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15 de julho de 2015

Grécia

1. A situação na Grécia deve-se, no essencial, à política de direita levada a cabo pela Direita e pelo PASOK. O agravamento nestes seis meses deve-se ao arrastar da situação por parte da União Europeia, com o objectivo de desacreditar o novo governo grego e derrotá-lo, como defendeu o Presidente do Parlamento Europeu; deve-se às hesitações do Syrisa; deve-se, em grande parte, à incrível asfixia feita pelo Banco Central Europeu! Era importante saber qual foi a posição de Vitor Constâncio e o que pensa disto António Costa.

2. A aceitação deste acordo humilhante por parte do Syrisa é mais um exemplo do «radicalismo pequeno-burguês», lembrando o trabalho de Álvaro Cunhal.

3. Costa, Hollande e Cia, dizem que foi um bom acordo!! Os portugueses, se tinham dúvidas, ficaram a saber com o que podem contar. António Costa devia ter vergonha na cara. De Hollande está tudo visto «a esquerda da direita«.

4. A crise grega mostrou, e continuará a mostrar, aquilo que alguns agora descobriram, que o euro é sinónimo de austeridade, que a Grécia não pode continuar com dois nãos, não à austeridade e não à saída do euro. É uma contradição insanável.

Pena Preta
     

14 de julho de 2015

A UE enterrada finalmente

A UE não existe, o euro é uma farsa, que faz rir os EUA. Os devotos europeístas continuam a crer em visões, imaginam uma UE que só terá existido nas suas cabeças, insistem para que acreditemos num fantasma, como os das velhas mansões inglesas. Há muitos que vivem desse negócio.
A Europa está de luto, Berlim domina-a de novo, mas como sempre para a destruir. A História repete-se primeiro como tragédia depois como farsa, assim disse Marx. A Europa liberta da tragédia nazi-fascista, vive hoje a farsa da UE. A farsa da democracia. Para quê votar? A farsa das “reformas”, a farsa da austeridade, como os tributos aplicados a povos vencidos. A farsa dos acordos que são imposições de rendição incondicional. A farsa de tratados impossíveis de cumprir para colocar os povos com estatuto de colónia.
A farsa da Finlândia a fazer o papel agressivo da Alemanha, à semelhança de 1940 ao atacar a URSS como teste para a futura operação “Barbarossa”. A farsa das promessas da social-democracia que sem corar repete que o Syriza é um partido radical, de extrema-esquerda.
Não, agora não é necessário enviar exércitos, a dívida faz o mesmo serviço e sai mais barato. Disse Himler que se 10 000 mulheres russas morriam de exaustão ao cavar uma trincheira antitanque só o preocupava se essa trincheira era favor ou contra a Alemanha. O sr. Shauble e o s-d número dois do governo alemão não falam muito diferente. Que importa que milhares de gregos se suicidem, morram precocemente por falta de cuidados médicos, que crianças passem fome, que não possam desenvolver-se e estudar convenientemente, que jovens emigrem, que se trabalhe por salários de miséria, que em 2013 a pobreza ou exclusão social atingisse já 35,7% da população…se isso for do interesse da finança alemã.
E quanto ao Syriza? Podemos perguntar: por que aconteceu assim? Mas a pergunta está errada. A questão é: como poderia não ter acontecido? O Syriza escolheu comportamentos, escolheu a defesa do euro, escolheu portanto as respetivas consequências. Não há que admirar. O Syriza começou a trair-se a si próprio logo em janeiro. Para perceber como age a UE e as suas “instituições” recordem-se os bons filmes sobre a máfia. E não é coincidência.
Passos Coelho e a direita rejubilam, a derrota da Grécia dá-lhes o sentimento de poder que os perdedores, viciados no jogo, adquirem ao verem os outros perderem antes deles.
E dizer que a Alemanha obteve tudo o que não quer dar migalha a outros países, como o perdão da sua dívida após perder as guerras (também as dívidas de 14-18 foram perdoadas mais tarde) e as facilidades que teve quando anexou a RDA!
Porém a resistência dos povos à barbárie só vai crescer.

12 de julho de 2015

«A Dívida Pública liquida da Grécia é de 18% do PIB, não 175%. E a da Alemanha?»

Pelo seu interesse, transcrevo para aqui um artigo de opinião da revista FORBES publicado em Janeiro deste ano de 2015 e no qual «acabo de tropeçar»...


Escreve Panos Mourdoukoutas, colaborador da revista FORBES: 

«Antes de impor à Grécia mais uma ronda de austeridade, a Alemanha deveria corrigir o seu próprio problema de contabilidade – calculando a dívida grega, e a sua própria, usando normas internacionais aceites. Enquanto os cidadãos gregoes vão votar este Domingo, os funcionários alemães não deixaram passar a oportunidade de lembrar a Grécia de que tem que cumprir as suas obrigações da dívida. Isto significa adoptar uma austeridade sem precedentes a qual tem deprimido a economia grega.
O problema é que a Alemanha tem estado a sobre estimar a dívida grega ao não seguir os padrões do «International Public Sector Accounting Standards (IPSAS)» os quais medem os compromissos e os activos ao longo do tempo.
De acordo com o Professor Jacob Soll, os padrões IPSAS são similares aos que são utilizados pelos principais governos, bancos e investidores em todos os níveis. «De facto, a dívida foi calculada como sendo maior do que realmente é ou seria se tivessem sido usados os padrões "IPSAS", escreveu Soll num recente artigo no New York Times.
Exactamente em quanto foi sobre estimada a dívida grega?
A resposta pode encontrar-se em www.freegreece.info.
Se forem aplicados os padrões do "IPSAS Board" para calcular a dívida grega, a dívida líquida é de 18%, não 175% do PIB. E qual é a situação no caso da Alemanha seguindo os padrões do "IPSAS Board"?... 46% do PIB.
Isto quer dizer que a situação da dívida da Grécia é melhor do que a da Alemanha!
Então porque razão a Alemanha não usa (o padrão) IPSAS para calcular a dívida grega?...
De acordo com o profesor Soll, por duas razões.
Escreve este autor que, em primeiro lugar, (os alemães) não aplicam (os padrões) IPSAS na sua própria casa. «Um facto pouco conhecido é que os alemães também não usam (os padrões) IPSAS e têm padrões de contabilidade pública notavelmente opacos».
Em segundo lugar, mantendo-se fora dos (padrões) IPSAS, a Alemanha pode manter a Grécia em rédea curta ao mesmo tempo que mantêm a dívida grega fora dos seus livros de contabilidade.
Escreve Soll que «uma razão poderá ser que os alemães se têm recusado a apreçar razoavelmente a dívida ou a reportar correctamente o seu valor, o que significa que, no curto prazo, extraem dos Gregos mais austeridade do que deviam e também porque assim mantém estes empréstimos fora dos registos do balanço orçamental pois que os mesmos apareceriam como perdas sob qualquer padrão legítimo de contabilidade.
(uma forma mal encapuçada de transferir para os gregos as perdas dos bancos alemães, as quais deveriam ter sido suportadas pelos contribuintes alemães, digo eu - GFS)
Na nossa opinião há uma terceira razão. Sobre estimando a dívida soberana dos países do Sul da Europa, aumenta-se a ansiedade nos mercados de câmbios, deprimindo o Euro e potenciando a máquina exportadora da Alemanha».
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Jacob Soll é autor de diversos livros sobre a História da Dívida e das práticas de contabilidade ao longo da História, designadamente «The Reckoning: Financial Accountability and the Making and Breaking of Nations». Há uma tradução em Português («O Ajuste de Contas»).

Para saber coisas sobre o IPSAS, pode visitar-se o portal da «International Federation of Accountants» em http://www.ifac.org/public-sector

11 de julho de 2015

Vigaristas



No dia em que se debateu o " estado da Nação " José Rodrigues dos Santos no telejornal comparava
as taxas  do "PIB" de 2014 com as da entrada da troika , 2011, para afirmar que então estávamos a decrescer e agora a crescer . Concluía enfaticamente que agora estamos melhor ...
José Rodrigues dos Santos leu o que um economista vigarista escondido na redacção tinha escrito .
Se olhasse para o valor do PIB em 2011 e para o valor em 2014 veria que este está infelizmente muito mais baixo. Estamos a crescer pouco e depois de termos caído desde 2011 seis e meio pontos percentuais. Registe-se :caímos 6.5 pontos percentuais e na melhor das hipóteses so´atingiremos o nível de 2011 que já era mau, em 2017...
Nem se pode dizer que tivemos de passar por esta queda para agora crescermos de forma mais saudável
Estamos com um aparelho produtivo mais enfraquecido mais dominado pelo capital estrangeiro e mais dependentes  como mostra o facto de cada vez que há crescimento aumenta o défice da balança comercial mais que proporcionalmente.
Acresce que as exportações têm uma grande componente importada e a política de substituição de importações é praticamente inexistente.
Pode ser que alguma alma caridosa faça chegar este escrito a J. R Santos.

7 de julho de 2015

Definição de dívidas ilegítimas, ilegais, odiosas e insustentáveis

A Comissão para a verdade sobre a dívida grega da CADTM (Comissão para a Anulação da Dívida ao Terceiro Mundo), publicou um relatório preliminar que pode ser encontrado no seu site. Inseriu também as definições sobre a natureza das dívidas, que tem sido internacionalmente aceite em várias circunstâncias. Lembremos que a renegociação da dívida alemã do pós-guerra teve em conta critérios deste tipo.
Dívida que o devedor não pode ser forçado a pagar porque o empréstimo, os títulos financeiros, a garantia ou os termos e condições associadas são contrárias ao direito (tanto nacional como internacional) ou ao interesse geral, ou porque estes termos e condições são claramente injustos, excessivos, abusivos ou de qualquer forma  inaceitáveis. Ou ainda porque as condições do empréstimo, contêm medidas políticas que violam  leis nacionais ou normas de direitos humanos; ou porque o empréstimo ou a garantia não foram usados em benefício da população; ou a dívida é produto de uma transformação da dívida privada (ou comercial) numa dívida pública sob a pressão dos credores.
Dívida para a qual não foram respeitados procedimentos legais em vigor (incluindo os que dizem respeito a autoridade para ratificar os empréstimos ou aprovar empréstimos ou garantias pelos organismos ou representantes do governo do Estado devedor). Dívida que envolve má conduta grave por parte do credor (por exemplo com recurso à corrupção, ameaça ou abuso de influência). Pode ser também uma dívida contraída em violação do direito nacional ou internacional, contendo condições contrárias a essas leis internacional ou ao interesse geral.
Dívida odiosa
Dívida que foi contraída por violação dos princípios democráticos (o que inclui o consentimento, participação, transparência e responsabilidade) e foi usada contra os mais elevados interesses da população do Estado devedor. Dívida que é excessiva e tem por consequência negar direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais da população; o que era conhecido pelo credor ou este estava em condições de o conhecer.
Dívida insustentável
Dívida que não pode ser honrada sem comprometer seriamente a capacidade do Estado devedor garantir as suas obrigações em matéria de direitos humanos fundamentais, tais como no campo da educação, saúde, água, habitação condigna, ou para investir em infraestruturas públicas e em programas necessários ao desenvolvimento económico e social, ou ainda dívida cujo reembolso terá consequências negativas para a população do Estado devedor (incluindo uma deterioração da sua qualidade de vida). Uma tal dívida é reembolsável, mas o seu pagamento deve ser suspenso para permitir que o Estado assuma as suas responsabilidades em matéria de direitos humanos.

28 de junho de 2015

O sr. César das Neves e…os gregos

Num daqueles debates em que a TV tem sido fértil sobre a Grécia, com o objetivo de deixar tudo mais confuso e mostrar que com as alternativas “vocês lixam-se”, o sr. César das Neves (CN) não podia faltar. Note-se que no “carrocel dos comentadores” o PCP não tem entrada…Com o dizia Pacheco Pereira, “é invisível para a comunicação social”.
Assertivo como qualquer fanático da religião neoliberal, disparando falsidades, não se excedeu porque foi o que costuma ser. Para ele: “o Syriza não quer pagar” (falso!). Tomou atitudes de “desrespeito aberto, atrevido…não é maneira de negociar”. (falso e ridículo). Repare-se nos qualificativos aplicados à defesa da vontade popular.
Para o sr. CN o problema da Grécia não é o euro, a troika, os programas, são…gregos. Demita-se o povo, como dizia Brecht. Mas quais gregos? Serão os que acreditaram nas tretas que o sr. CN e congéneres propalam? Diz então que a Grécia recebeu imenso dinheiro e desapareceu, agora querem que lhe deem mais … dinheiro dos outros.
Isto de falar em “gregos” e culpados, é coerente com uma visão do mundo maniqueísta e racista, prevalecente na UE (os PIGS) e da conceção de sociedades sem interesses de classe, em que oligarca e proletário têm o mesmo poder e grau de liberdade, como se o sistema não trabalhasse para os primeiros à custa dos segundos.
Para onde foi o dinheiro? Para a oligarquia europeia e seus parceiros gregos. Entre 2008 e 2014, a Alemanha acumulou como diferença entre RN e PIB 456,8 mil milhões de euros: a Grécia perdeu 21,6 mil milhões. A pobreza e exclusão social na Grécia era em 2008, 28,1% da população, em 2013, 35,7%. O desemprego atingia em 2014 38% (oficial) entre os jovens atinge quase 60%.
Curioso foi o sr. CN acusar o governo grego de não aumentar os impostos aos armadores gregos. Que ingenuidade! Esquece que segundo as regras de “liberdade” que defende os armadores são livres de mudar de bandeira praticamente de um dia para o outro.
O plano de resgate foi apresentado como benéfico para a Grécia, agora perante o seu falhanço conta-se a história segundo a qual a população estava apagar os seus pecados à doutrina neoliberal e a sua…desonestidade. Não a dos governos neoliberais!
Na realidade, os fundos concedidos ao abrigo dos programas de resgate, lá como cá, foram ditados estritamente pelos credores, geridos do exterior, impedindo qualquer iniciativa em matéria orçamental. Verificou-se que menos de 10% do montante dos fundos foram gastos nas despesas correntes do governo. O resto: reciclagem de dívida, sempre a aumentar.
O relatório do Comité Internacional da Auditoria à dívida grega (pelo CADTM, a pedido do Parlamento grego) chegou à conclusão que a Grécia não deve pagar esta dívida porque é ilegal, ilegítima e odiosa. É importante ler o relatório pelos ensinamentos para Portugal.
Cinco anos após o início dos programas de ajustamento, o país mergulhou numa grave crise económica, social, democrática, ecológica. O aumento da dívida não foi o resultado de gastos públicos excessivos, na verdade inferiores às de outros países da zona euro.
A maior parte da dívida vem do pagamento aos credores a taxas de juros extremamente elevadas, despesas militares excessivas e injustificadas, impostos não cobrados ao capital, custo da recapitalização dos bancos privados, desequilíbrios internacionais inerentes às regras da UE e do euro. E claro, a corrupção a favor da tão “eficiente”, “iniciativa privada”… PPP, SWAP, o aventureirismo bancário, etc. Ver: http://cadtm.org/Synthese-du-rapport-de-la

18 de junho de 2015

A boa gestão…”bidelbergiana”

No Eixo do Mal (SIC Not.14-06-2015) a “bidelbergiana” Sra. D. Clara Ferreira Alves, afirmou que os casos da TAP, PT, BES, ANA, etc. mostram a incapacidade dos portugueses serem bons gestores. Por ex. a ANA tinha num ano após a privatização aumentado os lucros em 50%!
Diga-se que a ANA desde a privatização aumentou 5 (cinco!) vezes as tarifas aeroportuárias. Como dizia o outro: assim também eu… A frase não passa de uma aleivosia. A ANA dava lucro ao Estado e portanto ao país, antes de ser privatizada para franceses que aumentaram tarifas e tratam de levar os lucros para o exterior, o que não incomoda nada o ministro cervejeiro das taxinhas. Bons gestores, pudera!
À falta de melhor, arranja-se agora uma teoria racista dos portugueses “maus gestores”. Entregue-se tudo a estrangeiros que tão bem sabem destruir empresas como a Sorefame, a Sepsa, a Cimpor, etc., etc.. E, talvez, para demonstrar “cientificamente” a teoria dos “maus gestores” se regresse às teses do sr. Gobineau, ou mesmo do sr. Rosenberg, e se vá medir os crânios dos portuguese e ver se são braqui ou dolicocéfalos, como são configuradas as meninges e, já agora, o prognatismo…
A TAP, as empresas de transportes não dão prejuízos de exploração, mas sim financeiros e no caso da TAP do ruinoso negócio do Brasil. Tudo isto se sabe e se mente para uma opinião pública mantida desinformada e sob o stress do “não há dinheiro”, enquanto a riqueza criada no país vai para as mãos de uns poucos, que têm acrescidos benefícios fiscais e é transferida para o estrangeiro.
Não, o problema não são os portugueses, maus gestores. O problema são os governos do PS, PSD, mais o apêndice do CDS, promoveram a degradação de tudo o que era público, para venderam ao desbarato, criando um sistema parasitário, rentista.
A banca nacionalizada teve um papel importante na dinamização económica e apoio às PME, isto apesar da sabotagem que se começou a fazer sentir com a política de direita. Na indústria, a nacionalizações proporcionaram profundos processos de reorganização e investimento. As empresas públicas industriais e energéticas ao serem privatizadas eram empresas muito diferentes das que tinham sido nacionalizadas, muito mais valorizadas.
Quando á frente das empresas nacionalizadas e serviços públicos estive gente progressista, seriamente empenhada no projeto constitucional, expandiram-se, deram lucro. Nem um caso a reação pode apontar de incompetência ou corrupção. A política de direita sim, mostrou ser lesiva do interesse público, incompetente ou corrupta (as PPP e concessões, os SWAP!).
Enfim, a frase citada é mais uma das pretensas facécias de uma pequena ou média burguesia, alienada no seu labirinto de contradições, para defender a sua querida oligarquia, que lhe “dá o pão”, na expressão estúpida do “competente” administrador da Lusoponte e então ministro (do contrato ruinoso com a Lusoponte!) Ferreira do Amaral.
Ver: A nacionalização da Banca em Portugal, Carlos Gomes, Ed. UNICEP, 2011
 Desde a nacionalização da indústria e energia em 1975 até aos dias de hoje, Fernando Sequeira Avante, 26 de abril 2015