Segundo sondagens 33% dos eleitores propõem-se votar no que tem sido revelado como politicamente um mentiroso compulsivo. A promoção deste figurante de uma agenda pelo domínio absoluto dos interesses da oligarquia sem peias democráticas e constitucionais (mesmo expurgada do que mais progressista continha do espírito antimonopolista do 25 de ABRIL) tem sido feita por certa imprensa, TV, sites da extrema-direita organizados.
Como foi divulgado, em 5 meses no ano passado, o figurante teve 18 grandes entrevistas em TV sem contraditório (além de rádios). Os seus procedimentos foram caracterizados numa TV por alguém (nome não retido) como de "bully". Isto é, por norma agressivo, porém se realmente contestado ou desmascarado, vitimiza-se.
A sondagem revela o nível de despolitização a que a "democracia liberal" conduziu a população. O papel do PS neste processo não pode ser ignorado, até porque democraticamente é necessário para uma decisiva mudança de rumo. É dramático que parte importante da população tenha esquecido que todos os benefícios sociais que a direita vai reduzindo e contornando foram obtidos pelas iniciativas e lutas da esquerda, digamos, coerente.
Para satisfazer a oligarquia e o neoliberalismo da UE, o PS deixou o campo democrático enfraquecido, face às investidas da reação antidemocrática que se evidencia no neofascismo. Estes reacionários servem-se do descalabro económico e social e geopolítico das políticas de direita para empurrar o país para a extrema-direita.
Trabalhadores e ex-trabalhadores votarem em quem faz apelos à discriminação racista de outros trabalhadores, é uma tragédia relativamente aos ideais libertadores, anticolonialistas e de participação popular do 25 de ABRIL. Um esforço de esclarecimento é necessário.
O racismo procura dividir os seres humanos em raças distintas umas superiores outras inferiores. É uma necessidade primária do fascismo e do imperialismo para impor o seu controlo sobre todos. A unidade de classificação mais evidente dos seres vivos é a espécie (1). Dois indivíduos pertencem à mesma espécie quando sexos diferentes podem procriar uma descendência fecunda. Cada espécie tem um número tão grade e diversificado de indivíduos que é estabelecida uma "subespécie", designada raça.
Uma raça é um conjunto de populações cujos patrimónios genéticos têm estruturas semelhantes e nitidamente diferentes das estruturas de outras raças. É este o critério para classificar raças diferentes. Os cientistas que souberam distinguir as diferentes raças animais não humanos, devem utilizar as mesmas técnicas para obter uma definição de raças humanas. As consequências de uma classificação errada, a pertença a um dado grupo que supostamente seria uma raça diferente levou milhões a um destino dramático.
Uma das observações mais importantes foi descobrir que o que permite distinguir uma população humana de outra quando comparados os patrimónios genéticos não é a presença ou ausência de um gene mas a diferença entre as suas frequências. Por exemplo, para o sistema sanguíneo A B O os genes A, B, O estão presentes em todas as populações europeias, asiáticas ou africanas. A frequência do gene B é muito elevada (atinge 30%) na Ásia Central, diminui para oeste com 15% na Alemanha, 10% na França. A definição de raças humanas é assim um trabalho de cálculo, comparando para todos os genes conhecidos as frequências em diversas populações e calcular uma "distância genética" entre elas.
Em resultado revela-se impossível classificar as diferentes populações humanas em raças, a menos que se estabeleçam arbitrariamente critérios, levando a conclusões sem ligação à realidade. Segundo o nível de precisão a respeitar cientificamente podemos enunciar que ou não há nenhuma raça humana ou que só há uma raça: a humanidade. Que existem tantas raças quanto os humanos ou que o "conceito de raça não é operacional na nossa espécie".
Isto não significa que todas as populações humanas sejam parecidas. Se representarmos por 100 a distância genética média entre as diversas populações da Terra, a distância média entre populações do que chamamos "raça" (branco, amarelos, negros) é de 92, e entre populações de uma mesma nação 85. Estas médias, têm uma grande dispersão, assim o autor considera que haverá muitos homens nascidos longe de si geneticamente mais próximos que outro francês.
O conceito de raça não cobre para a nossa espécie nenhuma realidade, é totalmente desprovido de sentido. O racismo não tem que ver com a existência ou não de raças, mas sim com a pretensão de ter o direito de desprezar um indivíduo em função da sua pertença a uma coletividade. O racismo exprime-se pela afirmação: "Todos os... são..." ou "devem ter de..." O racista não se incomoda com subtilezas atribuindo a a todos um conjunto de qualidades, sobretudo defeitos, que só podem ter definição para indivíduos.
Estamos aqui perante um pensamento pré-lógico (ou irracional) que não mereceria a nossa atenção se não resultasse nas abominações que sabemos. O autor recorre ainda a uma análise da matemática dos conjuntos: a não igualdade só implica a hierarquia para os números, não para os conjuntos.
1 - Sobre raças e racismo: Albert Jaccquard, professor de genética matemática em Paris, Genebra, Stanford (EUA). Em "A equação do nenúfar", Ed Terramar.
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