas em prática pela UE.