Quantas pessoas, mesmo alunos de economia, responderiam: Falso? Então as empresas não criam empregos?! Claro que não, o que cria empregos é a procura. A procura é criada pelo que os salários podem comprar e o Estado investir quer em infraestruturas, melhorando - se houver um plano económico para isso - o desempenho económico do país, quer em prestações sociais - salário indireto.
Então as empresas não investem criando procura? Bem, primeiro é preciso avaliar quanto dessa procura, nas condições atuais, é nacional ou externa, segundo, as empresas só investem se houver procura dos cidadãos - pelo que o salário pode comprar - ou do Estado pelos seus investimentos.
Mas o Estado para ter dinheiro não tem que aumentar os impostos? Não. O Estado pode ter rendimentos de empresas nacionalizadas - monopólios naturais e empresas estratégicas para o desenvolvimento económico - se organizadas e geridas de acordo com um plano económico e social.
Mas não é o Estado um mau gestor? Pode ser, e isso viu-se no processo de privatizações em que foram colocadas na gestão pessoas que objetivamente as queriam degradar para as entregar de mão beijada aos privados.
De qualquer forma, se a gestão privada fosse boa, não apenas para dar grandes lucros à custa do resto da economia e transferi-los para o estrangeiro, mas também socialmente, não provocava crises económicas que têm que ser resolvidas pelo Estado à custa dos cidadãos a favor do grade capital.
Os conceitos aqui refletidos têm que ver com o dogmatismo instituído: o neoliberalismo. Sobre este tema retomamos seguidamente alguns aspetos de um texto de Chris Hedges, mostrando como neoliberalismo destrói a democracia e abre caminho para o fascismo.
O neoliberalismo, deu à classe multimilionária a cobertura ideológica para empobrecer os trabalhadores, impor austeridade esvaziar as instituições democráticas, comprar partidos deformar instituições judiciais, torna-las apêndices da oligarquia.
Empurrou milhões de pessoas desfavorecidas e desesperadas para os braços de charlatães de direita. O mais espantoso é as vítimas do liberalismo não entenderem que a precariedade de sua existência tem que ver com as teses neoliberais. Comentadores, políticos de direita, demagogos, prometem "reformas" económicas para os traídos enquanto a elite oligárquica global concentra a riqueza: os doze multimilionários mais ricos possuem mais riqueza que a metade mais pobre do mundo. É o oposto da igualdade democrática.
Como ideologia dominante, o neoliberalismo é um sucesso: os seus críticos foram marginalizados ou expulsos das universidades, dos media, das instituições estatais e das organizações financeiras. Cortesãos submissos e impostores intelectuais receberam plataformas de destaque e generoso financiamento, disseminando servilmente teorias económicas desacreditadas de Hayek e Friedman.
Os países foram forçados a ajoelharem-se diante do mercado, as regulamentações governamentais foram abolidas, os impostos sobre os ricos foram cortados permitindo que o dinheiro atravesse fronteiras livremente, os sindicatos foram esmagados. Tudo isto alimentou o jogo de demagogos e fascistas vindos do pântano moral e político.
A liberdade individual, que o neoliberalismo considera o bem supremo, e a justiça social não são compatíveis, cedendo ao livre direito do mais forte e do que tem mais dinheiro. O vácuo ético do neoliberalismo, cria terreno fértil para a invenção de causas, a mais das vezes infundadas ou superficiais.
Karl Polanyi, em A grande Transformação distingue entre más liberdades e liberdades boas. Más liberdades são sagradas sob o neoliberalismo. Permitem que os poderosos explorem os trabalhadores e o mundo natural até a exaustão ou colapso. Empresas farmacêuticas e de saúde, por exemplo, colocam em risco a vida daqueles que não podem arcar com seus preços exorbitantes. Boas liberdades, as apoiadas por direitos sociais, liberdade de consciência, de expressão, de reunião, de associação, são apagadas por más liberdades. A liberdade de muitos transformada na liberdade dos lucros de poucos. O resultado é o fascismo.
O fascismo usa instrumentos de medo, intimidação e violência para conter o crescente desconforto. Divide o país em fações, aqueles que discordam são rotulados como terroristas internos.
A equiparação entre desobediência civil e terrorismo está sendo consolidada na Europa. Um juiz britânico, recentemente condenou quatro membros da Palestine Action como terroristas, enviando-os à prisão de cinco a nove anos, mesmo que não tenham sido acusados nem condenados por crimes de terrorismo.
Os países são destruídos metodicamente por vigaristas neoliberais. As instituições e proteções legais que antes nos protegiam da tirania não funcionam mais. Os EUA são um exemplo, Trump e sua cabala fascista, personificados por bilionários como Peter Thiel e Elon Musk, estão construindo um estado mafioso. Uma nação de gangsters e alvos. Uma nação onde só eles têm liberdade ilimitada para pilhar e explorar. Uma nação onde o governo é privatizado. Uma nação onde somos escravizados pela tecnologia corporativa. Uma nação onde homens e mulheres comuns não têm lugar para decidir.
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