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3 de março de 2014

O “Captar Investimento Estrangeiro”

“Captar investimento estrangeiro” e “exportar mais”, são o alfa e ómega das “soluções” da direita. Dizem isto há anos a fio e e não têm outras, com o apoio da troika acrescentam a austeridade, a espoliação das classes trabalhadoras .. Contudo em 3 anos a FBCF reduziu-se 30%. (FMI p.39)
Para ver melhor a questão do investimento apliquemos o que os gurus da gestão designam por “benchmarking: seguir as “boas práticas dos melhores”.
A classificação “doing business” do Banco Mundial coloca a Colômbia o melhor país da América do Sul e em sexto lugar a nível mundial no que toca à proteção dos investidores.
Talvez para ver estas “boas práticas” de “dar confiança aos mercados” até ministros deste governo se deslocaram recentemente à Colômbia.
A Colômbia é o país mais desigual da América Latina, o terceiro a nível mundial, e com mais baixo nível de sindicalização no sub-continente. A baixa de sindicalização deve-se aos processos de privatização, flexibilização do trabalho, e ameaças nas empresas e fora delas.
O governo tem o poder de rejeitar (como no fascismo) a criação de sindicatos. Entre 2002 e 2007 foram rejeitados 491 pedidos de formação de sindicatos. O governo (idem) pode dissolver por via judicial um sindicato, valendo-se das leis que criou para o efeito.
O resultado é um movimento sindical pulverizado, com reduzida capacidade de organização e mobilização. Dois terços dos trabalhadores não têm contrato formal (precariedade), pouca ou nenhuma garantia de salário mínimo, nem de horários de trabalho. Compare-se com o que este governo pretende.
A Colômbia instituiu processos de repressão violenta e não violenta sobre os trabalhadores, levada a efeito pelo governo, as empresas e os paramilitares. Ser sindicalista significa expor-se a riscos constantes,muitas vezes fatais.
Entre 2000 e 2010 cerca de 1000 dirigentes sindicais foram assassinados. Em 2013 foram mortos 26 trabalhadores sindicalizados, 13 tentativas de omicídio, 149 ameaças de morte, 28 casos de intimidação e 13 prisões arbitrárias.
Lembremos que para a UE a Colômbia é uma democracia. A Venezuela e Cuba ditaduras...
Vejamos o que a troika pretende para Portugal. A lógica anti laboral e antissindical está patente até em questões que nada têm que ver com dívida e défice, como: “reduzir custos laborais no trabalho portuário” (FMI p.26).
Apesar das sucessivas alterações para pior na legislação laboral pretendem reduzir ainda mais os salários no sector privado, insistem em eliminar a “rigidez nos salários nominais”, (FMI p. 21) reduzir a proteção no emprego e os benefícios no despedimento e desemprego. (FMI p.20) A redução das indemnizações por despedimento já feita é considerada insuficiente.
Exigem descentralizar as discussões salariais, encorajar a flexibilidade salarial e - sem pejo - reduzir incentivos para contestar demissões individuais em tribunal. (FMI p. 25) Introduzir maior grau de representação antes de permitir a extensão dos acordos coletivos e facilitar acordos de empresa. (FMI p. 32) Exigem também que o governo garanta que com a redução do desemprego não aumentam os salários. (FMI p.23)
Face a isto pelos vistos o PS não entende que o já está em causa é a própria democracia.

 

28 de fevereiro de 2014

Mentiras e verdades sobre a situação económica do país

Num encontro nacional de preparação das eleições para o Parlamento Europeu realizado pelo PCP no passado dia 22 de Fevereiro, Agostinho Lopes fez uma muito interessante intervenção sobre a situação económica e social do país e sobre as inúmeras mentiras que a propósito dela têm vindo a ser ditas pelo Governo e reproduzidas pela comunicação social, sem pestenejar. Leia aqui essa intervenção.  

19 de fevereiro de 2014

Notas sobre a Dívida Pública


Algumas notas sobre a problemática da dívida pública_17.02.2014
Octávio Teixeira

1- Nos últimos 3 anos a dívida pública aumentou 55.000 milhões de euros, mais 35%. Ou doutra forma, ¼ da dívida actual é da responsabilidade dos últimos 3 anos.
As previsões da troika quanto à evolução da dívida prometiam um rácio de 115% do PIB em 2013, e o que se verificou foram cerca de 130%.
Estes factos mostram o fracasso claro da estratégia seguida.
Por causa disso ou de qualquer outra coisa, no relatório das 8ª e 9ª avaliações o FMI fez um exercício sobre a sustentabilidade desta dívida.
As conclusões foram que para reduzir a dívida a 60% do PIB daqui a 20 anos seriam necessários:
. saldos orçamentais primários de 3% do PIB
. taxa de crescimento real do PIB de 1,8% ao ano e o mesmo para a inflação
 .emissões de dívida pública  à taxa média de 3,8%.
Ora, isto não é possível!
Porque para conseguir aquele aumento do PIB - quase o dobro do que se verificou nos 6 anos que antecederam a crise mundial de 2008 - seria necessário um enorme aumento das exportações líquidas e/ou uma forte recuperação da procura interna.
Mas o crescimento da procura interna é incompatível com a austeridade orçamental inerente a um saldo primário de 3% durante 20 anos.
Seria então necessária uma de duas coisas:
1ª, um aumento significativo das exportações e que as importações não aumentassem; mas dada a estrutura produtiva, travar as importações só é possível com recessão, o que contradiz a hipótese de crescimento do PIB;
2ª seria pois preciso que as importações aumentassem mas o aumento das exportações fosse de tal ordem que compensasse o efeito do aumento das importações e da queda da procura interna. Ora isto é impensável, exigiria um crescimento explosivo das exportações que entraria para o Guiness.
Ou seja, não é possível reduzir sustentadamente a dívida pública. A dívida é impagável na sua totalidade. Não é uma questão de se querer ou não pagar: é uma impossibilidade objectiva.
2- O Governo (mas também o PS) esconde esta realidade e diz que a dúvida é se a partir de Maio vai aos mercados sem para-quedas ou se recorre a um programa cautelar.
Para tentar a “saída em voo livre” vem fazendo emissões de dívida para além das necessidades imediatas, para criar um “pé-de-meia” que dê para 1 ou 2 anos, e que já ultrapassa os 20.000 milhões de euros.
Isto significa um aumento evitável dos encargos com juros superior a 1.000 milhões num ano.
Por outro lado, apesar dos mercados financeiros: (a) estarem com um enorme excesso de liquidez que foi injectado pelos bancos centrais; (b) de estarem conjunturalmente a tirar parte dessa liquidez dos mercados dos países emergentes e precisarem de aplicações alternativas; (c) e de terem a garantia do BCE de, se necessário, intervir sem limites no mercado secundário das dívidas públicas dos países da zona Euro,
o melhor que o Governo conseguiu até agora foi uma taxa de 5,1%. Bastante acima dos 3,8% que o FMI considera como limite para a sustentabilidade da dívida num horizonte de 20 anos, e que aumenta significativamente a factura dos juros já incomportável.
É possível que o Governo, por razões eleitoralistas, tente seguir pela saída em voo livre mas agravando os problemas da dívida pública, da sustentabilidade das finanças públicas e da austeridade.

Por outro lado, o recurso a um programa cautelar permitiria obter financiamentos a taxas de juro mais baixas, da ordem dos 3,5 a 4%. Não é por acaso que os banqueiros o desejam. Mas implica necessariamente um novo pacote de “condicionalidades”, um segundo programa de sequestro. Isto significa a permanência da austeridade imposta e controlada por entidades externas o que, como vimos nestes 3 anos, não resolve só agrava.
(Aliás, a dita saída “limpa” também mantém a austeridade, mas sem a desculpa da imposição externa).
Ou seja, nenhuma das hipóteses é solução.

3- Assim, a renegociação da dívida é incontornável.
É indispensável para reduzir os juros que anualmente são suportados pelas finanças públicas libertando recursos para diminuir a austeridade e, em consequência, aumentar o PIB com mais procura interna e aumentar as receitas fiscais que sustentem a redução do défice, e para permitir a sustentabilidade da dívida.
A restruturação da dívida tem de incidir sobre maturidades e taxas de juro, mas também sobre o montante da dívida.
Cingi-la às maturidades e taxas de juro alivia o serviço da dívida no curto prazo mas aumenta-o no longo prazo. É empurrar com a barriga.
Tem de haver, necessariamente, um incumprimento parcial da dívida porque o montante actual é impagável.
A reestruturação tem de abranger todos os credores incluindo as instituições da troika pois já detêm 35% da dívida. Apenas deverão ser poupados os pequenos aforradores e os investidores públicos nacionais, como o Fundo de Estabilização da Segurança Social.
O perdão de dívida deverá rondar os 50% para a reduzir para próximo dos 60% do PIB que a União Europeia impõe para a considerar sustentável.
E o aumento das maturidades não deverá ser inferior a 30 anos, pois só assim o aumento dos juros a pagar durante mais tempo será compensado com a redução do valor actual da dívida decorrente da inflação.
Por último, a renegociação, que é urgente, deve ser desencadeada e conduzida por Portugal por forma a defender os interesses nacionais, e não pelos credores como sucedeu na Grécia com resultados conhecidos.
Não é um caminho fácil, mas é condição necessária para a viabilidade e sobrevivência do País.

O grande êxito ou o afundamento da economia ?


Portugal, 3 anos após o Pacto de Agressão


Três anos depois da assinatura do Pacto de Agressão entre a Troika nacional (PS/PSD/CDS) e a Troika internacional (CE/BCE/FMI), o conhecimento dos primeiros dados macroeconómicos de 2013, referentes à evolução do PIB, do Comércio Externo, do Emprego, do Desemprego, da Dívida Pública e do Défice Orçamental tornam possível a comparação dos resultados obtidos, com aqueles que foram prometidos em 2011.
Vejamos, os resultados mais significativos:
1.   Disseram-nos que o PIB nestes três anos iria caír 2,8% em termos reais e que em 2013, cresceria já 1,2%. Ora aquilo a que assistimos foi a uma queda do PIB ininterrupta nestes três anos de 5,8%, mais do dobro do prometido, com o PIB a caír em 2013, 1,4%. O país vive hoje o mais longo período de recessão da sua história, três anos consecutivos, com uma quebra da riqueza produzida em termos reais de 9,4 mil milhões de euros.
2.   Disseram-nos que o Investimento caíria 15,7% caíu 36,6%;
3.   Disseram-nos que o ajustamento que teria que ser feito no mercado de trabalho iria levar à queda de 1,9% do emprego total, a queda no emprego foi nos últimos três anos de 10%. A destruição de empregos foi 5 vezes superior ao previsto inicialmente, foram destruídos 464 700 empregos.
4.   Disseram-nos que o desemprego em sentido restrito, passaria de 10,8% em 2010 para 13,3% em 2013, o desemprego subiu para 16,3% em 2013. Portugal tem hoje 876 mil desempregados em sentido restrito, mais de 1 milhão e quatrocentos mil em sentido lato. E o desemprego só não é maior porque muitos daqueles que perdem o seu emprego, emigram ou desistem de procurar emprego e caem na situação de inactivos.
5.   Disseram-nos que com este Programa de Ajustamento a Divida da Administração Pública que em 2010 foi de 93% do PIB passaria apesar de tudo para 115,3% do PIB, afinal está nos 129,4% do PIB. O nosso país deve hoje mais 51,5 mil milhões de euros do que devia no final de 2010.
6.   Disseram-nos que este Programa era a solução para o nosso défice orçamental e que este iria ser reduzido para 3% em 2013, afinal apesar de cerca de 8 500 milhões de  receitas extraordinárias provenientes da transferência dos fundos de pensões do sector bancário, (+ 6 mil milhões de euros) das receitas provenientes do regime excepcional de regularização tributária (+ 258 milhões de euros), da receita extraordinária associada à venda de direitos de utilização de licenças de 4ª geração de redes móveis (+292 milhões de euros), da receita da concessão do serviço público aeroportuário de apoio à aviação civil (+ mil e 200 milhões), da receita proveniente do fundo de pensões da PT (+476 milhões de euros), da receita proveniente do fundo de pensões do BPN e do IFAP (+145 milhões) e do recente perdão fiscal (+1279 milhões de euros), a verdade é que mesmo assim o défice orçamental não deverá ficar abaixo dos 5% em 2013.
E por muito que se pretendam valorizar os resultados mais recentes da evolução económica, realçando-se a evolução positiva do PIB no último trimestre de 2013 em termos homólogos, as evoluções positivas do PIB em cadeia desde o 2º trimestre de 2013, a evolução do desemprego e a evolução do comércio externo, tais resultados não permitem esquecer que tal só foi possível após onze trimestres de queda no caso do PIB, após 18 trimestres de variação homóloga positiva no caso da taxa de desemprego e no caso das exportações de mercadorias continuando estas a evoluir positivamente, é no entanto clara a sua dependência de combustíveis refinados (mais de 50% do ritmo de crescimento) e mais preocupante ainda, esse ritmo de crescimento é cada vez menor de ano para ano (em 2011 cresceram em valor 14,4%, em 2012 cresceram 5,7% e em 2013 4,6%).
Como temos vindo a reafirmar o que é surpreendente não é a evolução conjunturalmente positiva destes indicadores, mas antes como foi possível estes indicadores permanecerem com evoluções negativas tantos trimestres sucessivos. Dificilmente esta coroa de glória da direita e das políticas de direita em Portugal será ultrapassada nos anos mais próximos.
O memorando de entendimento assinado entre a troika nacional (PS/PSD/CDS) e a troika internacional (CE/BCE/FMI), assumiu como problemas fundamentais da nossa economia, os nossos níveis de endividamento público e de défice orçamental e impôs ao nosso país um conjunto de medidas de política ditas de austeridade, que mais não visaram do que atacar muitas das conquistas laborais e sociais conquistadas pelos trabalhadores e pelo povo português com o 25 de Abril.
Nos últimos 3 anos, não apenas foi congelado o salário mínimo nacional e foram destruídos centenas de milhares de postos de trabalho, como se verificaram reduções nominais dos salários, pensões e reformas, com especial incidência na Administração Pública. De acordo com o INE os custos salariais neste período caíram 18,3% em termos reais no total da nossa economia, sendo que na Administração Pública essa queda foi de 23,8%. Neste mesmo período o subsídio de desemprego foi reduzido em montante e prazo de duração, as indemnizações por despedimento foram consideravelmente reduzidas e os despedimentos foram facilitados, as prestações sociais não contributivas foram diminuídas, o acesso à saúde e à educação foi dificultado e a carga fiscal aumentou de forma brutal sobre os trabalhadores e as famílias (IRS e IVA).
As políticas de austeridade prosseguidas neste período significaram objectivamente um agravamento na distribuição do rendimento, em benefício do capital e em prejuízo de milhões de trabalhadores. O peso do factor trabalho é cada vez menor no rendimento nacional.
De acordo com a revista Exame, embora 2012 tenha sido um ano negro para a esmagadora maioria dos trabalhadores portugueses, reformados e pensionistas, as maiores fortunas do país continuaram a crescer e mais do que duplicaram desde 1980. Os 25 mais ricos do país possuíam em conjunto cerca de 16,7 mil milhões de euros, 10% do PIB nacional.    
Vivemos hoje a maior crise económica e social do pós 25 de Abril, empurrando para a pobreza e miséria milhares e milhares de portugueses, forçando mensalmente mais de 10 mil portugueses a emigrarem, procurando lá fora o emprego que aqui lhes é negado. Os níveis de emigração superam já o período negro dos anos 60 em que milhares portugueses se viram forçados a emigrar para fugir à guerra colonial ou para procurarem lá fora os empregos e salários que aqui lhes eram negados.
Lamentavelmente e ao contrário de outros indicadores económicos, a divulgação da informação estatística sobre os níveis de pobreza tem habitualmente um desfasamento temporal de dois/três anos o que dificulta, ou mesmo inviabiliza, a sua utilização como instrumentos de orientação/avaliação da política social. Não é certamente por acaso que isto acontece.

Camaradas e Amigos
Há muito que afirmamos que o principal problema do nosso país é económico, os problemas financeiros que enfrentamos decorrem dele. A perda de competitividade acumulada desde a adesão ao euro, resulta da nossa estrutura produtiva ser muito mais frágil do que a dos restantes países do euro e estar neste momento sujeita às mesmas regras e políticas aplicadas a esses países.
Nestas condições as perdas de competitividade sucedem-se e as dificuldades de concorrência nos mercados externos agravam-se e a nossa balança corrente deteriora-se e consequentemente o mesmo sucede à divida externa do país (privada e pública). Não admira pois que o endividamento externo líquido continue a agravar-se tendo nos últimos 3 anos passado 107,2% do PIB para 117,1% em Setembro de 2013, de acordo com os últimos dados do Banco de Portugal.   
A saída da profunda crise em que o país caíu tem de ter como base fulcral a ultrapassagem dos nossos desequilíbrios externos, o que significa colocar o enfoque no aumento da competitividade (para reduzir de forma sustentada o défice da balança de bens e serviços) e na redução do serviço da dívida para melhorar a balança de rendimentos.
Para tal é imprescindível reestruturar a nossa dívida externa, nos seus prazos, taxas de juro e montantes e aumentar consideravelmente os nossos níveis de competitividade externa, através de uma desvalorização cambial só possível com a saída do euro, já que a desvalorização interna do trabalho que este Governo tem prosseguido, conduzirá ao empobrecimento dos trabalhadores portugueses, para níveis inimagináveis e mesmo assim temos muitas dúvidas de que esse objectivo seja atingido dado o peso cada vez menor dos salários nos custos de produção.
Portugal tem finalmente que apostar no aumento da sua produção nacional, na subida dos salários e pensões, como forma de dinamização do mercado interno, na promoção do emprego com direitos e no combate à precariedade, na aposta na formação e qualificação dos portugueses como factor determinante para a melhoria dos serviços prestados, numa maior justiça fiscal, na valorização e desenvolvimento dos serviços públicos, na recuperação por parte do Estado das alavancas fundamentais da nossa economia, da banca, às telecomunicações, da energia, aos transportes, pela defesa de um serviço nacional de saúde, universal e gratuito, pela defesa de uma educação pública para todos e por uma segurança social a que todos tenham acesso.
Este será o caminho alternativo que permitirá ao nosso país ser um país soberano e independente, justo na distribuição da riqueza pelos portugueses onde quer que eles se encontrem no país e em que as suas maiores riquezas, os seus recursos humanos e naturais, estejam ao serviço de todos os portugueses.
É por este país que lutamos e lutaremos!      
Encontro de deputados do PCP à AR e ao PE
Seixal, 17 de Fevereiro de 2014
    

17 de fevereiro de 2014

OPOSIÇÕES “made in USA”

Tal como na Líbia, Síria, Ucrânia, tal como está a ser na Bósnia etc., a oposição financiada pelos EUA passou ao ataque violento na Venezuela. Governos eleitos democraticamente passam a ser alvo de ataques por bandos armados, elementos anto-sociais, mesmo terroristas. O feudalismo, o racismo, a opressão religiosa, o fascismo têm servido perfeitamente a “economia de mercado” e a obsessão imperialista de controlar o mundo. (1)
Na Venezuela a tentativa de golpe de Estado prossegue (2) bandos de arruaceiros de movimentos fascistas provocaram 3 mortos, 66 feridos e numerosos danos materiais.
Aparecem agora também grupos esquerdistas armados reclamando a erradicação do capitalismo pela extinção pela força dos capitalistas. Concentram-se perto da fronteira colombiana. Estão a ser usados pela CIA, a Mossad e os paramilitares colombianos, empregando um discurso ultraesquerdista destinado a criar confusão e divisões na Venezuela, sobretudo entre os pequenos agricultores.
O lema fascista/neonazi “Pátria, honra e família”, está a ser usado na América Latina (mas também na Europa)
Na Venezuela, o fascista mascarado de social-democrata, (atenção ao que se passa em Portugal…) Capriles, depois das sucessivas derrotas sofridas dá lugar a Leopoldo Lopez, claramente identificado como fascista, que organiza a subversão mesmo que seja preciso matar e ferir grande número de pessoas e destruir património público.
Que uma ínfima minoria siga Lopez não importa ao império. O que é necessário é criar o caos para justificar intervenção armada. Contudo o governo Venezuelano emitiu uma ordem de captura contra Leopold Lopez.
Face a isto o processo de diabolização do povo venezuelano (à semelhança do cubano) está em curso pelas centrais de (des)informação, nas mãos de governos reacionários ou da oligarquia.
A comunicação social controlada criticou o que se passa? Não, considerou que era o povo em revolta contra a “miséria, a fome, a insegurança”, caso da SIC, quando se sabe que o governo bolivariano tem sido – ao contrário do que se passa nos países capitalistas - dos que mais tem feito pelo aumento do nível de vida e da cultura do povo!
Que tristeza ver como o jornalismo mercenário ocupa o lugar que seria a liberdade de expressão. Um jornalismo que já não existe, substituído por precários obrigados sob pena de despedimento a repetirem as mentiras das centrais de informação.
Que vergonha a informação a dada acerca da Venezuela, da Síria, da Ucrânia, etc. É a própria democracia que está em causa. O PS alinha nisto tudo. Uma tristeza…
West Manufactures ‘Opposition - By Andre Vltchek
Venezuela : la tentative de coup d’état se poursuit - Anne WOLFF

14 de fevereiro de 2014

Uma queda do PIB - 40% superior à previsão do O. E. para 2013


Nota sobre a estimativa rápida do PIB do 4º trimestre e do ano de 2013
1.     Estas estimativas rápidas do 4º trimestre de 2013 eram aguardadas com grande expectativa por parte do Governo e da sua base de apoio a direita PSD/CDS. Pretende o Governo e a direita continuar o foguetório de que o pior já passou e de que a nossa economia já está a crescer.
2.     O INE acabou de divulgar as estimativas rápidas do 4º trimestre de 2013 das contas Nacionais. De acordo com o INE, o PIB no 4º trimestre de 2013 cresceu 1,6% comparativamente com o 4º trimestre de 2012 e 0,5% comparativamente com o 3º trimestre de 2013. O que é que estes resultados significam?
3.     Significam que ao fim de 11 trimestres consecutivos de variações homólogas negativas finalmente a nossa economia regista uma variação positiva no seu PIB, o que não deixará de ser assinalado pela direita com toda a pompa e circunstância.
4.     Com estes resultados fica claro que ao longo de 2013 o ritmo de recessão foi abrandando o que é bem visível nas variações em cadeia positivas.
5.     Da nossa parte teremos de assinalar o nº impressionante de trimestres com variações homólogas negativas (11), situação nunca antes registada e que naturalmente depois de trimestres sucessivos em queda, haveria de chegar o trimestre em que batendo no fundo não se poderia caír mais. O que é impressionante não é registar-se uma variação positiva do PIB ao fim de 11 trimestres consecutivos de queda, mas antes ser possível conduzir o PIB a quedas sucessivas e ininterruptas durante 11 trimestres. Esta será uma coroa de glória da direita portuguesa difícil de ser superada nos próximos tempos.  
6.     Teremos de assinalar que estes dados confirmam que 2013 foi mais um ano de recessão, com uma queda do PIB de 1,4%. Desta forma pela 1ª vez na nossa história o nosso país permanece em recessão durante 3 anos, acumulando uma queda do PIB neste período de 5,8% (o PIB caiu 1,3% em 2011, 3,2% em 2012 e agora em 2013 1,4%), que corresponde a uma destruição de riqueza produzida equivalente a 9 440 milhões de euros, a uma destruição de 323 500 empregos, a uma subida da taxa de desemprego real para cerca de 24%, com cerca de 1 milhão e quatrocentos mil desempregados e, que levou a uma emigração forçada de mais de 200 mil portugueses.
7.     Por fim apesar de todo o foguetório a verdade é que a queda do PIB é 40% superior à previsão avançada pelo Governo, quando da discussão do Orçamento de Estado para 2013.
14 de Fevereiro de 2014
José Alberto Lourenço (CAE

8 de fevereiro de 2014

Relatório da ONU sobre abusos sexuais de padres

Um Relatório da ONU, emitido pela Comissão para os Direitos das Crianças, pede ações imediatas do Vaticano contra os abusos sexuais sobre crianças. Considera que as políticas adotadas pelo Vaticano permitiram que padres abusassem sexualmente de milhares de crianças e ajudaram a esconder abusos largamente difundidos.
É pedido que todos os clérigos conhecidos ou suspeitos de abusos sobre crianças sejam imediatamente entregues às autoridades civis.
O relatório, considerado devastador, considera que as políticas e práticas do Vaticano conduziram à continuação dos abusos e impunidade dos perpetradores.
São também criticadas as políticas do Vaticano relativamente à homossexualidade, aborto e contraceção.
“Devido a um código de silêncio imposto a todos os membros do clero sob pena de excomunhão, casos de abusos sexuais sobre crianças dificilmente são relatados às autoridades nos países em que foram cometidos” – acrescenta o Relatório.
O Vaticano é também acusado de não tomar medidas para prevenir caos como o escândalo das lavandarias de Madalena na Irlanda em que raparigas eram mantidas em condições de trabalho forçado por freiras que incluíam “tratamento cruel e degradante” e “abusos físicos e sexuais”.
Em resposta ao relatório o Vaticano afirma estar decidido a proteger as crianças de abusos sexuais. Neste sentido o Papa criou uma comissão em dezembro último para lidar com estes casos.
Contudo a ONU afirma que nos arquivos do Vaticano existem dezenas de milhares de casos de crianças que devem ser entregues às autoridades, para que os culpados possam ser responsabilizados.Ver:
Vatican policies 'allowed priests to rape children' – UN
VATICAN CITY February 5, 2014 (AP) By NICOLE WINFIELD Associated Press 
 
Nota – O voto de castidade do clero secular (padres) só se tornou obrigatório já no final século XI com o papa Gregório VII. O papa declarou inválidos sacramentos por padres casados e excitou tumultos contra padres casados. No fundo da questão estava a herança de bens do clero que deixavam de reverter para a Igreja, mas para os filhos do padre.