Contradições belicistas
A forma como a propaganda justifica as guerras imperiais é chocante, pelo totalitarismo informativo, pela forma como crimes de guerra são justificados. A arte pode ser uma arma para o progresso, hoje se o for é marginalizada seja na literatura, na música, na pintura. Ao procurar-se afastar as massas da cultura humanista, obviamente progressista, permite-se que venha ao de cima o escalão mais baixo da política: a extrema-direita.
É pena não haver alguém como Chaplin - perseguido nos EUA pela "democracia" macartista - para fazer um filme como o Grande Ditador (e o seu discurso final) sobre a baixeza da política instalada na cena internacional, capaz de justificar a morte de crianças.
Sem temer a contradição (e o inexistente contraditório!) um "comentador" afirmava "que há anos o Irão diz que não quer ter uma bomba nuclear, mas sabemos que isso é mentira." Então onde está o tal engenho "há anos" e quais eram as diretrizes do assassinado (pelos EUA/Israel enquanto decorriam negociações) Líder Supremo sobre a questão? Outro justificava o bombardeamento no Líbano (como em Gaza) sobre habitações, pois podiam esconder instalações do Hezbollah (podia acrescentar escolas, hospitais, instalações da ONU, etc.).
Será que Israel tem algum mandato internacional para intervir no Líbano? Ou esta é uma "invasão boa" e democrática! Foi apresentada alguma prova de que havia instalações do Hezbollah? E se houvesse, que direito assiste a Israel bombardear bairros inteiros, estando em curso negociações de cessar fogo incluindo no Líbano?
O otimismo dos comentadores no início da guerra contra o Irão, desvaneceu-se. O regime iraniano não resistiria ao "ao país mais poderoso do mundo" e iria ser substituído por "democratas" - como os da Síria - sob o controlo de Israel. Sonharam com levantamentos internos e ataques dos curdos, outra "carne para canhão" do império, sem pensar que a Turquia teria algo a dizer sobre o assunto.
Os EUA e Israel iriam ocupar ilhas estratégicas e destruir as instalações energéticas do Irão. O seu registo propagandístico não lhes deu para ver os riscos, como se Israel, instalações e navios dos EUA fossem imunes. Ignoraram a capacidade do Irão controlar o Estreito de Ormuz. Não tiveram capacidade de avaliar as consequências do aumento dos preços da energia para as economias. Mas não admira, os "comentadores" de serviço limitam-se a recitar a propaganda sionista e a de Kiev.
Contradições da "solução" ucraniana
A Ucrânia não passa de um recurso para a Rússia voltar a ser dominada pelo ocidente. Em 2014, a política do país foi formatada para permitir aquele objetivo. O que os belicistas supunham ser uma solução viável e uma rápida derrota militar (com as "armas maravilha" da NATO) e económica (com sanções) atirou a Europa para crises políticas, económicas e sociais, sem fim à vista.
A Rússia diz que continuará a sua "Operação Militar Especial" até alcançar os seus objetivos que incluem, a neutralidade, a desnazificação e o julgamento dos criminosos de guerra ucranianos.
A Ucrânia fornece gente para morrer e ficar ferida na frente de batalha, a Europa financia isto e tudo o mais no país. Os ataques ucranianos com drones sobre Moscovo, São Petersburgo, refinarias, etc., permitem manter a população europeia na ideia de derrotar a Rússia. A propaganda escamoteia a capacidade de retaliação da Rússia, dizendo que a Ucrânia irá em breve forçar o Kremlin a parar a guerra, e que a imagem de Putin está enfraquecida.
A contradição é que a Europa está a perder a guerra tanto militar como economicamente. Quanto a derrotar a Rússia a questão é: porquê, como, quando e quem. Por resposta a Rússia é apresentada como a maior ameaça à Europa pretendendo invadi-la até 2030. Se olharmos para um mapa, é pelo contrário a Rússia que se encontra cercada devido à expansão da NATO.
Em que se baseiam então para a derrota da Rússia se tornar a questão central nos países europeus, acima das necessidades sociais, da economia e da situação financeira? Note-se que a proposta de segurança coletiva apresentada pela Rússia em 2021 foi ignorada.
Ao contrário da propaganda as forças russas têm uma vantagem estratégica e estão a avançar com confiança em todas as frentes. As perdas ucranianas são de 35 a 40 mil homens por mês, as infraestruturas energéticas e de transportes, de armazenamento de munições da Ucrânia são sistematicamente destruídas.
Contradições da militarização europeia
Uma contradição maior é a divergência entre as declarações para a militarização acelerada e a real incapacidade de as concretizar. Começa por não haver algo com os requisitos mínimos de um plano.
Não há nem pode haver porque isso evidenciaria as fragilidades da Europa que não dispõe de matérias primas, de terras raras a combustíveis, que lhe permitam ter forças armadas de grande dimensão e enfrentar um conflito prolongado. Não tem tecnologia para sistemas mais avançados de mísseis, aviação, defesa aérea, etc. A guerra na Ucrânia mostrou a inferioridade dos equipamentos europeus, e a sua dependência dos EUA até em sistemas de informação e gestão de combate. Acrescente-se ainda a insegurança das suas linhas logísticas, a estagnação económica e o endividamento.
Tudo isto é característico de uma Europa dominada por lideranças sem prestígio, concentradas em situações de curto prazo incapazes de apresentar uma visão, políticas e estratégias consequentes de médio e longo prazo.
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