A pergunta e resposta é de Alastair Crooke. Note-se que a dívida federal dos EUA é de 124,2% do PIB; se incluirmos as dívidas dos Estados e locais atinge 134,7%; no total incluindo empresas e particulares a dívida é de 342,3%. O défice da BC é de 846 mil milhões de dólares.
Davos e Munique, mostraram as ambições gigantescas de Trump e os meios pelos quais espera alcançá-las. No entanto, pode ser tarde demais. A Rússia sozinha não será capaz de estourar a bolha de Trump, mas a China, a Rússia e o Irão juntos podem e provavelmente o farão.
Em Munique, Rubio expôs a visão de que a descolonização foi uma conspiração comunista sinistra que destruiu 500 anos de impérios ocidentais: “Durante cinco séculos, o Ocidente esteve em expansão. Seus missionários, soldados e exploradores cruzaram oceanos, colonizaram novos continentes e construíram vastos impérios que se estendiam por todo o globo”.
“Em 1945, pela primeira vez desde Colombo, os grandes impérios ocidentais entraram em declínio terminal, acelerado por revoluções comunistas ateístas e por levantamentos anticolonialistas que transformaram o mundo e cobriram vastas áreas com a foice e o martelo vermelhos”. "Aquela era passada pode ser recuperada. "Já fizemos isso juntos antes. Defendemos uma grande civilização. Podemos faze-lo novamente agora juntos com vocês, ou podemos fazer isso sozinhos. A escolha é da Europa."
Os EUA estão portanto empenhados em restaurar o domínio ocidental, em que “o poder faz a razão”. O que pode pôr fim a esta ambição de subverter o direito internacional, sem ter de pedir permissão a alguém? A China, juntamente com a Rússia, o Irão e alguns do Sul Global podem impedir isso. Um exemplo da arrogância dos EUA foram as tarifas sobre a China (ou as sanções à Rússia) considerando que todos os países estão em desvantagem perante os EUA. Não é assim...
Os EUA estão de acorrentados num modelo económico financeirizado, a dependência de linhas de abastecimento externas, os gastos descontrolados, a montanha de dívidas e a escolha de seguir um modelo de IA que deixará muitos da classe média ocidental sem emprego, tudo isto contribui para o “fracasso do projeto”.
O conflito na Ucrânia foi transferido para os europeus, que repetidamente falham em apresentar qualquer solução; eles simplesmente exigem a continuação de um conflito que a Ucrânia perde. A Ucrânia é um fardo financeiro para a Europa.
O objetivo dos Estados Unidos é estrangular a economia chinesa por meio de uma “guerra” comercial; um bloqueio naval para destruir linhas de abastecimento; militarizar ilhas circundantes; apreender petroleiros. Os bloqueios à Venezuela, Cuba e Irão estão todos ligados. Se a hegemonia do dólar não puder ser mantida, Trump está determinado a alcançar o domínio energético.
A administração Trump está repleta de “falcões” anti China. Mas a China sabe quais são os planos dos EUA e preparou-se. Os EUA não podem lutar contra a Rússia, a China e o Irão ao mesmo tempo. Portanto, primeiro é o Irão, depois um enfraquecimento da Rússia e um endurecimento dos bloqueios e cercos em torno da China.
Michael Vlahos, lecionou guerra e estratégia na Escola Naval de Guerra dos EUA, observa que: “A China tem toda a capacidade para construir e produzir aviões e navios. Ela tem 200 vezes a capacidade de construção naval dos EUA. E os EUA estão numa posição em que não conseguem nem mesmo manter e reparar os navios que possuem."
Os EUA já perderam a guerra financeira: o excedente comercial da China atingiu 242 mil milhões de dólares no quarto trimestre do ano passado. Embora o comércio da China com os EUA tenha caído mais de 20%, as exportações da China crescem fortemente com o resto do mundo. Hoje, a China é altamente autossuficiente e competitiva, os Estados Unidos não são nenhuma das duas coisas e as tarifas dos EUA foram passadas aos consumidores e importadores dos EUA.
Os défices comerciais dos EUA são cobertos pela Reserva Federal, imprimindo dinheiro e o Tesouro emite títulos para cobrir dívida, que a China não compra. Este ano, vão precisar de tomar emprestado 1,9 milhões de milhões, mas acabarão precisando muito mais. Os títulos dos EUA enfrentam agora taxas de juro mais elevadas. Razão pela qual os EUA precisam pressionar seus aliados por dinheiro. Não há literalmente nenhum dinheiro sobrando para reinvestir ou subsidiar indústrias diretamente. Os EUA estão essencialmente falidos.
Tudo o que a China precisa fazer é continuar mantendo um grande excedente na conta corrente e o endividamento dos EUA ficará cada vez pior. A China continua crescendo porque controla o capital. O dinheiro ganho por Pequim fica principalmente dentro do país ou é investido estrategicamente em outros lugares.
“Trump, está sobrevivendo graças a empresas estrangeiras que estão transferindo a produção para os EUA. Trump precisa que a China reduza a participação no mercado global para as exportações dos EUA crescerem, mas os produtos americanos não são competitivos. Portanto, o dólar teria que ser ainda mais desvalorizado para tornar a indústria americana competitiva nos mercados globais de exportação.
O dilema é: ou se compromete com um dólar muito mais fraco ou com um déficit público ainda maior. Estamos começando a ver o sistema americano a desintegrar-se: a economia sobreendividada está cedendo sob seu próprio peso.
A arrogância é acreditar que o mercado americano é excecional e que ninguém pode dar-se ao luxo de ficar de fora, mas é exatamente isso que a China está fazendo.
Fonte - Who can halt the-america-first ambition rolling across the globe
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