O alastrar da extrema-direita na UE, a versão Trump nos EUA, não representam uma revitalização do capitalismo monopolista e do imperialismo, pelo contrário, é um evidente sintoma mais que do seu declínio, da sua decadência.
Decadência visível na incompetência dos governantes, meros tecnocratas facciosamente ligados aos objetivos do extremismo neoliberal. As social-democracias alinhadas cada vez mais à direita, incapazes de raciocínio lógico e coerente, fixados em que "não há alternativa" à economia dominada pela oligarquia e ao belicismo contra os que contestam o domínio unipolar neocolonial e imperialista.
Mas não é só a incompetência das lideranças é a sua decadência moral, o sistemático recurso à mentira quer para o enquadramento geopolítico, quer nas promessas eleitorais. É a degradação moral das chamadas "elites" evidenciada nos casos Epstein. É o recurso a farsantes promovidos a líderes da social-democracia e da extrema-direita. É o beneplácito que um jornalismo que se demitiu da sua deontologia e permite que a propaganda da extrema-direita seja divulgada sem sequer se perguntar como seria concretizado o que prometem e ameaçam, nem a confrontar com as recorrentes mentiras ou com o que o seu programa expressa.
O agudizar das contradições do sistema, como o endividamento, a degradação das condições sociais, o palco de falsas promessas que se sabe nunca serão cumpridas em que as eleições se tornaram, as políticas de guerras constantes sem capacidade para as resolver nem para manter, etc. Tudo isto mostram a incapacidade do grande capital transnacional ter soluções para as crises que originou, recorrendo (de novo) à extrema-direita fascizante e às suas táticas fazendo apelo a um dos mais baixos sentimentos humanos: o racismo, a discriminação racista.
Como disse Alastair Crooke, o sistema chegou a um ponto em que o agravamento das suas contradições económicas, sociais, geopolíticas levaram ao que em xadrez se designa por Zugzwang, é-se obrigado a movimentar as peças, mas qualquer movimento piorará a sua posição. A própria propaganda, como lavagem cerebral das massas populares efetuada pelos grandes média, caracterizada em como as manchetes o manipulam para a guerra, leva à diminuição da consciência cívica e dos valores humanistas.
Um falso pluralismo é disfarçado com discordâncias, mas sem que seja deixado sair dos padrões do sistema. O totalitarismo do "não há alternativa" está sempre presente".
A desindustrialização, a precariedade, os ataques à legislação laboral, o deficiente funcionamento da fiscalização e tribunais do trabalhos, contribuem para fragilizar o movimento sindical dificultando a resistência do proletariado à ofensiva neoliberal - desde há décadas - contra as suas conquistas anteriores. A propaganda promove - com ajuda das social-democracias - a despolitização do proletariado. A sua revolta contra a degradação das condições de vida e falta de perspetivas que os media cultivam, é assim condicionada pela demagogia populista da extrema-direita,
As social-democracias não só não resistiram ao avanço da extrema-direita, como a favoreceram com as políticas neoliberais implementadas chegando mesmo a alinhar em alguns casos nos temas racistas.
Perante a crise capitalista e geopolítica o objetivo é manter a estrutura imperialista e o capital transnacional. As oligarquias nacionais querem o fortalecimento do Estado que a extrema-direita defende, mas esta fachada nacionalista limita-se à xenofobia e ao racismo, ao ataque generalizado às condições do proletariado - também em nome do "nacionalismo". Quanto ao resto um "Estado mínimo" sob o poder imperialista hegemónico.
O neoliberalismo, revela cada vez mais o seu carácter fascizante, obrigando o capital transnacional a redobrar os seus ataques contra os trabalhadores dos seus países e contra os povos do Sul Global, através da coação das sanções, das conspirações "coloridas", da guerra quando o resto falha.
O grande capital necessita de contínua expansão e aumento da exploração para resolver a questão da queda das taxas de lucro. Perante o generalizado empobrecimento das camadas populares, já não em termos relativos, mas em valores absolutos, a alternativa apresentada pelas oligarquias é recorrerem novamente à fórmula fascizante do Estado forte para conter o descontentamento e revolta contra as suas políticas. É o que está, pois em curso, na UE, RU, EUA, com o ataque às liberdades e garantias políticas e cívicas.
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