O mundo mudou, dizem. Em termos dialéticos diríamos que está num processo de profundas mudanças. Um processo em que a guerra na Ucrânia representou o fim do princípio das mudanças em curso, com dois blocos: um o liderado pela China e pela Rússia que procura estabilizar o mundo multipolar, o outro liderado pelos EUA quer impedi-lo a todo o custo.
O objetivo de Trump em aumentar o orçamento militar para 1,5 milhões de milhões de dólares, mais 50% que o anterior, significa que para defender a sua hegemonia a possibilidade de guerra mundial tem de ser assumida.
Esta arrancada militarista é simplesmente uma forma de reagir aos avanços da multipolaridade, com a correspondente desdolarização e declínio de influência dos EUA. Os países preferem lidar com a China porque os EUA lançam o seu poder militar por todo o mundo, ameaçando toda a gente, envolvendo-se em guerras, e a China não o faz. Porém, à medida que o império americano enfraquece e sente ameaçado o seu poder, torna-se mais agressivo.
O dito ocidente, a "comunidade internacional" ou como comentadores referem como o "mundo", só existe na cabeça deles seguindo os gurus de Davos. Para o presidente do World Economic Forum, o fórum pretende estabelecer as "condições certas para guiar o mundo". Mas que espécie de democracia é esta que querem impor? Somos transformados em carneirada hipnotizada pelas TV? E a que mundo se refere?!
A derrota da NATO na Ucrânia, não foi o princípio do fim do império unipolar. A instabilidade e a insegurança global permanecem. Washington é obrigado a pressionar os aliados para suportarem o peso do império em declínio, seja económico, militar, geoestratégico. Os europeus, podiam fantasiar-se de parceiros do império americano, "a unidade atlântica". Isso acabou. As contradições que o declínio imperial agravou não o permitem mais. A realidade impõe-se em todos os campos, enquanto a mudança global: prossegue, com países cada vez mais países a verem a China como o futuro líder.
O que os líderes europeus mais desejam é continuar a rastejar perante Washington, ignorar a agressão na Venezuela, em Gaza, disfarçando as ameaças na Gronelândia, mentido aos eleitores, enquanto satisfazem Washington com aumento das despesas militares, preparação para restabelecer serviço militar obrigatório, etc.
Mas como, pretendem os EUA manter o império, seja com Trump, com os neocons ou quaisquer outros que governem para satisfazer a oligarquia?
Para manter o império, só em 2025, a Força Aérea dos EUA realizou mais de 500 bombardeamentos fora das suas fronteiras, isto sem ter em conta as centenas de ataques aéreos realizados por Israel. As guerras com o envolvimento dos EUA desde o 11 de setembro, mataram pelo menos 940 000 pessoas através de violência direta, de acordo com o Instituto Watson de Assuntos Internacionais e Públicos da Universidade Brown, até 3,8 milhões de pessoas a morrerem indiretamente em zonas de guerra, cerca de 38 milhões de pessoas obrigadas a deslocamento na Ásia e no Médio Oriente. Guerras que custaram desde 2001, mais de 8 milhões de milhões de dólares. Desencadearam também uma grave crise de saúde mental entre os soldados norte-americanos, com pelo menos quatro vezes mais pessoal em serviço ativo e veteranos a morrerem por suicídio do que em combate.
Que ganhou o império com tudo isto, apesar da mascarada propagandística? Está pior que antes, agravando o seu declínio em todos os planos. Internamente, a contestação às políticas, designadamente de cariz fascizante, tem aumentado drasticamente, reprimidas com com crescente violência. Mas os pés de barro do império são também o seu endividamento: só nos últimos 6 anos o governo federal endividou-se 2 milhões de milhões de dólares por ano, 5,5 mil milhões por dia! Resultado: desdolarização, com bancos centrais e fundos soberanos a mudar para o ouro...
A solução para a crise imperialista mostra ser mais guerra. O Irão está como objetivo prioritário. Falhada a largamente organizada - e financiada - tentativa de "revolução colorida" com a cooperação entre a Mossad, a CIA e os serviços britânicos, a rede usada foi liquidada com a ajuda russa, que quebrou os códigos de espionagem e permitiu a captura dos recetores Starlink.
Contudo, recentes atos de sabotagem, atentados em infraestruturas, mostram que ainda existem elementos ativos. A tentativa de dominar o Irão é uma aposta decisiva para o império, mas arriscada. Não se trata - apenas - do potencial bélico iraniano e dos custos que isso pode infligir aos EUA, incluindo o seu prestígio, mas da reação da Rússia por tornar insegura a sua fronteira no Mar Cáspio e para a China ao ver cortadas importantes rotas comerciais, fragilizar os BRICS, etc.
Qual o papel da UE neste quadro que nos pode afetar a todos? Nenhum, limita-se a repetir o que a CIA mandar...
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