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4 de novembro de 2024

As eleições americanas e a economia

 Sérgio Aníbal : O crescimento do PIB não convenceu os americanos sobre a saúde da economia Publico de 3 de novembro . Mais prosaicamente a síntese de Montenegro : "A vida das pessoas não está melhor , mas o país está muito melhor "

Parte 1. Michael Robert

O mercado de ações dos EUA está crescendo, o dólar está em alta nos mercados de câmbio, a economia dos EUA está avançando a cerca de 2,5% de crescimento real do PIB, o desemprego não é maior que 4,1%.  Parece que a economia dos EUA está alcançando o que é chamado de "pouso suave", ou seja, nenhuma recessão ao sair da crise pandêmica de 2020. 

O OE outro episódio do neoliberalismo - 2

Escreve Monbiot (1) : “liberdade de sindicatos e negociação coletiva significa liberdade para  suprimir salários. Liberdade de regulamentação significa a liberdade de explorar e colocar trabalhadores em perigo, envenenar rios, adulterar alimentos, projetar instrumentos financeiros exóticos, cobrar taxas de juros exorbitantes. Isto leva a desastres como a série de descarrilamentos e vazamentos tóxicos no Centro-Oeste americano, colapsos financeiros e resgates bancários que aparecem como factos inevitáveis da vida económica. A liberdade que os neoliberais celebram, sedutora em termos gerais, acaba sendo liberdade para o lúcio não para os outros peixes.”

As liberdades que possuímos foram duramente conquistadas por nossos ancestrais. Muito sangue foi derramado para garantir nossa liberdade de falar, votar, organizar, reagir a instituições opressivas e práticas governamentais. Toda liberdade que temos é algo pelo qual pessoas morreram e tendemos a esquecer. Até mesmo o fim de semana é uma liberdade duramente conquistada.

Os neoliberais não especificam exatamente o que querem dizer com liberdade, fazendo parecer que as coisas que nossos ancestrais garantiram e das quais beneficiamos, é o que eles estão oferecendo, enquanto na verdade pretendem exatamente o oposto. O neoliberalismo tirou muitas de nossas liberdades sociais. É contra essa ilusão e apropriação indevida da linguagem que temos que lutar diariamente.

O Biltre membro do Partido Socialista

 Militante no PS , com lugar cativo no Publico e na Antena Um no pluralismo da Flor Pedroso , defensor da continuação da guerra na Ucrânia , quando um acordo de Paz se discutia na Turquia insurgiu se contra a posição de Guterres .

 De Carlos Coutinho no seu Facebook : " Nada há tão cego como passar e não ver, quando o horror escorre de   um jornal. Na mesma página do “Público” (30.10,.2024), na sua crónica quinzenal, sob a inscrição permanente “O Mundo às Avessas”, um biltre que nasceu em Bissau, foi professor na Universidade Nova de Lisboa, ministro de Sócrates – primeiro na Administração Interna e depois na Defesa Nacional –, querendo hoje passar por historiador, chama-se Nuno Severiano Teixeira, só respira oxigénio da NATO e dá ao seu camarada Guterres uma cornada sem chifres embolados que nem o Ventura, talvez por ser português,  foi, até hoje, capaz de lhe ferrar:

3 de novembro de 2024

O PE como agente da mentira e do confronto

 Uma série de "façanhas" do Parlamento Europeu mostram estar cada vez mais dominado pela direita, influenciada pela extrema-direita, enquanto a fação maioritária dita de esquerda e ecologistas junta-se ao coro russofóbico e sinofóbico. Porém, como explicar que iniciativas do PE suscitem tão pouca oposição ou interesse entre os cidadãos europeus, não fazendo ideia das suas consequências?

Uma resolução recentemente adotada pelo PE - 432 votos a favor, 60 contra e 71 abstenções - pretende a admissão de Taiwan em organizações da ONU, opondo-se à Resolução 2758 da ONU de 1971, que exclui os representantes de Taiwan na ONU e suas organizações. Ataca de frente o que Pequim considera uma linha vermelha cujo não cumprimento levaria a reações severas. O PE também aprovou por larga maioria uma resolução que assume uma posição firme contra a China no conflito sobre Taiwan e pede medidas que apoiem a separação da ilha do continente. Diz-se, que Taiwan é um "parceiro-chave" da UE com o qual pode cooperar mais estreitamente no futuro, são enviadas delegações de parlamentares a Taipé, e pretende manter intercâmbios mais intensos "a todos os níveis". Isto segue uma plano aprovado em 2023 pelo Congresso dos EUA, atacando a Resolução 2758 da ONU com alegações contrárias à verdade. 

2 de novembro de 2024

O OE outro episódio do neoliberalismo - 1

 Para perceber os detalhes dos OE das políticas de direita, vamos aos seus fundamentos, inscritos nas teses neoliberais que regem a UE, conforme a entrevista do jornalista premiado Chris Hedges. a George Monbiot autor (com Peter Hutchison) de The invisible Doctrine: The Secret History of Neoliberalism. (1)

A ordem mundial atual é projetada para ser complexa e confusa, obscurecendo as origens e filosofia subjacente. Políticos, media, os chamados intelectuais em think tanks — junto com falsidades sistémicas — perpetuam esse sistema velado. O neoliberalismo manteve seu domínio explorando a maioria para sustentar a prosperidade de poucos.

Chris Hedges: O neoliberalismo é uma ideologia furtiva, que imediatamente domina nossas vidas, mas existe em relativo anonimato. Seus efeitos reconfiguraram radicalmente as sociedades ocidentais por meio da desindustrialização, austeridade, privatização de serviços públicos, serviços postais, escolas, hospitais, prisões, polícia, partes das forças armadas, transportes, além de gerar estagnação salarial e servidão pela dívida. Deformou o sistema tributário e destruiu regulamentações para canalizar riqueza para cima, criando desigualdades que rivalizam com o Egito faraónico. No entanto, o neoliberalismo permanece em grande parte não mencionado e não examinado, especialmente pelas universidades e os media capturados por uma classe dominante que lucra com a doutrina neoliberal.

1 de novembro de 2024

O império face à multipolaridade

 A cimeira do BRICS em Kazan, na qual participaram líderes de 36 países, formalizou designadamente na sua declaração o fim do mundo unipolar e a incapacidade do ocidente marginalizar a Rússia e Putin. A participação de Guterres na cimeira deixou os propagandistas à beira de um ataque de nervos, procurando esconder que “era importante para a ONU, já que os países do BRICS representam quase metade da população mundial.

O império defronta-se assim com outro dilema: impor a sua hegemonia unipolar ou aceitar a multipolaridade. A questão é que não têm como conseguir a primeira nem sabem conviver com a segunda. Na ordem unipolar os neoconservadores previram que os Estados Unidos determinariam o sistema financeiro, baseado no dólar, o estabelecimento de bases militares no estrangeiro, a adesão à NATO, que países podiam ser considerados democráticos e pertencer à sua "comunidade internacional, sem que outros países tivessem direito a opor-se.

Para impor um poder global os EUA planearam uma “guerra ao terror”, mas falharam. No Médio Oriente, África, Afeganistão, Iraque, Iémen, Líbia; Somália, onde intervieram direta ou indiretamente o que obtiveram foi situações caóticas. O Afeganistão está melhor sob o domínio dos Talibã, apoiando-se na China e na Rússia, que sob os EUA e aliados. O Iraque recupera e alia-se ao Irão; a Síria com a ajuda da Rússia expulsou os rebeldes financiados pelo ocidente, controla a quase totalidade do território. Para os propagandistas Bachar al Hassad não duraria seis meses.

Os EUA em defesa da democracia

 


Os EUA saúdam Pinochet por mais uma vitória do "mundo livre". Isto enquanto nas masmorras chilenas, mulheres e homens, cidadãos pacíficos, eram presos, torturados, mortos. Quando Hayek, um dos pais do neoliberalismo, visitou o Chile de Pinochet, disse que preferiria um sistema político que tivesse aquela liberdade económica. Basicamente liberdade da classe capitalista fazer o que quisesse com as pessoas e em que qualquer um podia ser atirado de helicóptero ou torturado até a morte.

Disse na CNN a dra. Diana Soller (doutorada em Estudos Internacionais e Ciência Política na Universidade de Miami, onde elaborou a tese “The Democratic West and the Democratic Rest: Searching for the New Liberal International Order”) - O que António Guterres fez foi lamentável. Deixou-se fotografar e filmar ao lado do homem (Putin) que estilhaçou a ordem internacional que tem mandato para defender. Não consegue perceber o ganho para as Nações Unidas da sua ida a uma cimeira que se declarou claramente antiocidental antiamericana e em última análise antiucraniana. Uma cimeira que quer destruir a ordem das Nações Unidas." (?!)

Eis mais um exemplo de delírio cognitivo...

- A foto: Augusto Pinochet, cumprimentando o Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, em 1976. (Ministério de Relações Exteriores do Chile, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons) em O Relatório Chris Hedges: A História Secreta do Neoliberalismo – Consortium News