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5 de fevereiro de 2014

Desemprego- que dados positivos?


Nota sobre as Estatísticas do Emprego no 4º trimestre de 2013 e do ano de 2013


1.     Os resultados do Inquérito ao Emprego do 4º trimestre de 2013 hoje divulgados pelo INE, permitem analisar a evolução do emprego e desemprego no 4º trimestre de 2013, bem como analisar a sua evolução anual em 2013 comparativamente com 2012.
2.     De acordo com estes resultados pode afirmar-se por um lado que a taxa de desemprego baixou do 3º para o 4º trimestre de 2013 de 15,6% para 15,3%, como também se pode dizer que a taxa de desemprego subiu de 15,7% em 2012, para 16,3% em 2013. Qualquer das taxas de desemprego está correcta, só que uma se refere à taxa de desemprego no último trimestre de 2013 e a outra se refere à taxa de desemprego anual.
3.     Embora não ignoremos o valor da taxa de desemprego e a evolução do emprego no último trimestre de 2013 e o facto de elas reflectirem uma tendência clara de queda da taxa de desemprego ao longo dos quatro trimestres deste ano (vale a pena relembrar que a taxa de desemprego após ter subido no 1º trimestre de 2013 para 17,7%, desceu no 2º trimestre para 16,4%, no 3º trimestre para 15,6% e agora no 4º trimestre fixou-se nos 15,3%), vamos neste análise fixarmo-nos na evolução da taxa de desemprego e do emprego em termos anuais, a qual permite resolver os problemas de sazonalidade sempre presentes nas comparações entre os vários trimestres.
4.     Apesar de mais de 100 mil portugueses terem sido forçados a emigrar em 2013 procurando lá fora o emprego que aqui lhes é negado, apesar deste Governo ter artificialmente reduzido o nº de desempregados através da ocupação de 143 853 desempregados inscritos nos Centros de Emprego em falsos programas de formação e emprego (quase o dobro do ano anterior e 3,5 vezes mais do que em 2011), os dados hoje divulgados pelo INE mostram que mesmo assim a taxa de desemprego em sentido restrito subiu de 15,7% em 2012 para 16,3% em 2013. Estes mesmos dados apontam para uma taxa de desemprego real em 2013 de 24,2% e cerca de 1 milhão e quatrocentos mil portugueses efectivamente desempregados, valores que incluem 278 600 portugueses considerados inactivos mas disponíveis para trabalhar e 263 200 trabalhadores em situação de subemprego visível.
5.     Estes dados mostram também em termos anuais que em 2013 foram destruídos 121 200 empregos, em especial na Agricultura e na Industria Transformadora, que o desemprego jovem se mantem nos 37,7% e que os desempregados de longa duração (desemprego superior a um ano) representam já em 2013 62,1% do total dos desempregados, quando em 2012 representavam 54,2%. Há um número muito considerável e cada vez maior de desempregados que ao permanecer nesta situação durante largos e largos meses, terá cada vez mais dificuldades em regressar ao mercado de trabalho e por isso mesmo engrossa cade vez mais o nº dos chamados inactivos disponíveis para trabalhar mas que desistiram de o fazer.
6.     Os dados das Estatísticas do Emprego agora divulgados revelam uma situação a todos os títulos anómala e que é bem demonstrativa da situação degradante em que se encontra a nossa economia e o nosso país, já que a redução do número de desempregados em Portugal não tem correspondência na criação de empregos e não é consequência do crescimento económico da nossa economia, que não se verifica já que continuamos em recessão. Aquilo a que assistimos hoje é ao abandono do mercado de trabalho, por desistência de milhares e milhares de trabalhadores que caíram no desemprego, é à saída maciça de centenas de milhares de portugueses, em especial jovens, que procuram no estrangeiro resposta para as suas necessidades de emprego e é à ocultação de perto de cento e cinquenta mil desempregados, através de programas de emprego e formação por parte do IEFP, que fazem reduzir artificialmente a taxa de desemprego e que custaram ao Estado, só em 2013 e até Novembro, 423 milhões de euros.
5 de Fevereiro de 2014
José Alberto Lourenço (CAE 

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Isso mesmo!e mais argumentos:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=714789&tm=6&layout=123&visual=61