Quando putativos especialistas recorrem ao "tem que", dá vontade de sorrir pelo ridículo. Mas "tem de" o quê e como? A Europa tem de: "dar uma resposta muito forte (à Rússia) não pode continuar a achar que vai resolver este problema com sanções e declarações" "A Europa tem de dizer à Rússia que não tem medo de a enfrentar militarmente".
A narrativa dos drones que caiem em países da NATO, vem mesmo a propósito, tal como uma fonte anónima lituana a dizer (que a CIA disse...) que a Rússia se preparava para atacar a França, Espanha, Itália - portugueses estai tranquilos... Como se diz em Itália: "si non é vero, é bene trovato"... numa altura em que se discutem orçamentos.
Portanto, a bravata do "tem que" resume-se a: dinheiro para as empresas de armamento, cortes no que é social e como apagaram o papão dos comunistas, serve o papão da Rússia de Putin, para controlar a "malta", que trabalha, paga e se for preciso vai morrer longe, para que alguns fiquem cada vez mais ricos - é assim que o sistema funciona.
Como a tese é uma guerra com a Rússia, vale a pena recordar quem a quer e porquê. "Narrativa" é uma falsa construção da realidade, baseada no apagamento do histórico factual, pois esse passado pode esclarecer-nos sobre o presente. Ora, o que está inscrito no passado é a violação de compromissos da não expansão da NATO e a neutralidade da Ucrânia, estipulada quando lhe foi dada (é o termo) a independência.
Em 2004, foi promovida a "revolução laranja" forçando uma terceira volta - inconstitucional - de eleições para colocar no poder em 2005, o candidato pró-ocidente, Yushchenko. O fracasso das suas políticas levou a que em 2010 obtivesse apenas 5,45%, acabando por ganhar Yanukovytch, que defendia a neutralidade da Ucrânia, derrubado em 2004.
A conspiração não parou, em 2013 recomeçaram distúrbios, com os mesmos objetivos de 2004: trazer a Ucrânia para a UE e de caminho para a NATO. Em fevereiro de 2014, com garantias da Alemanha, Polónia França, foi estabelecido um acordo com a oposição para um governo de unidade nacional e eleições presidenciais antecipadas. Isto não satisfez o império que não aceita ser limitado por acordos, provocando o golpe Maidan.
Os europeus ignoraram os seus próprios compromissos, a frase de desprezo e obscena da sra Nuland, e declararam "o início da transição democrática que atende às aspirações do povo ucraniano." Consagrava-se o fim da UE como entidade independente.
A "transição democrática", deu livre curso às organizações de extrema-direita e neonazis, ilegalizou, perseguiu, prendeu, não só comunistas, mas tudo o que fosse ou parecesse de esquerda e estabeleceu o objetivo de abolir a língua russa.
Surgindo protestos, foram reprimidos brutalmente - como os refugiados na Casa dos Sindicatos de Odessa queimados vivos. Para o Donbass foram enviadas forças militares que apesar de 13 a 14 mil mortos, maioritariamente civis, incluindo crianças, não tiveram êxito. Na Crimeia, com Sebastopol tendo um estatuto de concessão à Rússia, foi desde logo efetuado um referendo sobre a independência relativamente a Kiev e reunificação com a Rússia.
Kiev, incapaz de vencer os que no Donbass se insurgiam contra os golpistas de Maidan, foi levada em fevereiro de 2015, ao acordo de Minsk, apoiado pela França, Alemanha, Rússia e ratificado em 2019. Como se sabe foram apenas a forma de ganhar tempo e rearmar Kiev, nunca foram cumpridos. Previam incluir na Constituição autonomia para Donetsk e Lugansk, e o direito de usar a língua russa.
Numa tentativa de apaziguamento, em dezembro de 2021, a Rússia propôs um acordo, ignorado pela NATO, de segurança mútua entre a Rússia, Europa e EUA. Por aqui se pode avaliar quem queria o conflito.
A invasão russa em fevereiro de 2022, foi a forma de impedir o ataque com apoio da NATO aos territórios independentistas do Donbass. Sem linhas de defesa preparadas pela NATO, como agora existem, Kiev recuou e solicitou negociações. O PM britânico Boris Johnson foi a Kiev determinar o cancelamento do acordo, baseado nas propostas de Kiev, já assinado, ordenando que a guerra prosseguisse. Situação que evidencia a guerra na Ucrânia como a guerra da NATO contra a Rússia através da Ucrânia, e o clã de Kiev fantoches da UE/NATO a quem se lhes permite a corrupção em troca da obediência total. As consequências para o futuro do que restar da Ucrânia não entram nesta equação.
Em agosto de 2025, no Alasca, Putin aceitou as propostas de Washington, anunciadas conjuntamente, em que se considerava necessário não apenas um cessar-fogo, mas um acordo de paz de longo prazo encerrando a guerra de forma confiável. Contudo, em junho de 2026, na cimeira do G7 e na cimeira da NATO em Ancara, líderes europeus anunciaram que haviam "enterrado Anchorage" e que os Estados Unidos estavam firmemente ao lado da Ucrânia.
Isto ajuda a explicar a posição russa e a perceber a razão por que depois das "estratégias" falhadas e das trafulhices da UE e NATO acham que "a Europa tem que", pois a Rússia vai invadir a Europa... Acredite quem quiser, mas não se queixam das consequências.
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