As fronteiras de Israel foram determinadas por uma resolução da ONU em 1967, definindo dois Estados soberanos: Israel e Palestina. A paz no Médio Oriente depende, podemos dizer, "apenas" disto. (1) Era uma concessão apreciável a Israel relativamente ao território ocupado em 1948. Israel ignorou esta resolução como dezenas de outras. Os EUA e aliados, de Israel tudo aceitam como se se tratasse de determinação divina.
Os povos agredidos foram-se organizando política, cívica e militarmente, tendo em vista a sua defesa. Porém, defender-se de Israel é considerado terrorismo, seja o Irão, o Hezbollah, o Hamas.
Se a paz tivesse sido alcançada na região nunca teria havido o ataque do Hamas, que um "comentador" qualificou como "ataques horrendos, ataques terroristas, não têm justificação nenhuma". Claro que não, as justificações vão todas para Israel, nunca falando no que aconteceu desde há 80 anos.
Até os nazis escondiam os seus crimes, mas os perpetradores israelitas vangloriam-se abertamente seja relativamente a Gaza, Cisjordânia, Líbano. Afirmou a Ministra dos Transportes, Miri Regev: "Vamos arrasar o sul do Líbano até ao Rio Litani. Destruir todas as casas para que os civis libaneses não possam regressar". Ben Gvir é ainda pior.
Vijay Prashad é um historiador e jornalista indiano e autor de quarenta livros, fala-nos das suas experiências nomeadamente no Médio Oriente. Claro que nem um seu livro está traduzido em Portugal, tal como os de Patrick Lawrence, Chris Hedges, Michael Hudson e tantos outros. O que diz algo sobre a situação da cultura (e da "democrática" censura do mercado) no país. Bem entendido... aqueles autores são marxistas ou estão próximos do marxismo.
Num seu texto, Vijay Prashad diz-nos que os Estados Unidos ao abandonarem de forma ridícula as negociações com o Irão, sabiam que Israel não cumpriria qualquer acordo desse tipo. Isso aplicava-se particularmente ao Líbano e aos territórios palestinos, onde Israel parecia determinada a criar novos “factos consumados”, incluindo a evacuação de mais setores de Gaza, a limpeza étnica na Cisjordânia e a expulsão de quase um milhão de pessoas da metade sul do Líbano. Israel costuma bombardear com intensidade redobrada enviando a mensagem que uma situação de paz é apenas uma pausa temporária entre guerras.
O bombardeamento de Beirute em particular em 08 de abril, durante mais de dez minutos, principalmente no centro da cidade. Israel alegou atacar para atingir o Hezbollah, mas Israel atingiu exclusivamente edifícios civis, sem qualquer preocupação com vidas humanas. O nome da operação, "Escuridão Eterna", sugere o tipo de barbárie que Israel infligiu ao povo do Líbano, um país, em que 1 em cada 5 pessoas está deslocada
Há 20 anos, um motorista de táxi idoso contou o seguinte a Prashad: no período anterior a 1948, quando Israel foi criada, levava passageiros a Jerusalém (400 km), às vezes de Jerusalém a Damasco (320 km). Não havia fronteiras naquela época, “pudemos saborear os figos da Galileia e as romãs das colinas nos arredores de Jerusalém”. Alawitas, arménios, beduínos, drusos, judeus, libaneses, maronitas, palestinos, xiitas, sunitas, sírios, todos se conheciam e mantinham uma cordialidade que caracterizava o mundo antigo.
Essa vida foi destruída em 1948, quando Israel foi criada e quando o pequeno exército do Líbano se juntou à guerra para defender o povo palestino. A Nakba (Catástrofe) palestina resultou na fuga ou expulsão de 711 000 palestinos, 100 mil dos quais para o Líbano que se estabeleceram sob a proteção das Nações Unidas e do governo libanês, em campos que permanecem até hoje, esperando o dia em que poderão voltar para casa. Há agora meio milhão de palestinos registados no Líbano.
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi formada em 1965 no Cairo. A OLP enraizou-se nos campos palestinos ao redor de Israel e iniciou protestos civis, inicialmente pelo controlo dos campos avançando lentamente para a luta armada.
Após a monarquia jordana expulsar a OLP de seus campos em setembro de 1970, a organização estabeleceu-se em Beirute e criou uma série de instituições importantes para a batalha de ideias e para a luta armada. Os campos palestinos no Líbano e as instituições palestinas em Beirute tornaram-se alvos diretos de ataques israelitas, incluindo assassinatos de dirigentes. A OLP consolidou-se como a organização política legítima de todos os palestinos tornando-se fundamental para a vida nos campos, ao lado da agência das Nações Unidas para os palestinos (UNRWA) proporcionando escolas, instalações de saúde e emprego.
1 - Noutra resolução adotada em 22 de novembro de 1974, a AG da ONU afirmou os direitos palestinos, nomeadamente o "direito à autodeterminação sem interferência externa", "o direito à independência e soberania nacional" e o "direito de retornar para suas casas e propriedade". Esses direitos têm sido reafirmados todos os anos.
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