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12 de fevereiro de 2026

A extrema-direita no governo, exemplos de Itália e Argentina - 1

Em 2014, o partido Fratelli d'italia, chefiado por Meloni, obteve 3,7% dos votos, 8 anos depois, em outubro de 2022, Meloni torna-se PM de Itália. Como se vê os media trabalharam bem com a social-democracia a abrir-lhe as portas.

A sua propaganda adotou a tática populista contra imigrantes e contra a religião islâmica como um ataque aos cristãos. Fundou o movimento "Nossa Terra - Italianos" - que por cá tem a tradução "os portugueses primeiro".

A tática inclui também a indignação populista: "Tenho vergonha de um Estado que nada faz pelas famílias italianas. Tenho vergonha de um Estado que defende os direitos dos homossexuais […]. Um Estado justo cuida dos mais fracos, daqueles que não podem defender-se e vamos defender nossa identidade."

O seu lema: "Deus, pátria e família", é oriundo dos fascismos. Coerentemente, considera os feriados do Dia da Libertação do Nazi-Fascismo e do Dia da República, como "dias divisionistas". Em 2021, um professor universitário caracterizou-a com nomes vulgares numa rádio, foi suspenso.

Em outubro de 2021 esteve reunida com Santiago Abascal (Vox) e A. Ventura em Madrid, concordaram com fronteiras seguras para a proteção dos povos da UE, o respeito pelas soberanias nacionais, a defesa da família, da cultura da vida, e da liberdade dos pais na escolha na educação dos filhos. No seu discurso, destacou que “Tudo que nos identifica está sendo atacado (…), mas não vamos permitir", reafirmando o compromisso com a defesa contra as ameaças do comunismo e pela união dos defensores da liberdade contra o totalitarismo da esquerda nos dois lados do Atlântico.

Meloni, Abascal e Ventura comprometeram-se a lançar um fórum de colaboração de "patriotas do sul da Europa" com semelhanças em termos de identidade, história, costumes, valores e vocação geopolítica com o objetivo de dar um impulso alternativo ao projeto europeu.

Das primeiras medidas do seu governo constam prisão até seis anos para festas e comícios ilegais. A lei é aplicada a qualquer aglomeração ilegal considerada perigosa e políticas mais rígidas contra a imigração ilegal. Claro que a lei posterior determinará o que é "ilegal"... Já tivemos essa experiência com a "legalidade" salazarista.

As pessoas não se iludam, defender políticas de Estado forte e economia privatizada, significa fascismo. Meloni defende uma menor interferência do Estado na economia: "A riqueza é feita pelos trabalhadores e pelas empresas, o Estado deve permitir que eles a produzam". O objetivo do seu governo será "não atrapalhar quem produz". Defende eliminar "todos aqueles bónus inúteis que alimentam o assistencialismo mas não produzem desenvolvimento".

É contrária a que a tortura seja crime no sistema jurídico considerando que "impede os agentes de fazerem seu trabalho" querendo a sua abolição. Quer abolir a lei contra o racismo e fascismo (lei Mancini).

O neofascismo dos Fratelli dÍtália, não representa nenhum "rejuvenescimento" nem políticas "anti-sistema", o que quer que isto queira dizer. A Itália, está em estagnação desde 2000, Meloni nada alterou: o crescimento do PIB nos 3 anos do seu governo é de 0,68%. A divida pública é de 151% do PIB. Em julho de 2025, 62% dos italianos consideravam seu desempenho negativo, em comparação com 34% que o consideravam positivo.

A Itália caiu completamente da decadência. A verborreia nacionalista da "soberania nacional", cedeu desde logo sob a pressão dos ditames de Bruxelas, falhas internas, conflitos sociais, declínio económico e dependência geopolítica. Meloni declarou apoio à Ucrânia, reafirmando a unidade do mundo ocidental diante da tirania. (?!)

As promessas foram anuladas pela realidade quer das normas da UE quer das aldrabices do seu populismo. O bem-estar dos cidadãos diminui constantemente esmagado pela inflação, aumento de impostos e instabilidade social. Resta a repressão e a demagogia racista.

Protestos dos trabalhadores contra as duras condições com que os trabalhadores se veem confrontados e ações de apoio aos palestinos, foram reprimidos com uma brutalidade inabitual na Itália.

A nova Lei de Segurança fez com que - tal como noutros países europeus - se instaurasse a censura, a vigilância, a repressão política. Os migrantes continuam a travessar o Mediterrâneo independentemente das promessas eleitorais. As marcas de luxo enfrentaram escândalos de exploração laboral, abuso e violência psicológica contra trabalhadores.

O euro - mantido artificialmente - e as sanções contra a Rússia, arrastam os restos da indústria italiana. As pequenas e médias empresas fecham, enquanto as grandes empresas estrangeiras dominam cada vez mais setores da indústria.

Os media italianos intensificam as operações psicológicas, convencendo o povo que os problemas são devidos a Putin, e que é preciso apoiar Kiev. A Itália com a extrema-direita no governo apresenta uma economia em ruínas, repressão e perda de identidade nacional numa fachada de "unidade europeia".


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