Linha de separação


30 de novembro de 2020

O que seria um governo com maioria absoluta do PS

 E o que seria um governo da direita que pela voz de Rui Rio veio criticar furiosamente o aumento do défice  designadamente pela aceitação das medidas propostas pelo PCP e os Verdes conduzindo a um significativo  aumento do investimento no SNS e nas despesas sociais mais urgentes , subsidio de desemprego , pensionistas e reformados e o alivio fiscal nas pequenas empresas.

 Leia se o parecer do Conselho Económico e Social à proposta inicial do governo PS

Agostinho Lopes.

"O PARECER DO CES

Houve e há muita gente preocupada com as formas das negociações da proposta

de OE2021, ou melhor, com encenações sobre as negociações, e zero com o

conteúdo da dita proposta, da sua suficiência ou insuficiência na resposta aos

agudíssimos problemas que o país enfrenta. Disso se deu conta em anterior

artigo.

Essa grelha de análise do processo parlamentar de apreciação e votação do

OE2021, na notícia e comentário mediáticos, mais uma vez «esquece»,

desvaloriza, oculta o Parecer do Conselho Económico e Social (CES), que tendo

como Relator Adriano Pimpão, foi aprovado, apenas, como seria natural, com a

abstenção dos representantes do Governo!

A análise do CES merece certamente, em primeiro lugar, toda a atenção dos

deputados, mas devia ter outro olhar dos media. Pelo que representa o CES, pelo

enorme consenso obtido.

O Parecer, demonstrando uma observação rigorosa dos problemas do país, e no

quadro normativo e constitucional de enquadramento orçamental, sintetiza um

conjunto de críticas à proposta do OE2021 e uma indiciação das respostas

necessárias no plano da governação. Vale a pena fazer alguns destaques.

Assim «seria necessário um orçamento mais atuante no combate à crise e que

não ficasse tão dependente de uma recuperação “natural” da economia em

2021.» «Identifica-se (...) uma opção por uma forte e acelerada redução do

défice, numa perspetiva plurianual.» «O País precisa de uma política orçamental

para o próximo ano assumidamente mais expansionista, ou seja, o OE deve

constituir um instrumento ativo de saída da crise e de retoma do crescimento

económico.» «A proposta de OE apresentada pelo Governo (...) configura um

orçamento mais ou menos “neutro” em relação ao ciclo económico e de

continuidade nas orientações de política, com uma significativa redução do défice

em 2021 de 3 p.p., o que coloca o nosso País (no confronto com as previsões

apresentadas pelos Estados membros da Zona Euro) com o 4o défice mais baixo

no próximo ano.»

Este pano de fundo, é coerente com o que se refere para a política de

rendimentos e a política fiscal, nomeadamente, a ausência de proposta para mais

escalões no IRS; para o investimento público – onde é relevante a chamada de

atenção para a figura de anteriores OE do PIDDAC (1); para o sector produtivo e

a sua necessária diversificação; para o SNS e a política de habitação; para a

necessidade de se concretizarem as «transferências previstas para o Orçamento

da Segurança Social» e, lembrando, a «sua recomendação de definição,

programação e execução de um plano estratégico de edificação da Rede Pública

das Estruturas Residenciais para Idosos». O reconhecimento de que «os apoios

às empresas e às famílias (...) não são antagónicas» e que a proposta de

OE2021 «subestima a dimensão da crise e não contempla, quer na dimensão,

quer na natureza dos mesmos os apoios de que, na atual situação de

“emergência”, necessitam as empresas à beira do colapso e as famílias com

maiores perdas de rendimento.»

O que se diz para o Parecer sobre o OE2021, pode repetir-se, quase ipsis verbis,


para o Parecer sobre as Grandes Opções do Plano (GOP) 2021-2013 da Relatora

Francisca Guedes Oliveira. Mas merece destaque, e a sua explicitação, a alínea

j) da Síntese Conclusiva: «(...) o CES considera que deveria haver uma política

mais assumida sobre a valorização do trabalho, como elemento determinante e

transversal de um desenvolvimento económico que promova uma mais justa

distribuição de riqueza e a melhoria das condições de vida da população.»

E já que estamos em mão de Pareceres sobre o OE2021, nada como referir o

escândalo de que no meio de tanta notícia e comentário sobre o OE não haja um

grito mediático contra o escândalo da Comissão Europeia, mais uma vez, na sua

avaliação do OE2021, vir a questionar «outro aumento» das «pensões mais

baixas», as pensões dos 300 euros!!! O que é isto senhores???


1) Sobre o assunto o CES reafirmou «a necessidade da apresentação de uma

programação dos investimentos públicos, à semelhança do que já existiu no

passado, sob a designação de PIDDAC (Programa de Investimento e Despesa de

Desenvolvimento da Administração Central) ou outra, com a indicação das


respetivas fontes de financiamento e da distribuição regional dos projetos.» Diga-

se que já por várias vezes o GP do PCP (que esteve contra a sua eliminação)


tentou que tal fosse aprovado em processos legislativos de alteração da Lei de

Enquadramento Orçamental."A.L

As propostas do PCP aprovadas foram no sentido das propostas do CES


Sem comentários: