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28 de fevereiro de 2026

Sobre o caso Epstein - 2 - Indicador da desumanidade das chamadas elites

 A falta de moral individual e noção de impunidade passa para as relações internacionais. Os ficheiros Epstein vão aparecer nos media como mais um "filme", mas a indignação daqueles que da oligarquia tudo aceitam, como o massacre de crianças em Gaza, vai perder-se nos casos do dia a dia. 

O monstruoso clube de elite do financeiro Jeffrey Epstein foi praticamente ignorado pelos media durante 20 anos, apesar de sua prisão por tráfico sexual em 2006. Mesmo agora documentos do Departamento de Justiça, recentemente divulgados, mostram que autoridades federais ordenaram à polícia de Nova Iorque que abandonasse as investigações sobre Epstein após a sua detenção em 2019.

A degeneração destas elites foi expostas em filmes como Salo ou 120 dias de Sodoma, de 1975, de Pasolini; Eyes Wide Shut, de 1999, de Stanley Kubrick. Após a estreia de Salo, Pasolini foi assassinado. Kubrick morreu, diz-se que por ataque de coração, ainda antes de o filme ser estreado (a versão exibida está cortada em mais de 20 minutos). Há também o filme 8 mm que revela aspetos da "dark web" usufruída por gente da "elite".

A propaganda mediática altamente organizada, tenta novamente encobrir os aspetos mais sombrios dos arquivos Epstein. As elites estão prontas para desistir de lutar em alguns aspetos. Sabem que o abuso de adolescentes não provocará indignação suficiente para haver uma multidão enfurecida contra eles. Farão tudo para abafar o abuso de crianças muito pequenas e evitar que a investigação se estenda a questões de canibalismo e satanismo.

Enquanto o público achar que eles são apenas pervertidos ricos e poderosos divertindo-se com garotas de 16 e 17 anos, as elites acham que conseguem resistir à tempestade. Eles podem até conseguir convencer grande parte da população de que essas meninas faziam aquelas coisas "por vontade própria."

Caso algum dos autores seja realmente julgado não há demasiada esperança que os suspeitos sofrerão consequências legais legítimas. Basta ver o número de juízes corruptos nos Estados Unidos. Imagine-se o exército de advogados que aparecerão para proteger os clientes de Epstein. Para já, os apanhados nas malhas das relações com Epstein, de nada sabiam nem nada de errado cometeram. A Clinton entretanto, mentiu sob juramento na comissão do Congresso.

Pelo menos uma testemunha deu 4 entrevistas ao FBI em 2019, apenas uma foi divulgada. As outras 3 desapareceram dos arquivos Epstein, a única entrevista divulgada não contém acusações contra Trump; de 15 documentos atribuídos a essa testemunha, apenas 7 foram tornados públicos. Em 2025 o FBI identificou- a como acusando Trump de agressão sexual quando ela tinha entre 13 e 15 anos. Onde ela disse, para quem disse, não sabemos porque três dos memorandos de entrevista desapareceram.

Este caso permitiria revelar às pessoas a realidade do sistema em que vivem e reabrir casos enterrados pela "elite" como o caso Franklin de prostituição infantil, descoberto nos final dos anos 1980, envolvendo políticos, empresários e autoridades policiais. A figura central, Lawrence King Jr., político do Partido Republicano e diretor da Franklin Federal Credit Union, uma instituição que se envolveu em desvio de fundos, tendo King sido preso por fraude financeira em 1988. King também foi acusado de tráfico sexual e abuso sexual de crianças. Relatórios mostravam que crianças tinham sido abusadas em festas frequentadas por elites. Menores eram levados de avião para várias cidades dos EUA, "leiloados" como escravos sexuais, recebiam drogas, eram forçados a atos sexuais, sendo também realizados rituais satânicos.

Durante 1989, Gary Caradori e um Comitê Franklin obtiveram relatos de pelo menos meia dúzia de jovens que contaram histórias de abusos por parte de King e outros. As vítimas, frequentemente de famílias adotivas ou de um orfanato alegavam ter sido recrutadas sob falsos pretextos. 

Caradori e seu filho de 8 anos morreram num acidente de avião pequeno que se desfez misteriosamente no ar ao voltar de uma viagem com provas que desapareceram do local do acidente. Em meados de 1990, após meses de depoimentos, um grande júri concluiu as alegações sobre uma rede de abuso sexual infantil eram infundadas. Um grande júri federal chegou à mesma conclusão.

Entre os principais acusadores de King estavam Alisha Owen e Troy Boner. Alisha Owen, uma das principais acusadoras, foi condenada por perjúrio em 1991 e sentenciada a 9 anos de prisão, esteve mais de quatro anos presa saindo em liberdade condicional. Troy Boner retratou-se devido a ameaças e depois voltou para afirmar que tudo o que havia dito originalmente era verdade. Boner morreu misteriosamente aos 36 anos no Texas, em 2003, sem ser divulgada publicamente a causa da morte.

Um documentário britânico de 90 minutos de 1993, Conspiracy of Silenceque investigou as alegações do caso Franklin entrevistando outros envolvidos no escândalo, nunca foi exibido em cinema ou TV, acabando por surgir na internet uma versão incompleta.

Fonte - Reabrir o caso Franklin após as revelações sobre Epstein



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