Em várias ocasiões dei nota da impreparação e imaturidade de um número considerável de líderes europeus. Temos aqui mais um exemplo, desta vez reportando-se às declarações da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, na Conferência de segurança de Munique. Segundo ela, a NATO devia fazer orelhas moucas aos alertas de Moscovo, rejeitar todas as linhas vermelhas e atacar a Rússia na sua profundidade estratégica recorrendo aos Tomahawks. Segundo ela, alinhando com um argumento que fez moda, os ucranianos combatem com uma mão imobilizada atrás das costas.
Para a senhora Frederiksen não há nada
mais natural do que atacar a Rússia com misseis de países da NATO,
operados por empresas contratadas por países da NATO, atacar alvos
selecionados e guiados pela inteligência de países da NATO. Tudo isso é
razoável. Os russos que não atacam os locais na Europa de onde parte o
apoio logístico para as operações na Ucrânia, por exemplo, o aeroporto
de Rzeszów–Jasionka, na Polónia, ou o quartel-General onde é feito o
planeamento das operações em Wiesbaden, na Alemanha, etc. não terão,
segundo ela, quais restrições. Não sei se terá alguma vez pensado nesta
nuance. Não parece.
Por outras palavras,
Frederiksen é uma durona. Apenas um apontamento histórico. A poderosa
Dinamarca, que em 1940 resistiu bravamente, durante 6 horas, à
Wehrmacht, antes de capitular quase sem disparar um tiro, tornou-se um
governo colaboracionista até o fim da guerra, em 1945. Entretanto, os
EUA ocuparam a Gronelândia para impedir que os alemães o fizessem. Como
diria o ex-rei Juan Carlos,” porque não te calas?”
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